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segunda-feira, 21 de maio de 2018

Sugestão da Semana #325

Das estreias da passada Quinta-feira, a Sugestão da Semana destaca Nunca Estiveste Aqui, de Lynne Ramsay. O filme venceu o prémio de Melhor Argumento e Melhor Actor para Joaquin Phoenix no Festival de Cannes 2017. A crítica do Hoje Vi(vi) um Filme pode ser lida aqui.

NUNCA ESTIVESTE AQUI


Ficha Técnica:
Título Original: You Were Never Really Here 
Realizadora: Lynne Ramsay
Actores: Joaquin Phoenix, Ekaterina Samsonov, Alessandro Nivola, Alex Manette, John Doman, Judith Roberts
Género: Drama, Mistério, Thriller
Classificação: M/16
Duração: 89 minutos

quarta-feira, 16 de maio de 2018

Crítica: Nunca Estiveste Aqui / You Were Never Really Here (2017)

"Where you spend your time? What do you do?"  
Mãe de Joe

*8/10*

Lynne Ramsay está de regresso, desta vez com um filme protagonizado por Joaquin Phoenix. Nunca Estiveste Aqui venceu os prémios de melhor argumento e melhor actor no Festival de Cannes, em 2017, e olhando para o trabalho de Ramsay, só poderia ser muito prometedor. Confirma-se.

Nunca Estiveste Aqui pode ter a violência e o ambiente de Nicolas Winding Refn, os traumas de Paul Thomas Anderson e até alguns toques de Léon, o Profissional, de Luc Besson, mas, na realidade, Lynne Ramsay assume-se como uma cineasta de personalidade e a não esquecer. Todos se lembram de Temos de Falar Sobre Kevin e suas perturbações. Ela faz filmes que não nos saem da cabeça.


Joe (Joaquin Phoenix) é um veterano traumatizado, que não teme a violência. O seu trabalho consiste em encontrar raparigas desaparecidas. Quando um dos seus trabalhos se complica e ele perde o controlo da situação, os pesadelos de Joe consomem-no, à medida que se desvenda uma conspiração que poderá leva-lo à morte.

O estilo da realizadora é cruel, com um ambiente que pode fazer lembrar um filme de terror e personagens complexas. Depois do adolescente Kevin, agora é Joe o nosso foco. Um homem adulto, cheio de traumas e de poucas palavras - tal como o filme, onde as imagens falam por si. As cicatrizes no corpo são testemunhos de um passado complicado, assim como os comportamentos suicidas e os pesadelos que não o largam. Afinal, ele exerce esta "profissão" numa espécie de acerto de contas com o passado. Joaquin Phoenix é fabuloso, sendo já habituais os seus excelentes desempenhos de personagens perturbadas. Mas o actor consegue sempre ir mais além e transfigura-se de tal forma que o realismo toma conta dele.


Os sonhos de Joe misturam-se com a realidade, os segredos espreitam em cada canto e, afinal, não se pode confiar em ninguém. A desconfiança e o zelo nunca são em demasia, e Joe parece saber disso desde o primeiro plano.

Ao mesmo tempo, a família tem uma presença importante também neste filme (apesar de o ser num contexto completamente diferente), com a mãe do protagonista em destaque. Ela traz ao de cima o que de mais humano existe em Joe. O mesmo acontece com as crianças que ele salva. E também é essa inocência das crianças que simboliza um sinal de esperança para o protagonista.


Nunca Estiveste Aqui é um filme sombrio, onde o estilo marcado de Lynne Ramsay acompanha a acção e deixa a audiência tão chocada como envolvida com a história de Joe. Os flashbacks, o trabalho de montagem, a banda sonora de sonoridades refnianas e a fotografia, essencialmente nocturna, juntam-se para criar um filme tão cruel como absorvente. 

terça-feira, 30 de maio de 2017

Cannes 2017: Os vencedores

Os vencedores do Festival de Cannes 2017 foram anunciados no passado fim-de-semana. O filme português Fábrica do Nada, de Pedro Pinho, conquistou o Prémio da Crítica (Prémio FIPRESCI), na Quinzena dos realizadores.


