Hoje vi(vi) um filme: IndieLisboa'15: Filmes a Não Perder

quarta-feira, 22 de abril de 2015

IndieLisboa'15: Filmes a Não Perder

O IndieLisboa'15 começa já amanhã, dia 23, e, com ele, muito do melhor cinema independente chega à capital e por cá fica até dia 3 de Maio. A escolha é imensa e variada, mas aqui ficam alguns títulos a ter em atenção durante o festival.

Longas-metragens

Capitão Falcão, de João Leitão - Sessões Especiais
Em 1968, várias ameaças parecem cercar o regime que salvou Portugal da bancarrota: o Estado Novo. Entre elas, grupos de comunistas, feministas, e os chamados “Capitães de Abril” conspiram contra António de Oliveira Salazar e os seus princípios nacionalistas. A autoridade do Estado já não chega para proteger os portugueses. Nasce então o super-herói português por excelência para salvar Portugal de todos os seus males: Capitão Falcão (e o seu sidekick Puto Perdiz). O resto da história é conhecida.

Force majeure (Força Maior), de Ruben Östlund - Sessões Especiais
Prémio do Júri Un Certain Regard no Festival de Cannes e nomeado para Globo de Ouro de Melhor Filme Estrangeiro, Força Maior conta a história de uma família sueca que viaja para os Alpes Franceses para desfrutar de uns dias de esqui. O sol brilha e as pistas estão espectaculares, mas durante o almoço num restaurante na montanha, uma avalanche vai provocar o caos. Com os comensais a fugir em todas as direcções, a mãe Ebba chama pelo seu marido Tomas, enquanto tenta proteger os seus filhos. Tomas, entretanto, está a fugir para se salvar…

Aferim!, de Radu Jude -  Competição Internacional
Radu Jude é um dos maiores destaques da nova vaga do cinema romeno. Aferim! é uma aventura pelos territórios feudais da Roménia do séc. XIX: um terreno pouco visto no novo cinema romeno, mas sempre domado pelo humor forte, a sátira social do presente, e personagens herdeiras das histórias de Gogol.

Melbourne, de Nima Javidi -  Competição Internacional
A primeira obra de Nima Javidi inspira-se nos melhores princípios de Hitchcock para criar uma história de suspense dentro de um apartamento de Teerão. Aqui, é o que acontece entre as suas paredes que interessa a quem está fora delas: amigos, vizinhos e uma autoridade sem rosto que, por visitas não anunciadas, ameaçam uma emigração planeada para Melbourne. E pelos mecanismos do cinema, quer-se revelar uma população cujos caminhos, da nascença à idade adulta, se encontram atados às prisões mentais de cada um.

Les gants blancs, de Louise Traon - Director's Cut
O cinema cuida-se com luvas brancas – assim o era quando metros de película exigiam cortes e recortes, pelo olhar de montadores e realizadores, antes de se encontrar um filme numa rodagem de muitas horas. A era digital veio dispensar as luvas – mas não uma delicadeza redobrada em imagens vistas e revistas até surgir o corpo de um filme e, depois, o seu espírito e versão definitiva. Mais ainda se falarmos de Manoel de Oliveira e da sua montadora Valérie Loiseleux.

Rabo de Peixe – Director’s Cut, de Joaquim Pinto, Nuno Leonel - Director's Cut
Em E Agora? Lembra-me, Joaquim Pinto evoca uma passagem pelos Açores quando buscava uma aproximação à vida. Rabo de Peixe foi esse lugar intocado: onde as pessoas de uma terra renovaram o olhar de dois autores e companheiros, movidos pela beleza humilde das suas pessoas, dos seus corpos e do seu trabalho. Joaquim Pinto e Nuno Leonel viram, nos pescadores de Rabo de Peixe, a razão para continuarem a filmar. Esta é a versão remontada e definitiva para cinema.

White Bird in a Blizzard, de Gregg Araki -  Boca do Inferno
Em White Bird in a Blizzard,  o realizador foca-se, uma vez mais, no despertar dos instintos sexuais de uma jovem personagem, juntando-lhe o misterioso desaparecimento, aos 17 anos, da sua mãe. Apesar dessa “ausência”, é esse papel – e a interpretação de Eva Green – a comandar uma narrativa familiar, em tons de policial, dentro do universo suburbano norte-americano.

Aqui, em Lisboa, de Denis Côté, Dominga Sotomayor, Gabriel Abrantes, Marie Losier - Sessões Especiais
Em 2013, para celebrar o seu 10.º aniversário, o IndieLisboa convidou estes quatro realizadores a filmarem em Lisboa. Aqui, em Lisboa é o resultado – quatro autores com quatro visões diferentes da cidade de Lisboa, passando pelos registos da ficção, do documentário, da comédia ou do fantástico.

