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quinta-feira, 1 de março de 2018

Oscars 2018: Melhor Filme

A cerimónia dos Oscars 2018 acontece no próximo Domingo, dia 4 de Março, e nada melhor do que a breve análise do costume aos nomeados. Em mais um ano com nove nomeados para Melhor Filme, há cinema para todos os gostos. Dos nove filmes na corrida, há dois que mereceriam especialmente  vencer o grande prémio da noite. Aí ficam os nomeados, por ordem de preferência.

1. Linha Fantasma (Phantom Thread)


É sem dúvida o que mais mereceria o prémio, mas é também um dos que não irá conquistá-lo. Todo o ele é perfeição, mas não é filme que a Academia valorize a ponto de lhe conceder o OscarLinha Fantasma deve ser visto e sentido, quer pela história de paixão desenhada e cosida à mão, pela beleza dos vestidos, pela delicadeza dos planos de câmara, dos actores, da fotografia, do som e, principalmente, por ter sido filmado em película. O perfeccionismo do criador revê-se também no trabalho de toda a equipa, num assombro de talento. A par disso, é criada uma aura sobrenatural que surge de forma subtil e muito realista, onde a forma de encarar a morte ganha um papel de destaque.

2. Três Cartazes à Beira da Estrada (Three Billboards outside Ebbing, Missouri)


Nutro um especial carinho por este filme desde que o vi, e está muito perto do número 1 desta minha lista. Três Cartazes à Beira da Estrada é um grande murro no estômago. Um filme amargo, com personagens tão reais e profundas interpretadas por actores que põem alma no que fazem. Martin McDonagh escreveu e realizou um daqueles filmes que não nos vamos cansar de rever, partilhar dúvidas, esperanças, mágoas e clamar por justiça.

3. Dunkirk


Christopher Nolan fez questão de nos oferecer a melhor experiência visual possível. Dunkirk é uma curta epopeia de dor e sacrifício, onde a união fez mesmo a força, num importante momento da História da Segunda Guerra Mundial. No seu primeiro filme de guerra, Nolan consegue ser tão patriótico como tolerante. Sem banhos de sangue, mas com um sentido de união pouco comum, de pensamentos, sentimentos, compromissos e honra. O realizador é metódico e consegue, como poucos, unir públicos tão diferentes em torno do mesmo filme. Sim, Dunkirk é um filme para as massas, mas é igualmente um filme de autor, com planos sufocantes e memoráveis, com dedicação, alma e personalidade.

4. A Forma da Água (The Shape of Water)


Nas últimas semanas a polémica tem envolvido A Forma da Água com acusações de plágio. Não sei se a Academia irá ou não ser influenciada por isso, mas penso que o filme continua a ser um forte candidato ao prémio. Para mim, surge em quarto lugar na corrida. Guillermo del Toro é inspirador. Voltou a sê-lo. Por muitas influências (demasiadas, por vezes) que A Forma da Água possa ter, o cineasta é capaz de criar um filme com identidade própria e com características que denunciam claramente a sua autoria - um misto de doçura, fantasia e violência. A violência não gera nada de bom e o amor é a melhor forma de comunicação. Guillermo del Toro prova-o neste filme, nós acreditamos e pedimos mais magia.

5. Foge (Get Out)


Foge é ousado e muito original na forma como se constrói como filme de terror - ou será mais um thriller de suspense? - em redor de um estigma que já deveria estar ultrapassado, e, ao mesmo tempo, crítica a sociedade muito para além do racismo. Esta forma de discriminação social é aqui filmada com características muito próprias, que suscitam curiosidade. Os afro-americanos são mais invejados do que discriminados, neste filme, mas tudo acontece de um modo um tanto macabro. Foge é um alerta, irónico e sarcástico, mas, igualmente adulto e singular na sua forma e propósito. Uma excelente surpresa na estreia de Jordan Peele na realização.

6. Chama-me Pelo Teu Nome (Call Me By Your Name)


Há um lirismo romântico a pairar sobre Chama-me Pelo Teu Nome. Tem momentos brilhantes, normalmente potenciados por um longo plano-sequência. Guadagnino filma cenas tão boas como uma conversa entre pai e filho, momentos de partilha e intimidade entre Elio Oliver (onde não são as palavras que mais falam), a festa em que estão a dançar com amigos e surgem os ciúmes, ou os momentos de introspecção, em casa ou no campo. Por outro lado, há situações delicodoces que resultam em momentos pouco conseguidos, e dão um grande desequilíbrio ao filme.

