Hoje vi(vi) um filme: IndieLisboa'14: Filmes a Não Perder

quinta-feira, 24 de abril de 2014

IndieLisboa'14: Filmes a Não Perder

Começa hoje o IndieLisboa'14 e, com ele, muito cinema independente chega à capital e por cá fica até dia 4 de Maio. A escolha é imensa e muito variada, mas aqui ficam alguns títulos a ter em atenção durante o festival.

Longas-metragens

Educação Sentimental, de Júlio Bressane
Secções: Observatório


Baseado no mito grego de Selene e Endimião, da lua que se apaixona por um mortal e o condena ao sono eterno, Educação Sentimental, de Júlio Bressane (o Herói Independente da edição de 2011 do IndieLisboa) resulta do encontro entre Áurea, uma professora solitária e profunda conhecedora da literatura, e Áureo, um rapaz inculto que só conhece o desejo físico, em que é mais experiente. Ela sabe muito, fala e declama as coisas que leu; ele escuta e nem sempre a compreende. Pouco a pouco, ele parece assimilar as lições que lhe são ditadas por Áurea. Os dois não podiam ser mais distantes, mas, apesar do improvável romance, ele deixa-se levar para o passado de que ela fala, quando lia e escrevia, quando a literatura existia e impunha um ritmo próprio, contrastando com o ritmo frenético do mundo exterior.

Finding Fela, de Alex Gibney
Secções: IndieMusic


Ninguém melhor que Fela Kuti para personificar o movimento musical africano dos anos 70 e 80. Ao mesmo tempo, o multi-instrumentista, cantor e compositor associou-se ao activismo político pós-colonial e anti-apartheid. A sua postura, os seus hábitos e consumos, bem como a sua música determinaram uma vida marcada por perseguições do repressivo regime militar nigeriano que se prolongaram até à sua morte, aos 58 anos, vítima de complicações decorrentes da SIDA. O ressurgir do afrobeat na última década recuperou o interesse no trabalho de Fela Kuti e levou à estreia de um aclamado musical na Broadway sobre a história do lendário músico. Finding Fela acompanha a estreia do musical em Lagos, na Nigéria, e aproveita a ocasião para recuperar o material que serviu de base à construção do espectáculo – filmes de arquivo, depoimentos, etc. –, ao mesmo tempo que recorda a vida do músico africano, documenta a performance e a sua recepção na terra natal de Fela Kuti.   

Gare du Nord, de Claire Simon
Secções: Herói Independente, Filme de Abertura


Gare du Nord é o Filme de Abertura do IndieLisboa. Esta ficção de Claire Simon acompanha o documentário Geographie humaine dedicado ao mesmo tema: a Gare du Nord, em Paris. As histórias que se cruzam na maior estação da Europa são agora encenadas neste espaço mas reflectem a mesma ideia de passagem presente no documentário (e, aliás, recuperam algumas personagens). Filmado dentro da estação e nas imediações, Gare du Nord conta as histórias de Mathilde (Nicole Garcia), uma professora universitária a fazer quimioterapia, e do jovem Ismaël (Reda Kateb), um estudante de sociologia em pesquisa para um doutoramento sobre a estação como aldeia global. O encontro entre os dois repete-se nos dias movimentados da estação onde voltamos a encontrar algumas pessoas cujas histórias se intersectam. Paralelamente, a pesquisa de Ismaël vai dando a conhecer o lado humano de uma estação de imigrantes, emigrantes, turistas e muitas histórias, não só de quem passa, mas dos lojistas, seguranças, empregados de limpeza, traficantes loucos e sem abrigo que são a alma de uma estação vivida à pressa.

