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segunda-feira, 25 de abril de 2016

IndieLisboa'16: Eva no duerme (2015)

*7/10*

Pablo Agüero veio ao IndieLisboa'16 apresentar o seu filme Eva no duerme. A longa-metragem faz parte da secção Silvestre e tem como foco Eva Péron, mais propriamente os estranhos acontecimentos que procederam a sua morte.


Adorada por grande parte do povo argentino, Eva Péron morreu jovem e o seu corpo foi embalsamado em 1952. Eva no duerme segue-lhe o rasto, munindo-se da ficção e de imagens de arquivo para dar a conhecer ao mundo parte da História da Argentina. Desde o seu embalsamento, até à transladação definitiva para o cemitério La Recoleta, em 1976, os acontecimentos são-nos apresentados em três capítulos: O Embalsamador, O Transportador e O Ditador.

Agüero traz-nos um filme tecnicamente irrepreensível, repleto de planos-sequência e longos planos fixos, onde a acção acontece perante os nossos olhos. Todo o segmento de O Transportador é marcante para a audiência, quer por este exímio trabalho de câmara, de luz, quer pela prestação dos actores. A direcção de fotografia faz um trabalho digno de elogios e nota-se o empenho de toda a equipa para que os planos saíssem impecáveis - assistimos à aurora dentro do camião que transporta o corpo de Evita, desde a noite ao sol raiar.

Nas interpretações, Gael García Bernal e Denis Lavant são os nomes mais sonantes e o segundo tem um desempenho marcante: frio, intenso e bastante físico.


O ponto fraco de Eva no duerme, que pode contrastar com a exigência técnica levada a cabo pela equipa, é a narração, insistente, algo repetitiva e demasiado presente. De alguma forma, este aspecto poderá distrair e extenuar a plateia que não aproveita na plenitude as imagens.

Acima de tudo, Eva no duerme é um projecto em que se sente a dedicação de Pablo Agüero. Uma óptima lição de História para os mais distraídos, oferecida através da forte premissa bem filmada.

segunda-feira, 29 de abril de 2013

Sugestão da Semana #61

Das estreias da passada Quinta-feira, o destaque da Sugestão da Semana vai para Não, de Pablo Larraín. O filme já tem crítica no Hoje Vi(vi) um Filme, que pode ser lida aqui.

NÃO

Ficha Técnica:
Título Original: No
Realizador: Pablo Larraín
Actores: Gael García Bernal, Alfredo Castro, Luis Gnecco
Género: Drama, Histórico
Classificação: M/12
Duração: 118 minutos

domingo, 21 de abril de 2013

IndieLisboa'13: Não / No

*7.5/10*

No (ou Não), de Pablo Larraín, foi a escolha para a abertura desta 10ª edição do IndieLisboa, na passada Quinta-feira, dia 18 de Abril. O filme relata o que aconteceu nos bastidores do plebiscito de 1988 no Chile, em que se decidia se Pinochet continuaria ou não no governo.

O jovem publicitário René Saavedra, interpretado de forma muito competente por Gael García Bernal, é convencido pelos líderes da oposição a gerir a sua campanha a favor do Não. Sob o olhar da ditadura e com um orçamento reduzido, o protagonista e a sua equipa têm de traçar um plano para vencer e libertar finalmente o país do clima de opressão em que vivia. A escolha tem de ser certeira para que os 15 minutos de antena que lhes cabem dêem frutos. 

Pablo Larraín traz até nós o universo da publicidade num momento crucial da história de um país. Duas campanhas políticas confrontam-se - o Sim e o Não -, tendo à cabeça, de um lado, Saavedra, do outro, o seu próprio chefe. O mundo da publicidade é-nos desvendado, com as perseguições aos homens do Não a serem retratadas, num clima de medo, mas igualmente de vontade de mudar.


O realizador tomou opções muito curiosas em termos técnicos. A longa-metragem foi filmada no formato U-Matic, o mesmo que era utilizado na televisão à época dos acontecimentos. Ao mesmo tempo, a colocação de imagens de arquivo, que se misturam com as restantes - e ser-nos-á quase impossível distingui-las -, transportam-nos mais ainda para o Chile de 1988. 

O ritmo é original e muito se assemelha ao de um documentário - quer mesmo pelos factos relatados -, que se vê reforçado pelos planos e movimentos de câmara, que quase tornam o filme mais real do que ficcional, e pela curiosa opção de montagem. Realidade e ficção confundem-se em No de uma forma genial.

A passagem para o grande ecrã de acontecimentos tão importantes para o Chile valeram à longa-metragem de Larraín uma nomeação para Melhor Filme Estrangeiro nos Oscars deste ano. O filme leva-nos, acima de tudo, a mergulhar de cabeça na campanha publicitária do Não e a sentir o ambiente de opressão que se vivia, como se o presenciássemos. No é a inteligência de uma equipa que quer a alegria e a liberdade de volta ao seu país.