Hoje vi(vi) um filme: IndieLisboa'14: Suzanne (2013)

terça-feira, 29 de abril de 2014

IndieLisboa'14: Suzanne (2013)

*5.5/10*

Filme de Abertura da Quinzena dos Realizadores de Cannes em 2013 e nomeado para cinco Césares, Suzanne prometia mais do que tinha para oferecer. No IndieLisboa'14, a segunda longa-metragem de Katell Quillévéré integra a secção Cinema Emergente e debruça-se sobre a história de Suzanne que nos é contada ao longo de 25 anos. Vamos conhecê-la desde a infância ao lado da irmã e do pai, passando por uma adolescência rebelde. 

As escolhas de Suzanne (Sara Forestier) comprometem fortemente a sua vida, arrastando a sua família para mudanças profundas. As elipses da história mostram-nos isso mesmo e como, apesar de tudo, o pai e a irmã estão sempre lá - mais ou menos próximos - na esperança da redenção da protagonista.

Aqui temos um drama familiar que começa bem cedo, com duas crianças a crescerem sem mãe, que faleceu, criadas por um pai carinhoso que lhes incute os melhores valores. Apesar disso, Suzanne não se mostra a jovem mais responsável e, já como mãe, denota essa irresponsabilidade e falta de apego - quer ao trabalho, quer ao filho. É uma mulher movida por paixões, mais propriamente por Julien, um homem que inspira pouca confiança e que não parece trazer o melhor futuro para aquela mulher. Suzanne só dá valor ao que tem quando o perde e, mesmo assim, sem evitar erros futuros.


Apesar da Família estar no centro do filme de Quillévéré e do drama vivido pelos seus membros, Suzanne não consegue tocar tão fundo como se faz esperar. Rapidamente nos daremos conta que criamos empatia com o pai viúvo e com Marie, a irmã mas nova e que nunca desiste, mas com a protagonista torna-se muito difícil. Acções irreflectidas, decisões egoístas e mimadas, mais amor por um homem do que pelo filho, tornam impossível não fazer juízos de valor perante momentos totalmente injustificados. Nada nos explica o que a move ou faz tomar atitudes tão irreflectidas - cada novo episódio apenas nos parece mais um capricho da protagonista.

É quase como se em Suzanne descobríssemos o lado negativo daquilo que vimos em Frances Ha, com mais pés mas sem a mesma cabeça. A comparação possível entre os dois filmes reside nas protagonistas, Suzanne e Frances Ha - as duas mulheres dão título aos filmes -, ambas irresponsáveis e que levam a vida como bem entendem sem pensar nas consequências. O que as distingue: enquanto Frances se diverte e faz por continuar o seu estilo de vida, Suzanne não poderia passar por mais provações.

Tecnicamente, o filme oferece-nos planos interessantes, muitos filmados de cima, acompanhados por uma bonita fotografia de Tom Harari e por uma banda sonora que é, talvez, o ponto mais positivo de todo o filme. Nas interpretações, as duas actrizes Sara Forestier e Adèle Haenel têm desempenhos sentidos e competentes, acompanhadas de perto por François Damiens, que faz de pai de ambas.

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