sábado, 13 de setembro de 2014

MOTELx'14: Cannibal / Caníbal (2013)

*4/10*

A tarde de sexta-feira, o terceiro dia do MOTELx, começou às 14h00 na sala Manoel de Oliveira com um drama em espanhol. O terror ficou um pouco de parte - apenas na ideia do assassino em série - e as emoções sobrepuseram-se ao visceral que se poderia esperar de um filme com um título tão elucidativo como Cannibal.

Carlos, o mais prestigiado alfaiate de Granada, é, afinal, um assassino. Sem remorsos, ele mata mulheres, até que conhece Nina e algo parece mudar. Manuel Martín Cuenca teve o seu filme a estrear no último Festival de Toronto e passou igualmente por San Sebastian (onde venceu o prémio para melhor fotografia).

Não há, contudo, muito a dizer sobre Cannibal. O filme não traz nada de novo ao género - na mesma linha tivemos muito melhor o ano passado com We Are What We Are, por exemplo -, nem o percurso do protagonista consegue chegar a tocar o espectador. Conhecemos Carlos apenas como criminoso, sem justificações. Ele pouco nos diz, tal como pouco diz a Nina, a única que parece escapar aos seus instintos. Os diálogos são escassos e, pior, nada bem conseguidos - o twist final, que implora por seriedade e compaixão (?), levou a plateia às gargalhadas -, as personagens não têm força suficiente para conquistar o público, e, ao mesmo tempo, sente-se que o realizador tem medo de chocar.


Nos aspectos positivos contam-se o ambiente sombrio e gelado e a premiada fotografia, de Pau Esteve Birba, que soube aproveitar a bonita luz de que dispôs. No elenco, Antonio de la Torre faz um trabalho competente na pele deste protagonista frio e distante.

Cannibal ganharia, provavelmente, caso o trabalho de montagem fosse mais corajoso. As cenas são demasiado longas, algumas delas totalmente vazias de significação para o todo, resultando num filme grande demais para o que relata. A ideia era interessante, mas a concretização foi pouco feliz.

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