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terça-feira, 5 de janeiro de 2016

Sugestão da Semana #201

Das estreias da passada Quinta-feira, a Sugestão da Semana destaca 45 Anos. O Hoje Vi(vi) um Filme já viu e gostou muito. Podes ler a crítica aqui.

45 ANOS


Ficha Técnica:
Título Original: 45 Years
Realizador: Andrew Haigh
Actores: Charlotte Rampling, Tom Courtenay
Género: Drama, Romance
Classificação: M/12
Duração: 95 minutos

segunda-feira, 4 de janeiro de 2016

Crítica: 45 Anos / 45 Years (2015)

*8.5/10*

Com uma interpretação fabulosa de Charlotte Rampling, 45 Anos traz-nos a prova de como o amor pode trazer surpresas em todas as idades e como os segredos podem transformar uma relação. O ciúme não é linear e, afinal, há alguma idade limite para poder recomeçar?


Falta apenas uma semana para o 45.º aniversário de casamento de Kate Mercer (Charlotte Rampling) e o planeamento da festa está a correr bem. Contudo, a chegada de uma carta para o seu marido, Geoff (Tom Courtenay), pode mudar tudo. O cadáver do seu primeiro amor foi descoberto, congelado e conservado nos glaciares dos Alpes suíços...

A inesperada notícia condiciona o desenvolvimento de todo o filme, que percorre os dias que faltam até ao Sábado da comemoração. Os dias da semana dividem o filme numa espécie de capítulos que retratam as mudanças bruscas que a relação de Kate e Geoff vai sofrendo, os seus altos e baixos, a sua intimidade, os segredos que ainda escondem, as revelações que condicionam comportamentos e despoletam sentimentos que lhes são estranhos. Foram precisos 45 anos casados para o passado vir atormentar-los.


E é a partir deste argumento que se constrói 45 Anos, que vive dos dois protagonistas, mas igualmente do ambiente em que o realizador Andrew Haigh os insere e na forma como os conduz neste drama. Os personagens estão carregados de realismo. Geoff parece perdido e nostálgico com a chegada da carta impulsionadora do possível desmoronamento do seu casamento. Todavia, as memórias de um amor passado vêm ao de cima e sobrepõem-se até à consciência da degradação da sua relação com a mulher. Geoff parece confuso e distante, agarra-se ao passado no decorrer daquela semana tão importante para o casal. E, no meio do turbilhão de sentimentos, continua a amar a mulher. Tom Courtenay confere-lhe esta fragilidade e melancolia latente, bem como a comoção e o amor despreocupado.

Mas é Charlotte Rampling e a sua Kate que consegue chegar mais perto do público. A sua personalidade calma, tranquila, é perturbada por um estranho ciúme de um passado que não é o seu. Ainda assim, o sentimento de posse inerente ao seu casamento vem ao de cima e todas as recordações do  marido a deixam devastada, magoada, perdida. Sem exteriorizar, sabemos exactamente o que Kate sente. O seu rosto não nos engana entre os sorrisos de ocasião: ela está em grande sofrimento. O amor transforma-se e o dia mais importante daquele ano poderá ficar marcado por sentimentos negativos. A menos que se possa começar de novo.


Os planos fixos ou de movimento muito subtil convidam a entrar nos pensamentos e introspecção dos protagonistas. Os segredos de Geoff, agora revelados, e as transformações em Kate são retratados em cores suaves, a condizer com os cenários e decoração bucólica.

45 Anos explora um outro lado das relações, numa idade que não é tão comum ver explorada no cinema. Felizmente, Andrew Haigh não teve medo da história que tinha em mãos, teve a coragem necessária para a filmar com realismo e com os dois protagonistas certos.

Estreias da Semana #201

As últimas estreias de 2015 em Portugal chegaram aos cinemas no último dia do ano. No blog vêm ligeiramente atrasadas, mas sempre a tempo. Eis os cinco filmes que estrearam.

Falta apenas uma semana para o 45º aniversário de casamento de Kate Mercer e o planeamento da festa está a correr bem. Mas, entretanto, chega uma carta para o seu marido. O cadáver do seu primeiro amor foi descoberto, congelado e conservado nos glaciares dos Alpes suíços...

A história de amor verídica do artista dinamarquês Einar Wegener (Eddie Redmayne) e da sua esposa, a pintora Gerda Gottlieb (Alicia Vikander), numa viagem pioneira para se tornar uma mulher, nos anos 20 do século XX. Wegener viajou para a Alemanha em 1930 para se submeter a uma cirurgia em fase experimental.

Adonis Johnson (Michael B. Jordan) nunca conheceu o seu famoso pai, o campeão mundial de pesos pesados Apollo Creed, que morreu antes de ele nascer. Ainda assim, é inegável que o boxe lhe corre no sangue e Adonis dirige-se para Filadélfia, o local do lendário combate entre Apollo Creed e um novato resistente chamado Rocky Balboa. Ali, Adonis localiza Rocky (Sylvester Stallone) e pede-lhe que seja seu treinador.

Diário de Uma Criada de Quarto (2015)
Journal d'une Femme de Chambre
Nesta adaptação do romance homónimo de Octave Mirbeau, Célestine (Léa Seydoux) é uma jovem criada de quarto cortejada pela sua beleza que acaba de chegar à província, vinda de Paris, para trabalhar com a família Lanlaire. Vai evitando os avanços do patrão, tendo igualmente de lidar com a Senhora Lanlaire, que  governa a casa com um punho de ferro. É então que conhece Joseph (Vincent Lindon), um misterioso jardineiro, por quem fica fascinada.