Joe, de David Gordon Green
Secções: Observatório


Esta adaptação do livro homónimo de Larry Brown marca o regresso de David Gordon Green ao estilo mais independente que marcou o início da sua carreira. Joe mostra-nos Nicolas Cage num papel convincente ao lado do jovem actor Tye Sheridan. Joe é um ex-presidiário que trabalha como lenhador e emprega uma série de pessoas locais, satisfeitas com as suas qualidades enquanto patrão. Mas nem os fantasmas do passado largam Joe nem ele larga o álcool, onde se refugia para os dispersar. Um dia um jovem adolescente empenhado em livrar-se do contexto familiar adverso em que vive pede-lhe emprego e Joe aceita contratá-lo. Entre os dois cresce uma grande amizade e ao conformismo de Joe junta-se a vontade do jovem Gary de escapar às dificuldades de uma pequena cidade sulista, filmada num estilo documental com toques de acentuado lirismo.

Prima della Rivoluzione, de Bernardo Bertolucci
Secções: Director's Cut


“Quem nunca viveu antes da revolução, não conheceu a doçura de viver.” A célebre frase de Talleyrand (que se referia especificamente à Revolução Francesa) é citada em epígrafe nesta segunda longa metragem de Bertolucci, à qual também serve de título. O filme é a história da educação sentimental de um jovem burguês de Parma, às voltas com um envolvimento sentimental incestuoso com a tia e com a relação com o seu mentor intelectual, um pensador marxista.

3X3D, de Edgar Pêra, Peter Greenaway Jean-Luc Godard
Secções: Sessões Especiais


Na cidade de Guimarães, um lugar com mais de dois mil anos, três realizadores, Jean-Luc Godard, Peter Greenaway e Edgar Pêra, exploram o 3D e a sua evolução no mundo do cinema. Just in Time, de Greenaway, relembra a história da cidade, atravessando dois milénios ao redor do Paço dos Duques de Bragança num plano sequência de 16 minutos que segue um percurso entre a Praça da Oliveira, a igreja da Senhora da Oliveira e os claustros do Museu Alberto Sampaio. The Three Disasters, é o vídeo-ensaio de Godard que parte de material de arquivo para se debruçar sobre a fragmentação da história e a sua intersecção com a história do cinema. Cinesapiens, de Pêra, é a primeira produção do país a usar o 3D; o filme explora o papel do público na experiência de ver um filme, utilizando um grupo de espectadores dentro de uma sala de cinema em Guimarães. 3X3D é uma produção Guimarães 2012 Capital Europeia da Cultura que percorre a memória e nos projecta num futuro tridimensional.

Alentejo, Alentejo, de Sérgio Tréfaut
Secções: Competição Nacional, Observatório


De origem popular, o “cante” alentejano sobrevive graças aos grupos que o cultivam no Alentejo e na periferia de Lisboa, os quais recapitulam em ensaio o repertório conhecido de memória, quase sem registo escrito ou sonoro e com reduzidas alterações criativas. No Alentejo, dezenas de grupos amadores reúnem-se regularmente para ensaiar antigos cantos polifónicos e para improvisar cantos sobre o tempo presente. Nascido nas tabernas e nos campos, cantado por camponeses e por mineiros, o cante alentejano deixou os campos e atravessou as fronteiras da sua região. Nas últimas décadas, com a diáspora alentejana, apareceram novos grupos na periferia industrial de Lisboa e em diversos países de emigração, acentuando o cante como traço identitário dos alentejanos onde quer que estejam. Este filme é uma viagem pelo Portugal contemporâneo, através de um modo musical único e dos seus intérpretes.

Dial M for Murder, de Alfred Hitchcock
Secções: Director's Cut


Filmado em 1953 (só estreou em 1954) durante a primeira e breve tentativa de Hollywood para aderir à tecnologia 3D, Dial M for Murder serviu de exercício tecnológico da Warner Brothers. Infelizmente, a moda passou antes mesmo da estreia do filme, fazendo com que a sua exibição tivesse tido o formato tradicional. A história centra-se num jogador de ténis, Tony Wendice, que, farto do seu emprego de vendedor de equipamento desportivo, começa a cobiçar a conta bancária da mulher e engendra um plano para a matar e ficar com a herança. Apesar da relutância inicial de Hitchcock em usar o formato, o filme acaba por ser um dos melhores exemplos de sempre do potencial artístico da filmagem em 3D, aliando movimentos de câmara fluídos que acompanham com subtileza o drama a efeitos 3D que aumentam a intensidade da experiência ao colocarem os espectadores no meio da acção.

