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segunda-feira, 7 de maio de 2018

IndieLisboa'18: O Homem-Pykante – Diálogos com Pimenta (2018)

*8.5/10*


Edgar Pêra continua fiel a si e a pôr muito amor nos filmes que faz. Agora, traz para o grande ecrã  O Homem-Pykante – Diálogos com Pimenta num elogio ao poeta e performer português, Alberto Pimenta. Sem pimenta ou papas na língua, é fácil aceitar o convite para descobrir mais sobre o percurso do artista, embalados pelo estilo inconfundível de Pêra - e os dois entendem-se tão bem já há 24 anos...

O filme foca-se na poesia de Alberto Pimenta, mas também na sua importância enquanto pioneiro da performance em Portugal. O momento em que, em 1977, no Jardim Zoológico, Pimenta trancou -se numa jaula (junto à dos macacos) com uma tabuleta indicando “Homem (Homo sapiens)” é um dos que poderemos relembrar neste filme-performance ou filme-poema.

O Homem-Pykante - Diálogos com Pimenta homenageia o artista, e é quase tão desafiante como a sua obra. Arquivos - filmados por Edgar Pêra entre 1994 e 2018 - de conversas, leituras ou performances de Alberto Pimenta, a que se juntam imagens de arquivo e performances de alguns actores habituais do realizador (Miguel Borges Marina Albuquerque, por exemplo) constroem este desafiante filme.


Entre o experimentalismo de Pêra e o de Pimenta, recupera-se a obra quase dadaísta e, ao mesmo tempo, tão crítica do poeta. O documentário convida-nos a conhecer mais, a rir e a chorar a rir com as suas palavras aparentemente vazias mas cheias de complexidade.

Depois, Edgar Pêra faz o resto: as suas típicas distorções de som (ou flores a cair como bombas), sobreposições de imagens, e a história nasce.

O Homem-Pykante – Diálogos com Pimenta fez parte das Sessões Especiais do IndieLisboa'18 e foi exibido perante um auditório quase cheio, numa emotiva sessão, onde realizador e poeta apresentaram o filme.

IndieLisboa'18: Lupo (2018)

*9/10*


Era uma vez, um homem que marcou a História do Cinema europeu e, de repente, desapareceu... Eis o mote perfeito para levar curiosos a ceder à tentação de resolver o mistério. Lupo é todo o registo de um trabalho de investigação abismal, com descobertas fundamentais para reescrever a História do Cinema nacional e europeu. Pedro Lino e a sua equipa, quais detectives particulares, correm a Europa em busca de todas as pistas possíveis que levem à resolução do caso. 

Apresento-o quase como um filme de detectives, mas, em Lupo, Lino é a personificação de Sherlock Holmes e a investigação é real. O realizador faz tudo como lhe compete e sabe trabalhar o material que recolheu da melhor forma possível. Não dá para ficar indiferente.

O italiano Rino Lupo andou por toda a Europa a trabalhar em cinema. Eram os anos 10 e 20 e Rino teve três pseudónimos e constituiu duas famílias. Mas foi em Portugal que assentou por mais tempo, realizando alguns dos filmes mudos mais importantes do nosso cinema. Bénard da Costa chamava às Mulheres da Beira “a primeira obra maior do cinema português”. Pedro Lino desenvolveu em Lupo uma profunda investigação sobre o realizador (descobrindo um dos mistérios que o rondavam, o ano e local da sua morte), procurando seguir os passos fugidios de um homem “maior que a vida”.


Lupo transmite toda a emoção que foi rodar este filme. Na apresentação do documentário, na Cinemateca Portuguesa, era notória a comoção de Pedro Lino e da produtora Pandora da Cunha Telles.

O tom coloquial primeiro estranha-se e depois adora-se. O narrador fala directamente para Lupo que o ouve, algures entre as ruínas do antigo cinema Odéon, em Lisboa, numa espécie de atmosfera assombrada. E assim se constrói também uma analogia entre o desaparecimento de Lupo e o desaparecimento e abandono dos antigos cinemas portugueses.

Um mapa improvisado leva-nos numa viagem pela Europa, onde seguimos o rasto do cineasta italiano. Por diversas vezes, uma sobreposição de imagens mostra-nos os espaços como são actualmente e como eram quando Lupo lá passou. Ao mesmo tempo, assistimos, encantados, a fragmentos ou fotografias de filmes do cineasta (Mulheres da Beira, Os Lobos, Fátima Milagrosa, O Diabo em Lisboa ou José do Telhado, por exemplo), tudo acompanhado por confidência do cineasta e curiosos momentos com os seus descendentes.


