Hoje vi(vi) um filme: IndieLisboa'15: Novíssimos Curtas 1 e 2

terça-feira, 12 de maio de 2015

IndieLisboa'15: Novíssimos Curtas 1 e 2

Para concluir, e ainda falando de curta-metragens portuguesas no IndieLisboa, não deixaremos de analisar as seleccionadas da secção Novíssimos. Boas surpresas na secção que pretende dar visibilidade aos novos talentos nacionais da realização.

Swallows - 7.5/10
Sofia Bost trouxe uma boa surpresa à secção Novíssimos. Swallows passa-se em Londres, onde uma jovem portuguesa vive na esperança de uma vida melhor num país e numa casa que não são seus, longe dos laços que deixou em Portugal.

A realizadora traz-nos uma história simples, protagonizada por Teresa Tavares, bem filmada e onde a campainha que não pára de tocar é o elemento chave para tornar o todo mais especial e prender as atenções. Swallows tem ritmo e a sua história banal flui e funciona graças ao realismo e ao espírito subtilmente positivo que traz consigo.

Meeting Point - 5.5/10
Londres regressa aos Novíssimos com Meeting Point, de Miguel Rato. A capital inglesa serve para um encontro entre a cidade real e a cidade imaginada.

Às fotografias e miniaturas, junta-se a cidade desejada, os seus jardins, prédios e pessoas nos seus afazeres diários ou em lazer. O realizador joga com as imagens e cria simulações.

A Rapariga de Berlim - 6/10
A curta-metragem vencedora do Novíssimos, A Rapariga de Berlim, de Bruno Freitas Leal, traz-nos uma história de reencontros e ausências, tendo Lisboa como pano de fundo.

Ela regressa de Berlim, para uma relação que parece estagnada. A curta-metragem vive de silêncios e a sua história não avança muito, tal como a relação do casal que vemos no ecrã. O realizador oferece-nos planos interessantes que nos envolvem com a protagonista e nos fazem entender as suas hesitações e receios.

A Rapariga Ideal - 7/10
Mariana Trigo Pereira traz as memórias de juventude de duas mulheres que cresceram na Mocidade Portuguesa, à imagem do regime, com A Rapariga Ideal. A realizadora dedica o seu documentário às duas protagonistas, as suas avós. Entre recordações e algumas imagens antigas, surgem-nos as duas mulheres deste filme. A Mocidade Portuguesa fez parte da sua juventude, as suas fardas, os seus pontos fracos ou fortes. Estas duas avós contam-nos tudo. Por um lado, temos quem gostou da experiência e do que aprendiam por lá (entre cozinhar, ginástica, etc.), por outro, temos quem sofreu a mudança de frequentar um liceu misto e passar, de repente, para uma escola apenas com meninas.

Numa segunda parte da curta-metragem, e tendo em conta que na Mocidade Portuguesa as mulheres eram educadas para serem uma espécie de "Rapariga Ideal" (não faltavam aulas de economia doméstica, por exemplo), a realizadora desafia as avós a responderem a algumas questões de acordo com as respostas que dariam na altura dos seus 18 anos. Um exercício curioso e intimo, onde uma parte da História do país nos é contada por quem a viveu.

Logística - 5/10
Logística, de Miguel Tavares, faz o retrato de um jovem grupo de amizades marcado por uma ida para outro país. A imigração e a procura por uma vida melhor estão em jogo nesta curta.

Um super-mercado é o cenário de encontros e reencontros deste grupo de amigos, onde as cores vivas, a banda sonora inicial e os planos de câmara se revelam interessantes. A chegada de um amigo que esteve em Berlim coloca dúvidas e divide o grupo. O argumento poderia ter oferecido um desfecho mais emocionante para a curta.

Mapa Museu - 6.5/10
Com Mapa Museu, Nuno Lacerda desconstrói o espaço arquitectónico do CCB para criar uma espécie de puzzle cinematográfico. Com a mistura dos vários planos do seu filme no ecrã, qual quadro de Picasso no cinema, o realizador desafia-nos a seguir e procurar o nosso protagonista na sua visita ao museu.

Mapa Museu é uma experiência divertida e original de desconstrução cinematográfica, que peca apenas pela duração, que se estende em demasia.

A Última Noite - 6/10
Em A Última Noite, de Joana Reis, um jovem faz uma última ronda antes de abandonar o colégio interno onde viveu metade da sua vida. Nesta curta-metragem simples mas emotiva, a mudança serve de mote para o dia seguinte.

A dificuldade que um adolescente sente em deixar a segunda família, após sete anos a viver num colégio interno. No ar encontramos a despedida do espaço, o que fica por dizer e o medo da mudança.

Cavern Club - 8.5/10
O bar de estreia dos Beatles empresta o seu nome a Cavern Club, de Gonçalo Soares, que nos faz entrar na vida e nos dilemas de um montador perdido entre uma Lisboa turística, uma precária indústria de cinema, e manifestações de uma geração sem futuro. Este é o mote para a curta mais longa da secção Novíssimos.

Com um argumento mordaz e inteligente, Cavern Club apresenta-nos um protagonista, Luís, que não se identifica com o que o rodeia, vive num mundo à parte, é quase uma personagem de anime - facto que o nosso narrador japonês faz intensificar mais ainda - acabada de aterrar num Portugal ele mesmo perdido. Vagueando entre a realidade e a imaginação - e o nosso protagonista tem-na de sobra -, entre a cidade barulhenta e o retorno às origens, vamo-nos cruzando com as personagens mais caricatas e entrando nos sonhos mais divertidos de Luís. Tecnicamente, encontramos um bom trabalho de fotografia, planos bem construídos e um estilo muito próprio. Com este filme, o realizador deixa involuntariamente no ar um aviso: Gonçalo Soares é, sem dúvida, um nome a reter.

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