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quinta-feira, 29 de outubro de 2015

Doclisboa'15: Die innere Sicherheit / The State I Am In (2000)

*6.5/10*

Na Retrospectiva I don't throw bombs I make films - Terrorismo, Representação, o Doclisboa'15 traz-nos uma interessante selecção de filmes. Entre eles encontra-se Die innere Sicherheit (The State I Am In), do realizador alemão Christian Petzold.


A longa-metragem de ficção centra-se num casal de alemães, com um passado de terroristas de esquerda, escondido no Algarve com a filha, que vive com normalidade um quotidiano de segredo. No entanto, uma série de acontecimentos provoca o regresso à Alemanha e o confronto com as acções passadas. A adolescente debate-se com o crescimento. A Alemanha de hoje resulta desta caixa de Pandora que é o seu passado.

A História alemã tem sido tema fulcral na filmografia de Petzold e, também neste seu trabalho de 2000, o cineasta ficciona a realidade do seu país, desta vez focando-se no terrorismo e na tentativa que esta família de ex-terroristas faz para conquistar o direito a uma vida normal.

Perseguições, desconfiança, medo, rodeiam as vidas dos três fugitivos, Clara, Hans e a filha Jeanne, que conhecemos no Algarve, onde haviam encontrado refúgio, pelo menos provisório. Mas, para lá da forte temática política, a adolescência e o crescimento ganham especial ênfase no decorrer de Die innere Sicherheit na personagem de Jeanne, com a rebeldia crescente, as paixões que despertam e a vontade de ser uma jovem como as da sua idade - um excelente desempenho de Julia Hummer.

Filmado em 35 mm, e com o grão da película visível na imagem, entramos ainda mais facilmente na época dos acontecimentos. O argumento, escrito por Harun Farocki e Petzold, desafia-nos a conhecer esta difícil realidade e prende desde o início a atenção da plateia. Contudo, o filme peca na duração, demasiado longa, com pouco desenvolvimento no enredo que o justifique.

quarta-feira, 22 de outubro de 2014

Doclisboa'14: Respite, de Harun Farocki

*7/10*

Na secção O nosso Século XX - O Cinema face à História do Doclisboa'14, encontramos a curta-metragem de 2007, Respite, de Harun Farocki. O cineasta, recentemente falecido, oferece-nos um documento histórico, a partir de imagens filmadas em Westerbork, um campo de refugiados holandês criado em 1939 para os judeus em fuga da Alemanha. Após a ocupação da Holanda, tornou-se um “campo de trânsito”. Dali os judeus eram enviados para campos de concentração nazis e a grande maioria deles eram executados. Em 1944, o comandante do campo, Albert Gemmeker, encomendou um filme, rodado pelo fotógrafo Rudolph Beslauer, também ele judeu ali prisioneiro, que nunca chegou a ficar completo.


Respite é um filme mudo e começa por mostrar fotos do local na época, seguindo-se as filmagens de Beslauer, em 16mm. As imagens são intercaladas com intertítulos explicativos e um tanto sarcásticos, com uma forte crítica a tudo o que ali se passava e se queria mostrar. As imagens que vemos estão longe da realidade dos campos de concentração. Aqui (assim nos mostram estas imagens) os prisioneiros trabalhavam - como dentistas ou investigadores científicos, por exemplo - divertiam-se, dançavam, jogavam, tocavam instrumentos... Como lemos no filme: "We expect different images from a nazi-german camp". A incredulidade do espectador será a mesma. Mas o certo é que Westerbork era apenas um campo de trânsito. O pior estava para vir e encontrava simbolismo no comboio que partia todas as Terças-feiras.

Respite passa no dia 24 de Outubro, às 19h30, na Culturgest e no dia 25 no Cinema São Jorge, pelas 18h45.

sábado, 27 de setembro de 2014

Arquiteturas Film Festival'14: Brasília e Farocki

No âmbito do Arquiteturas Film Festival Lisboa, a Cinemateca Portuguesa apresentou, esta Quinta-feira, dois documentários onde a arquitectura é a palavra de ordem: Brasília, Contradições de uma Cidade Nova, de Joaquim Pedro de Andrade, e In Comparison, de Harun Farocki.

BRASÍLIA, CONTRADIÇÕES DE UMA CIDADE NOVA (1968)
*7/10*

Imagens de Brasília no seu sexto ano e entrevistas a habitantes da capital, de diversas classes sociais. Uma pergunta estrutura o documentário: uma cidade inteiramente planeada, criada em nome do desenvolvimento nacional e da democratização da sociedade, poderia reproduzir as desigualdades e a opressão existentes em outras regiões do país?

É a partir desta questão que tudo nos é apresentado. O inicio da construção da cidade, tudo geometricamente planeado, arquitectonicamente estudado e executado. Mas depois vêm o resto: novos bairros nos arredores da cidade que não constavam nos planos.

Joaquim Pedro de Andrade tem aqui um belo documentário que nos dá a conhecer o início da cidade de Brasília, o sonho de cidade ideal e o acordar para a realidade mais crua. O tom político e a crítica que lhe é inerente pode, contudo, ser o ponto mais fraco deste Brasília, Contradições de uma Cidade Nova

IN COMPARISON (2009)
*8/10*

Segundo as palavras do realizador recentemente falecido, Harun Farocki, era sua intenção com In Comparison “propor um filme que contribua para o conceito do trabalho. Que compare o trabalho numa sociedade tradicional como África, com uma sociedade industrial recente como a Índia e com uma sociedade altamente industrializada na Europa ou no Japão. O objecto de comparação é o trabalho na construção de casas. Casas para viver.”

É nessa posição contemplativa e comparativa que a plateia se encontra. Não há narração explicativa, apenas algumas legendas que nos contextualizam. Aqui, apreendemos com a experiência, como se assistíssemos de perto à construção daquelas casas, hospitais, escolas, às técnicas mais ou menos artesanais de construção. Do trabalho do Homem, que tudo fabrica com as suas próprias mãos e com a ajuda de todos - homens, mulheres, crianças - às mais avançadas máquinas, ali está o trabalho, nas suas mais variadas formas, à frente dos nossos olhos. Farocki apresenta-nos as diferentes realidades, de local para local, para que possamos fazer esta comparação que o título sugere. Um curioso e bem concretizado exercício.