Lupo, de Pedro Lino, foi, muito provavelmente, um dos melhores filmes exibidos nesta edição do IndieLisboa. O filme documenta e faz História.

domingo, 6 de maio de 2018

IndieLisboa'18: Os Vencedores

O IndieLisboa'18 anunciou os vencedores da 15.ª edição este Sábado à noite, na Festa de Encerramento do festival. Baronesa, de Juliana Antunes, Lembro Mais dos Corvos, de Gustavo Vinagre e Our Madness, de João Viana, venceram os principais palmarés.


Competição Internacional de Longas Metragens

Grande Prémio de Longa Metragem Cidade de Lisboa
EX-AEQUO
Baronesa, de Juliana Antunes
Lembro Mais dos Corvos, de Gustavo Vinagre

Prémio Especial do Júri canais TVCine & Series
EX-AEQUO
Baronesa, de Juliana Antunes
Lembro Mais dos Corvos, de Gustavo Vinagre


Competição Internacional de Curtas Metragens

Grande Prémio de Curta Metragem
Solar Walk, de Réka Bucsi

Prémio Silvestre para Melhor Curta Metragem
Braguino, de Clément Cogitore

Prémio Turismo de Macau para Melhor Animação
Rabbit's Blood, de Sarina Nihei

Prémio Turismo de Macau para Melhor Documentário
La bonne education, de GuYu 

Menção Honrosa
Coqueluche, de Aurélien Peyre

Prémio Turismo de Macau para Melhor Ficção
Matria, de Álvaro Gago


Competição Nacional

Prémio Allianz para Melhor Longa Metragem Portuguesa
Our Madness, de João Viana

Prémio Dolce Gusto para Melhor Curta Metragem Portuguesa
Os Mortos, de Gonçalo Robalo

Prémio Melhor Realizador para Longa Metragem Portuguesa
André Gil Mata por A Árvore

Prémio Novo Talento FCSH/Nova
Amor, Avenidas Novas, de Duarte Coimbra

Prémio Novíssimos Walla Collective + Portugal Film

Menção Honrosa
Fauna, de Lúcia Pires


Júri Silvestre

Prémio Silvestre para Melhor Longa Metragem


Júri IndieMusic

Prémio IndieMusic Schweppes
Matangi/Maya/M.I.A, de Steve Loveridge


Júri Amnistia Internacional

Prémio Amnistia Internacional
Waste N0.5 The Raft of the Medusa, de Jan Ijäs


Júri Árvore da Vida

Prémio Árvore da Vida para Filme Português
Russa, de João Salaviza e Ricardo Alves Jr.

Menção Honrosa
Bostofrio - Oú le Ciel Rejoint la Terre, de Paulo Carneiro


Júri Escolas

Prémio Escolas
Tremors, de Dawid Bodzak


Júri Universidades

Prémio Universidades
An Elephant Stings Still, de Hu Bo


Júri do Público

Prémio Longa Metragem

Prémio Curta Metragem
Stay Ups, de Joanna Rytel

Prémio do Público IndieJúnior DoctorGummy
Professor Sapo, de Anna van der Heide


Os filmes premiados vão repetir nos próximos dias no Cinema Ideal. Mais informações aqui.

sábado, 5 de maio de 2018

IndieLisboa'18: As Horas de Luz / The Hours Of Light (2018)

*6/10*


No IndieLisboa'15, António Borges Correia conquistou vários prémios incluindo o de Melhor Longa-metragem Portuguesa com o seu filme Os Olhos de André. Três anos depois, o realizador regressa ao festival para apresentar a sua mais recente longa-metragem As Horas de Luz.

O filme retrata os problemas do envelhecimento e da doença. Maria da Luz (Paula Só) espera por uma operação às cataratas, que quase lhe tiraram a visão. Mas a sua dependência despertará nos vizinhos, e na filha distante, uma oportunidade de reatar laços perdidos. 

Não supera o filme anterior, mas mantém a mesma ambiência, um realismo comovente e personagens muito credíveis. Inspirado por uma inacreditável história real que aconteceu há cerca de 10 anos, onde a compaixão é o principal motor - e tanto se referiu esta palavra ao longo da sessão -, desta vez, a encabeçar o elenco estão actores profissionais (Paula Só, José Eduardo e Anabela Brígida), mas os amadores também lá continuam. O Presidente da Câmara de Vila Real de Santo António, Luís Gomes, por exemplo, é uma personagem central na acção e interpreta-se a si mesmo (já não estando actualmente no cargo).


Por muito que o realizador não fuja a alguns clichés, explorando até à exaustão a falta de visão dos habitantes daquela cidade, As Horas de Luz surpreende-nos com pormenores tão simples quanto simbólicos. O pequeno Miguel e os seus grandes olhos verdes (desta vez não são Os Olhos de André) e ar angelical, é um mistério para todos, mas principalmente para a plateia. Ninguém sabe onde vive, quem são os seus pais, diz não ter amigos e anda sempre sozinho, apenas preocupado com os idosos que o rodeiam e de quem é, literalmente, um anjo da guarda. E esta ideia do anjo repete-se, sendo uma das singularidades do filme.

A cidade de Vila Real de Santo António é filmada com uma beleza que nos convida a visitá-la, desde a praia, às casas tradicionais, até às ruínas de uma antiga fábrica. António Borges Correia tira todo o potencial da sua luz, das suas paisagens, dando, mais uma vez, um enfoque muito especial à Natureza e seus elementos.

O realizador António Borges Correia apresentou As Horas de Luz no IndieLisboa

sexta-feira, 4 de maio de 2018

IndieLisboa'18: O Processo / The Trial (2018)

*8/10*


Será possível documentar todo o processo que levou à destituição de Dilma Rousseff do cargo de Presidente do Brasil, sem inclinações políticas evidentes? A resposta não é certa, mas Maria Augusta Ramos faz o melhor que pode no seu documentário O Processo.

Aqui o que interessa não é tanto o desfecho (a destituição da presidente), mas sim compreender de que forma se deu o dito “Golpe”. A realizadora acompanhou a equipa de defesa da ex-presidente durante meses e o resultado é um documentário que coloca a nu os meandros da judicialização da política. Um olhar observacional que revela as traições e os interesses nos bastidores do Senado e do Congresso, ao som dos gritos de protesto vindos do exterior.


Os bastidores da defesa de Dilma são-nos apresentados sem tabus, mas o outro lado, o lado que dizia "sim" ao impeachment, é-nos também mostrado com a proximidade possível, sem cortar depoimentos ou acusações. Temos todos os dados para podermos tomar partido de um dos lados, ou para analisar o caso com algum distanciamento. Não sendo totalmente isento, O Processo consegue um equilíbrio e não faz julgamentos. Esses seremos nós a fazer. 

No meio de uma maioria masculina, O Processo consegue fazer sobressair algumas grandes mulheres, tanto do lado de Dilma como contra ela. Todas mostram a força do feminismo, são mulheres de garra e convicções, e Maria Augusta Ramos, outra mulher de coragem, sabe como destacá-las.


Vemos os brasileiros na rua, em manifestações pelo "sim" e pelo "não", vemos a confusão no congresso, onde muitas vezes o inacreditável acontece, vemos a parcialidade de muitos, a lei a ser corrompida. A retórica exemplar, de um lado, contrasta com argumentação religiosa e romântica, do outro. E nós assistimos a tudo - por vezes incrédulos -, sem faltarem as cargas policiais sobre os manifestantes... E, entretanto, o Brasil espera...

O Processo passou na secção Silvestre do IndieLisboa, no dia 1 de Maio, e repete este Domingo, dia 6. No Dia do Trabalhador, com sala cheia, houve palmas e apupos, gritos de guerra e libertação, mas eu só estava lá para ver o filme. E gostei.

IndieLisboa'18: As Boas Maneiras / Good Manners (2017)

"Olho grande. Boca grande. Mão grande. É um menino forte, Ana" 
Doutor

*7/10*

Que bela premissa nos trazem os realizadores Juliana Rojas e Marco Dutra com As Boas Maneiras. Um filme de terror que, ao mesmo tempo, é capaz de fazer uma crítica social e onde o humor negro é um dos trunfos.

Clara (Isabél Zuaa), uma enfermeira solitária da periferia de São Paulo, é contratada pela rica e misteriosa Ana (Marjorie Estiano) como ama do seu futuro filho. Contra todas as expectativas, as duas mulheres desenvolvem uma forte ligação. Mas uma noite de lua cheia vai alterar para sempre as suas vidas.

O filme pode dividir-se em duas partes, onde a primeira - a da gravidez - tem imenso potencial, com toques de A Semente do Diabo, de Roman Polanski. Por isto mesmo, As Boas Maneiras é muito mais do que uma história de lobisomens. Aborda também o amor entre duas mulheres, a gravidez (e os seus medos), o amor maternal. A própria ideia de emancipação feminina é aqui explorada, com protagonistas femininas de relevo, mas também o crescimento, quando a criança começa a descobrir o mundo e a reclamar independência. E não falta muita fantasia.


A longa-metragem de Rojas e Dutra tem duas mulheres fortes a liderar, pena Marjorie Estiano não ter mais tempo de antena. Mas a portuguesa Isabél Zuaa segura a acção do início ao fim, e preenche o ecrã pelas duas, numa excelente interpretação. A actriz tem uma força que a transforma numa fiel companheira e mãe protectora, contra tudo e todos.

A música revela-se muito presente, desde os momentos mais divertidos aos mais tensos ou emotivos, e mistura-se com esta história de "assustar", tornando-a mais meiga, mais dócil, tal qual a função da caixa de música - elemento muito simbólico na narrativa - de Ana.

A direcção de fotografia é do português Rui Poças e brilha nas noites de lua cheia ou nos dias agitados de São Paulo. O trabalho de caracterização e efeitos especiais não deixa a desejar, sendo mesmo impressionante, em especial na primeira aparição do ser sobrenatural.


As Boas Maneiras é desafiador e revela-se uma boa surpresa no género, que só peca por não apostar mais na narrativa em redor da gravidez "assombrada", com ataques de sonambulismo e desejos pouco comuns. O suspense perde-se cedo demais, e a acção estende-se mais do que deveria, com momentos melhores que outros, mas, em especial, deixando saudades da grande barriga de Ana.


As Boas Maneiras estreou na secção Boca do Inferno do IndieLisboa'18, no Cine-Teatro Capitólio, em noite de Lua cheia e está agora nos cinemas portugueses.

quarta-feira, 2 de maio de 2018

IndieLisboa'18: Infância, Adolescência, Juventude (2018)

*7/10*


Infância, Adolescência, Juventude marca a estreia de Rúben Gonçalves na realização, depois de alguns trabalhos como montador (sendo Verão Danado o mais recente). O objecto do documentário é a Escola de Dança do Conservatório Nacional, seus alunos e professores, e foi com sala cheia que a longa-metragem foi apresentada na secção Novíssimos do IndieLisboa.

Trata-se de um documentário tripartido, num espaço onde as aptidões e as paixões são postas à prova. O realizador acompanha três momentos fundamentais do percurso escolar: o processo de selecção e as primeiras aprendizagens, o final do 9.º ano quando há que tomar uma decisão e o final do secundário, com a descoberta do palco. Três andamentos que encontram em cada indivíduo o reflexo de diferentes gerações.

A câmara está lá, mas ninguém dá por ela. Assim, espreitamos as aulas e os ensaios, a timidez inicial, a frustração da tentativa e erro, e a ansiedade pela libertação em palco. Um filme que capta bem a paixão e emoção que a dança desperta nestes jovens, e a admiração com que a plateia recebe o seu esforço e vocação.

Infância, Adolescência, Juventude é um documentário intenso, onde somos meros observadores, sem interferir. A câmara transmite tudo o que é preciso sem fazer perguntas. O amor, a exigência e a entrega são totais, não são precisas mais explicações.

O realizador, Rúben Gonçalves, esteve na sessão a apresentar o filme

segunda-feira, 30 de abril de 2018

IndieLisboa'18: Hip to da Hop (2018)

*6/10*

Sala cheia para ver Hip to da Hop, de António Freitas e Fábio Silva, o filme que relança o debate sobre a cultura hip hop e a coloca no centro das atenções. Um documentário que fazia falta.

Os realizadores muniram-se de muito bom material e construíram um filme que faz compreender melhor um movimento cultural com muita história e que tem sofrido mutações que não agradam a todos os seus seguidores. Rappers, DJs, breakdancers e artistas de graffiti contam as suas histórias e expressam os seus pontos de vista acerca da arte que escolheram como modo de vida. 


Os realizadores vão de norte a sul de Portugal em busca das diferentes manifestações da cultura hip hop, focando-se nestas quatro vertentes principais do movimento: o rap, o DJ, o breakdance e o graffiti. Inclui dezenas de entrevistas a artistas nacionais, entre eles, Mundo Segundo, Orelha Negra, NBC, Slow J, DJ Ride, Stereossauro, Bdjoy, TNT, Sanryse ou Sensei D.

Hip to da Hop peca, no entanto, pela montagem que se torna confusa, sendo que não tem um fio condutor da discussão e os temas vão-se repetindo e misturando. Uma remontagem mais distanciada iria fazer a diferença e potenciar em muito os excelentes testemunhos que os realizadores recolheram. 

A opção pela utilização de cartoons em determinados momentos do filme foi um ponto muito positivo que deveria ter sido utilizado mais vezes. Funciona muito bem. Da parte que mais me diz respeito gostei de ver o foco no trabalho de Odeith, e apenas senti falta de uma viagem às ilhas, e do testemunho de alguns nomes mais comerciais como Boss AC.


Uma presença portuguesa de relevo no IndieMusic desta edição do IndieLisboa.

sábado, 28 de abril de 2018

IndieLisboa'18: L7: Pretend We're Dead (2016)

*8/10*

Elas queriam poder tocar e serem adoradas pela música que faziam, tal qual as bandas masculinas já o eram. A batalha não se revelava fácil, mais ainda em finais da década de 80. Mas elas foram inteligentes e souberam dar a volta aos estereótipos. Umas verdadeiras feministas, bem diferentes das actuais, mas especialmente competentes e sem dar desculpa a ninguém. 

Sabiam fazer música, sabiam chocar, sabiam dar espectáculo e fazer o público delirar. Conviveram com os grandes nomes da época, entre eles Nirvana ou Nick Cave. Passaram as tormentas do início dos anos 90 ao perderem amigos próximos - Kurt Cobain foi o primeiro.


As L7 foram a grande influência do movimento feminista punk underground Riot grrrl. A banda, fundada em 1985, era composta totalmente por mulheres e a sua relação com a indústria musical foi sempre complicada, apesar do sucesso e popularidade. Pretend We’re Dead é a entrada nos bastidores de uma época, composto por filmagens vídeo nunca antes vistas, algumas das performances mais extraordinárias do grupo e entrevistas. Um história de ascensão e queda (a banda termina em 2001) e posterior redenção (reúnem-se em 2014) daquela que foi a banda pioneira do rock no feminino.

Feito exclusivamente de imagens de arquivo, acompanhadas por declarações dos elementos da banda e de diversos artistas por elas influenciados, L7: Pretend We’re Dead é uma viagem no tempo a uma das mais importantes bandas do movimento grunge, única na sua vontade de afirmação.

O documentário de Sarah Price é uma surpresa cheia de personalidade na secção musical do IndieLisboa'18.

Adeus preconceitos, adeus politicamente correcto. Elas são as L7 e ninguém as pára.


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L7: Pretend We're Dead repete no dia 4 de Maio às 19h00, na Sala Manoel de Oliveira do Cinema São Jorge.

quarta-feira, 25 de abril de 2018

IndieLisboa'18: Filmes a Não Perder

O IndieLisboa'18 começa esta Quinta-feira, dia 26 de Abril, e prolonga-se até 6 de Maio. Mais um ano de cinema independente a espalhar o seu encanto pela capital. A escolha é imensa, e eu deixo-vos algumas sugestões de filmes a não perder no festival.

A Árvore, de André Gil Mata - Competição Nacional
2018-04-26  21:00  Cinema São Jorge - Sala Manoel de Oliveira
2018-04-29  19:00  Culturgest - Pequeno Auditório

Mariphasa, de Sandro Aguilar - Competição Nacional
2018-04-30  21:30  Culturgest - Grande Auditório
2018-05-05  16:15  Cinema São Jorge - Sala 3

Raiva, de Sérgio Tréfaut - Sessões Especiais
2018-05-06  19:00  Culturgest - Grande Auditório

As Horas de Luz, de António Borges Correia - Sessões Especiais
2018-05-02  19:00  Cinema São Jorge - Sala Manoel de Oliveira
2018-05-03  14:30  Cinema São Jorge - Sala 3

O Homem-Pykante – Diálogos com Pimenta, de Edgar Pêra - Sessões Especiais
2018-05-05  19:00  Culturgest - Grande Auditório

La nuit a dévoré le monde, de Dominique Rocher - Boca do Inferno
2018-04-27  22:30  Cinema Ideal
2018-04-28  22:30  Cinema Ideal

As Boas Maneiras, de Juliana Rojas e Marco Dutra - Boca do Inferno
2018-04-30  21:15  Cineteatro Capitólio

An Elephant Sitting Still, de Hu Bo - Competição Internacional
2018-05-01  15:00  Culturgest - Grande Auditório

Pororoca, de Constantin Popescu - Competição Internacional
2018-04-29  20:30  Cinema Ideal
2018-05-04  21:15  Cinema São Jorge - Sala Manoel de Oliveira

Hitler’s Hollywood, de Rüdiger Suchsland - Director's Cut
2018-05-05  15:30  Cinemateca Portuguesa - Museu do Cinema - Sala Félix Ribeiro

Lupo, de Pedro Lino - Director's Cut
2018-04-30  19:00  Cinemateca Portuguesa - Museu do Cinema - Sala Félix Ribeiro

Betty – They Say I’m Different, de Phil Cox - IndieMusic
2018-04-29  21:30  Cinema São Jorge - Sala 3
2018-05-05  21:45  Culturgest - Pequeno Auditório

Ryuichi Sakamoto: Coda, de Stephen Nomura Schible - IndieMusic
2018-04-28  21:30  Cinema São Jorge - Sala 3
2018-05-06  19:45  Culturgest - Pequeno Auditório

Infância, Adolescência, Juventude, de Rúben Gonçalves - Novíssimos
2018-05-01  16:15  Cinema São Jorge - Sala Manoel de Oliveira

O Processo, de Maria Augusta Ramos - Silvestre
2018-05-01  18:30  Cinema São Jorge - Sala Manoel de Oliveira
2018-05-06  19:00  Cinema São Jorge - Sala Manoel de Oliveira

Tara Moarta, de Radu Jude - Silvestre
2018-05-01  17:00  Cinema São Jorge - Sala 3
2018-05-06  18:00  Cinema Ideal

Horários e restante informação, aqui: http://indielisboa.com

quinta-feira, 29 de março de 2018

Conhece a programação do IndieLisboa'18

O IndieLisboa regressa à capital de 26 de Abril a 6 de Maio para mais uma edição cheia de cinema independente, esta que é a 15.ª. Jacques Rozier e Lucrecia Martel são os Heróis Independentes de 2018, num ano em que serão apresentados mais de 200 filmes.


São filmes portugueses que fazem as honras de abertura e encerramento do 15º IndieLisboa. A abrir está A Árvore, de André Gil Mata, e será A Raiva, de Sérgio Tréfaut a encerrar.

Tendo o cinema português grande foco no festival, entre curtas e longas-metragens, a Competição Nacional traz filmes de Sandro Aguilar, Susana Nobre, Miguel NunesTiago Rosa-Rosso, João Salaviza e Filipe Melo, entre muitos outros.

A secção Silveste é uma das que, todos os anos, cativam mais atenções, mostrando tanto obras de jovens cineastas como de autores consagrados. De destacar a exibição de filmes de autores bem conhecidos do IndieLisboa (e não só) como Den' PobedyKrotkaya, de Sergei Loznitsa, En attendant les barbares, de Eugène Green, Grass, de Hong Sang-soo, Premières solitudes, de Claire Simon, Les quatre sœurs, de Claude Lanzmann, Readers, de James Benning e Tara Moarta, de Radu Jude.

Na secção IndieMusic, Hip to da Hop, de António Freitas e Fábio Silva, Matangi/Maya/M.I.A., de Steve Loveridge, Milford Graves Full Mantis, de Jake Meginsky e Neil Young, Não Consegues Criar o Mundo Duas Vezes, de Catarina David e Francisco Noronha, Ryuichi Sakamoto: Coda, de Stephen Nomura Schible e Teenage Superstars, de Grant McPhee, são alguns dos filmes projectados.

As Sessões Especiais desta edição incluem obras portuguesas em ante-estreia nacional e um programa dedicado ao cinema produzido em Macau. Dos títulos portugueses, destaque para O Homem Pikante, de Edgar Pêra, As Horas de Luz, de António Borges Correia, e A Pedra Não Espera, de Graça Castanheira.

Em força continuam também a Competição Internacional, Novíssimos, IndieJúnior, Director's Cut, Boca do Inferno e as actividades paralelas, entre elas o IndieByNight e as LisbonTalks Universidade Lusófona. Para conhecer toda a programação do IndieLisboa basta ir a www.indielisboa.com.