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sábado, 23 de fevereiro de 2013

Oscars 2013: As Actrizes Principais

O dia 24 aproxima-se a passos largos e na comunidade blogger cinéfila chovem opiniões e previsões sobre nomeados e possíveis vencedores. Depois de vos ter dado a conhecer as minhas apostas, farei agora uma breve análise dos nomeados das principais categorias, ordenando-os por ordem de preferência. Comecemos pelas actrizes principais.

1. Emmanuelle Riva em Amor
Emmanuelle Riva faz em Amor o que poucas conseguiriam. A actriz francesa é a minha favorita de entre as cinco nomeadas pela imensidão do que consegue exprimir quase sem falar. Fisicamente desgastante, o seu papel como Anne transborda o  sofrimento, a doença, o desespero, tudo tão intenso e tão real, que farão qualquer um identificar-se, de uma forma ou de outra, com aquilo que vê no ecrã. Aos 85 anos, Riva está nomeada pela primeira vez, e merece o prémio pela sua interpretação de corpo e alma. Não sendo a favorita desde o início, parece ter ganho muita simpatia nos últimos tempos, se isso chegará para se sagrar vencedora no Domingo, só saberemos durante a cerimónia.

2. Quvenzhané Wallis em Bestas do Sul Selvagem
A mais jovem nomeada de sempre na categoria de Melhor Actriz, Quvenzhané Wallis, de nove anos, dá uma lição de representação a muitas actrizes consagradas. Wallis é selvagem como a sua personagem e deixa-nos impressionados com as expressões certeiras, cheias de emotividade e força. A simpatia por Hushpuppy é imediata e o desempenho da actriz é poderoso.

3. Naomi Watts em O Impossível
Não sendo o desempenho mais notável de Watts, de entre as nomeadas ela é a minha terceira favorita. Como Maria, a sobrevivente do tsunami de 2004, a actriz oferece-nos uma entrega física e psicológica digna de elogios. Nomeada pela segunda vez ao Oscar, Naomi Watts dificilmente o levará para casa este Domingo.

4. Jessica Chastain em 00:30 A Hora Negra
Chastain começou a corrida aos Oscars como a favorita ao prémio, mas hoje essa possibilidade está já praticamente afastada. A actriz que encarna a mulher responsável pela captura de Bin Laden tem um desempenho competente, mas que merece pouco destaque se pensarmos em outros dos seus papéis (por exemplo, Celia Foote em As Serviçais ou Mrs. O'Brien em A Árvore da Vida).

5. Jennifer Lawrence em Guia para um Final Feliz
A grande favorita ao Oscar de Melhor Actriz é a que menos o merece das cinco nomeadas. Lawrence está pela segunda vez nomeada a este prémio, mas, enquanto que por Despojos de Inverno esta era totalmente merecida, em Guia para um Final Feliz a actriz apenas oferece uma interpretação banal e muito pouco esforçada. Domingo saberemos se a injustiça se cumpre e se o Oscar irá mesmo para as mãos de Jennifer Lawrence.

segunda-feira, 11 de fevereiro de 2013

BAFTA Awards 2013: Os Vencedores

Cada vez mais perto da noite dos Oscars (que acontece a 24 de Fevereiro), ficaram a conhecer-se este Domingo, dia 10, os vencedores dos BAFTA, os prémios da Academia Britânica. Aqui fica a lista completa de nomeados e vencedores.


Melhor Filme
Argo
Outros nomeados:
Os Miseráveis 
A Vida de Pi 
Lincoln 
00:30 A Hora Negra 

Melhor Filme Britânico
007 - Skyfall 
Outros nomeados:
Anna Karenina 
O Exótico Hotel Marigold 
Os Miseráveis 
Sete Psicopatas 

Melhor Actor
Daniel Day-Lewis por Lincoln
Outros nomeados:
Ben Affleck por Argo 
Bradley Cooper por Guia para um Final Feliz 
Hugh Jackman por Os Miseráveis 
Joaquin Phoenix por The Master - O Mentor 

Melhor Actriz
Emmanuelle Riva por Amor 
Outros nomeados:
Jessica Chastain por 00:30 A Hora Negra 
Marion Cotillard por Ferrugem e Osso 
Jennifer Lawrence por Guia para um Final Feliz 
Helen Mirren por Hitchcock

