Hoje vi(vi) um filme: IndieLisboa'14: Revolução Industrial (2014)

sábado, 3 de maio de 2014

IndieLisboa'14: Revolução Industrial (2014)

*5/10*


Revolução Industrial, de Tiago Hespanha e Frederico Lobo, faz parte da Competição Nacional e da secção Cinema Emergente do IndieLisboa. O documentário leva-nos numa viagem - muitas vezes de barco - às indústrias do vale do Rio Ave, que nasce na Serra da Cabreira e desagua em Vila do Conde. Estas foram, durante muito tempo, uma marca de desenvolvimento da região. As cidades cresceram em torno de fábricas, nas margens do rio, construíram-se estradas e auto-estradas, transformaram-se pequenas aldeias em meios urbanos aparentemente prósperos. Ao percorrermos o rio, conhecemos histórias onde o passado é lembrado, o presente vivido e o futuro talvez já não seja aquele que a industrialização prometia.

A premissa de Revolução Industrial fazia antever uma jornada interessante sobre uma região pouco documentada, sobre a crescente da indústria e, quem sabe, sobre o seu progressivo desaceleramento (se pensarmos desde logo nas fábricas que fecham). Mas o filme que Tiago Hespanha e Frederico Lobo nos trazem fica marcado por opções menos bem conseguidas e injustificadas, num trabalho que aparenta perder o rumo por diversas vezes.

O início do documentário promete realmente fazer reviver a História da região. São projectados negativos pertencentes a arquivos de associações, que mostram a chegada da indústria ao vale do Rio Ave. Seguem-se, contudo, imagens do trabalho em fábricas da região na actualidade, viagens de barco pelo rio - com planos longos e monótonos -, e deambulações, por aqui e por ali, onde ouvimos histórias narradas - cuja autoria e veracidade desconhecemos -, ou conhecemos alguns populares e as suas lembranças.

Ainda assim, podemos encontrar em Revolução Industrial alguns momentos cativantes: o melhor de todos é protagonizado por um grupo de adolescentes da região, que durante a exploração de uma antiga fábrica, agora abandonada (e convertida numa pista de skate improvisada), descobrem entre dossiers a colecção de Outono/Inverno 97/98. Aquele espaço serve agora de pista de skate improvisada.

Como conclusão, Revolução Industrial não nos transmite muito para além das imagens que salteou, parecendo não saber bem o que fazer com elas. O mote do documentário merecia que os realizadores lhe tivesse concedido um pouco mais de rumo, um caminho narrativo a seguir, para lá de onde a corrente do Rio Ave nos levasse.

Sem comentários: