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quinta-feira, 24 de dezembro de 2015

Crítica: Creed: O Legado de Rocky (2015)

"One step at a time. One punch at a time. One round at a time."
Rocky Balboa
*7/10*

Rocky regressou ao grande ecrã, mas desta vez o protagonismo passa para um jovem talento do boxe. Podia pensar-se que os filmes protagonizados por Sylvester Stallone já tinham a fórmula totalmente esgotada, mas desenganem-se. Creed: O Legado de Rocky não deixa o ídolo morrer e dá-lhe um papel tanto ou mais importante que o do costume: agora é treinador e conselheiro.

Adonis Johnson (Michael B. Jordan) nunca conheceu o seu famoso pai, o campeão mundial de pesos pesados Apollo Creed, que morreu antes de ele nascer. Ainda assim, é inegável que o boxe lhe corre no sangue e Adonis dirige-se para Filadélfia, o local do lendário combate entre Apollo Creed e um novato resistente chamado Rocky Balboa. Ali, Adonis localiza Rocky (Sylvester Stallone) e pede-lhe que seja seu treinador.


Aos 29 anos, Ryan Coogler está a saber construir o seu caminho enquanto realizador e, na sua segunda longa-metragem, alia-se novamente a Michael B. Jordan (Fruitvale Station: A Última Paragem) e tem Stallone como mentor. Atrás da câmara, Coogler cresceu exponencialmente. Envolve-nos em planos-sequência fabulosos e atordoa-nos, como se, dentro do ringue, fôssemos muito mais participantes do que seria suposto, quais boxeurs.

O argumento de Creed: O Legado de Rocky é simples, mas muito mais arriscado no que respeita ao futuro das personagens do que poderíamos esperar. Personalidades bem moldadas e uma história com a sua previsibilidade mas que contrabalança com um sentimento de nostalgia latente até ao final.


Nas interpretações, Stallone mostra um lado muito humano, a prova de como até os ícones envelhecem e são reais. Emociona-se e emociona-nos, este Rocky Balboa magoado pela vida, que parece descobrir em Adonis a força e vitalidade que os anos lhe roubaram. Por seu lado, Michael B. Jordan, apesar de não sair muito do registo de Fruitvale Station, tem um desempenho esforçado e sentido. Dá tudo o que tem ao incorporar a luta de Adonis, quer em cima do ringue, quer fora dele, na relação com a mãe adoptiva, com a namorada e com a notoriedade do pai. Quer assumir a sua identidade sem depender do sucesso do progenitor e batalha ao longo de mais de duas horas de filme por esse objectivo.

Creed: O Legado de Rocky fala-nos de sonhos, de lutar para os concretizar, sem nunca desistir. Dá-nos motivos para seguir em frente perante todas as adversidades e recorda-nos os velhos tempos de Rocky Balboa - ele ainda está aí para as curvas.

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