Hoje vi(vi) um filme: FESTin'14: Competição de Curtas-Metragens

sábado, 5 de abril de 2014

FESTin'14: Competição de Curtas-Metragens


O FESTin'14 já começou e com ele muitos filmes podem ser vistos até dia 9 de Abril no Cinema São Jorge, em Lisboa. Para já, o Hoje Vi(vi) um Filme analisa algumas das curtas-metragens em Competição. Neste primeiro artigo falamos de As Memórias do Vovô, de Cíntia Langie, Vida Tramada, de Salvador Palma e Rui Rodrigues, A Roza, de Marieta Cazarré e Juliano Cazarré, O Vazio entre Nós, de Miguel Pinho, Casalata, de Lara Plácido e Ângelo Lopes, e Perto, de José Retré - todas elas fazem parte da Competição de Curtas-metragens 2.

A Roza - 8/10

Do Brasil, chega-nos a curta-metragem de animação A Roza, de Marieta Juliano Cazarré. O filme relata-nos um amor que se transformou em ódio por não ser correspondido. O poema narra-nos o percurso de Maria Altina, e é uma livre adaptação do conto No Manantial, de Simões Lopes Neto. Quem narra o poema é o músico, trovador e compositor baiano Elomar.

A Roza oferece-nos uma história de amor, original em toda a sua tragédia. A protagonista Maria Altina conquista facilmente a plateia, que se vê embrenhada em toda a trama e se emociona com as personagens. A animação tridimensional é agradável e lembra bonecos de pano.

Vida Tramada - 7/10

A crise e o desemprego parecem estar demasiado marcados no cinema nacional actual - pelo menos no que toca às curtas-metragens. Vida Tramada, de Salvador Palma Rui Rodrigues, não é excepção e conta a história de Manuel, um homem humilde, cujo ordenado que recebe como operário de uma fábrica de calçado é a única fonte de rendimento da sua família. Ele faz o que pode para oferecer uma boa vida aos seus e mantém alguns ideais inabaláveis.

A preto e branco, Vida Tramada não nos traz um argumento original, e é notória a carga pesada que começa logo no título, apenas aliviada pelos momentos mais leves proporcionados pela filha do casal. Contudo, é tecnicamente que o filme se destaca pela positiva, com bonitos planos-sequência, extremamente bem conseguidos e cativantes, e muito bem coreografados, bem como o competente trabalho de fotografia.

As memórias do Vovô - 6.5/10

Do Brasil, chega-nos As Memória do Vovô pela mão de Cíntia Langie. O documentário reúne relatos sobre a vida e obra de Francisco Santos, pioneiro do cinema no Brasil e realizador do mais antigo filme de ficção brasileiro, Os Óculos do Vovô, do qual apenas restam fragmentos.

Com uma temática extremamente interessante, As Memórias do Vovô proporciona-nos uma curiosa viagem aos primórdios da História do Cinema Brasileiro, e apresenta-nos algumas imagens do filme de Francisco Santos, que vão alternando com entrevistas sobre o trabalho do cineasta e cenas de reconstituição - estas últimas não acrescentam nada à narrativa. A curta-metragem peca pela inexperiência que faz passar, mas ganha pela valorização da História do Cinema - já em parte perdida.

Perto - 6.5/10

José Retré trouxe-nos Perto, que, sem diálogos, conta-nos a história de um imigrante que pretende conhecer o filho, acabado de nascer no país de origem. Impedido de viajar pelo patrão, tentará convencê-lo de uma forma pouco convencional.

Apesar do arranque demorado e pouco cativante, Perto ganha pelo inesperado desenlace. Mais do que uma história de imigração, o filme fala, principalmente, de pais ausentes, cada um à sua maneira. A curta-metragem de Retré acaba por ser uma experiência doce e terna. Sem falas, Perto serve para provar como as imagens podem enganar, mas também responder a muitas questões.

Casalata - 6/10

O documentário Casalata, de Lara Plácido e Ângelo Lopes, chega-nos de Cabo Verde (a curta-metragem faz igualmente parte da homenagem do FESTin ao país), e aborda uma temática curiosa. O elevado custo da construção, a inflação na habitação e nos terrenos destinados ao mesmo uso, em conjunto com o desemprego, impossibilitam a compra ou arrendamento de uma casa. Tal incita o aumento da construção ilegal, que, na maioria das vezes, é a única opção para as famílias carenciadas terem um abrigo para viver. A questão que se pretende colocar é a seguinte: será esta ilegalidade crime?

Casalata traz-nos uma realidade interessante, apesar de já conhecida - a dos bairros de lata -, e apresenta-nos a vontade de uma família de São Vicente, que prefere viver em péssimas condições a pagar renda. Opiniões à parte, é irónico observar como são pedaços de velhos recipientes de grandes gasolineiras que servem de paredes a estas pessoas que nada têm.

O vazio entre nós - 3.5/10

Mais uma vez, uma curta-metragem nacional, a preto e branco, com a temática centrada na crise, desemprego e, mais ainda, depressão. O vazio entre nós, de Miguel Pinho, debruça-se sobre David, que está numa depressão e perdeu o emprego. A mulher, Joana, trabalha o dia todo e, quando chega a casa, trata dos filhos, Rafael MariaDavid perdeu a esperança e a vontade. Joana tenta aguentar e ter paciência. Só que já passou algum tempo…

O tom da curta é depressivo e pesado e a história que o acompanha é vazia e sem rumo. Nada acontece que seja marcante para o seu desenrolar, tudo é demasiado previsível e inconsequente. De elogiar é o bom trabalho de fotografia e som.

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