Hoje vi(vi) um filme: Crítica: Nightcrawler - Repórter na Noite (2014)

sexta-feira, 14 de novembro de 2014

Crítica: Nightcrawler - Repórter na Noite (2014)

"What if my problem wasn't that I don't understand people but that I don't like them?"
Lou Bloom
*8/10*

A monstruosa performance de Jake Gyllenhaal comanda Nightcrawler - Repórter na Noite. Como ele vamos percorrer uma Los Angeles nocturna, entre acidentes, perseguições e crimes sangrentos, em busca do furo perfeito, o mais sensacionalista possível. Com Nightcrawler, Dan Gilroy leva-nos a integrar uma equipa de reportagem liderada por um sádico - ninguém melhor para este trabalho, efectivamente.

Lou Bloom é um homem ambicioso desesperado por conseguir trabalho, que descobre, por acaso, o mundo do crime de Los Angeles. Quando encontra um grupo de freelancers que filmam acidentes, incêndios, assassinatos e outros casos de polícia, Lou entra na mesma perigosa actividade. Ao ver em Nina (Rene Russo), uma veterana do jornalismo sensacionalista de uma televisão local, uma aliada, após uns primeiros trabalhos bem sucedidos, Lou ultrapassa a barreira do observador ao tornar-se protagonista da sua própria história.


Ritmo e emoções fortes não faltam a Nightcrawler - Repórter na Noite. Contudo, quem lhe dá o verdadeiro toque especial é, sem qualquer dúvida, Jake Gyllenhaal na pele do perturbador sociopata Lou Bloom. E quão irónico é este mesmo sociopata vir a fazer as delícias das massas, sedentas de sangue e tragédia. É nesta personagem e na aterradora interpretação do seu actor que reside a magia de Nightcrawler. Gyllenhaal surge aqui visivelmente mais magro, de traços bem vincados, dando a conhecer ao público novas expressões que quase o transfiguram. Desde o início, percebemos que algo está errado com o carácter do protagonista, que o seu discurso é de alguém com dificuldade de conviver socialmente. Vamos repudiar Lou, temê-lo, mas, ao mesmo tempo, queremos que ele vá mais longe, seremos como o seu público que anseia por más notícias sobre outros, afinal, ele é mesmo o nosso protagonista, que seguimos com entusiasmo.

A longa-metragem, escrita e realizada por Gilroy, triunfa por este seu fortíssimo protagonista de má índole, mas igualmente pela acção bem construída, emocionante, que não nos permite desviar os olhos do ecrã, com momentos inteligentes, mesmo que muitos outros sejam francamente previsíveis. Nightcrawler não traz nenhuma história ou feito visual fora do comum, é um bom filme de acção e um assustador retrato do jornalismo sensacionalista  norte-americano - que é provavelmente o mesmo modelo seguido por outros cantos do mundo.


A banda sonora adensa o ambiente sinistro de Nightcrawler, que nos convida a mergulhar na noite de crime, seguindo os rádios da polícia, sempre de câmara na mão, ao lado deste protagonista de arrepiar. Será que estamos a salvo do sensacionalismo desmedido deste lado do ecrã? Uma boa estreia para Dan Gilroy na realização e uma óptima possibilidade para Gyllenhaal conquistar - pelo menos - mais uma nomeação para os Oscars.

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