sábado, 3 de janeiro de 2015

Crítica: Caminhos da Floresta / Into the Woods (2014)

"I wish..."
*7/10*

Um lado mais obscuro da Disney, onde a música não podia faltar: Caminhos da Floresta é um divertido musical que cruza algumas das mais famosas histórias de encantar e nos desafia a pensar que, se calhar, nada foi como nos contaram na infância.

Rob Marshall (Chicago, Nove) regressa assim aos musicais, desta vez com a adaptação de uma peça da Broadway (de Stephen Sondheim - encontramos facilmente sonoridades semelhantes a Sweeney Todd: O Terrível Barbeiro de Fleet Street, por exemplo) ao cinema. As histórias infantis são contadas sob um ponto de vista bem diferente em Caminhos da Floresta, mais apropriado para um público adulto. Não faltarão gargalhadas, momentos hilariantes e bem contraditórios ao esperado e, acima de tudo, um texto bem construído, que resulta muito bem na tela do cinema.

O filme de Rob Marshall é, essencialmente, uma abordagem moderna dos contos dos irmãos Grimm, combinando os enredos de algumas das suas histórias e explorando as consequências dos desejos e feitos das personagens. O musical acompanha os contos de Cinderela (Anna Kendrick), o Capuchinho Vermelho (Lilla Crawford), João e o Pé de Feijão (Daniel Huttlestone) e Rapunzel (MacKenzie Mauzy), unidos numa história original que envolve um padeiro e a sua mulher (James Corden e Emily Blunt), o seu desejo de iniciar uma família e a sua interacção com a bruxa (Meryl Streep) que os amaldiçoou.


Os ingredientes estão lá e tudo funciona melhor do que se poderia esperar. Com um tom sarcástico e bem mais realista que os contos de fadas, Caminhos da Floresta não receia expor ao ridículo príncipes encantados, nem trocar o rumo das histórias que todos conhecem. E essa imprevisibilidade - principalmente para quem não conhece, de todo, o texto que dá origem ao filme - é um dos pontos mais fortes da longa-metragem. Os desejos de cada um são o fio condutor e levam-nos a saltar entre contos, até que, por fim, todos se cruzam, com todas as consequências que tal acarreta. Porque é preciso muito cuidado com o que se deseja.

O trabalho da direcção de fotografia - do oscarizado Dion Beebe - adensa o mistério da floresta onde se perdem e se cruzam as personagens e, aliado à caracterização - Meryl Streep está uma bruxa muito convincente -, é um dos aspectos mais fortes da componente técnica. No elenco, é mesmo Streep quem se destaca: entre um coração gelado pela vingança e uma ternura escondida - afinal, ela até quer ajudar o casal a quebrar a maldição que ela lhes lançou -, esta bruxa também quer realizar os seus desejos. Emily Blunt revela-se neste filme uma boa actriz de musicais, com uma faceta cómica especialmente agradável, e proporcionando dos melhores momentos de Caminhos da Floresta. É a sua personagem e o seu marido que, na busca da "vaca tão branca como o leite", da "capa tão vermelha como o sangue", do "cabelo tão amarelo como o milho" e do "sapatinho tão puro como o ouro", são o elo de ligação entre histórias e são os principais responsáveis pelas inacreditáveis mudanças nos enredos que tão bem conhecemos.


Caminhos da Floresta surge como um  musical bem estruturado, com temas que ficarão no ouvido e momentos hilariantes. Apenas a duração poderá estragar a divertida experiência que o filme proporciona, com reviravoltas que se sucedem e fazem com que a plateia sinta que o musical se arrasta.

É no meio da floresta que descobrimos o outro lado das personagens quase perfeitas que conhecemos desde sempre. E se a vida não é um conto de fadas, afinal, parece que as histórias da nossa infância também não. 

2 comentários:

Os Filmes de Frederico Daniel disse...

Adorei o trabalho prestado pelo elenco, gostei bastante do argumento do filme e da sua belíssima realização.
No meu ponto de vista a floresta simboliza a vida, tal como na nossa vida temos altos e baixos na floresta aconteceu o mesmo. Na vida há mortes, traição e dor e isso foi-nos demonstrado no filme.
5*

Pode ler a minha análise em: http://osfilmesdefredericodaniel.blogspot.pt/2015/01/caminhos-da-floresta.html

E se puder comente a análise e/ou siga o meu blog, bom ano.

Victor Cardoso disse...

Fraco, extremamente fraco. O filme não supera as expectativas, reúne estrelas que não são aproveitadas como deveriam. O filme é gostoso de se ver, mas não vale as inúmeras indicações ao Oscar. É impossível também não assistir sem lembrar de grandes musicais como "Os Miseráveis", "Chicago" e "DreamGirls" que mereceram as indicações e as estatuetas.

"Into the woods" é bom, apenas bom.