Hoje vi(vi) um filme: IndieLisboa'13: Francine

domingo, 21 de abril de 2013

IndieLisboa'13: Francine

*5.5/10*


Brian M. Cassidy e Melanie Shatzky trazem à Competição Internacional do IndieLisboa'13 um drama protagonizado pela oscarizada Melissa Leo. Na sessão de Sábado, dia 20, na sala Manoel de Oliveira no Cinema São Jorge, esteve presente a realizadora que respondeu a algumas questões no final da sessão.

Quando sai da prisão, Francine instala-se numa pequena cidade rural norte-americana, onde leva uma vida solitária, evitando criar laços afectivos com as pessoas, mas oferecendo todo o seu carinho aos animais. Este amor parece dominá-la de tal forma que não hesita em agir em defesa deles.

Há que reconhecer, desde logo, a originalidade temática que dá origem a esta longa-metragem: a do amor incondicional pelos animais que leva uma mulher solitária a um estado pouco recomendável. Aliada a essa relação, junta-se a dificuldade em estabelecer ligações com os outros seres humanos, que mostra o quão paradoxal pode ser Francine. Mulher de poucas palavras, todos os empregos que lhe conhecemos envolvem animais, mas só a meio do filme a vemos mais próxima de outras pessoas, com as quais estabelece relações pouco comuns. Ainda perto do início, contudo, vemos o único momento onde Francine parece sentir-se inserida no meio de pessoas como ela: numa cena onde assiste - e sente profundamente -  um concerto de metal.


Todavia, a linha argumentativa, que tem tanto para dar, perde-se em situações não explicadas e inesperadas que nada contribuem para a construção da personagem e desenvolvimento da narrativa. As relações com os habitantes do bairro onde vive, por exemplo, não contribuem para a formação da sua personalidade, que já sabemos ser muito perturbada. O mesmo relativamente ao amor "exagerado" pelos animais. Na realidade, é chocante observar o desenrolar dessa situação, que vai do estado psicológico de Francine, ao da sua casa e dos próprios animais, como observamos mais tarde. No entanto, falta um rumo para esses acontecimentos, uma conclusão muito mais forte que a que o filme tem, que desilude verdadeiramente.

Francine não peca, em momento algum, pelo seu ritmo lento, que se adequa à história e personagem, mas sim por não saber agarrar uma temática com tanto para oferecer. Melissa Leo é, definitivamente, o melhor do filme, com uma interpretação arrepiante, acompanhada por uma banda sonora pesada e que se adequa, na perfeição, à acção.

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