sexta-feira, 11 de agosto de 2017

Crítica: Baby Driver: Alta Velocidade (2017)

"I'm a driver." 
Baby

*7.5/10*

Põe os "phones" e carrega no acelerador. Edgar Wright cumpriu esta (des)regra de ouro e criou o seu Baby Driver. Quem diria que pôr um miúdo como motorista de assaltos poderia resultar num filme com tanta acção e boa música?

Baby (Ansel Elgort), um jovem condutor, especialista em fugas de assaltos, confia na batida da sua banda sonora pessoal para ser o melhor no que faz. Quando encontra a mulher dos seus sonhos (Lily James), Baby quer agarrar a oportunidade e mudar de vida. No entanto, o jovem vê-se coagido a continuar a trabalhar para um chefe do crime (Kevin Spacey), e quando um assalto corre mal e ameaça a sua vida e liberdade, ele terá de optar pela música certa.


A lembrar o recente Drive - Risco Duplo, de 2011, mas com um tom totalmente diferente, Baby Driver marca o regresso em grande de Edgar Wright. O argumento tem um humor muito característico do realizador, personagens eficazes e alucinadas, sem grande complexidade, muita acção, perseguições e dilemas, até para a plateia.

O grande pecado do filme é mesmo querer agradar a todos, com um argumento que perde fôlego de tão claro que pretende ser. Um pouco de mistério ou ideias subentendidas nunca fizeram mal a ninguém - mesmo que pouco interessado esteja na qualidade do filme que vê. O argumento é bom, original, mas o interesse romântico de Baby não acrescenta nada de positivo à trama - seria de certo mais fascinante explorar a relação do protagonista com o pai adoptivo.


Já a música conduz o carro com os assaltantes e dá as indicações a Baby, qual gps. A banda sonora é personagem principal, marca o ritmo e contagia a plateia. Entra-se num crescendo de adrenalina, numa fuga ao perigo - e à prisão. É o verdadeiro ponto forte da longa-metragem.

Baby convida-nos a ter, como ele, uma banda sonora para cada ocasião, numa espécie de fuga à realidade e ao passado traumático. O pouco conhecido Ansel Elgort (nome especialmente associado à saga Divergente) sai-se bem no papel principal e revela-se um excelente companheiro de viagem.


Atrás do volante, o protagonista desfila pelas ruas entre cores vibrantes e a um ritmo alucinante, graças à sua habilidade para a condução e às opções do realizador. Desde o plano-sequência inicial que nos apresenta a Baby, fica a certeza de que vamos gostar de Baby Driver e adrenalina e diversão não vão faltar. E mesmo que as expectativas saiam ligeiramente goradas com o decorrer da longa-metragem, o bom entretenimento ninguém nos tira.

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