Tom à la ferme, de Xavier Dolan
Secções: Observatório, Filme de Encerramento


Xavier Dolan regressa com Tom à La Ferme (o Filme de Encerramento desta edição do IndieLisboa), a história de um homem, Tom (Dolan), que vai até ao campo para o funeral do companheiro, morto num acidente de automóvel. Ao chegar, dá conta que ninguém o espera ou sequer desconfia daquela relação e da orientação sexual de Guillaume, o amante morto, e que por isso o acolhem tão bem. Mas se a simpatia da mãe advém da sua ignorância, que faz de Tom apenas um amigo, o irmão de Guillaume, machista e homofóbico, começa a questionar a sua presença, tornando-se uma ameaça e criando uma tensão que a banda sonora de Gabriel Yared acentua de forma brilhante.

Drinking Buddies, de Joe Swanberg
Secções: Observatório


Admirador assumido de comédias românticas e desencantado com o modo como se tornaram cada vez mais estereotipadas, Joe Swanberg recupera o género e dá-lhe um novo fôlego. Kate e Luke trabalham juntos numa fábrica de cerveja artesanal em Chicago, onde passam os dias a beber e a namoriscar um com o outro. Apesar de fazerem um par perfeito, cada um deles tem uma relação amorosa que inibe uma maior aproximação entre os dois. A relação é posta à prova quando os casais se juntam numa viagem de fim-de-semana. Filmado numa verdadeira fábrica de cerveja artesanal (a Revolution Brewing) e com os actores a beber a sério durante as filmagens e a improvisar grande parte dos diálogos, o filme, apesar do que sugere o seu enredo, consegue atingir uma tão grande maturidade emocional.

Curtas e médias-metragens:

A Caça Revoluções, de Margarida Rego
Secções: Competição Internacional, Competição Nacional


A Caça Revoluções é uma animação experimental que explora a relação entre duas gerações, dois tempos e duas lutas diferentes; é a Revolução de Abril a inspirar as gerações que apenas a conhecem através de relatos dos que a viveram e das fotografias de que nos apropriamos para a tornar nossa.

Boa Noite Cinderela, de Carlos Conceição
Secções: Cinema Emergente, Competição Nacional


No Reino de Portugal, em 1859, Boa Noite Cinderela recupera o conto da Gata Borralheira numa versão mais carnal, mais materialista, menos romântica, onde é imprecisa a fronteira que separa o desejo de ter e de ser a dona do sapato.

Coro dos Amantes, de Tiago Guedes
Secções: Competição Nacional, Observatório


Coro dos Amantes é composto por três “canções” que, a duas vozes, contam o mesmo acontecimento asfixiante sob duas perspectivas diferentes.

É Consideravelmente Admirável da Tua Parte que Ainda Penses em Mim Como se Aqui Estivesse, de André Mendes Andreia Neves
Secções: Novíssimos


É consideravelmente admirável da tua parte que ainda penses em mim como se aqui estivesse cria um ambiente alucinado que reflecte o desespero de , um músico esquizofrénico que quer regressar aos palcos.

Rio 2016, de Bianca Rotaru
Secções: Pulsar do Mundo


Os próximos Jogos Olímpicos estão marcados para o Rio 2016; duas ginastas, Teodora e Andreea, de 13 e 11 anos estão num centro avançado de treinos para conseguirem fazer parte da equipa nacional romena; aqui cresce-se de um modo diferente, em esforço mas com ambição, sonhos e batalhas diárias com os próprios limites; qual das duas irá estar no Rio?

True, de Paulo Segadães
Secções: IndieMusic


Filmado entre Janeiro a Setembro de 2013, True acompanha quase um ano na vida do músico português The Legendary Tigerman, na sua procura por novas canções para o seu mais recente álbum, True, lançado em Março de 2014. Os espectáculos são um homem só mergulhado na sua criatividade; os processos de composição revelam um homem de todos os instrumentos, desde os primeiros rascunhos até às apresentações públicas.

Consulta o programa completo do IndieLisboa'14 aqui.

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