Melhor Actor Secundário
Christoph Waltz por Django Libertado
Outros nomeados:
Alan Arkin por Argo 
Javier Bardem por 007 - Skyfall 
Philip Seymour Hoffman por The Master - O Mentor
Tommy Lee Jones por Lincoln 

Melhor Actriz Secundária
Anne Hathaway por Os Miseráveis 
Outros nomeados:
Amy Adams por The Master - O Mentor 
Judi Dench por 007 - Skyfall 
Sally Field por Lincoln 
Helen Hunt por Seis Sessões 

Melhor Realizador
Ben Affleck por Argo 
Outros nomeados:
Kathryn Bigelow por 00:30 A Hora Negra
Michael Haneke por Amor 
Ang Lee por A Vida de Pi 
Quentin Tarantino por Django Libertado 

Melhor Argumento Original
Django Libertado: Quentin Tarantino
Outros nomeados:
Amor: Michael Haneke
The Master - O Mentor: Paul Thomas Anderson
Moonrise Kingdom: Wes Anderson, Roman Coppola
00:30 A Hora Negra: Mark Boal

Melhor Argumento Adaptado
Guia para um Final Feliz: David O. Russell
Outros nomeados:
Argo: Chris Terrio
Bestas do Sul Selvagem: Lucy Alibar, Benh Zeitlin
A Vida de Pi: David Magee
Lincoln: Tony Kushner

Melhor Fotografia
A Vida de Pi: Claudio Miranda
Outros nomeados:
Anna Karenina: Seamus McGarvey
Os Miseráveis: Danny Cohen
Lincoln: Janusz Kaminski
007 - Skyfall: Roger Deakins

Melhor Montagem
Argo: Billy Goldenberg
Outros nomeados:
Django Libertado: Fred Raskin
A Vida de Pi: Tim Squyres
007 - Skyfall: Stuart Baird
00:30 A Hora Negra: Dylan Tichenor, Billy Goldenberg

Melhor Design de Produção
Os Miseráveis: Eve Stewart, Anna Lynch-Robinson
Outros nomeados:
Anna Karenina: Sarah Greenwood, Katie Spencer
A Vida de Pi: David Gropman, Anna Pinnock
Lincoln: Rick Carter, Jim Erickson
007 - Skyfall: Dennis Gassner, Anna Pinnock

Melhor Guarda-Roupa
Anna Karenina: Jacqueline Durran
Outros nomeados:
Grandes Esperanças: Beatrix Aruna Pasztor
Os Miseráveis: Paco Delgado
Lincoln: Joanna Johnston
A Branca de Neve e o Caçador: Colleen Atwood

Melhor Música
007 - Skyfall: Thomas Newman
Outros nomeados:
Anna Karenina: Dario Marianelli
Argo: Alexandre Desplat
A Vida de Pi: Mychael Danna
Lincoln: John Williams

Melhor Maquilhagem e Cabelo
Os Miseráveis
Outros nomeados:
Anna Karenina 
Hitchcock
O Hobbit: Uma Viagem Inesperada
Lincoln

Melhor Som
Os Miseráveis
Outros nomeados:
Django Libertado
O Hobbit: Uma Viagem Inesperada
A Vida de Pi
007 - Skyfall

Melhores Efeitos Visuais
A Vida de Pi
Outros nomeados:
Os Vingadores
O Cavaleiro das Trevas Renasce
O Hobbit: Uma Viagem Inesperada
Prometheus

Melhor Filme Estrangeiro (em língua não inglesa)
Amor
Outros nomeados:
Hodejegerne
The Hunt - A Caça
Ferrugem e Osso
Amigos Improváveis

Melhor Filme de Animação
Brave - Indomável 
Outros nomeados:
Frankenweenie
ParaNorman

Melhor Documentário
Searching for Sugar Man
Outros nomeados:
The Imposter
Marley
McCullin
A Oeste de Memphis

Melhor Estreia de um Argumentista, Realizador ou Produtor Britânico
The Imposter: Bart Layton, Dimitri Doganis
Outros nomeados:
I Am Nasrine: Tina Gharavi
McCullin: David Manos Morris, Jacqui Morris
Os Marretas: James Bobin
Wild Bill: Dexter Fletcher, Danny King

Melhor Curta-metragem de Animação
The Making of Longbird: Will Anderson, Ainslie Henderson
Outros nomeados:
Here to Fall: Kris Kelly, Evelyn McGrath
I'm Fine Thanks: Eamonn O'Neill

Melhor Curta-metragem
Swimmer: Lynne Ramsay, Peter Carlton, Diarmid Scrimshaw
Outros nomeados:
The Curse: Fyzal Boulifa, Gavin Humphries
Good Night: Muriel d'Ansembourg, Eva Sigurdardottir
Tumult: Johnny Barrington, Rhianna Andrews
The Voorman Problem: Mark Gill, Baldwin LI

Melhor Estrela em Ascenção
Juno Temple
Outros nomeados:
Elizabeth Olsen
Andrea Riseborough
Suraj Sharma
Alicia Vikander

terça-feira, 25 de dezembro de 2012

Actrizes do Ano #2012

Depois dos homens, é a vez de percorrer os filmes vistos e descobrir quem foram as actrizes que nos proporcionaram as melhores interpretações de 2012. Poucas são as que nos marcaram verdadeiramente este ano, mas, ainda assim, encontram-se seis nomes que merecem ser destacados.


6º - Meryl Streep 
Meryl Streep dispensa apresentações e sabemos que poucas vezes desilude quando encarna uma personagem. Este ano ganhou (mais) um Óscar, pela sua interpretação de Margaret Thatcher em A Dama de Ferro e, apesar de ser uma das mais sobrevalorizadas do ano, a actriz, que também pudemos ver em Terapia a Dois, merece figurar nos destaques de interpretações de 2012. Não ser soberba como Thatcher, Streep veste-lhe a pele de forma competente e dá algum brilho a um filme que pouco tem a seu favor.



5º - Rooney Mara
Um nome que surpreendeu: Rooney Mara foi Lisbeth Salander em Millennium 1: Os Homens que Odeiam as Mulheres, o remake realizado por David Fincher do filme sueco com o mesmo nome. Mara  (também nomeada para um Óscar este ano) provou merecer ter sido a escolhida para um papel já tão bem desempenhado por Noomi Rapace.  Inteligente, dura, forte, ela sente e sofre de forma arrepiante.



4º - Elizabeth Olsen 
A irmã mais nova das gémeas Olsen provou que afinal há talento na família. Martha Marcy May Marlene foi a prova disso mesmo com Elizabeth Olsen a encarnar de forma fabulosa a jovem Martha, que passou pelas mais terríveis experiências, ficando marcada da forma mais profunda.



3º - Michelle Williams
Michelle Williams tem, ao longo dos anos, demonstrado a excelente actriz que é. A Minha Semana com Marilyn veio reforçar esse facto com uma fiel interpretação do ícone Marilyn Monroe, que lhe valeu mais uma nomeação aos Oscares. O filme vale, principalmente, por Williams, que para além das semelhanças físicas, consegue parecer-se com Monroe nos gestos, forma de andar, falar, e incorpora tudo o que é preciso: o desencanto, a depressão ou a instabilidade emocional.



2º - Tilda Swinton
Tilda Swinton surgiu nos cinemas este ano em dois filmes: Temos de Falar sobre Kevin, no qual nos ofereceu o grande desempenho da sua carreira, e Moonrise Kingdom, onde não lhe deram uma personagem à sua altura. Falemos apenas do primeiro, onde a actriz é Eva, uma mãe que coloca as suas ambições e carreira de parte para dar à luz Kevin, com quem desenvolve uma relação difícil. Swinton vive de tal forma esta personagem que o próprio espectador partilha o seu drama e vive tão intensamente como Eva todos os acontecimentos. Ela entrega-se de corpo e alma à mulher corajosa que representa e dá-lhe a credibilidade necessária para que nos seja impossível ficar indiferentes à história mesmo depois dela acabar.



