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domingo, 24 de fevereiro de 2019

Oscars 2019: Os Actores Secundários

Percorro agora os nomeados para o Oscar de Melhor Actor Secundário. É uma categoria com dois grandes desempenhos e outros igualmente esforçados e competentes. Eis os cinco nomeados, por ordem de preferência.



Mahershala Ali faz um trabalho fenomenal na pele de Don Shirley, mais ainda sabendo que há poucos registos filmados do pianista. Mahershala agarra-se a todas as informações que obteve e constrói uma personagem culta, íntegra e solitária, com uma grande crise de identidade. Um homem  snobe, que engole o orgulho para ganhar a vida com o seu talento - aquilo que mais prazer lhe dá fazer -, enquanto se debate com uma realidade racista e inumana que lhe está tão longe, mas também tão perto.

2. Richard E. Grant (Can You Ever Forgive Me?)


Uma belíssima surpresa entre o painel de nomeados. Richard E. Grant tem uma interpretação elegante e sentida na pele de um traficante alcoólico homossexual, cujo caminho se cruza com o da protagonista de Can You Ever Forgive Me?. Entre a fragilidade da doença e o companheirismo com Melissa McCarthy, se o actor recebesse o Oscar este ano, seria muito bem entregue.



Adam Driver destaca-se no papel do polícia judeu que se infiltra no Ku Klux Klan. Ele pouco se importa com as suas raízes, até se confrontar com o ódio desmedido. Para além do tom cómico inevitável na situação em que a personagem se encontra, há uma tomada de consciência que Driver sabe incorporar com muito realismo.



Rockwell surge como uma cópia de George W. Bush. Vencedor do Oscar nesta mesma categoria o ano passado, o actor regressa ao tom cómico ao construir um Bush irresponsável e pouco comprometido com a nação que serve. Os tiques e gestos foram bem estudados e ajudam em muito às parecenças com a personagem.



Sam Elliott tem um papel pequeno mas emotivo e com importância para melhor compreender Assim Nasce Uma Estrela. Ele é o irmão mais velho do protagonista, para quem foi quase um pai, duro mas muito preocupado com o seu protegido.

quinta-feira, 25 de fevereiro de 2016

Oscars 2016: Os Actores Secundários

Os Oscars são já no dia 28 e, como de costume, faço uma pequena análise aos nomeados nas categorias mais esperadas. Começo com o Oscar de Melhor Actor Secundário. Não é uma categoria fácil. A competição é renhida e a qualidade dos actores é enorme. É complicado ordená-los por ordem de preferência, mas aqui fica.

Devem-lhe um Oscar. Mais ainda pelo seu Rocky, agora reformado do ringue, frágil e emocional. Stallone mostra um lado muito humano, a prova de como até os ícones envelhecem e são reais. Emociona-se e emociona-nos, este Rocky Balboa magoado pela vida, que parece descobrir em Adonis a força e vitalidade que os anos lhe roubaram. 

Ele é mesmo bom a fazer de vilão. Tom Hardy consegue encarnar na perfeição Fitzgerald, o homem ausente de sentimentos, com uma maldade imensa a pairar sobre si, sem arrependimentos. Mais um grande desempenho de um actor que ainda continua a ser subvalorizado - justamente deram-lhe a nomeação.

Quase podia passar despercebido, não fosse o magnetismo que emana, que só os bons actores conseguem atingir. Mark Rylance é o espião russo, Rudolf Abel. Um desempenho comedido, de um homem de ar frágil, com uma presença muito forte, acusado de espionagem mas capaz de comover o público.

Num filme de grandes desempenhos, Mark Ruffalo tem possivelmente o desempenho mais forte. Até a postura e forma do actor se movimentar estão diferentes, na pele do jornalista luso-descendente, Mike Rezendes, emocional, corajoso, persistente, sem papas na língua e verdadeiramente incomodado com o caso que investiga.

Christian Bale é um camaleão. Desta vez, vestiu a pele de Michael Burry, o primeiro cérebro a prever a queda do mercado imobiliário. Um homem rebelde, solitário que, praticamente, vive no escritório. O actor incorpora de forma hilariante este homem que se veste e comporta como um adolescente, de baquetas nas mãos e com a cabeça cheia de números.

domingo, 22 de fevereiro de 2015

Oscars 2015: Os Actores Secundários

E entre os nomeados nas categorias interpretativas, só nos falta analisar quem está na corrida para o Oscar de Melhor Actor Secundário.

1. J.K. Simmons por Whiplash - Nos Limites (Whiplash)


Simmons funde-se com a sua personagem, Fletcher, o aterrador - quase sádico - professor que assombra a banda que dirige. Com Miles Teller - o único que lhe enfrenta o olhar ameaçador -, forma uma dupla imbatível. Fletcher é intransigente, um bully, capaz dos actos e das palavras mais inesperadas, que convive no entanto com um estranho sonho de encontrar o músico perfeito entre os seus alunos - uma espécie de máquina incapaz de errar. J.K. Simmons aterroriza-nos tanto como aos seus alunos e é impossível não querer dar o Oscar a este "vilão".

2. Robert Duvall por O Juiz (The Judge)


O veterano Robert Duvall surge seguro num papel que não lhe apresenta grandes dificuldades. Ele é Joseph Palmer, um juiz casmurro e extremamente rigoroso. Tudo isso se reflecte na má relação que mantém com o filho Hank, um conceituado advogado. Os papéis invertem-se quando o juiz se vê no banco dos réus e o filho na obrigação de o defender. Duvall confere à personagem a sobriedade que esta pede, um homem duro e orgulhoso, capaz de revelar o seu lado doce junto da neta. Por outro lado, ao descobrir-se a doença de que padece, assistimos a uma grande entrega emocional e física por parte do actor.

3. Mark Ruffalo por Foxcatcher


Como Dave Schultz, Mark Ruffalo quase passa despercebido ao lado de Steve Carell e Chaning Tatum. Todavia, a sua personagem e fundamental para toda a narrativa. Ele desempenha na perfeição o papel de um homem ponderado e fiel aos seus valores, que adora o irmão e põe a família à frente de tudo. Com uma interpretação tranquila e consistente, Ruffalo é bem sucedido a conquistar a simpatia da plateia.

4. Ethan Hawke por Boyhood: Momentos de Uma Vida (Boyhood)


Ao longo dos 12 anos de filmagens de Boyhood, Hawke é ele mesmo, igual ao que nos tem habituado - por exemplo na trilogia de Antes do Amanhecer. O actor (que parece não envelhecer, ao contrário das restantes personagens) é o pai ausente e irresponsável, sempre pronto para a diversão e para dar conselhos, apesar de não ser o melhor exemplo a seguir.
Não há muito a dizer. Ninguém duvida que Edward Norton é um excelente actor, mas, em Birdman, não nos mostra nada que o faça superar-se ou que não pudesse ser feito por qualquer outro actor, até com menos notoriedade.