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quinta-feira, 22 de maio de 2014

Crítica: Debaixo da Pele / Under the Skin (2013)

*6.5/10*

Desafiante e perturbadora é o que se pode dizer da possibilidade um tanto arrepiante que Jonathan Glazer evoca com Debaixo da Pele. Não é todos os dias que reflectimos sobre a presença de extraterrestres na Terra, nem sobre o seu comportamento e consequente adaptação à humanidade e seus hábitos e valores. Essencialmente sensorial e estético, Debaixo da Pele leva-nos a seguir os passos de Scarlett Johansson na pele de uma predadora sexy e sem emoções, que, aos poucos, inicia o seu processo de humanização.

Falta contudo que o caminho que seguimos seja mais coerente. O argumento - cuja premissa é excelente - não prima pela consistência e prefere deixar vazios inexplicáveis por preencher. Talvez nem tudo tenha de ser justificado, mas a dinâmica de Debaixo da Pele - especialmente lenta ao longo da sua primeira metade - sairia favorecida com uma condução mais digna e com acontecimentos verdadeiramente marcantes para o espectador, deixando espaço a uma reflexão mais orientada, digamos, e menos dominada por perguntas sem resposta. O ritmo não é o mais empolgante, com uma acentuada diferença entre a primeira e a segunda metade da longa-metragem, que marca igualmente uma importante mudança no comportamento da protagonista.


Scarlett não consegue sobressair como esperado, mas conduz eficazmente esta jornada num planeta para si desconhecido. Inexpressiva, cruel, sensual, ela seduz e aterroriza o espectador tal como faz às suas vítimas, mostrando, aos poucos, uma inesperada curiosidade por si e pelo que a rodeia, e uma ingenuidade quase infantil, totalmente oposta à sua personalidade inicial. A conclusão - quase previsível - é ainda assim uma agradável surpresa - ou revelação -, mas sabe a pouco. Debaixo da Pele chega a encontrar o ritmo certo, mas não imerge fundo o suficiente para que a experiência seja inesquecível.

Tecnicamente, o visual muitas vezes kubrickiano - onde a sequência inicial ganha especial ênfase - mergulha-nos num inferno de interrogações semelhante ao que, mais à frente, verificamos, impotentes, ser o mesmo em que as vítimas da protagonista se afundam. O ambiente sinistro e sombrio - onde os tons escuros e fortes abundam -, adensado pelas paisagens da Escócia, sai favorecido pelo excelente trabalho de fotografia, de Daniel Landin, que joga com o claro/escuro, espelhos e até nevoeiro. A acompanhar todo o visual incómodo está a fantástica e desconfortável banda sonora, de Mica Levi.

Debaixo da Pele não é certamente o filme mais consensual do ano, nem o melhor, mas cativará a atenção dos mais curiosos ou dos que anseiam por novas experiências. Uma reflexão incompleta e inesperada sobre a existência e a humanidade é a proposta - preguiçosa na concretização - de Glazer. Ao fim de algum tempo no mesmo local, quem será mais humano: o Homem ou o Extraterrestre?

quinta-feira, 15 de maio de 2014

Sugestão da Semana #115

Das estreias da passada Quinta-feira, a Sugestão da Semana irá dividir opiniões. Apesar do argumento não ser especialmente consistente, nem o ritmo o mais empolgante, a promessa de apresentar o mundo visto por um extraterrestre é de ter em conta, especialmente no ambiente sombrio e inesperado em que tudo acontece. Debaixo da Pele não será certamente o filme mais consensual do ano, nem o melhor, mas merece a atenção dos mais curiosos ou dos que anseiam por novas experiências.

DEBAIXO DA PELE

Ficha Técnica:
Título Original: Under the Skin
Realizador: Jonathan Glazer
Actores: Scarlett Johansson, Jeremy McWilliams, Lynsey Taylor Mackay 
Género: Drama, Ficção Científica, Thriller
Classificação: M/16
Duração: 108 minutos