1º - Emmanuelle Riva 
Entre Swinton e Riva e escolha foi difícil. No entanto a actriz de Amor merece todos os destaques. Emmanuelle Riva, com 85 anos, encarna um papel extremamente exigente como Anne. Sem articular uma palavra, a actriz consegue transmitir inúmeras emoções e sentimentos e, a cada cena, é notório o desgaste físico e emocional que terá sido vestir a pele desta personagem.

quinta-feira, 6 de dezembro de 2012

Crítica: Amor / Amour (2012)

*9/10*
Tocante, perturbador, mas repleto de Amor, é assim a mais recente longa-metragem de Michael Haneke, que lhe valeu mais uma Palma de Ouro em Cannes. Aqui a máxima do “até que a morte vos separe” é cumprida, e já o sabemos desde os primeiros minutos. Compreendemos, desde logo, que Amor não é para ser visto de ânimo leve e irá mexer com o que há de mais intrínseco em cada um de nós.
Depois das crianças de O Laço Branco, é agora um casal de idosos que protagoniza mais um duro filme do realizador austríaco. Quem conhece Haneke sabe que ele não descansa enquanto não deixa o seu público inquieto. Amor vem, uma vez mais, provar isso mesmo, ao contar a história de Georges e Anne, dois octogenários, cultos, professores de música reformados. A filha, igualmente música, vive no estrangeiro com a família, e passa pouco tempo junto dos pais. Certo dia, Anne é vítima de um acidente e o amor que une este casal será posto à prova.

Michael Haneke vai directo ao assunto desde o primeiro minuto. Sabe-se que o final não é feliz, e é no fim que Amor começa. Mas mais importante do que o fim, é conhecer a relação, e é para isso que recuamos no tempo, para um concerto de música clássica onde os professores reformados estão. O dia a dia de Anne e Georges é-nos apresentado, até ao momento em que a doença de Anne se manifesta. A partir daí, as mudanças na vida e relação de ambos são o centro de tudo. O Amor que é posto à prova e que dá nome a este filme. Por sua vez, o final é um regresso ao início, brilhante e inquietante.

Um argumento que parece tão simples, revela-se muito mais complexo e exigente a cada cena, a cada plano, a cada expressão dos actores. São tantos os sentimentos que estão em jogo em Amor, e não só os das personagens, os nossos também. Qualquer pessoa se irá rever, de uma forma ou de outra, na história que é contada no grande ecrã. É a realidade ficcionada que ali está, e essa consegue ser muito perturbadora.

Na alegria e na tristeza, na saúde e na doença, ali está Georges, “até que a morte os separe”. As mudanças para as quais nunca estaremos preparados acontecem, e o casal protagonista também tem de aprender a lidar com elas. O estado de Anne, que se agrava ao longo do filme, demonstra bem como há lutas dolorosas e infrutíferas. Georges, por seu lado, demonstra uma força excepcional. É ele o símbolo máximo deste Amor, um amor maior do que a própria morte.

Há um vazio crescente e profundo que se sente e estende da casa, espaço onde se passa praticamente toda a acção, a Georges e, claro, a Anne, e que é intensificado pelos planos longos e estáticos de Haneke, tão necessários, que acompanham, lentamente, os nossos pensamentos e recordações ao assistir a Amor. Num filme onde a música que os personagens transpiram constrói todo o ambiente, a música clássica, claro, está presente até nos silêncios.
No elenco dois grandes nomes: Emmanuelle Riva e Jean-Louis Trintignant, com interpretações fabulosas. Riva merece todo o reconhecimento possível pela forma como encarnou Anne, de corpo e alma. Como, sem articular uma palavra, consegue transmitir tantas emoções e sentimentos. Sente-se, em cada cena onde surge, o desgaste físico e emocional que terá sido para a actriz vestir a pele desta personagem. Por seu lado, Trintignant é o motor que faz avançar a acção. O outro lado do sofrimento que ambos vivem, mas também a personificação do amor que sentem. Georges é outra personagem difícil e desgastante e Trintignant oferece-nos uma interpretação magistral.

Isabelle Huppert, com uma presença mais curta no filme é, antes de mais o fruto do amor dos protagonistas, Eva, a filha ausente mas que ama e se preocupa com os pais. A actriz francesa tem, como sempre, um bom desempenho. De destacar ainda, apesar dos poucos segundos em que surge no ecrã (apenas duas cenas), é uma presença portuguesa, Rita Blanco, que tem um pequeno papel como porteira.

Michael Haneke sabe como chegar ao nosso âmago. Amor é um retrato de uma vida a dois, de um amor capaz de salvar, que nos põe cara a cara com a dura realidade que fazemos por esquecer.