Eis os vencedores da Competição Oficial e Un Certain Régard:

Competição Oficial

Palma de Ouro
THE SQUARE, de Ruben ÖSTLUND

Grande Prémio do Júri
120 BATTEMENTS PAR MINUTE, de Robin CAMPILLO

Melhor Realizadora
THE BEGUILED, de Sofia COPPOLA

Prémio do Júri 
NELYUBOV, de Andrey ZVYAGINTSEV

Melhor Argumento (ex-aequo)
THE KILLING OF A SACRED DEER, de Yórgos LÁNTHIMOS e EFTHIMIS FILIPPOU e YOU WERE NEVER REALLY HERE, de Lynne RAMSAY

Melhor Actor
JOAQUIN PHOENIX por YOU WERE NEVER REALLY HERE

Melhor Actriz
DIANE KRUGER, por AUS DEM NICHTS

Caméra d’Or
JEUNE FEMME, de Léonor SERRAILLE

Palma de Ouro para Melhor Curta-metragem
XIAO CHENG ER YUE, de QIU Yang

Menção Especial - Curta-metragem
KATTO, de Teppo AIRAKSINEN

Prémio do 70.º Aniversário
NICOLE KIDMAN

Un Certain Regard

Prémio Un Certain Regard
LERD, de Mohammad RASOULOF

Prémio do Júri - Un Certain Regard
LAS HIJAS DE ABRIL, de Michel FRANCO

Prémio de realização Un Certain Regard
WIND RIVER, de Taylor SHERIDAN

Prémio de Interpretação
JASMINE TRINCA por FORTUNATA

Prémio Poesia no Cinema
BARBARA, de Mathieu AMALRIC

A lista completa de vencedores e outras informações podem encontrar-se aqui.

quarta-feira, 25 de fevereiro de 2015

Sugestão da Semana #156

Das estreias da passada Quinta-feira, a Sugestão da Semana recai sobre o novo filme de Paul Thomas Anderson, Vício Intrínseco.

VÍCIO INTRÍNSECO


Ficha Técnica:
Título Original: Inherent Vice
Realizador: Paul Thomas Anderson
Actores: Joaquin Phoenix, Josh Brolin, Owen WilsonKatherine WaterstonJoanna NewsomEric RobertsBenicio Del ToroJena MaloneReese Witherspoon
Género: Comédia, Crime, Drama
Classificação: M/16
Duração: 148 minutos

quinta-feira, 31 de julho de 2014

Crítica: A Emigrante / The Immigrant (2013)

"Is it a sin for me to survive when I have done so many bad things?"
Ewa

*8/10*

A busca pelo sonho americano revelou-se pouco mais que um pesadelo para Ewa, a protagonista de A Emigrante. O mais recente filme de James Gray prossegue com o seu estilo melancólico e traz-nos mais uma história de personagens de triste sina.

Em 1921, Ewa Cybulski (Marion Cotillard) e sua irmã Magda saem da Polónia rumo a Nova Iorque à procura de um novo começo. Quando chegam a Ellis Island, os médicos descobrem que Magda está doente e as duas são separadas. Ewa é libertada para as ruas de Manhattan, enquanto a irmã é colocada em quarentena. Sozinha, sem ter onde ficar e desesperada por reunir-se com Magda, Ewa rapidamente se torna dependente de Bruno (Joaquin Phoenix), um homem cativante mas perverso que a leva a prostituir-se. Mas com a chegada de Orlando (Jeremy Renner) - um mágico destemido, primo de Bruno Ewa restabelece a esperança num futuro melhor, o que ela não contava era com os ciúmes de Bruno.


Em A Emigrante não será o argumento o que mais nos cativa. Nos anos 20, muitos imigrantes procuravam uma vida melhor nos EUA. Malfadadas, Ewa e Magda têm desde cedo impedimentos a uma entrada tranquila no país. E a partir deste ponto, nada de extraordinário acontece, assistimos apenas à árdua jornada de Ewa na luta pelo que mais deseja: reencontrar a irmã. Mesmo não sendo singular ou original, a narrativa consegue nunca se tornar previsível. O público sofre com as personagens e são elas um dos pontos positivos da longa-metragem. Até do antagonista se terá tendência para ter piedade.

