Hoje vi(vi) um filme: MONSTRA'13: A Letter to Momo

domingo, 17 de março de 2013

MONSTRA'13: A Letter to Momo

*7.5/10*

Do Japão directamente para a Competição Internacional da MONSTRA, A Letter to Momo (Uma Carta para Momo) traz consigo magia e fantasia, e todo o estilo anime a que a animação japonesa nos tem habituado. A longa-metragem de  Hiroyuki Okiura - realizador com um vasto leque de colaborações em diversos departamentos em filmes como Akira ou Ghost in the Shell - tem já arrecadado prémios, como o Grande Prémio para Melhor Longa-metragem no Festival Internacional de Cinema Infantil de Nova Iorque e o prémio para Melhor Longa-metragem de Animação no Asia Pacific Screen Award 2012.

Espiritualidade, sentimentos profundos, emoções fortes: A Letter to Momo está recheado de todos eles. Momo tem 11 anos e cresceu em Tóquio, mas após a morte do pai vai viver com a mãe para uma antiga casa da família numa ilha remota. Não faltam por lá construções de madeira, santuários sagrados, campos de cultivo, mas nenhum centro comercial, como a jovem tanto gostaria. Para além de não estar satisfeita com a nova morada, Momo está também perturbada com uma carta inacabada que o seu pai lhe deixou. Certo dia, enquanto explora o novo sótão, Momo depara-se com um livro especial, e desde aí, coisas estranhas começam a acontecer.

O argumento desperta, desde logo, interesse, liderado por uma protagonista cheia de personalidade e coragem. Como é hábito na animação japonesa, não há medo de falar sobre a morte, ela é encarada naturalmente, como deve ser, e está bem no centro de todos os acontecimentos de A Letter to Momo

Por um lado, vamos acompanhando a difícil adaptação de Momo ao novo ambiente, a sua relação com os novos amigos, as discussões com a mãe; por outro, assistimos à evolução dos sentimentos gerados pela morte do seu pai e pela carta que ele lhe deixou. E neste segundo ponto entra a fantasia que soa quase naturalmente nesta longa-metragem, com os surpreendentes seres que vigiam Momo e a sua mãe, e que tanto contribuem para a mudança de atitude da protagonista, na compreensão de si mesma e daquilo que a rodeia.


A par de toda a sentimentalidade aqui presente, não faltarão gargalhadas proporcionadas por todas as personagens e que envolvem mais ainda a plateia. A Letter to Momo peca apenas por uma certa monotonia que se faz sentir para lá da metade do filme, que ganharia sendo mais curto (tem 120 minutos de duração).

Hiroyuki Okiura ofereceu-nos um filme para ser sentido e pelo qual nos devemos deixar levar. Uma história de amizade e de um amor que supera a própria morte.

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