segunda-feira, 3 de outubro de 2016

Crítica: A Rapariga no Comboio / The Girl on the Train (2016)

*6/10*

Depois de ser um sucesso literário, A Rapariga no Comboio viajou até ao grande ecrã para tentar repetir o feito na Sétima Arte. Emily Blunt é o grande trunfo do filme realizado por Tate Taylor.

Rachel (Emily Blunt) está inconsolável devido ao seu divórcio recente. Diariamente, na sua viagem de comboio a caminho do emprego, tece fantasias sobre um casal aparentemente perfeito que vive numa casa por onde o comboio passa. Um dia, vê acontecer algo que a perturba e envolve-se num mistério que se vai desenrolando.

Um thriller com um ponto de partida curioso contado inicialmente através de três pontos de vista - o de Rachel, o de Megan (Haley Bennett) e o de Anna (Rebecca Ferguson). As histórias destas três mulheres cruzam-se numa teia de violência, ciúmes e mentiras, numa trama bem tecida e onde os segredos são guardados até ao final.


O trabalho de montagem é eficaz, mas um tanto exigente, onde as analepses constantes podem extenuar a plateia que, afinal, gostava de mais suspense e menos drama. A Rapariga no Comboio é um filme competente, mas não nos satisfaz totalmente enquanto thriller. Talvez este não seja o género mais indicado para Tate Taylor. Em 2011, o realizador adaptou o drama As Serviçais ao cinema com mestria, envolvendo-nos nas histórias que filmou.

Apesar do seu ambiente sombrio e muito negativo, que nos deixa tão perdidos como Rachel, esperava-se um pouco mais de complexidade das personagens, que não nos emocionam, e as revelações, mesmo imprevisíveis, são-nos apresentadas sem grandes cerimónias.


Mas a grande força do filme está, sem dúvida, em Emily Blunt. Ela sofre, transfigura-se, o seu rosto assume formas que nunca imaginamos possíveis. Ela assusta-nos e faz-nos duvidar da verdade em que acredita. Blunt mostra-nos como uma grande actriz consegue fazer muito com o pouco que a personagem tenha para explorar.
A Rapariga no Comboio pode ter-se enganado na paragem. Toda a ideia é cativante, mas a abordagem não é a mais bem conseguida. Guarda bem os segredos e instala a dúvida na plateia, mas não lhe oferece o thrilller que se esperava ver, o suspense falha. Falta-lhe esse ingrediente-chave para melhor apreciarmos a viagem.

3 comentários:

João Miranda disse...

Concordo. Acho que o argumento falhou. Prefiro livros às versões cinematográficas mas este filme não me deixou com vontade de ler o livro. De qualquer forma, e do ponto de vista do cinema, acho que fica na retina a interpretação de quase todas as personagens. Rachel, Anna e Megan são personagens bem conseguidas. Para mim, o melhor do filme :)

http://crimeoucastigo.blogspot.pt/

Inês Moreira Santos disse...

Já ouvi dizer que o livro é melhor, mas também perdi um pouco do interesse que tinha para o ler. E tens razão, as mulheres são o melhor do filme. De todo.
Obrigada pelo comentário. :)

Ninni disse...

Gostei imenso do livro mas achei o filme vazio. Não conseguiu transmitir a intensidade do livro e achei as personagens muito pouco trabalhadas,com a excepção da Rachel. Substituir Londres por Nova Iorque também não me pareceu uma boa escolha.