As personagens são um pouco obscuras para o espectador, mas nem por isso deixamos de criar com elas esta empatia especial. Ewa é a mulher que encabeça o enredo: ingénua, mas lutadora e determinada, capaz de muitos sacrifícios pela irmã. A sua transformação em Lady Liberty é impressionante, e Marion Cotillard tem aqui uma interpretação de grande entrega. Bruno, por seu lado, é machista, violento, apesar da paixão que nutre pela protagonista. Ele encanta-nos com as suas falinhas mansas, ao mesmo tempo que nos desilude com as suas atitudes inicialmente inesperadas, tal como a Ewa. Joaquin Phoenix é que nunca nos desilude. Encarna este homem rude e sem escrúpulos de corpo e alma, e aliado a Cotillard, oferece-nos uma das melhores interpretações do ano. A chegada de Orlando traz um sopro de esperança (magia) e romantismo a A Emigrante. Ele simboliza isso mesmo: a esperança de um futuro melhor, longe de mentiras e abusos. Jeremy Renner transmite esta segurança e tranquilidade com o seu desempenho.

O contexto socio-cultural da época está aqui bem representado por Gray, quer no que respeita ao lugar das mulheres na sociedade, quer na procura incessante dos imigrantes pelo sonho americano - que ainda hoje persiste - ainda mais no pós-guerra.


Contudo, é mesmo visualmente que A Emigrante nos arrebata.Ver-nos-emos tão envolvidos no ambiente da época, nas cores, nos fantásticos planos (não nos iremos esquecer do plano final, certamente), nos cenários tristes, tudo potenciado pelo excelente trabalho de fotografia, a cargo de Darius Khondji, que não descarta o jogo de espelhos, as cores escuras, as sombras e uma espécie de névoa que percorre o filme. A acompanhar, está a bela banda sonora de Christopher Spelman. Toda a componente técnica adensa o fabuloso contraste entre o erotismo, a cor e a animação do espectáculo de Bruno e das bonitas imigrantes que ali desfilam, e as emoções, desespero, nostalgia e pouca esperança de Ewa.

A Emigrante surge assim simples e em crescendo, culminando num trabalho profundamente estético e emocional, tão ao jeito de James Gray. O amor e o ódio estão a um passo de distância e a esperança pode surgir ou desaparecer quando menos se espera.

domingo, 27 de julho de 2014

Sugestão da Semana #126

Das estreias da passada Quinta-feira, a Sugestão da Semana recai sobre A Emigrante, de James Gray. O filme leva-nos a conhecer a história de Ewa e a descobrir como se torna na Lady Liberty, ao longo do duro caminho que percorre, sempre na esperança de reencontrar a irmã. James Gray traz-nos um filme melancólico e extremamente visual.

A EMIGRANTE


Ficha Técnica:
Título Original: The Immigrant
Realizador: James Gray
Actores: Marion Cotillard, Joaquin Phoenix, Jeremy Renner
Género: Drama, Romance
Classificação: M/14
Duração: 120 minutos

terça-feira, 18 de fevereiro de 2014

Sugestão da Semana #103

Das estreias da passada Quinta-feira, a Sugestão da Semana recai sobre o filme de Spike Jonze, Uma História de Amor (Her). Tecnologia e romance aliam-se nesta longa-metragem e provam a originalidade e o sarcasmo do realizador. Ao mesmo tempo, Joaquin Phoenix oferece-nos uma excelente prestação. Podes reler a crítica do Hoje Vi(vi) um Filme aqui.

UMA HISTÓRIA DE AMOR


Ficha Técnica:
Título Original: Her
Realizador: Spike Jonze
Actores: Joaquin Phoenix, Amy Adams, Scarlett Johansson, Rooney Mara
Género: Drama, Ficção Científica, Romance
Classificação: M/16
Duração: 126 minutos

sábado, 15 de fevereiro de 2014

Crítica: Uma História de Amor / Her (2013)

"She's not just a computer."
Theodore

*7/10*

O pessimismo e a nostalgia invadem uma sociedade futurista, onde as emoções deixam de ser tão realistas como deviam. Uma História de Amor (Her, no original) é uma mordaz crítica social ao modo como o humano se relaciona com a tecnologia e, cada vez menos, com o seu semelhante.

Numa Los Angeles de um futuro próximo, Theodore Twombly é um homem complexo e sentimental que ganha a vida a escrever cartas pessoais para outros. De coração partido, após o fim de um longo relacionamento amoroso, Theodore fica intrigado com um novo sistema operativo, que promete ser uma entidade intuitiva em si mesma, com uma adaptação individualizada ao utilizador. Quando o inicia, fica encantando por conhecer Samantha, uma voz feminina perspicaz, sensível e divertida, que lhe parece muito real. À medida que as suas necessidades e desejos crescem, em sintonia com os de Theodore, esta amizade transforma-se numa espécie de história de amor.

Spike Jonze escreve e realiza e tem no argumento o ponto forte da sua mais recente longa-metragem. A distopia que apresenta em Uma História de Amor pode facilmente confundir-se com isso mesmo - uma história de amor -, mas, longe do romantismo, é muito mais uma história de seres humanos que deixaram de ser capazes de lidar com emoções reais. No futuro idealizado por Jonze a solidão invade os espaços cheios de gente. São raras as conversas entre amigos, colegas, vizinhos, é raro o olhar para o outro, a sociabilização quase deixa de existir. As atenções centram-se nos aparelhos electrónicos, tão evoluídos, em que já nem precisamos tocar, basta falar, ordenar.


Viver com e para a tecnologia é cada vez mais uma realidade nos dias que correm. Desde cedo que o cinema antecipou o crescendo tecnológico e o poder que esta ferramenta começaria a ter. Jonze leva ao extremo a ideia de um sistema operativo conseguir ter emoções e querer evoluir - mais do que devia -, tal como um ser humano. Com o surgimento desta inovação e de Samantha - ironicamente feita à medida do seu utilizador, Theodore -, tudo se torna ainda mais bizarro. O coração partido de Theo parece encontrar apenas ali a forma - muito fantasiosa - de superar o fim do casamento, a separação da mulher que tanto amou. Mais ainda, surpreendentemente, o facto de um homem namorar com um programa de computador é encarado com extrema naturalidade.

No entanto, Uma História de Amor encaminha-se, em certos momentos, por terrenos menos felizes. O encontro às cegas do protagonista faz-nos perder algum interesse, reforçando a ideia de que, no futuro, ninguém parece saber lidar com sentimentos e relações. A crítica é quase certeira, mas perde-se um pouco na baixa probabilidade deste futuro próximo, e por delegar à maioria da população um espírito muito fraco e nulidade de emoções reais - o pessimismo no que toca ao amor e às emoções é verdadeiramente arrepiante, o que, por outro lado, pode jogar a favor do filme.

Por sua vez, a evolução de Samantha, que tanto questiona e ambiciona ser, torna-a menos ideal do que o previsto, revelando uma faceta egoísta do sistema operativo - que, como em tantos outros filmes, parece querer dominar e superar o humano -, trazendo, no desenrolar da narrativa, muito pouco de aliciante à ideia base. A voz que apaixona o protagonista precisa de algo mais substancial e credível para nos conquistar e, neste caso, apenas nos poderá fazer deixar de acreditar no amor.

Joaquin Phoenix oferece-nos uma interpretação surpreendente - escapou-lhe este ano a nomeação para o Oscar (injustamente, mas há apenas cinco lugares para o muito talentoso ano 2013). Após o desequilibrado e atormentado pelo passado Freddie Quell, em The Master, o actor entrega-se agora ao seu oposto: o solitário romântico, deprimido, refém da tecnologia e com fortes dificuldades em sociabilizar. O seu emprego denota um lado sensível e sentimental, ao mesmo tempo que prenuncia a relação muito pouco saudável e irreal que desenvolve com Samantha. Phoenix transpira sensibilidade e uma timidez arrebatadora.


A amizade de Theodore com Amy, interpretada por Amy Adams - que cada vez mais se revela camaleónica e eficaz em todos os papéis - é, contudo, uma das características mais humanas de Uma História de Amor. A actriz surge com um visual diferente e incorpora uma mulher aparentemente decidida, mas sentimental, que, tal como o protagonista, não sabe lidar com o final de uma relação. Amy, que cria tecnologia, acaba por também, ironicamente, se refugiar nela. Um último destaque para Scarlett Johansson, que apesar de entrar no projecto com ele quase concluído (a actriz substituiu Samantha Morton), assume-se como fundamental, com a sua voz sexy e dominadora - muito longe das habituais robóticas a que se está habituado.

Visualmente, os tons claros de ambiente predominam, e contrastam fortemente com as cores garridas do guarda-roupa (numa sociedade tão distópica, as emoções tinham de estar em algum lado, nem que seja na alegria reprimida de uma camisa vermelha). A banda sonora - nomeada para o Oscar - é um ponto muito forte de Uma História de Amor: melancólica, romântica, nostálgica, e, contudo, tornando-se rapidamente frenética, a transbordar tecnologia e a incorporar a ideia de um computador ou jogo de vídeo.

