Hoje vi(vi) um filme: DocLisboa'13: Abertura, Encerramento e Mohammad Rasoulof

segunda-feira, 30 de setembro de 2013

DocLisboa'13: Abertura, Encerramento e Mohammad Rasoulof

Doclisboa – Festival Internacional de Cinema acontece este ano entre 24 de Outubro e 3 de Novembro e já se conhecem os filmes de abertura e encerramento. Pays Barbare, de Yervant Gianikian e Angela Ricci Lucchi, abre esta 11ª edição e será Manuscripts don’t Burn, de Mohammad Rasoulof, a marcar o encerramento do festival.


A Sessão de Abertura do Doclisboa’13 acontece a 24 de Outubro, às 21h30, no Grande Auditório da Culturgest, onde Pays Barbare, será apresentado pelos cineastas, sediados em Milão, Yervant Gianikian e Angela Ricci Lucchi. Através de arquivos, o filme relata a presença colonial italiana na Etiópia e os mecanismos de subjugação aí utilizados durante a ditadura de Mussolini. Este documentário surge como um acto político, apelando à memória e à reflexão.

Por sua vez, a Sessão de Encerramento, no dia 2 de Novembro, apresentará Manuscripts don’t Burn, do realizador iraniano Mohammad Rasoulof, que conta a história real de um homem perseguido pelos serviços secretos iranianos, que tenta publicar as suas memórias de presidiário e sair do país. O filme é uma denúncia meticulosa de repressão no Irão. Ao longo do DocLisboa'13, serão apresentados documentários de outros dois cineastas iranianos dissidentes: Mohsen Makhmalbaf, exilado desde 2005, e Jafar Panahi (Isto não é um Filme, 2011), impedido de filmar no Irão e condenado a seis anos de prisão domiciliária.

Mohammad Rasoulof foi um dos cineastas detidos juntamente com Jafar Panahi. Em 2011, apresentou Goodbye, filme que venceu o prémio de realização Un Certain Regard, em Cannes. Este ano, conquistou o prémio FIPRESCI, no mesmo festival, por Manuscripts don’t Burn, filmado clandestinamente no Irão.

Manuscripts don’t Burn
O DocLisboa acrescenta também, em comunicado, que ainda este mês, Rasoulof disse reconhecer algumas razões de optimismo quanto ao regime iraniano, com a reabertura da House of Cinema. Contudo, o cineasta foi detido à chegada a Teerão, no dia 19 de Setembro onde lhe confiscaram o passaporte, encontrando-se agora sob interrogatório.“As últimas notícias de Mohammad Rasoulof indicam que se encontra em Teerão, impedido de sair do país. Depois do primeiro interrogatório, na quinta-feira, dia 26 de Setembro, foi chamado para contactar novamente as autoridades, no Sábado”, disse uma fonte próxima do realizador iraniano. A mesma fonte enviou um e-mail à direcção do DocLisboa explicando que "esta situação é inaceitável e que é necessário esclarecer que Rasoulof foi detido contra a sua vontade e que está impedido de fazer o seu trabalho como realizador e artista”.

A organização do DocLisboa explica pois que, por esta razão, não pode garantir a presença do realizador no júri da Competição Internacional da edição deste ano, para o qual foi convidado, e na Sessão de Encerramento. O festival afirma que está e estará solidário com a situação de Mohammad Rasoulof.

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