7. Lady Bird


Lady Bird é símbolo de amadurecimento e de amor, acima de tudo. Greta Gerwig estreia-se na realização com uma longa-metragem que se despede da adolescência para entrar na idade adulta, com os receios e dilemas que essa transição acarreta. Ao mesmo tempo, o amor à cidade de Sacramento, Califórnia, e a tudo e todos os que a ligam à protagonista, é uma das mensagens mais puras do filme. E no meio da ligeireza que o filme transmite, a realizadora consegue convencer-nos de que, também nós, já tivemos qualquer coisa de Lady Bird: já fomos adolescentes revoltados, extravagantes, com sonhos mirabulantes, duvidas e receios. Mas todos crescemos.

8. The Post


The Post é um bom filme de jornalistas, mas apenas mais um que se junta a tantos outros bons títulos do género que têm surgido ao longo das décadas. Não é o melhor Spielberg de sempre mas traz-nos o cineasta, fiel a si mesmo, com uma equipa de peso a acompanhá-lo.

9. A Hora Mais Negra (Darkest Hour)


Joe Wright conta-nos a História do ponto de vista de Churchill e sabe tornar reuniões e discussões, entre o Primeiro Ministro, políticos e rei, cativantes. Ainda assim, não traz nada de novo aos filmes do género. No argumento, o momento mais bem construído prende-se com o dilema na cabeça do protagonista, que se vê divido entre o que todos esperam que ele faça e o que os seus valores lhe dizem para fazer. A tensão é imensa, o dever de proteger o povo e a ética estão muito presentes e são muito bem tratados no grande ecrã.

sábado, 13 de janeiro de 2018

Estreias da Semana #307

Esta Quinta-feira, chegaram aos cinemas portugueses sete novos filmes. A Hora Mais Negra e Três Cartazes à Beira da Estrada são duas das estreias.

47 Metros de Terror (2017)
47 Meters Down
Durante uma viagem ao México, duas irmãs, Lisa e Kate (Mandy Moore e Claire Holt), decidem aventurar-se num mergulho para observar os tubarões, mas tudo corre mal quando o cabo que prendia a jaula de observação ao barco se parte e ambas ficam presas no fundo do oceano a 47 metros de profundidade. Com grandes tubarões brancos próximos da jaula e botijas de oxigénio para apenas uma hora, elas terão de descobrir como atravessar os 47 metros de água para chegarem ao barco.

Nos primeiros dias da Segunda Guerra Mundial, à medida que as forças nazis avançam, e com o exército aliado encurralado nas praias de Dunquerque, o destino da Europa Ocidental está nas mãos do novo Primeiro-Ministro da Grã-Bretanha: Winston Churchill (Gary Oldman). Enquanto lida com os seus rivais políticos, tem que enfrentar uma decisão fulcral: negociar com Hitler e salvar o povo britânico de um final terrível ou reunir a nação e lutar contra todas as expectativas.

Man Down - A Guerra (2015)
Man Down
O fuzileiro Gabriel Drummer regressa após uma comissão de serviço no Afeganistão. Assombrado por algo que aconteceu na guerra, Drummer sente-me pouco melhor em casa do que nos campos de batalha enquanto procura o paradeiro da sua família.

Pop Aye (2017)
Por mero acaso, um arquitecto desencantado com a vida encontra o seu antigo elefante nas ruas de Banguecoque. Empolgado, decido levá-lo numa viagem até ao local onde ambos cresceram.

Só Para Ter a Certeza (2017)
Ôtez-moi d'un doute
Erwan, um viúvo de 45 anos que trabalha como sapador, vê-se a braços com uma filha adolescente, grávida de pai desconhecido. Numa das consultas em que a acompanha, descobre que aquele que o criou não é afinal do seu sangue. Enquanto insiste em procurar o pai do neto, decide procurar também o seu pai biológico. A meio da busca, cruza-se com a indomável Anna, por quem se apaixona. Eventualmente, acaba por descobrir o pai ainda vivo: é Joseph, um velho senhor extremamente terno, por quem se afeiçoa. A bomba rebenta no dia em que vai visitar Joseph e descobre que Anna é filha dele.

