Hoje vi(vi) um filme: MOTELx'14: Entrevistas - João P. Nunes

terça-feira, 9 de setembro de 2014

MOTELx'14: Entrevistas - João P. Nunes

MOTELx começa já no dia 10 de Setembro e para o Prémio MOTELx – Melhor Curta de Terror Portuguesa 2014, o único galardão do festival, estão a concorrer 13 curtas-metragens nacionais: Bodas de Papel (2014), de Francisco AntunezContactos 2.0 (2014), de Bernardo Gomes de Almeida Rodrigo Duvens PintoDemência (2014), de Rafael AlmeidaDentes e Garras (2013), de Francisco LacerdaEpoh (2013), de Pedro PintoForbidden Room (2013), de Emanuel Nevado e Ricardo AlmeidaGata Má (2013), de Eva MendesJoana de Rosa e Sara AugustoMaria (2014), de Joana ViegasA Morte é o Único Perdão (2014), de Rui PilãoOffline (2014), de Pedro RodriguesPela Boca Morre o Peixe (2014), de João P. NunesSchadenfreude – De Morrer a Rir (2014), de Leonardo Dias, e Se o Dia Chegar (2014), de Pedro Santasmarinas.


Aproveitando o momento, entrevistei João P. Nunes, a propósito da sua curta-metragem, Pela Boca Morre o Peixe.

De onde surgiu a ideia para Pela Boca Morre o Peixe?
João P. Nunes: A ideia para o filme surgiu (como alias todas as ideias geralmente surgem) através de uma situação real. Estava a arranjar um peixe enorme com o meu Pai e ele feriu-se nos dentes do peixe com ele já morto. Começamos a brincar em como aquilo era uma vingança post-mortem do peixe. A história e a critica social foram sendo desenvolvidas a partir dessa ideia.

A ideia do caçador passar a presa serve de mote à curta-metragem. Que pode o público esperar do filme? 
J.P.N.: O filme não é um filme fácil, tem uma estrutura arriscada e é algo impressionista na forma como aborda o tema. No entanto a história é de tal maneira simples e reconhecível que penso que mantém a sua coerência e o reconhecimento. É aí que entra o título, que é um ditado nacional com que toda a gente está familiarizada. A ideia do caçador passar a presa serve como veículo para adaptar o ditado de forma quase literal.


O que o distingue dos outros filmes de terror?
J.P.N.: Sempre tentei que o Pela Boca Morre O Peixe não fosse um filme de género. Isto é, nunca me interessou seguir modas nem tendências. Tento que os meus filmes sejam intemporais e isso pode fazer com que sejam difíceis de catalogar. O Pela Boca Morre O Peixe não é, efectivamente, um filme de terror, de um modo em que não tem imagens que nos assustem ou que nos impeçam de dormir à noite. No entanto, devido ao tema da história, pede que seja filmado de uma forma que é coerente com o cinema de terror e com o MOTELx.

Como é ver Pela Boca Morre o Peixe seleccionado para a corrida ao prémio para Melhor Curta de Terror Portuguesa do MOTELx?
J.P.N.: Para mim é motivo de um grande orgulho. Sou frequentador do MOTELx desde a sua estreia e fico contente que o festival tenha evoluído da forma como evoluiu. É hoje um dos grandes festivais portugueses e penso que é o ambiente ideal para a estreia do meu filme.

Quais as suas principais influências cinematográficas?
J.P.N.: Um filme não se faz sem uma grande dose de influências. No entanto as minhas principais influências não são necessariamente outros filmes mas sim ideias soltas que me foram inspirando. Em termos narrativos é óbvia a influência do Franz Kafka Metamorfose, do Black Swan do Aronofsky e a ideia da viagem do herói do Christopher Vogler. Já em termos estruturais é-me muito importante a teoria de montagem soviética e a importância do simbolismo na obra do Jodorowsky.

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