segunda-feira, 29 de maio de 2017

Crítica: Mulher Maravilha / Wonder Woman (2017)

"Be careful, Diana. They do not deserve you."
Hippolyta
*6/10*


Ela quer acabar com a Guerra, tem os desejos e a beleza de uma Miss, mas a coragem e inocência necessárias para vingar e conquistar fãs. Mulher Maravilha simboliza toda a emancipação feminina no mundo cinematográfico - e masculino - dos super-heróis: uma protagonista muito à frente do seu tempo levada ao grande ecrã por uma realizadora, Patty Jenkins (que em outros tempos dirigiu Charlize Theron em Monster, interpretação que lhe valeu um Oscar). Mulheres ao poder.

O mundo dos super-heróis ganha uma nova vida com o regresso da Mulher Maravilha aos cinemas. Agora ela volta para nos contar a sua história, as suas origens que certa fotografia já tinha anunciado.


Nesta legião de filmes DC Comics e Marvel, Mulher Maravilha destaca-se por ter uma componente histórica muito forte, ao passar-se durante a Primeira Guerra Mundial. Ao mesmo tempo, traz a mitologia para o ecrã e consegue construir o argumento de modo a que o mundo das Amazonas e dos Homens se cruze com alguma naturalidade.

Antes de ser a Mulher Maravilha, a nossa protagonista era Diana, princesa das Amazonas, criada numa protegida ilha paradisíaca e treinada para ser uma guerreira imbatível. Um dia, inesperadamente, o piloto americano Steve Trevor despenha-se ao largo da ilha e Diana salva-o, ficando a saber que há um conflito emergente no mundo - a Primeira Guerra Mundial. Movida por um sentido de dever, a jovem Amazona abandona o seu lar, convencida que consegue travar esta ameaça. Combatendo ao lado dos homens, na Guerra para acabar com todas as Guerras, Diana vai descobrir todos os seus poderes e as suas verdadeiras origens.


Ora, se os melhores momentos do filme são durante a guerra, começando com a chegada de Diana a Londres, nada familiarizada com os hábitos da sociedade - são bons os momentos de humor que surgem com a ingenuidade da protagonista -, e, de seguida, ao lutar em pleno campo de batalha como os homens, por outro lado, a parte final de Mulher Maravilha não podia ser mais entediante. Curiosamente, é quando o clímax chega que o filme perde o interesse - deve ser esse o problema que tenho com os filmes de super-heróis. Surge um combate monótono e muito longo, com super-poderes para todos os lados, e a guerra, em si, fica para segundo plano. Uma pena.

Gal Gadot prova ser a escolha certa para o papel, reunindo as características físicas e de carácter que se esperam de Diana Prince. A actriz é eficaz e sobressai especialmente nos momentos mais cómicos ou dramáticos. Chris Pine faz bem o papel de herói de guerra e a equipa que o acompanha cativa a plateia com as simpáticas prestações de Eugene Brave RockSaïd Taghmaoui e, em especial, Ewen Bremner.


Símbolo da mulher emancipada, a Mulher-Maravilha não faz milagres no que aos filmes de super-heróis diz respeito. Contudo, a parceria Patty Jenkins e Gal Gadot traz alguns elementos diferenciadores ao género e mostra-nos que há ainda quem queira lutar: pela paz, pelos direitos das mulheres e por algumas - ainda que ligeiras - mudanças nos filmes onde os homens é que reinam.

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