Hoje vi(vi) um filme: IndieLisboa'13: Youth

sexta-feira, 26 de abril de 2013

IndieLisboa'13: Youth

*6/10*
Youth, a longa-metragem de estreia do jovem realizador israelita Tom Shoval, faz parte da Competição Internacional do IndieLisboa'13. O realizador esteve presente na sessão para responder às perguntas da plateia.


Youth, filmado em 35mm, centra-se em dois irmãos, Yaki (David Cunio) e Shaul (Eitan Cunio), que vivem com os pais numa cidade-satélite de Tel Aviv. Yaki está a cumprir serviço militar e tem autorização para trazer consigo uma arma, objecto que pode mudar a sua vida e a da sua família. O pai, desempregado, está no meio de uma depressão e, sem dinheiro, a família está em risco de perder o apartamento. Tentando encontrar uma alternativa, Shaul segue Dafna (Gita Amely), uma rapariga de boas famílias, até casa depois da escola, sempre a uma distância calculada, fazendo-nos suspeitar de que algo vai acontecer. Os dois irmãos raptam e trancam a jovem numa cave, contudo, escolheram o pior dia para contactar a família a pedir o resgate.

A tensão que a longa-metragem de Tom Shoval transmite à plateia vai crescendo à medida que os acontecimentos avançam, e a curiosidade é aguçada para descobrir quais serão as consequências dos actos dos irmãos Yaki e Shaul. O argumento está bem construído mas denota-se um problema que deita tudo a perder: não parece existir uma conclusão a retirar, por mais que todos saibamos que "brincar com armas" nunca poderia trazer bons resultados.

O foco do filme muda por mais do que uma vez, e o espectador aguarda com expectativa desenvolvimentos que não acontecem - quer relativamente a Dafne, quer quanto aos problemas financeiros que a família enfrenta. Sente-se a necessidade de uma profundidade maior a que a própria história obriga, e Tom Shoval não a alcançou. Contudo, não se pode negar que Youth é um filme intenso e violento, física e psicologicamente, com planos muito interessantes, boas interpretações e com a mais-valia de ser filmado em película.

Sem comentários: