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terça-feira, 3 de maio de 2016

Crítica: A Lagosta / The Lobster (2015)

"If you encounter any problems you cannot resolve yourselves, you will be assigned children, that usually works."
Hotel Manager
*9/10*

A imaginação macabra e cruelmente surrealista - e futurista - de Yorgos Lanthimos continua aguçada e provocadora. Não tão dura como Canino, mas igualmente incómoda e frontal, A Lagosta (The Lobster), a última longa-metragem do realizador grego, vem mostrar-nos o quão egoístas e egocêntricos somos, no fundo.

Num futuro distópico não tão distante quanto isso, todos os solteiros, de acordo com as leis da Cidade, são levados para o Hotel, onde se vêem obrigados a encontrar um par romântico em 45 dias. Caso contrário, serão transformados num animal à escolha e libertados na floresta.

Uma história de amores por necessidade, ou vice-versa. Dentro ou fora do Hotel, nada parece simples. Nas suas críticas à humanidade, Lanthimos não teme nenhuma temática e apresenta-nos argumentos geniais. A Lagosta é tão poético como demente, tão sentimental como impiedoso. Nem a mais frágil das personagens é inocente.


Numa primeira metade mais entusiasmante, onde percebemos o desumano modo de funcionamento do Hotel, A Lagosta continua, ligeiramente menos surpreendente, mas Lanthimos não deixa o seu filme perder o fulgor ao entrar na floresta e continua a surpreender pelas novas regras, paradoxais, mas não menos inacreditáveis que as anteriores.

O realizador filma este ambiente repressivo na sua singularidade tão sarcástica como lírica. Um amor de aparências, de cinismo e falsidade. Com planos provocadores e irónicos ou usando a câmara lenta para aumentar a adrenalina das caçadas de solteiros fugitivos, por exemplo, Lanthimos não descura nenhum aspecto.


No elenco, Colin Farrell surpreende como o protagonista David, ele que, se falhar, quer transformar-se na lagosta que dá título ao filme, "porque as lagostas vivem mais de cem anos, têm sangue azul como os aristocratas e são férteis toda a vida. Eu também gosto muito do mar." Frágil, desesperado, tímido, ele é mais uma peça deste jogo em que todos desejam o mesmo: continuar a sua vida como humanos. Rachel Weisz parece-nos a mulher ideal neste filme tão surreal. Doce, decidida e apaixonada, transparece uma fragilidade muito natural. Por seu lado, Léa Seydoux é a impiedosa líder da resistência de solteiros, uma ditadora que faz frente à também ditadura do Hotel. Ainda de destacar são as interpretações de Ben WhishawJohn C. Reilly e das gregas Angeliki Papoulia (Canino), a mulher sem coração, e Ariane Labed (Attenberg), a empregada do Hotel, muito dedicada àquilo em que acredita.

Conquistou o Prémio do Júri em Cannes e chegou para nos deixar sem palavras. Tão inacreditável, mas, ao mesmo tempo, tão plausível. Uma denúncia ao egoísmo e à crueldade dos Homens, num Mundo onde nos fazem acreditar que não se pode viver sem um parceiro, custe o que custar.

segunda-feira, 2 de maio de 2016

IndieLisboa'16: Os Dois Amigos / Les Deux Amis (2015)

*6/10*

A estreia de Louis Garrel na realização de longas-metragens chegou ao IndieLisboa graças ao Herói Independente deste ano Vincent Macaigne, presente na sessão. Em Les Deux Amis (Os Dois Amigos), Garrel é realizador, actor e co-argumentista - com Christophe Honoré.

Nesta comédia romântica, Vincent Macaigne é Clement, um tímido actor que pede ajuda ao seu amigo extrovertido, Abel (Garrel), para seduzir Mona (Golshifteh Farahani), uma empregada num café - que ele não sabe que está presa. Quando os dois se interessam por ela, a relação entre ambos complica-se.


Uma história simples e já muito repetida em comédias românticas, mas filmada com uma sensibilidade muito "francesa", provavelmente inspirada pelo trabalho do pai, Philippe Garrel. Louis não tem uma estreia estrondosa mas proporciona momentos divertidos e emotivos, trabalhando bem a personalidade de Mona - sem dúvida, a mais interessante dos três protagonistas. Ao mesmo tempo, a amizade de Clement e Abel proporciona bons momentos de humor.

Golshifteh Farahani é a grande força do filme. Veste a pele de Mona, a presidiária em regime aberto, que trabalha num café na Gare du Nord. Cumpridora de horários e ansiosa para sair da prisão e voltar para junto da mãe, Mona vê a sua vida complicar-se ao perceber que Clement está apaixonado por ela. A actriz é um turbilhão de emoções e está envolta em sentimentos contraditórios, ansiando pela liberdade, mas assustada com a ideia de perder o comboio que a leva de regresso à prisão. Entre o amor e a liberdade, Mona transpira energia e sensualidade. Vincent Macaigne é um Clement sensível e apaixonado, com uma infantilidade inerente, e faz uma dupla cheia de química com o seu "melhor amigos"Abel, Louis Garrel.


Amizade, amor, sexualidade e mentiras são os principais ingredientes que constroem Les Deux Amis. Garrel, o filho, estreia-se de mansinho, explorando os temas e cenários que lhe têm sido próximos ao longo da sua carreira como actor.

IndieLisboa'16: Vencedores

O IndieLisboa terminou este Domingo e ficamos a conhecer os vencedores desta edição. Jia (The Family) conquistou o Grande Prémio Cidade de Lisboa. Na competição portuguesa de longas, Sérgio Tréfaut viu premiado o seu Treblinka.


Eis a lista completa de vencedores:

Competição Internacional de Longas Metragens
Grande Prémio de Longa Metragem Cidade de Lisboa
Jia/The Family, Shumin Liu (Austrália, China)

Prémio Especial do Júri Canais TV & Séries
Kate Plays Christine, Robert Greene (EUA)

Competição Internacional de Curtas Metragens
Grande Prémio de Curta Metragem
Nueva Vida, Kiro Russo (Argentina, Bolívia)
Menções Especiais
Animação
Velodrool, Sander Joon (Estónia)
Documentário
La impresión de una Guerra, Camilo Restrepo (Colômbia, França)
Ficção
Another City, Lan Pham Ngol (Vietname)

Competição Nacional
Prémio Allianz – Ingreme para Melhor Longa Metragem Portuguesa
Treblinka, Sérgio Tréfaut (Portugal)

Nescafé Dolce Gusto – Ingreme para Melhor Curta Metragem Portuguesa
The Hunchback, Gabriel Abrantes, Ben Rivers (Portugal, França)

Prémio Novo Talento Fnac – Curta Metragem
Campo de Víboras, Cristèle Alves Meira (Portugal)
Menção Honrosa
Viktoria, Mónica Lima (Alemanha, Portugal)

Prémio FCSH/NOVA para Melhor Filme na secção Novíssimos
Maxamba, Suzanne Barnard, Sofia Borges (Portugal, EUA)

Prémio RTP para Longa Metragem na Secção Silvestre
Eva no duerme, Pablo Agüero (França)

Prémio FIPRESCI (Primeiras Obras)
Short Stay, Ted Fendt (EUA)

Prémio Format Court (Silvestre Curtas)
World of Tomorrow, Don Hertzfeldt (EUA)

Prémio Árvore da Vida para Filme Português
Ascensão, Pedro Peralta (Portugal)
Menção Honrosa
Jean-Claude, Jorge Vaz Gomes (Portugal)

Prémio IndieJúnior Árvore da Vida
Le nouveau, Rudi Rosenberg (France)

Prémio Amnistia Internacional
Flotel Europa, Vladimir Tomic (Dinamarca, Sérvia)
Menção Honrosa
Balada de Um Batráquio, Leonor Teles (Portugal)

Prémio Culturgest Universidades
Flotel Europa, Vladimir Tomic (Dinamarca, Sérvia)

Prémio Culturgest Escolas
Le gouffre, Vincent Le Port (França)

Júri do Público
Prémio Longa Metragem
Le nouveau, Rudi Rosenberg (França)

Prémio IndieMusic Schweppes
Sonita, Rokhsareh G. Maghami (Alemanha, Suíça, Irão)

Prémio Curta Metragem Merrell
Small Talk, Even Hafnor, Lisa Brooke Hansen (Noruega)

Prémio IndieJúnior Trinaranjus
The Short Story of a Fox and a Mouse, Camille Chaix, Hugo Jean, Juliette Jourdan, Marie Pillier, Kevin Roger (França)

domingo, 1 de maio de 2016

IndieLisboa'16: Competição Nacional de Curtas

Na Competição Nacional de Curtas-metragens do IndieLisboa estão 17 filmes na corrida. O Hoje Vi(vi) um Filme assistiu a 15 e faz aqui uma breve análise a cada um deles.

Ascensão - 9.5/10
Cannes recebe Ascensão na Semana da Crítica, o IndieLisboa deu-nos a oportunidade de vê-lo já. Pedro Peralta deixa-nos extasiados com Ascensão, onde, através de três fantásticos planos sequência nos conta uma história de milagres, usando o cinema como obra de arte. Um grupo de camponeses tenta resgatar o corpo de um rapaz de um poço. As mulheres velam em silêncio, os homens resistem no limite das suas forças. No centro de todos eles: uma mãe aguarda o resgate do filho. As personagens, que nos olham directamente, desconfiadas, parecem-nos, por momentos, representações religiosas - qual Maria com o seu Jesus nos braços. A mestria de Peralta é arrepiante e emocionante (com claras referências a Manoel de Oliveira na forma de filmar), e todo o ambiente, sombrio, onde uma névoa paira sobre a acção, vai desaparecendo com o nascer do dia e o desenrolar desta Ascensão. Excelente trabalho.

Campo de Víboras - 8/10
Cristèle Alves Meira vai ao Festival de Cannes com o seu Campo de Víboras, mas antes passou pelo IndieLisboa. Numa aldeia no nordeste de Portugal ocorre um drama inexplicável. Num jardim cheio de víboras é encontrada morta uma senhora idosa. A sua filha Lurdes desapareceu sem deixar rasto. Os rumores sobre o que se poderá ter passado e o destino da casa começam a espalhar-se rapidamente. O mistério assola esta aldeia perdida em Trás-os-Montes, onde Lurdes - uma fabulosa interpretação de Ana Padrão - não se sente em casa. Solitária e atormentada pelas constantes exigências da mãe doente, esta mulher deseja voltar a França e, certa noite, percebe que está a ser perseguida por um careto, qual fantasma insistente. Um trabalho empolgante de Cristèle Alves Meira.

Viktoria - 8/10
Mónica Lima mostra uma notória evolução desde O Silêncio Entre Duas Canções (Novíssimos no IndieLisboa'14)Viktoria traz uma realizadora mais madura, mais envolvente e consistente. Uma excelente surpresa neste IndieLisboa, que augura futuros trabalhos promissores. A protagonista, Viktoria, é uma campeã de corrida em cadeira de rodas que se descobre de novo a andar. Os medos, as dúvidas, as decisões difíceis de tomar. A braços com esta mudança inesperada, a jovem continua os seus duros treinos para as próximas competições e descobre o amor. Com um argumento forte e de alguma originalidade, Viktoria é uma curta-metragem envolvente que faz-nos querer que continue. Óptima interpretação de Anjorka Strechel.

Balada de um Batráquio - 7.5/10
Vencedor do Urso de Ouro no Festival de BerlimBalada de um Batráquio, de Leonor Teles marcou presença no IndieLisboa. Rebelde e de regresso às origens, a realizadora volta a abordar a comunidade cigana. Neste caso, vem quebrar o preconceito e a "tradição" de colocar um sapo à porta dos estabelecimentos comerciais para impedir a entrada de pessoas desta etnia. Balada de um Batráquio é uma curta-metragem activista e corajosa, filmada em Super 8.

Macabre - 7.5/10
Jerónimo Rocha e João Miguel Real trazem à Competição Nacional a sombria animação Macabre. Um homem tem um acidente de carro num bosque, o que o leva a uma enorme casa solitária. Muito ligado ao cinema gótico, o filme constrói-se e desconstrói-se a si mesmo, numa história onde o suspense perdura e algum terror espreita atrás de nós - e do protagonista. Macabre é um filme labiríntico com um excelente trabalho de animação, onde predominam preto, branco, cinzentos e vermelhos. O som confere um ambiente ainda mais aterrador à curta-metragem e é fundamental para provocar o espectador.

Chatear-me-ia Morrer Tão Joveeeeem… - 7/10
Filipe Abranches viaja no tempo e leva-nos consigo até às trincheiras da Primeira Guerra Mundial. Chatear-me-ia Morrer Tão Joveeeeem... é uma animação dura e triste, que mergulha na lama, gases tóxicos, sangue e corpos sem vida das guerras que se sucedem ao longo dos anos e nos vários cantos do mundo. Um alerta para a desolação, horror e morte sem razão.

Menina - 7/10
Simão Cayatte leva-nos a viajar no tempo, até ao Estado Novo, e apresenta-nos uma mulher que começa a suspeitar dos atrasos do marido. Ela é a Menina do título, a mulher "ideal" para a mentalidade da altura. Cayatte recria uma época de forma competente, com algum suspense pelo meio a adensar os medos e as dúvidas da protagonista. As interpretações de Joana Santos Pedro Carmo são outro ponto forte do filme, que poderia funcionar ainda melhor como longa-metragem.

A Guest + A Host = A Ghost - 6.5/10
Marcel Duchamp formou o jogo de palavras A Guest + A Host = A Ghost. Por sua vez, Jorge Jácome continua a associação livre em equações visuais até chegar à solução. Uma curta-metragem experimental que pretende fazer-nos resolver esta equação à nossa maneira, conforme as imagens que nos apresenta. As mãos, o toque, as linhas das mãos e aquelas que se desenham nas rochas, os sinais na pele e as estrelas no céu, a natureza e o homem em paralelismo. Uma ideia desafiante para a plateia.

O Desvio de Metternich - 5.5/10
A preto e branco, Tiago Melo Bento apresenta-nos Leopoldina de Hasburgo, que viaja para o Brasil para encontrar o marido, D. Pedro (IV de Portugal, I do Brasil). No caminho, pára num paraíso no meio do Atlântico. O Desvio de Metternich filma São Miguel com esta aura paradisíaca e poética, enquanto ouvimos os desabafos da protagonista, encantada com o local, tal como nós.

Live Tropical Fish - 5/10
Essencialmente, Live Tropical Fish é um exercício de estilo de Takashi Sugimoto. O director de fotografia estreia-se na realização a preto e branco, com longos planos fixos que cativam o olhar. Ainda assim, e apesar de alguns momentos curiosos, a curta-metragem não se destaca para além disso.

Cabeça D’asno - 4/10
Pedro Bastos traz-nos uma curta-metragem experimental que varia entre o diário filmado e o ensaio sobre a natureza das imagens. Numa casa degradada e solitária, seguimos os traços que se desenham nas paredes, imagens religiosas pairam sorrateiramente, e descobrimos negativos de filmes porno. Cabeça d'asno é um apelo à memória e ao tempo que passa.

Heroísmo - 4/10
Em HeroísmoHelena Estrela Vasconcelos leva-nos a um centro comercial abandonado, onde um rapaz vive escondido. Quando uma rapariga vem visitá-lo, recordações e desolação ocupam os espaços vazios. A companhia é momentânea mas serve de consolo a este jovem solitário. Heroísmo convida à introspecção e à reflexão, enquanto exploramos, com as personagens, os recantos abandonados do centro comercial.

O Sul - 4/10
Uma ideia promissora traduz-se num filme algo decepcionante. Afonso Mota revela como poderia ter feito uma curta-metragem muito interessante, subordinada à mesma temática: as memórias de uma viagem à América do Sul, apresentadas sob vários formatos - cartas, fotografias e vídeos. Contudo, O Sul perde-se no meio de tanta informação e alguma desconexão. Ficam, contudo, as boas intenções.

Rochas e Minerais - 3.5/10
A ideia era boa: ver como algumas amizades de infância podem perder o encanto quando se cresce. Em Rochas e Minerais, Miguel Tavares coloca duas amigas num hotel repleto de memórias de quando eram crianças, num Verão onde predominam os silêncios e os banhos de Sol. Após as fotografias e lembranças do passado juntas, a curta-metragem não nos oferece muito mais para além dos silêncios incómodos e das férias das duas amigas que pouco conversam.

Sem Armas - 3.5/10
Sem Armas entra no mundo violento que a adolescência pode trazer consigo. Num prédio em ruínas, juntam-se uns rapazes, mas a amizade pode não ficar em primeiro plano. Tomás Paula Marques não consegue tirar partido da ideia que trouxe para o ecrã e a plateia não leva muito desta curta-metragem.


* Não tive possibilidade de assistir a duas curtas-metragens em competição: Transmission from the Liberated Zones, de Filipa César, e The Hunchback, de Ben Rivers e Gabriel Abrantes.

sábado, 30 de abril de 2016

IndieLisboa'16: Le fils de Joseph (2016)

*7.5/10*


Uma boa surpresa cinematográfica chegou à secção Silvestre do IndieLisboa: Le fils de Joseph, de Eugène Green. O realizador adapta algumas passagens da Bíblia ao seu estilo satírico e constrói uma história inteligente, divertida e cativante.

Vincent tem 15 anos e vive com a mãe, Maria, que lhe diz que este não tem pai. Mas Vincent não acredita. Não pode acreditar. Por isso, inicia uma investigação por sua conta. Pelo caminho, fica amigo de Joseph.

Esta comédia é contagiante e toma o seu tempo, sem avanços demasiado repentinos na narrativa. As personagens conversam tranquilamente, num certo tom declamatório, os planos são bem estudados e geométricos e os cenários encaixam bem no todo. A cor abunda e confere um ambiente positivo à longa-metragem.


A religião serve de base a Le fils de Joseph, sem excessos, traduzindo-se num humor inteligente, referências bem construídas e personagens interessantes (com momentos verdadeiramente hilariantes), de características muito próprias. 

Destaque, claro, para o nosso "menino Jesus", Vincent, que, após uma desilusão, consegue dar a volta à situação, mesmo que, para isso, se torne num criminoso procurado. Excelente interpretação do jovem Victor Ezenfis. Ao seu lado, Mathieu Amalric reinventa-se como o poderoso e egoísta Oscar Pormenor, em mais um exemplo da versatilidade do actor. Ainda Maria de Medeiros surge numa pequena mas singular interpretação de uma excêntrica crítica literária.


Le fils de Joseph invoca a Bíblia para contar uma história que depressa conquista a plateia. Gargalhadas não faltarão, mas serão os pormenores que, no meio da simplicidade de Eugène Green, revelam um filme cheio de conteúdo.

quinta-feira, 28 de abril de 2016

IndieLisboa'16: Helmut Berger, Actor (2015)

*8/10*

Helmut Berger, Actor faz parte da secção Director's Cut do IndieLisboa, e mostra-nos um outro lado daquele que já foi considerado "o homem mais bonito do universo" pela revista Vogue. O realizador Andreas Horvath partiu à aventura e apresenta-nos um Berger decadente, entre a depressão e a loucura.

O documentário mostra-nos o seu estado actual: "entre a tempestuosa demência de um Klaus Kinski e o narcisismo megalómano de uma Norma Desmond". Por seu lado, Andreas Horvath tem de saber lidar com as alterações bruscas de humor do actor, bem como com os seus pedidos mais bizarros.

Acompanhamos o realizador, que passa alguns dias com Berger, na sua casa, em hotéis, etc. Percebemos o estado do actor não apenas pelas suas palavras, conflituosas, desinteressadas, mimadas, mas igualmente pelo estado da sua casa, envolta em desarrumação e sujidade. E é nesse espaço que conhecemos Viola, que ali trabalha e tenta colocar alguma limpeza e organização naquele apartamento, ao mesmo tempo que conta à câmara algumas inconfidências do seu patrão.


Um filme arrojado e provocador, que deixou a plateia (quase cheia) da cinemateca entre as gargalhadas e a estupefacção. E, ironicamente, chegamos ao final com uma dúvida a assolar-nos: tudo o que vimos é a realidade ou será Helmut Berger, Actor em uma das suas personagens?

IndieLisboa'16: Film noir 001 // 002 // 003 (2015) + O cinema que vê (2016)

Na secção Director's Cut do IndieLisboa, encontramos duas curtas-metragens muito ligadas à História do Cinema e seus intervenientes:  Film noir 001 // 002 // 003, de La Ribot e O cinema que vê, de Beatriz Saraiva. Os dois filmes passaram esta Terça-feira, dia 26 de Abril, na Cinemateca Portuguesa.

Film noir 001 // 002 // 003 - *7.5/10*


La Ribot convida-nos a olhar de outra forma para o ecrã de cinema, quase num desafio. De repente, parecemos perdidos ao assistir a uma cena de um clássico como Lawrence da Arábia ou Ben-Hur, já que em Film noir 001 // 002 // 003, em foco está o trabalho dos figurantes.

As estrelas de Hollywood desaparecem da tela e o foco são os desconhecidos que também fizeram com que o filme acontecesse. Esta curta-metragem é um elogio a estes anónimos que ficarão para sempre na memória física que é o cinema. Um exercício curioso e original, em tom de homenagem ao trabalho daqueles que quase passam despercebidos.

O Cinema Que Vê - *6.5/10*


Não sendo uma ideia totalmente original, O cinema que vê  traduz-se numa bonita homenagem às origens do cinema. Trata-se de um ensaio sobre o cinema “como extensão do olho humano”, construído através de excertos de filmes dos irmãos Lumière, Vertov e Varda. Em apenas quatro minutos, Beatriz Saraiva mostra a sua paixão pela Sétima Arte neste regresso aos primórdios.

IndieLisboa'16: Jacques Tourneur, le médium (filmer l’invisible) (2015)

*5/10*

A Cinemateca Portuguesa recebeu Jacques Tourneur, le médium (filmer l’invisible), de Alain Mazars, na secção Director's Cut do IndieLisboa. O documentário apresenta-nos o realizador de I Walked with a Zombie, crente no mundo invisível e nas forças sobrenaturais, ideia que tanto transportou para os seus filmes.

Um filme para conhecer melhor Jacques Tourneur e a sua obra, mas que não a potencia como se poderia esperar. As opiniões sobrepõem-se aos excertos apresentados, que não deixam apreciar suficientemente as cenas - que exemplificam as características do cinema de Tourneur. Fica a curiosidade no ar, nem que seja para contrariar este documentário um tanto egoísta, querendo as atenções todas para os seus intervenientes, mais do que para o cineasta em foco.

quarta-feira, 27 de abril de 2016

IndieLisboa'16: Cartas da Guerra (2016)

"Adoro-te, minha gata de Janeiro, meu amor, minha gazela, meu miosótis, minha estrela aldebaran, minha amante, minha Via Láctea..."
António


*9/10*

Amor em tempos de guerra é uma boa forma de resumir Cartas da Guerra, o corajoso e pioneiro filme de Ivo M. Ferreira nesta abordagem tão intima e absorvente da Guerra Colonial.

Foi assim que se celebrou o 25 de Abril no Grande Auditório da Culturgest, esgotado. Depois da estreia internacional na Competição Internacional do Festival de Berlim, Cartas da Guerra teve no IndieLisboa a sua estreia nacional. O filme adapta uma obra do escritor António Lobo Antunes, composta por cartas que este escreveu à mulher durante a sua estadia na guerra do ultramar. A acção começa em 1971, quando António vê o seu quotidiano em Lisboa ser interrompido ao ser destacado para servir como médico no Leste de Angola. Perante a extrema violência e desolação, António escreve à mulher Maria José, contando o que vê, o que sente, como que abrigando-se do pior.

Um retrato provavelmente nunca antes visto no cinema português do que foi estar na Guerra Colonial. A desconfiança, o medo do inesperado, os vícios, a saudade, a distância, a imprevisibilidade... o fim tão próximo e tão longe. A dor do tempo a passar só era aliviada quando o correio chegava, as notícias da família, do amor que ficou em Portugal, ou no momento de responder às cartas, contar o quotidiano, os tormentos, o desespero, o medo de não voltar.


Margarida Vila-Nova e Miguel Nunes são o casal protagonista e são as suas vozes que nos lêem as cartas enviadas por António a Maria José. Ela em Lisboa, ele em Angola, o tempo a passar, a barriga dela a crescer e o amor dos dois a aumentar com as saudades. Cartas ternas, românticas, fogosas, a paixão que não se pode viver fisicamente é descrita com o mesmo fulgor em cada folha de papel. Um dos momentos mais fortes e envolventes de Cartas da Guerra é-nos mostrado pela câmara de Ivo M. Ferreira, numa espécie de amor feito à distância.

A acompanhar o texto, as imagens, duras, sombrias, entre os horrores da guerra, ver camaradas a partir, minas, tiros, o inimigo iminente que não se sabe por onde espreita, e os povos locais, doentes ou com medo, mas sempre com vontade de conviver com os soldados portugueses. A preto e branco, desde a viagem por mar para Angola, até ao quotidiano em Chiúme, Cartas da Guerra coloca-nos no centro da acção, através de planos hipnóticos, que agarram à acção, deixando-nos extasiados pelas paisagens longínquas e deslumbrantes - que transmitem o calor, o exotismo, a selva -, como igualmente abalados, atordoados, na expectativa de que aconteça o pior a qualquer momento, perdidos, por vezes, numa tranquilidade suspeita e inquietante.

Miguel Nunes merece destaque ao encarnar António, este médico sensível, que é obrigado a deixar a mulher grávida noutro continente para servir na guerra. A experiência transformadora - de onde a tristeza nunca vai desaparecer - e a impotência perante as atrocidades que o rodeiam é transmitida pelo actor de forma comedida, mas com uma naturalidade que nos diz muito. Miguel espelha as emoções no olhar, nos seus gestos subtis e contidos.


No meio destas cartas de amor escritas durante a guerra, sente-se a falta de mais visceralidade nas imagens, e, talvez, de menos narração, que, por vezes, tira o foco da acção (ou vice-versa). Compreende-se, contudo, que num filme romântico as cartas de amor sejam uma forma de aliviar a dor da separação e os horrores do conflito: mais poesia, menos sangue.

Ivo M. Ferreira realizou um filme que fazia muita falta a Portugal e ao mundo. Música, imagens e palavras revelam a Guerra Colonial do lado de quem lá esteve. Com harmonia e encanto, o cinema conta uma história de amor, que é também a dura História de uma nação.

terça-feira, 26 de abril de 2016

IndieLisboa'16: O Cinema, Manoel de Oliveira e Eu (2016)

*7/10*

João Botelho pôs mãos à obra e criou O Cinema, Manoel de Oliveira e Eu, onde homenageia o seu mestre. Ao mesmo tempo, encontra um motivo para regressar às origens do cinema e oferece-nos uma curta-metragem de ficção dentro do seu documentário.


A partir de excertos de filmes de Oliveira como Amor de Perdição, Vale Abraão, 'Non', ou a Vã Glória de Mandar, O Estranho Caso de Angélica, Francisca, entre muitos outros; e de filmes seus como Conversa Acabada, Botelho quis apresentar à plateia o método de filmar de Manoel de Oliveira, tão fiel aos cânones e, ao mesmo tempo, tão vanguardista.

Botelho, que narra o seu próprio filme, fala-nos sobre o trabalho do seu mestre, da influência que teve no seu trabalho e do tempo em que conviveu e trabalhou com o realizador. Uma homenagem feita de escolhas muito pessoais, mas facilmente universalizáveis, O Cinema, Manoel de Oliveira e Eu é um apelo à memória, para que todos conheçam e nunca esqueçam o grande cineasta português.

A completar o documentário surge a ficção, uma curta-metragem que pretende ser, acima de tudo, um regresso às origens do cinema, ao mudo e a preto e branco. A admiração por Oliveira continua também neste A Rapariga das Luvas, realizado a partir de um argumento que o falecido cineasta nunca filmou, Prostituição ou a Mulher que Passa.

Uma conclusão que continua com o seu cunho pessoal e demonstra grande coragem em regressar a filmar como nos primórdios. Um filme simples e bem interpretado - também um desafio para os actores - que cumpre o seu principal propósito: travar o esquecimento.

segunda-feira, 25 de abril de 2016

IndieLisboa'16: A Vossa Terra (2016)

*7/10*

A Vossa Terra trouxe às Sessões Especiais do IndieLisboa'16 uma merecida homenagem ao arquitecto Gonçalo Ribeiro Telles. O realizador João Mário Grilo propõe-nos este filme a quatro mãos - de quem filma e de quem projectou -, que nos dá a conhecer a vastíssima obra do arquitecto e as ligações entre o trabalho de um e a vida do outro.


A Vossa Terra é uma homenagem e ao mesmo tempo uma partilha. Ribeiro Telles, responsável, entre outros projectos, pelos jardins da Fundação Calouste Gulbenkian, dedicou uma vida à construção da paisagem. “A que se assemelharia um filme sobre a sua obra?”, pergunta o realizador ao paisagista. “Apenas paisagens, uma depois da outra.” E, a partir desta ideia, Grilo expõe-nos a obra do arquitecto, conduzida por textos do próprio, algumas imagens de arquivo e conversas intimistas na actualidade. 

Um documentário que sabe chegar ao público e exaltar a importância da arquitectura paisagista no nosso país (e no mundo). Percorreremos a Figueira da Foz, Coruche, o Corredor Verde de Monsanto, entre jardins, hortas, campo e cidade, e os ideais de Gonçalo Ribeiro Teles. A harmonia entre o urbano e o rural é alcançada em A Vossa Terra não apenas através dos projectos do arquitecto como nos planos do cineasta - um centro comercial parece nascer de uma horta, por exemplo.

Um filme visual, mas também narrativo, um documentário que coloca o Homem e a Natureza em interacção, num ideal de coerência e ordenamento que é fundamental e João Mário Grilo e Gonçalo Ribeiro Telles mostram-no bem.

IndieLisboa'16: Eva no duerme (2015)

*7/10*

Pablo Agüero veio ao IndieLisboa'16 apresentar o seu filme Eva no duerme. A longa-metragem faz parte da secção Silvestre e tem como foco Eva Péron, mais propriamente os estranhos acontecimentos que procederam a sua morte.


Adorada por grande parte do povo argentino, Eva Péron morreu jovem e o seu corpo foi embalsamado em 1952. Eva no duerme segue-lhe o rasto, munindo-se da ficção e de imagens de arquivo para dar a conhecer ao mundo parte da História da Argentina. Desde o seu embalsamento, até à transladação definitiva para o cemitério La Recoleta, em 1976, os acontecimentos são-nos apresentados em três capítulos: O Embalsamador, O Transportador e O Ditador.

Agüero traz-nos um filme tecnicamente irrepreensível, repleto de planos-sequência e longos planos fixos, onde a acção acontece perante os nossos olhos. Todo o segmento de O Transportador é marcante para a audiência, quer por este exímio trabalho de câmara, de luz, quer pela prestação dos actores. A direcção de fotografia faz um trabalho digno de elogios e nota-se o empenho de toda a equipa para que os planos saíssem impecáveis - assistimos à aurora dentro do camião que transporta o corpo de Evita, desde a noite ao sol raiar.

Nas interpretações, Gael García Bernal e Denis Lavant são os nomes mais sonantes e o segundo tem um desempenho marcante: frio, intenso e bastante físico.


O ponto fraco de Eva no duerme, que pode contrastar com a exigência técnica levada a cabo pela equipa, é a narração, insistente, algo repetitiva e demasiado presente. De alguma forma, este aspecto poderá distrair e extenuar a plateia que não aproveita na plenitude as imagens.

Acima de tudo, Eva no duerme é um projecto em que se sente a dedicação de Pablo Agüero. Uma óptima lição de História para os mais distraídos, oferecida através da forte premissa bem filmada.

sábado, 23 de abril de 2016

IndieLisboa'16: The Witch (2015)

"Wouldst thou like to live deliciously?"
Black Phillip


*9/10*

A Boca do Inferno do IndieLisboa'16 não se fez rogada e presenteou-nos com um dos filmes de terror mais falados dos últimos tempos: The Witch, de Robert Eggers. Perturbador, aterrador, incómodo, visceral, o filme traz-nos uma visão pouco comum do género, numa abordagem corajosa que junta a História e seus mitos e lendas, à bruxaria e satanismo.

