domingo, 27 de outubro de 2013

DocLisboa'13: 1960

*7/10*
No segundo dia do DocLisboa'13, 1960, de Rodrigo Areias, chegou ao Grande Auditório da Culturgest. O filme faz parte dos Programas Especiais do festival, e trata-se de um home movie em registo de diário de viagem todo filmado em Super 8. Através da arquitectura e a partir do Diário de Bordo de Fernando Távora, 1960 revisita a viagem do arquitecto no ano que dá título ao documentário.


Presente na sessão esteve Tomás Baltazar, o montador do filme, que explicou que 1960 foi filmado "como se na mão estivesse um olho", e a verdade é que é realmente isso que se sente. A câmara move-se como se fosse os nossos olhos, irrequieta, atenta aos detalhes.

A partir do Diário de Bordo de Fernando Távora, Rodrigo Areias percorreu alguns dos locais onde o arquitecto esteve em 1960. Imagens de Tóquio, Nova Iorque - e a subida ao Empire State Building -, do México, do Egipto, são-nos apresentadas, sempre filmadas em Super 8, e acompanhadas, em voz off, pelos escritos de Távora, que se adequam na perfeição ao que assistimos, apesar da diferença de décadas entre ambos. Conhecemos os locais e, ao mesmo tempo, os comentários do arquitecto, de admiração ou de desprezo por determinada edificação.


Os melhores momentos de 1960 acontecem na ida a Taliesin, em Spring Green, e demonstram na perfeição as emoções fortes que Fernando Távora sentiu ao visitar a residência de Frank Lloyd Wright, bem como o lugar onde este se encontra sepultado. Apesar das dificuldades que se apresentavam, a insistência do arquitecto português falou mais alto: "Nem que eu tenha de ir a pé, vim de Portugal para ver Taliesin" foi a frase decisiva para que o levassem ao local. Também Rodrigo Areias nos leva lá, muitos anos depois, e faz-nos sentir as mesmas emoções.

1960 volta a ser exibido no DocLisboa no dia 3 de Novembro, às 19h30, no City Alvalade - Sala 1.

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