Tad e o Segredo do Rei Midas (2017)
Tadeo Jones 2: El secreto del rey Midas
Depois de Sara descobrir uma das três peças de ouro da gargantilha do Rei Midas, provando a existência desta personagem que transformava em ouro tudo em que tocava, Tad viaja para Las Vegas a fim de se juntar à sua amiga na primeira apresentação desta descoberta arqueológica. O feliz encontro entre Tad e Sara rapidamente se transforma em desastre quando o vilão Jack Rackham e a sua equipa de bandidos roubam a jóia e raptam a jovem arqueóloga, sabendo que quem voltar a juntar as três peças da gargantilha do Rei Midas obterá enorme poder e riqueza. Tad terá de ser mais hábil do que nunca para salvar Sara e impedir os planos maléficos de Rackham, numa viagem até ao outro lado do globo, por Espanha, Grécia e Turquia, juntamente com os seus amigos - a Múmia, o papagaio Belzoni e o cão Jeff.

Depois de meses sem ser encontrado o culpado no caso do homicídio da sua filha, Mildred Hayes (Frances McDormand) faz uma jogada ousada ao alugar três cartazes à entrada da cidade com uma mensagem polémica dirigida a William Willoughby (Woody Harrelson), o respeitado chefe de polícia da cidade. Mas quando o seu adjunto Dixon (Sam Rockwell), um menino da mamã imaturo com uma inclinação para a violência, se envolve, a batalha entre Mildred e a lei de Ebbing, descontrola-se.

terça-feira, 9 de janeiro de 2018

Crítica: A Hora Mais Negra / Darkest Hour (2017)

"You can not reason with a Tiger when your head is in its mouth." 
Winston Churchill

*6.5/10*

2017 foi o ano de recordar a batalha de Dunquerque. Primeiro, Christopher Nolan mostrou-nos o campo de batalha em Dunkirk, a guerra no terreno. Depois, Joe Wright contou como tudo se passou politicamente em Inglaterra, em A Hora Mais Negra. Um apresentou-nos a acção, o outro a negociação, mas os dois estiveram à altura do desafio. Para Wright sobrou menos acção, mais palavras, mas igualmente muita tensão.

Com Gary Oldman ao comando, as atenções aumentam sobre o filme de Joe Wright, numa interpretação em que Winston Churchill toma conta de si, e não foi só a caracterização a responsável.


Nos primeiros dias da Segunda Guerra Mundial, à medida que as forças nazis avançam, e com o exército aliado encurralado nas praias de Dunquerque, o destino da Europa Ocidental está nas mãos do novo Primeiro-Ministro da Grã-Bretanha: Winston Churchill (Gary Oldman). Enquanto lida com os seus rivais políticos, tem que enfrentar uma decisão fulcral: negociar com Hitler e salvar o povo britânico de um final terrível ou reunir a nação e lutar contra todas as expectativas.

Joe Wright conta-nos a História do ponto de vista de Churchill e sabe tornar reuniões e discussões, entre o Primeiro Ministro, políticos e rei, cativantes. Ainda assim, não traz nada de novo aos filmes do género. No argumento, o momento mais bem construído prende-se com o dilema na cabeça do protagonista, que se vê divido entre o que todos esperam que ele faça e o que os seus valores lhe dizem para fazer. A tensão é imensa, o dever de proteger o povo e a ética estão muito presentes e são muito bem tratados no grande ecrã.


Entre as salas e corredores sombrios, a condizer com a hora que se vivia, Joe Wright é fiel ao seu estilo, à fotografia resplandecente. Tons escuros em tempo de guerra, onde a luz ilumina as sombras, talvez como a persistência e esperança de Churchill. O realizador deixa sempre as imagens brilharem, sem nunca ofuscarem a acção.

Gary Oldman desaparece na personagem e ganha todas as cenas em que entra. A caracterização fez um trabalho estupendo, e é mesmo difícil encontrarmos o actor, não fossem os olhos azuis e alguns trejeitos de boca. De resto, voz, movimentos, expressões estão totalmente entregues ao filme. Ao seu lado, Kristin Scott Thomas, Lily James Ben Mendelsohn destacam-se nos seus papéis.


Joe Wright dá o seu brilho a uma história que muitos já conhecem, mas não a torna inesquecível. Gary Oldman agarra o papel de Winston Churchill com toda a sua garra e talento e proporciona-nos bons momentos da arte de interpretar.