Um futuro pouco feliz, e com uma aterrorizante dependência sentimental das máquinas, é o que nos traz Spike Jonze em época de romance. Todavia, Uma História de Amor apaixona pouco, serve sim como alerta para a valorização das emoções reais. Não vá Samantha bater-nos à porta um dia destes.

quarta-feira, 15 de janeiro de 2014

Actores do Ano #2013

Depois das actrizes, passemos aos actores que mais se destacaram no cinema que por cá estreou em 2013. Relativamente a interpretações masculinas, não consigo falar em menos de 11 nomes.


11. Mads Mikkelsen por A Caça (Jagten)
Nos cinemas vimo-lo em Um Caso Real e A Caça, mas foi no segundo que se destacou. Mads Mikkelsen apresentou-nos uma prestação poderosa, na pele de um homem acusado injustamente... por uma criança. A empatia com o espectador é imediata e a sua dor será partilhada. Pelo menos, nós estamos do seu lado.

10. Michael Douglas por Por Detrás do Candelabro (Behind the Candelabra)
Douglas não precisa de provar o excelente actor que é, mas neste filme consegue voltar a surpreender-nos  com uma personagem excêntrica e egoísta no seu amor - por si e pelo seu companheiro.


9. Matt Damon por Por Detrás do Candelabro (Behind the Candelabra)
Matt Damon reinventa-se e mostra-nos aqui mais uma das suas facetas numa personagem inesperada. As mudanças físicas são enormes, os gestos, o modo de agir e de falar, tudo se junta para nos surpreender.

8. Matthew McConaughey por Fuga (Mud)
McConaughey prova a cada nova personagem que merece reconhecimento e, se possível, muitos prémios. Fuga não é excepção, onde veste a pele do protagonista, Mud, um fugitivo apaixonado, que encontra aliados em duas crianças locais.

7. Tom Hanks por Capitão Phillips (Captain Phillips)
Tom Hanks encarna e bem o protagonista Phillips, capitão de um navio atacado por piratas somalis. A tensão que se gera, o medo que se apodera dele e a força de vontade em zelar pela vida dos seus subordinados, acima de tudo, mostra como Hanks não deixa nenhum papel ficar mal.

6. Daniel Brühl por Rush - Duelo de Rivais (Rush)
Das parecenças físicas à atitude demonstrada em Rush, poderíamos acreditar estar perante o verdadeiro Niki Lauda, há alguns anos. Uma interpretação cheia de brilho faz com que Daniel Brühl não seja esquecido nesta temporada de balanços e de prémios.

5. Christoph Waltz por Django Libertado (Django Unchained)
Hilariante, implacável e, claro, fiel aos seus princípios e promessas, ninguém ficou indiferente a Christoph Waltz como o dentista caçador de recompensas Dr. Schultz.

4. Oscar Isaac por A Propósito de Llewyn Davis (Inside Llewyn Davis)
Um dos actores revelação de 2013. Já o tínhamos visto noutros - pequenos - papéis, mas nunca nos tínhamos apercebido do talento que Oscar Isaac comporta em si. Finalmente, uma personagem profunda e à sua altura, que canta e encanta, e traz consigo uma onda de nostalgia como poucas conseguem.

3. Hugh Jackman por Os Miseráveis (Les Misérables)Raptadas (Prisoners)
Foram muitos os filmes com Hugh Jackman no cinema em 2013. Os Miseráveis, Raptadas e Wolverine trouxeram consigo papéis que reforçam o talento do actor. Destacando os dois primeiros, Jackman surge quase irreconhecível em Os Miseráveis, e o seu papel em Raptadas é brilhante, na pele de um pai desesperado e com sede de vingança, que tudo faz para encontrar a sua filha.

2. Joaquin Phoenix por O Mentor (The Master)
Fenomenal está Joaquin Phoenix em O Mentor na pele de um homem desequilibrado e traumatizado, marcado um amor irrecuperável e por um passado doloroso.

1. Daniel Day-Lewis por Lincoln
As semelhanças físicas são evidentes, e Daniel Day-Lewis provou uma vez mais que é capaz de incorporar todos os desafios que lhe propuserem e sempre de forma magistral. Ponderado e teimoso, Lincoln deu-lhe mais um Oscar.

segunda-feira, 18 de novembro de 2013

LEFFEST'13: Crítica: Nós Controlamos a Noite / We Own the Night (2007)

*7/10*

James Gray é um dos homenageados deste ano no Lisbon & Estoril Film Festival com os seus cinco filmes a serem exibidos no evento (Viver e Morrer em Little Odessa, Nas Teias da Corrupção, Nós Controlamos a Noite, Duplo amor e o novíssimo The Immigrant).