Premonições (2015)
Solace
O agente do FBI Joe Merriwether (Jeffrey Dean Morgan) e a sua jovem colega Katherine Cowles (Abbie Cornish) decidem pedir ajuda ao Dr. John Clancy (Anthony Hopkins) na investigação de uma série de bizarros homicídios. As excepcionais capacidades intuitivas de Clancy, que surgem sob a forma de intensas e perturbadoras visões, colocam-no no rasto de um suspeito (Colin Farrell).

quinta-feira, 31 de dezembro de 2015

Os Melhores do Ano: Top 20 [10º-1º] #2015

Depois da primeira parte do TOP 20 de 2015 do Hoje Vi(vi) um Filme, revelo agora os dez lugares que faltam, aqueles que foram os melhores do ano, estreados no circuito comercial de cinema em Portugal.

Eis o top 10:

10. As Mil e Uma Noites: Vol.2, O Desolado, de Miguel Gomes, 2015


O mais forte da trilogia de Miguel Gomes. O Desolado consegue provocar um misto de emoções que varia entre as lágrimas, as gargalhadas e a alienação. Três histórias fortes marcam o percurso deste filme, com a Portugalidade bem vincada, mas sem dó nem piedade do público, que tanto é levado a fugir pelos montes, como colocado num tribunal de acusações intermináveis, não deixando de conhecer as tragédias dos donos de um cão, Dixie.

9. Tangerinas (Mandariinid), de Zaza Urushadze, 2013


Um homem no meio de uma guerra que nada lhe diz respeito, mas que não quer partir. Um sentimento de pertença, de justiça, de respeito pela vida e pela morte. Tangerinas é um filme simples, comovente e duro que espelha, com clareza, o absurdo da guerra.



O convite irrecusável de J.C. Chandor para entrarmos numa viagem à máfia dos anos 80 chegou com Um Ano Muito Violento. O ambiente sujo e sombrio de Nova Iorque, as desconfianças que nos fazem olhar por cima do ombro a todo o momento e um inusitado mafioso ingénuo e cheio de sentido de justiça e moral ao comando como protagonista fazem desde filme um marco no cinema recente.



O ambiente pesado sente-se por todos os recantos da tela, as personagens não nos transmitem segurança e o desequilíbrio psicológico de du Pont perturba-nos. No fim e entre os receios da plateia, Foxcatcher traduz-se num retrato sóbrio e arrepiante de uma tragédia que assolou o desporto.



O batimento cardíaco aumenta ao ritmo do da bateria e o corpo acompanha a sonoridade jazz. No fim, faltar-nos-ão as forças ao ver tanto esforço, raiva e vontade de ser o melhor, mas a motivação não terá limites. Damien Chazelle traz-nos muita teimosia e suor, acompanhados à bateria, em Whiplash - Nos Limites, a sua segunda longa-metragem. Para além de um exercício de estilo cheio de ritmo, somos conduzidos nesta aventura por dois protagonistas fabulosos e de personalidade singular: Andrew Neimann e Terence Fletcher - tão diferentes, mas, afinal, tão iguais.



Com uma interpretação fabulosa de Charlotte Rampling, 45 Anos traz-nos a prova de como o amor pode trazer surpresas em todas as idades e como os segredos podem transformar uma relação. O ciúme não é linear e, afinal, há alguma idade limite para poder recomeçar?

4. Estações da Cruz (Kreuzweg), de Dietrich Brüggemann, 2014


A religião como um poder esmagador do ser humano em diversos sentidos é o que Estações da Cruz nos oferece, sem querer ser tão crítico como pode parecer à primeira vista. Maria é a nossa santa, a nossa jovem e convicta protagonista. Ela sabe bem o que quer e irá até às últimas consequências para tal. Excelente trabalho de argumento e realização, com planos fixos a construir as estações da via-sacra em que o filme se divide.

3. Amy, de Asif Kapadia, 2015


A vida de Amy Winehouse retratada num documentário envolvente e que faz lamentar, mais ainda, a morte prematura da estrela. A música, os vícios, a família, o amor e a depressão passam perante os nossos olhos e só gostávamos de poder voltar atrás e ajudá-la, evitando a tragédia.



Margherita é Moretti. Moretti queria ser Giovanni: moderado, consciente do que o futuro lhes reserva, sempre presente mas conformado, sem ilusões. Margherita não só é Moretti como poderia ser qualquer um de nós: com pouco tempo para tudo e todos os que a rodeiam, apegada à mãe e ao irmão, fragilizada, uma mulher completamente em negação que teima em não aceitar que a mãe pode morrer a qualquer momento. Inevitavelmente, na vida real, quer admitamos, quer não, a esperança é a última a morrer.



Leviatã, com o seu tom pesado mas descomprometido e provocador, é um alerta para o mundo, que não lhe ficou indiferente. Uma provocação, mas, acima de tudo, uma chamada de atenção, para que esta Rússia aqui filmada não perdure, e para que o espectador se indigne e revolte contra o "estado das coisas", e não se contente em ficar sentado a chorar junto ao esqueleto de uma baleia, por muito bela que a imagem seja.