Hoje vi(vi) um filme: 8 ½ Festa do Cinema Italiano'14: A Rapariga Que Sabia Demais / La Ragazza Che Sapeva Troppo (1963)

domingo, 13 de abril de 2014

8 ½ Festa do Cinema Italiano'14: A Rapariga Que Sabia Demais / La Ragazza Che Sapeva Troppo (1963)

*7/10*

A secção Amarcord do 8 ½ Festa do Cinema Italiano recebe este ano uma retrospectiva da obra de Mario Bava. O 8 ½, em colaboração com La Cappella Underground e a Cinemateca Portuguesa - Museu do Cinema, proporciona aos espectadores do festival esta homenagem como forma de comemorar o centenário do nascimento de Bava, um dos grandes nomes da História do cinema italiano.

Este Sábado (dia 12), na segunda sessão dedicada ao cineasta na Cinemateca Portuguesa, foi exibido La Ragazza Che Sapeva Troppo, de 1963, que contou com a presença de Lamberto Bava, realizador e argumentista, filho de Mario Bava, que respondeu a algumas questões da plateia no final da projecção.


Um dos principais impulsionadores do giallo (género literário e cinematográfico italiano que se distingue pelas histórias de crime, mistério e terror a que se junta algum erotismo), o cineasta tem neste La Ragazza Che Sapeva Troppo o marco de primeiro filme do género. O argumento roda em torno de Nora, uma jovem americana, fã de romances policiais, que vai passar férias a Roma, onde, acidentalmente, presencia um assassinato. Entre a realidade e a possível alucinação, certo é que o mistério paira no ar até ao fim.

A versão apresentada no 8 ½, dobrada em inglês para distribuição internacional, tem algumas diferenças na montagem comparativamente à versão original. Ainda assim, o resultado é curioso, onde se distinguem facilmente as marcas do género giallo. Ao mesmo tempo, sentimos influências hitchcockianas, que vão desde o título ao ambiente do filme, sombrio e misterioso, onde nem tudo é o que parece. O argumento é interessante, apesar de algumas inconsistências, e o suspense está sempre presente, entre as voltas e reviravoltas do enredo. As dúvidas iniciais vão-se dissipando, mas será difícil prever o desenlace - apesar do próprio filme nos dar muitas pistas, por vezes óbvias, até -, que poderia ter muito mais impacto.


Tecnicamente, e apesar do desgaste da cópia projectada, podemos observar uma excelente fotografia que potencia a desconfiança da plateia - que certamente procurará o assassino em todas as personagens -, ao mesmo tempo que nos mostra uma bonita e obscura Roma nocturna, cenário prefeito para crimes difíceis de resolver.

La Ragazza Che Sapeva Troppo, de Mario Bava, é, fundamentalmente, um marco no cinema de terror italiano. Vale a pena ver este iniciador do giallo que inspirou toda uma época.

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