Com esta primeira longa-metragem, Robert Eggers conquistou o prémio de melhor realizador no Festival de Sundance.  O filme percorre os ecos da repressão puritana e das caças às bruxas na Nova Inglaterra no século XVII. Na década de 1630, William e Katherine vivem uma vida cristã e estável com os seus cinco filhos. Quando o mais novo, recém-nascido, desaparece, a família começa a desconjuntar-se e a debater-se entre histeria religiosa, magia negra, feitiçaria e possessão.


The Witch não é para os mais sensíveis, nem para os que só esperam sustos. É para os amantes do verdadeiro terror, aquele que não nos deixa nas horas e dias seguintes à sessão, que faz pensar, investigar, remoer. Robert Eggers criou um trabalho exigente, documentado, bem estudado. Cada um poderá interpretar o filme consoante as suas crenças, mas ninguém vai deixar de falar e pensar nele.

No seio do fanatismo religioso, onde o seguimento das escrituras bíblicas se confunde com o medo do Inferno, encontramos esta família, excluída da comunidade e enviada para um terreno isolado, junto à floresta. E com a solidão, o terreno infértil para o cultivo de milho e a escassez de alimentos, fenómenos bizarros começam a acontecer.


O argumento é imprevisível, sem medos, nem pudores. Ora, entre as bruxas e os demónios, os animais - eles que são a única companhia desta família - revelam-se de uma enorme importância para o desenrolar da narrativa.

A adensar todo o ambiente já de si desconfortável e inseguro de The Witch, a banda sonora de Mark Korven é brilhante, surge como representação do desespero das personagens, e quase nos coloca mais alerta do que as imagens. A câmara, o nosso olhar, percorre os terrenos desconhecidos e embrenha-se na floresta, ao lado das crianças e dos pais. Sabemos o mesmo que eles, vemos os mesmos fantasmas, delírios ou simples alucinações - somos os estranhos do futuro que mergulham num passado de tormenta.


A direcção de fotografia de Jarin Blaschke faz um excelente trabalho, quer nas sombras como no ambiente cinzento e enevoado. Ao mesmo tempo, tira excelente partido das cenas de violência ou nudez, com as cores a tornarem-se mais vivas, numa espécie de sugestão do pecado ou das tentações a que as personagens estão expostas.

The Witch vale ainda mais pelas interpretações, especialmente a da jovem Anya Taylor-Joy. Quase desconhecida do grande público, a jovem actriz revela um talento pouco comum. Como Thomasin, Anya mostra-se frágil e desamparada, confusa e amedrontada com os acontecimentos que a rodeiam e, ao mesmo tempo, fria e agressiva, conseguindo ainda assim conquistar totalmente a plateia.

Robert Eggers dá uma nova vida ao cinema de terror. Já tínhamos saudades que nos surpreendessem assim.

quinta-feira, 21 de abril de 2016

Crítica: Instinto Fatal / Basic Instinct (1992)

"You know I don't like to wear any underwear, don't you, Nick?"
Catherine Tramell

*7/10*

Sexy e erótico são duas palavras que assentam na perfeição a Instinto Fatal (Basic Instinct), do Herói Independente do IndieLisboa'16, Paul Verhoeven. A estas duas características, juntou-lhes uma história de crime e mistério (o argumento é de Joe Eszterhas) e, voilà, eis os ingredientes certos para estalar a polémica e ficar na História, nem que seja pelo mais famoso (des)cruzar de pernas do cinema.

Em Instinto Fatal, Sharon Stone é Catherine Tramell, uma escritora suspeita de assassinar o amante, e Michael Douglas é o detective Nick Curran, com um passado atribulado, chamado a investigar o caso.

Um enredo bem construído, com suspense e a dúvida a pairar na mente das personagens e do espectador. Somos também detectives deste caso. Verhoeven mostra como a estética do seu trabalho também tem conteúdo, criando este perigoso jogo de sangue, sedução, sexo e crime com mestria e personalidade. Mais do que escandalizar a época, o realizador consegue cativar a audiência que não vai querer perder nenhum momento da acção. Os planos incómodos e íntimos constituem outro ponto de envolvimento da plateia: perturbam e seduzem-na.


As personagens têm a sua complexidade, e vamos dar por nós a tentar compreender o encanto animalesco de Nick por Catherine, e igualmente a sua obsessão pelo detective. Mentes perturbadas em corpos movidos pelo instinto e temos Instinto Fatal.

O filme é exibido no IndieLisboa no dia 27 de Abril (quarta-feira), às 21h30, na Cinemateca Portuguesa.

quarta-feira, 20 de abril de 2016

IndieLisboa'16: Filmes a Não Perder

O IndieLisboa começa hoje, dia 20 de Abril, prolonga-se até 1 de Maio, e enche Lisboa de cinema independente. A escolha é imensa, e eu deixo-vos algumas sugestões de filmes a não perder no festival.

Longas-metragens

Esta comédia de costumes, adaptando o romance de Jane Austen, Lady Susan, passa-se na sociedade inglesa no século XVIII. Lady Susan (Kate Beckinsale) resolve passar uma temporada em casa dos sogros, enquanto os rumores sobre a sua conhecida indiscrição se desvanecem. Aí resolve procurar um bom partido para a sua filha Frederica.

Chevalier, de Athina Rachel Tsangari - Competição Internacional
O argumento de Chevalier coloca homens a comparar pilinhas em alto mar. Durante uma viagem num iate de luxo, seis amigos resolvem fazer um jogo para saber quem é o melhor homem. As regras implicam saber quem monta mais rápido um móvel do IKEA ou quem tem o melhor toque de telemóvel. Esta é uma hilariante desconstrução da masculinidade e das suas inseguranças.