Repulsion, de Roman Polanski - Sessões Especiais
Um dos mais perturbadores filmes de Polanski. Destilando terror psicológico por todos os fotogramas, Repulsion, com Catherine Deneuve, constrói-se à volta das fobias sexuais de uma personagem aterrorizada pelo pesadelo recorrente de uma violação, cuja obsessão a conduz à loucura com consequências assassinas.

While We’re Young, de Noah Baumbach - Sessões Especiais
Um casal de meia-idade (Ben Stiller e Naomi Watts) vê a sua vida contagiada pelo encontro com um jovem casal na casa dos vinte (Adam Driver e Amanda Seyfried), oferecendo novamente o retrato de uma classe urbana e artística de traços disfuncionais, em que o peso da idade serve para uma nova comédia de costumes e de tempos com Nova Iorque em pano de fundo.

Trudno byt’ Bogom (Hard to be a God), de Aleksey German - Silvestre
É difícil ser um deus: sobretudo se cairmos, como extraterrestres, num planeta igual à Terra, e formos aclamados como divindades num tempo vivido há 800 anos. Hard to be a God pega num livro de Arkady e Boris Strugatsky e no conflito entre dois mundos para servir de estudo sobre a natureza humana. Planeado durante quatro décadas, o último filme do realizador russo Aleksei German foi terminado, depois da sua morte em 2013, pelo seu filho e realizador Aleksei German Jr.

Queen of Earth, de Alex Ross Perry - Silvestre
Em Queen of Earth, a Elizabeth Moss junta-se Katherine Waterston e um curto elenco. Entre as duas actrizes, a câmara faz e refaz os nós de uma crescente neurose entre duas amigas no espaço de uma casa de férias. Um thriller emocional que ecoa os caminhos traçados por Bergman em Persona ou a paranóia dos interiores de Polanski em Rosemary’s Baby.

Curtas-metragens

Cinzas e Brasas, de Manuel Mozos -  Competição Nacional
Em Cinzas e Brasas, Manuel Mozos entra pelo campo da literatura, com Isabel Ruth como Dulce Maria Cardoso, para filmar uma casa de escrita e memórias.

A Rapariga de Berlim, de Bruno de Freitas Leal - Novíssimos
A Rapariga de Berlim filma o segundo capítulo de uma relação numa Lisboa solitária e poética.

Provas, Exorcismos, de Susana Nobre -  Competição Nacional
Presente este ano também na Quinzena dos Realizadores do Festival de Cannes, Provas, Exorcismos, de Susana Nobre, oferece um olhar fictício, também de influência documental, sobre o desemprego e uma terra tocada pelo falhanço da política.

Cavern Club, de Gonçalo Soares - Novíssimos
O bar de estreia dos Beatles empresta o seu nome a Cavern Club, a história de um montador perdido entre uma Lisboa turística, uma precária indústria de cinema e manifestações de uma geração sem futuro.

Seafood Porn, de Momoko Seto - Boca do Inferno
Seafood Porn traz-nos pornografia de pescado em stop-motion.

Música Moderna – Um Disco Filme de Tochapestana, de Tochapestana - IndieMusic
Os Tochapestana, num contexto performático, chamam os nossos corpos pela via do glitter (ou género associado à sua música: baile-turbo-punk). Pela estética dos anos 80 e a sua atracção pelo imaginário popular português, os videoclips do duo musical (onde se inclui o realizador Gonçalo Tocha) espelham o universo do seu álbum Música Moderna.

Habana, de Edouard Salier - Sessões Especiais
Um jovem rapaz leva-nos pelo caos de Havana, uma cidade à beira da guerra-civil.

Nos Campos em Volta, de João Botelho - Sessões Especiais
João Botelho traz-nos aqui um filme sobre as histórias e lendas que se escondem na paisagem de Serpa.

Kacey Mottet Klein, Naissance d’un acteur, Une petite leçon de cinéma, de Ursula Meier - Silvestre
A realizadora Ursula Meier olha para o crescimento e o trabalho do seu jovem actor de Home (2008) e Irmã (2012) através da sua presença e palavras.

Conhece toda a programação do IndieLisboa, horários e outras informações em www.indielisboa.com.

3 comentários:

Os Filmes de Frederico Daniel disse...

Inês chegaste a ver o "Pássaro Branco"? Se não o viste tens de o ver.

http://osfilmesdefredericodaniel.blogspot.pt/2016/02/passaro-branco.html

"Pássaro Branco": 4*

"Pássaro Branco" é um filme bastante bom e recomendo vivamente, o final do filme foi perfeito e inesperado.

Cumprimentos, Frederico Daniel.

Inês Moreira Santos disse...

Era um dos que queria muito ver e não consegui e continuo muito curiosa. Tenho de ver se o vejo em breve. :)

Os Filmes de Frederico Daniel disse...

O único pecado do filme é ser algo entediante a partir de uma parte, mas o bichinho de querer saber faz-nos não desistir dele e ainda bem. :) É bastante bom, principalmente aquele twist que foi a cereja no topo do bolo.