sábado, 13 de fevereiro de 2016

Crítica: A Ponte dos Espiões / Bridge of Spies (2015)

"We have to have the conversations our governments can't."
James Donovan
*7.5/10*

Steven Spielberg é excelente a filmar históricos. Se ainda alguém tinha dúvidas, A Ponte dos Espiões chegou para as dissipar de vez. O realizador trouxe agora para o grande ecrã a Guerra Fria e uma história pouco conhecida. Espiões e advogados, Estados Unidos e Rússia, Spielberg conta-nos tudo.

Durante a Guerra Fria, James Donovan (Tom Hanks), um advogado de Brooklyn, é recrutado pela CIA para negociar a troca de um espião russo capturado, por um piloto americano abatido enquanto sobrevoava território soviético.

Spielberg mune-se dos actores ideais, e dá-nos mais uma lição de história, com personagens bem exploradas e um suspense de invejar. Mais ou menos conhecedores desta época, é impossível tirar os olhos do ecrã e o tempo - quase 2h30 de filme - passa a voar.


A montagem é inteligente, oferecendo-nos um mistério ritmado, potenciado mais ainda pela direcção de fotografia - sempre ao estilo de Spielberg -, que joga com luz e sombra de forma brilhante. As negociações que pareciam ser improváveis (ou impossíveis) entre americanos e russos fazem-nos temer por Donovan e mesmo pelo espião russo. Afinal, poucos são como Spielberg a fazer-nos compreender as personagens e ficar do seu lado.

A reconstituição histórica - óptimo trabalho da direcção artística - tem momentos inesquecíveis como a edificação do muro de Berlim e a violência do lado oriental e ocidental do mesmo. A desconfiança paira nas sombras, nas ruas geladas e inseguras, nas salas de negociação, sempre acompanhada pela banda sonora de Thomas Newman, a tornar o ambiente ainda mais desconcertante. Também o trabalho sonoro intensifica as emoções da plateia.


Tom Hanks é sempre uma mais-valia no elenco. Como James Donovan o actor mostra-se muito à vontade e competente no seu tipo de personagem: seguro e de fácil empatia. Já o espião russo, Rudolf Abel, é interpretado por Mark Rylance. Um desempenho comedido, de ar frágil, mas com uma presença muito forte, capaz de comover o público.

Em A Ponte dos Espiões, Spielberg trata com respeito e zelo mais um importante momento histórico, filma-o como ninguém e arrebata-nos novamente com a sua mestria cinematográfica.

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