Cartas da Guerra, de Ivo M. Guerra - Sessões Especiais
O último filme de Ivo Ferreira adapta uma obra do escritor António Lobo Antunes composta por cartas que este escreveu à mulher durante a sua estadia na Guerra do Ultramar. O filme começa em 1971 quando António vê o seu quotidiano em Lisboa ser interrompido, ao ser destacado para servir como médico no Leste de Angola. Perante a extrema violência e desolação, António escreve à mulher Maria José, contando o que vê, o que sente, como que abrigando-se do pior.

Treblinka, de Sérgio Tréfaut - Competição Nacional
“Eu sinto que todos os comboios vão dar a Auschwitz, Dachau e Treblinka”. Uma viagem pela memória que funde passado com presente. Percorrendo os caminhos férreos que ligam hoje Polónia, Rússia e Ucrânia, Tréfaut encontra pistas de um passado que resiste ao slogan do pós-guerra: “Nunca mais”. Não, “Tudo está a acontecer outra vez”

Love, de Gaspar Noé - Boca do Inferno
Irreverente como sempre, o realizador usa o 3D para filmar uma intensa história de amor. Ou seja, sexo em 3D.

The Lobster, de Yorgos Lanthimos - Boca do Inferno
Estamos num futuro distópico próximo e os solteiros são levados, de acordo com as leis da cidade, para o Hotel. Aí, terão de encontrar parceiro em 45 dias ou o seu destino será o Bosque, onde serão transformados em animais selvagens. Colin Farrell e Rachel Weisz são os protagonistas.

The Witch, de Robert Eggers - Boca do Inferno
A primeira longa metragem de Robert Eggers, vencedor de prémio de melhor realizador em Sundance, aborda os ecos da repressão puritana e da caças às bruxas na Nova Inglaterra de meados do século XVII. William e Katherine vivem uma vida cristã e estável com os seus cinco filhos. Quando o mais novo, recém nascido, desaparece, a família começa a desconjuntar-se e a descer às profundezas da histeria religiosa, da magia negra e da feitiçaria.

The 1000 Eyes of Dr. Maddin, de Yves Montmayeur - Director's Cut
Para Guy Maddin, o cinema é sonho, fantasia e fantasmagoria. Em 1000 Eyes of Dr. Maddin, Yves Montmayeur expõe a obsessão do “David Lynch canadiano” pelos filmes perdidos do mudo, tendo como principal objecto Seances. Neste “projecto interactivo” convocam-se os espíritos desassossegados dos filmes desaparecidos em sessões espíritas onde intervêm vários actores de renome, tais como Mathieu Amalric, Charlotte Rampling e Maria de Medeiros.

Basic Instinct, de Paul Verhoeven - Herói Independente
Sharon Stone é uma escritora suspeita de assassinar o amante e Michael Douglas um detective com um passado atribulado chamado a investigar o caso. Basic Instinct ficou conhecido pelo descruzar de pernas mais famoso da história do cinema.

Les deux amis, de Louis Garrel - Herói Independente
Na primeira longa metragem de Louis Garrel, escrita a meias com Christophe Honoré, Vincent Macaigne interpreta o papel de um tímido actor que procura o auxílio de um amigo extrovertido (Garrel) para o ajudar a seduzir Mona, uma prisioneira em liberdade condicional. Quando os dois se interessam por ela, a relação entre ambos complica-se.

Le fils de Joseph, de Eugéne Green - Silvestre
Vincent tem quinze anos e vive com a mãe, que lhe diz que este não tem pai. Mas Vincent não acredita. Por isso, inicia uma investigação por sua conta.

Janis: Little Girl Blue, de Amy Berg - IndieMusic
A documentarista Amy Berg mergulha na psique de uma artista tão brilhante quanto acossada. A narração é baseada nas cartas que Joplin escreveu aos pais, amigos e colaboradores ao longo dos anos e que aqui são reveladas pela primeira vez pela voz da cantora Cat Power.

Curtas-metragens

World Of Tomorrow, de Don Hertzeldt - Silvestre
Don Hertzfeldt inventa um futuro de clones, viagens no tempo, e paixões: World of Tomorrow foi nomeado para o Oscar de melhor curta metragem de animação.

Ascensão, de Pedro Peralta - Competição Nacional e Internacional
A ascese formal de Ascensão, reduzida a três magníficos planos sequência, combina com a transfiguração mortificada da sua narrativa: o cinema como matéria de milagres.

Balada de um Batráquio, de Leonor Teles -  Competição Nacional e Internacional
A curta de Leonor Teles conquistou o Urso de Ouro em Berlim e agora vem ao IndieLisboa. Balada de um Batráquio, num gesto tão pessoal quanto activista, desfaz um dos preconceitos sobre a comunidade cigana.

Thunder Road, de Jim Cummings - Competição Internacional
Um velório nunca foi tão tocante e tão festivo: Thunder Road usa a homónima canção de Bruce Springsteen como catalisador do luto.

Campo de Víboras, de Cristèle Alves Meira - Competição Nacional
Campo de Víboras, em Trás-os-Montes, acolhe uma história de mistério e más-línguas durante as festividades dos Caretos.

Macabre, de Jerónimo Rocha e João Miguel Real - Competição Nacional
Um homem tem um acidente de carro num bosque o que o leva a uma casa sombria.

Menina, de Simão Cayatte - Competição Nacional
Durante o Estado Novo uma “rapariga ideal” começa a suspeitar dos atrasos do marido.

Hora di Bai, de Bruno Leal - Novíssimos
Hora di Bai é uma expressão que se refere ao “evasionismo” do povo de Cabo Verde. O filme retrata a destruição iminente do bairro 6 de Maio e dos laços dos seus residentes.