O filme de 2007, Nós Controlamos a Noite, conta a história de Bobby, um jovem gerente de um bar. Com tráfico de droga a aumentar, a máfia russa expande as suas influências no mundo da noite. Para continuar a sua ascensão no negócio, Bobby vê-se obrigado a esconder a sua relação familiar - apenas a sua namorada, Amanda, sabe que o seu irmão Joseph e o pai, Burt, são polícias. Cada dia que passa, a tensão entre a máfia e a polícia aumenta, tornando-se mais violenta. É quando vê a família ameaçada que Bobby terá de decidir de qual lado quer estar.

A família está no centro de Nós Controlamos a Noite, tal como o realizador nos tem habituado. Bobby é uma espécie de ovelha negra de uma família de polícias, fiéis à lei e à ordem, enquanto ele vive na noite, gerente de um bar, consumidor de drogas e demasiado próximo do mundo do tráfico. É essa a premissa do filme de James Gray, onde o protagonista se vê obrigado, por mais do que uma vez, a fazer escolhas.


Bobby sofre uma profunda mudança ao longo de Nós Controlamos a Noite. Ele vê-se obrigado a optar entre a vida boémia e a família - de quem é distante -; entre o amor da sua namorada Amada e o fazer justiça. Joaquin Phoenix tem aqui uma óptima interpretação na pele do transtornado e rebelde - mas muito fiel aos que ama - protagonista.

O ritmo inicial, lento, muda radicalmente e torna-se impossível tirar os olhos do ecrã. Perto do fim, assistimos a excelentes momentos de acção e suspense.

São muitos os valores em jogo em Nós Controlamos a Noite, e, no meio do obscuro submundo do tráfico, James Gray proporciona-nos um bom thriller de acção, onde família e a justiça comandam os sentimentos das personagens e da plateia.

sábado, 23 de fevereiro de 2013

Oscars 2013: Os Actores Principais

Depois das mulheres, seguimos para os homens, enumerando, sempre por ordem de preferência, os cinco nomeados ao Oscar de Melhor Actor.

1. Joaquin Phoenix em The Master - O Mentor
As possibilidades de ganhar são muito poucas para Joaquin Phoenix, mas é ele, sem dúvida, o grande merecedor do prémio. Em The Master - O Mentor, o actor presenteia-nos com uma interpretação exigente, onde se entrega ao problemático veterano de Guerra Freddie Quell, que balança entre o álcool, os problemas pessoais e sexuais, e a aparente pouca vontade de os ultrapassar. Phoenix confere à personagem tudo o que ela pede: a postura física, o descontrole emocional, a nostalgia do passado, a culpa que parece não o largar. Phoenix não levará o prémio para casa, mas tem consigo o reconhecimento de todos os que assistiram à sua performance de tirar o fôlego. É impossível ficar-lhe indiferente.

2. Daniel Day-Lewis em Lincoln
O mais provável vencedor do prémio para Melhor Actor é o meu segundo favorito de entre os nomeados. Day-Lewis não desilude na pele do Presidente Lincoln e a sua interpretação é muito competente. Frágil, mas decidido, e capaz de tudo para que a sua vontade - a aprovação da lei que ilegaliza a escravatura - seja cumprida, o actor oferece-nos um Lincoln muito credível, onde nem a caracterização, que o envelhece uns dez anos, nos faz duvidar do que quer que seja. Tudo aponta para que leve o Oscar para casa e, se tal se verificar, é merecido.

3. Hugh Jackman em Os Miseráveis
No musical de Tom Hooper, Jackman oferece uma participação interessante, onde volta a mostrar os seus dotes vocais (que ainda assim o deixam ficar mal algumas vezes durante a longa-metragem). Não sendo brilhante, o actor veste bem a pele do sofrido e corajoso Jean Valjean, surgindo irreconhecível no início de Os Miseráveis.

4. Denzel Washington em Decisão de Risco
Duplamente oscarizado, Denzel Washington soma este ano mais uma nomeação. Sabemos que o actor nunca descura nenhum papel, e como o piloto alcoólico Whip Whitaker também não desilude. Contudo esta não será certamente a sua melhor interpretação, e as probabilidades de Washington levar o prémio para casa são baixas.

