Hoje vi(vi) um filme: Crítica: Serra Pelada (2013)

segunda-feira, 10 de outubro de 2016

Crítica: Serra Pelada (2013)

*7/10*

A febre do ouro do Brasil chegou ao grande ecrã pela mão do realizador Heitor Dhalia, em Serra Pelada. A longa-metragem partilha o nome com a serra para onde os homens foram em busca do metal precioso que, sonhavam, os faria ricos.

Com nomes sonantes no elenco, onde se destaca Wagner Moura, Serra Pelada junta violência, ganância, romance e sonhos desfeitos, numa espécie de western com muito samba e gangs. Pistoleiros, pelo menos, não faltam, num filme onde o dinheiro e o poder parecem transformar os protagonistas.

Os amigos Juliano (Juliano Cazarré) e Joaquim (Júlio Andrade) deixam São Paulo em busca do sonho do ouro. Estamos em 1980 e os dois amigos chegam à Floresta Amazónica - como tantos outros milhares de homens chegaram -, repletos de sonhos e ilusões. Mas a vida no garimpo muda tudo. A obsessão pela riqueza e pelo poder destrói-os. Juliano torna-se um gangster. Joaquim foge e deixa todos os seus valores para trás.


Um deixa para trás a família, o outro, as dívidas. Um quer dinheiro, o outro, poder. É assim que dois homens passam da vontade de ter uma vida melhor para a ganância sem limites. Como se o ouro pudesse mudar educação e valores, o passado e os laços.

Cores vivas e muito quentes abundam, quer de dia, junto dos homens suados e sujos de terra, debaixo de um Sol abrasador, que vão encontrando o também reluzente e tão desejado ouro, como à noite, entre as danças coloridas, as prostitutas e as lutas de poder.

Serra Pelada é enérgico, prende atenções, num interessante retrato da época. Peca especialmente por aspectos que o ligarão mais à televisão que ao cinema - os dramas românticos do enredo são um deles -, resultando provavelmente melhor como série televisiva.


No elenco, especial destaque para as interpretações dos protagonistas Juliano Cazarré e Júlio Andrade, tão diferentes e tão unidos, numa verdadeira concepção da ideia de que os opostos se atraem, e ainda Wagner Moura, numa personagem tão brutal como cómica.

Heitor Dhalia trouxe-nos um filme dinâmico, com pontos de contacto com a actual realidade brasileira. Não consegue, no entanto, chegar a um patamar que o torne inesquecível no cinema.

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