quarta-feira, 28 de janeiro de 2015

Crítica: Sniper Americano / American Sniper (2014)

"I'm willing to meet my creator and answer for every shot that I took..." 
Chris Kyle
*5/10*

Um elogio a um herói de guerra para os norte-americanos, talvez pouco heroicizado pelo resto do mundo, chega-nos em Sniper Americano. Clint Eastwood realizou mais um filme de guerra, com semelhanças a outras longas-metragens recentes, onde o palco é o médio oriente e o lado americano sai sempre valorizado. Menos patriotismo e maior isenção poderia jogar a favor desde filme sobre o sniper americano mais mortífero de sempre.

Chris Kyle, Comando Naval de Operações Especiais da Marinha dos Estados Unidos (SEAL), é enviado para o Iraque com uma única missão: proteger os seus colegas de armas. As histórias da sua precisão depressa se espalham e ele passa a ser conhecido como a “Lenda”. No entanto, a sua reputação começa também a ganhar nome atrás da linha do inimigo, que coloca a sua cabeça a prémio, fazendo dele um alvo primário dos insurgentes.

O dilema moral, simplesmente, não existe (apesar do trailer nos querer enganar nesse sentido) em Sniper Americano. Esse é um dos principais grandes problemas do filme de Eastwood: a exagerada identificação com o lado americano, sem deixar espaço à reflexão. O argumento toca levemente nos traumas de guerra, no afastamento da família, mas o certo é que não vemos no ecrã muito mais do que um homem responsável por mais de 160 mortes ser elevado a herói e sem reflexo de qualquer tipo de sentimento de culpa - e é difícil, mesmo cinematograficamente, admirar um filme assim.


Bradley Cooper tem uma prestação aceitável, mas longe de ser inesquecível. Não transmite muito, mas mostra-se à vontade nas cenas de guerra, com a concentração e o companheirismo que o protagonista pede. Contudo, está formatado com o nacionalismo americano, não deixando transparecer dúvidas morais, determinado a atingir os seus objectivos no exército, colocando-os assim como prioridade máxima na sua vida. O Chris Kyle de Cooper parece ser o modelo a seguir de soldado perfeito para os norte-americanos.

A realização filma interessantes sequências de guerra, mas nada muito diferente do que já vimos em outros filmes recentes. O nome de Clint Eastwood prometia muito mais e Sniper Americano revela-se uma desilusão, sem nada de novo, que nem espaço para a reflexão quer deixar.

2 comentários:

Os Filmes de Frederico Daniel disse...

"Sniper Americano" é um filme bastante interessante e apesar de ser algo monótono não se torna aborrecido, o que é bom. O tom de monotonia dá-lhe mais suspense, drama e algum realismo.
Análise integral em: http://osfilmesdefredericodaniel.blogspot.pt/2015/02/sniper-americano.html
4*

Paola Sánchez disse...

Eu salvei um ponto desta história é certamente o acordo, pelo qual o filme passou a ganhar várias indicações. Pessoalmente,Sniper Americano , é minhas histórias favoritas, um filme que mantém você antento do início ao fim. Eu vi mais de uma vez e sempre animado para me ver.