5. Bradley Cooper em Guia para um Final Feliz
Surpreendentemente, Bradley Cooper tem sido muito aclamado pela sua interpretação em Guia para um Final Feliz. Com uma personagem bipolar que poderia ser interessante, Cooper começa bem, demonstrando ser capaz de muito mais do que nos tem habituado, mas rapidamente a interpretação se torna banal, ao mesmo tempo que a própria personagem perde a sua singularidade. Melhor do que a sua colega  no filme - Jennifer Lawrence -, é certo, o actor, ainda assim, não me convence.

sábado, 16 de fevereiro de 2013

Crítica: The Master - O Mentor (2012)

 "What a day. We fought against the day and we won. We won. "
Lancaster Dodd
*8.5/10*

Paul Thomas Anderson nunca é capaz de menos do que nos impressionar a cada novo filme. Com The Master - O Mentor não é diferente, e o estrondo visual que temos perante nós durante cerca de duas horas e meia ofusca qualquer possível fraqueza que o argumento possa ter. Juntam-se-lhe ainda as interpretações magistrais de Joaquin Phoenix e Philip Seymour Hoffman para um resultado deslumbrante.

A longa-metragem passa-se nos anos 50 e relata a viagem de um veterano da Marinha, Freddie Quell, que chega a casa vindo da Guerra, indeciso e inseguro em relação ao futuro, até se deixar seduzir pela Causa e pelo seu carismático líder, Lancaster Dodd.

O argumento é muito suportado pelas personagens, que lhe dão a força que necessita para vingar apesar das pontas soltas que deixa, muito numa espécie de apelo ao espectador, para que este reflicta, explore hipóteses e decida ele mesmo. Freddie é o retrato das marcas deixadas pela Guerra nos seus veteranos e na sociedade, em todos os aspectos. A aparente paz que se vive está muito longe da luta interior do protagonista, que demonstra um desequilíbrio mental e sexual e mágoas deixadas pelo passado. Ao dar de caras com A Causa - movimento aparentemente inspirado na Cientologia - Freddie começa a tentar ultrapassar esses seus problemas, numa espécie de auto-conhecimento e auto-controlo, segundo os métodos do seu líder Lancaster Dodd.


Mas é também interessante denotar como há diversas semelhanças entre Quell e Dodd, por muito diferentes que possam parecer. Certo é, desde logo, a empatia que se gera entre ambos, bem como a dependência do álcool que parece uni-los ainda mais. Um dos momentos mais emocionantes é a primeira vez que Quell serve de cobaia aos estudos de Dodd, uma sequência verdadeiramente inquietante. Menos evidentes que os problemas de Freddie, também os do Mestre vão-nos sendo subtilmente apresentados ao longo de The Master - O Mentor

E personagens complexas pediam interpretações competentes por parte do elenco, que não as deixam ficar mal. Joaquin Phoenix é a grande estrela do filme, surge com uma aparência carregada, mais magro, de rosto fechado, espelhando bem os distúrbios do seu personagem, presenteia-nos por vezes com o seu característico sorriso que encaixa perfeitamente em Freddie Quell. Segue-o de perto Philip Seymour Hoffman, com uma interpretação forte deste Mestre, ambicioso e persistente. Amy Adams, como Peggy Dodd, não deixa ficar mal a forte personagem feminina, a grande mulher por detrás do grande homem. Os três vêem o seu desempenho reconhecido pela Academia com as únicas nomeações aos Oscars que o filme alcançou (merecendo muitas mais a bem dizer). 


No entanto, o que torna a longa-metragem de Paul Thomas Anderson verdadeiramente fabulosa é toda a componente técnica, desde as marcas autorais, à fotografia hipnotizante de Mihai Malaimare Jr., com uma iluminação genial, aliada às cores que tanto sugerem a época vivida. Toda esta qualidade técnica duplica com a utilização da cada vez mais rara película de 70 mm, que nos permite uma profundidade e detalhe assombrosos - a sequência em que Dodd e Freddie andam de mota no deserto é talvez o expoente máximo daquilo a que me refiro.

Não sendo provavelmente o melhor filme de Paul Thomas Anderson, The Master - O Mentor prova que o realizador não faz um mau filme. Argumentativamente aberto a muitas interpretações, visualmente digno de ser visto no cinema, de preferência, de modo a usufruir das sensações únicas que consegue proporcionar.