Hoje vi(vi) um filme: LEFFEST'13: Crítica: Disponível para Amar / In the Mood for Love (2000)

terça-feira, 19 de novembro de 2013

LEFFEST'13: Crítica: Disponível para Amar / In the Mood for Love (2000)

*8.5/10*

Entre os homenageados do LEFFEST'13 esteve Wong Kar-Wai. Para além do mais recente trabalho do realizador, The Grandmaster, foram exibidos outros títulos da sua filmografia - Ao Sabor da Ambição, Days of Being Wild, As Cinzas do TempoChungking Express, Anjos Caídos, Felizes Juntos, Disponível para Amar, 2046 My Blueberry Nights - O Sabor do Amor

Em 2000, o mundo pôde conhecer Disponível Para Amar, uma longa-metragem sensível, romântica e realista que tem como palco Hong Kong dos anos 60. Wong Kar-Wai deixa o seu público hipnotizado pelas suas características marcas visuais que dão a este filme uma componente extra de brilhantismo.

O filme gira em torno da relação de Chow Mo-Wan (Tony Leung) e Su Li-Zhen (Maggie Cheung), vizinhos que vivem num prédio de apartamentos lotados na Hong Kong de 1962.  Casados com pessoas que estão sempre ausentes, os dois passam muitas noites sozinhos. Quando se conhecem, descobrem ter muito em comum: ambos gostam de artes marciais, frequentam o mesmo stand de noodles e, eventualmente, descobrem que são traídos pelos parceiros. Ao mesmo tempo que encontram conforto um no outro, escolhem não ser como os seus amantes infiéis.

O argumento simples ganha na originalidade ao tratar um tema que poderia ser tão comum. Contudo estes dois personagens  traídos preferem fugir à regra e manter a fidelidade aos que lhes são infiéis, com o consolo mútuo como único retorno desta relação. O amor e a paixão pairam em todo o ambiente de Disponível para Amar, quer nos sentimentos dos protagonistas, nas ruas da cidade, nos gostos em comum, nos movimentos de câmara, nas cores, nas cortinas que esvoaçam... Cada gesto, pensamento ou mínimo pormenor técnico ou de cenário transpira sentimentos fortes e contagia-nos.


Tecnicamente Wong Kar-Wai conquista-nos nos planos íntimos, inteligentes e sensíveis, que, por vezes, jogam com espelhos, ou com o arrastamento da imagem (tão típico do realizador), e onde a fotografia soberba evidencia cores fortes e padrões inebriantes (o vermelho domina e só nos enche de paixão), o fumo e a chuva, que unem as personagens. Recordem-se algumas cenas inesquecíveis em que os dois se cruzam, junto à escadaria que conduz ao stand de massas, ou o regresso a casa debaixo de chuva, onde não querem ser vistos a chegar juntos. A montagem faz igualmente um óptimo trabalho sendo os (belos) vestidos de Su Li-Zhen que nos informam da passagem do tempo. A banda sonora, não muito variada, é, no entanto, intensa e apaixonante.

Maggie Cheung e Tony Leung proporcionam-nos grandes interpretações com personagens divididas entre o amor e a fidelidade, numa árdua luta para não fazerem o mesmo que lhes fizeram. Entre o conforto e a alegria que sentem juntos, à consciência que lhes diz para não passarem os limites que impuseram a si mesmos, o dilema que sentem alastra até ao espectador, que sofre com eles.

Ao longo de todo o filme, Chow Mo-Wan e Su Li-Zhen têm de fazer escolhas e terão de viver com elas, para o melhor e para o pior. Será que estão disponíveis para amar?

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