Hoje vi(vi) um filme: MOTELx'14: O Cerro dos Enforcados (1954)

quarta-feira, 17 de setembro de 2014

MOTELx'14: O Cerro dos Enforcados (1954)

*7/10*

A secção Quarto Perdido é sempre uma das que mais curiosidade pode despertar no MOTELx pelos clássicos do cinema português - muitas vezes, quase desconhecidos - que nos traz. Este ano, O Cerro dos Enforcados, de Fernando Garcia, foi um dos escolhidos. O filme, que data de 1954, é uma adaptação de O Defunto, conto de Eça de Queirós, e foi durante muito tempo oficialmente o único exemplo do cinema português do género fantástico. A história do morto que "ressuscita" para salvar uma vida parecia ter tudo para agradar ao grande público, mas tanto o público como a crítica renegaram esta longa-metragem, marcando o início do período negro do cinema português, até ao surgimento do Cinema Novo.

No século XV. D. Afonso, um velho fidalgo ciumento, ordena que todos se afastem quando a mulher, D. Leonor, vai à igreja orar à virgem das Mercês. Um dia, é vista por outro nobre, D. Rui, que fica deslumbrado com a sua beleza. D. Afonso manda retirar a esposa para a quinta do Cabril, e decide apunhalar o rival. É então que um enforcado resolve intervir.

Tecnicamente, O Cerro dos Enforcados não nos traz nada de especialmente inesquecível. Toda a narrativa é contudo promissora, mais ainda na época em que o filme foi rodado. Uma história de ciúme obsessivo da parte de um marido consideravelmente mais velho, uma mulher jovem e bonita, e a chegada de um fidalgo jovem e elegante, tudo cria um ambiente de potencial interesse para o espectador, que pode começar a imaginar o desfecho.

A religiosidade está bem presente na adoração à virgem das Mercês por parte de D. Rui e de D. Leonor. O medo, por sua vez, está espelhado no cerro dos enforcados, por onde D. Leonor tem receio de passar, e será mesmo dali que virá a grande surpresa do filme. 

Não sendo uma obra ímpar do cinema português, O Cerro dos Enforcados é, no entanto, um clássico que vale a pena conhecer, com um elenco com nomes como Artur Semedo, Helga Liné ou Alves da Costa.

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