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terça-feira, 23 de janeiro de 2018

Oscars 2018: Onde andam as surpresas?

Essencialmente, as nomeações para os Oscars 2018 foram previsíveis. Seja pelo politicamente correcto, seja pelo talento, seja pela hipocrisia ou seja, até mesmo, por hábito (sim, Meryl Streep...), não houve muitas surpresas nem muitas ausências no que às categorias de interpretação diz respeito.

Escuso-me aqui a falar dos inúmeros filmes e papéis que, por não entrarem nos "cânones" da Academia, todos os anos ficam de fora. Falo, em concreto, daquilo que se esperava, tendo em conta a award season desde o seu início e as críticas positivas que se têm feito.

Primeira grande ausência: James Franco. A explicação óbvia são as acusações de assédio que se seguiram à sua vitória nos Globos de Ouro. E mais uma vez paira o dilema: "onde fica a fronteira entre a vida pessoal e profissional?". Acusações têm de se provar, mas em Hollywood reage tudo demasiado rápido, sem pensar muito, com a hipocrisia ao comando. Claro que com a não-nomeação para Melhor Actor (diga-se, que seria merecida), desapareceu igualmente a possibilidade de nomeação para Melhor Filme. Só o argumento adaptado sobreviveu para contar a história.


Nas categoria "Mulheres ao Poder", Greta Gerwig conquistou o tão desejado lugar entre os realizadores homens, expulsando nomes como Steven Spielberg, Ridley Scott ou Denis Villeneuve. Outras duas mulheres completamente esquecidas, e que talvez merecessem mais a nomeação que a realizadora de Lady Bird, são a já oscarizada Kathryn Bigelow, por Detroit, ou Dee Rees, por Mudbound. Este último filme (conta com quatro nomeações) surpreendeu ao conquistar a nomeação para Melhor Fotografia, com Rachel Morrison a fazer História como a primeira mulher nomeada na categoria.

Christopher Nolan conseguiu a primeira indicação como realizador e vê Dunkirk somar 8 nomeações. Por seu lado, Mulher-Maravilha saiu a zeros. Armie Hammer foi uma ausência sentida na categoria de Melhor Actor Secundário e Christopher Plummer veio consolidar as já diversas indicações na temporada de prémios. No Filme Estrangeiro, a Alemanha com o seu Uma Mulher Não Chora (In the Fade) foi deixado de fora, mas o Líbano conquistou a sua primeira nomeação na categoria com L'insulte.

Paul Thomas Anderson e a sua Linha Fantasma surge mais vezes do que seria de esperar - Melhor Filme, Melhor Realizador, Melhor Actor, Melhor Actriz Secundária, Melhor Banda Sonora, Melhor Guarda-Roupa -, o que é óptimo sinal. Foge, por sua vez, não é uma surpresa mas é mais um sinal de mudanças na Academia que votou em massa num filme da categoria de terror (Melhor Filme, Melhor Realizador, Melhor Actor e Melhor Argumento Original).


Agora é fazer previsões e aguardar pela noite de 4 de Março. Já faltou mais.

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