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terça-feira, 9 de janeiro de 2018

Crítica: A Hora Mais Negra / Darkest Hour (2017)

"You can not reason with a Tiger when your head is in its mouth." 
Winston Churchill

*6.5/10*

2017 foi o ano de recordar a batalha de Dunquerque. Primeiro, Christopher Nolan mostrou-nos o campo de batalha em Dunkirk, a guerra no terreno. Depois, Joe Wright contou como tudo se passou politicamente em Inglaterra, em A Hora Mais Negra. Um apresentou-nos a acção, o outro a negociação, mas os dois estiveram à altura do desafio. Para Wright sobrou menos acção, mais palavras, mas igualmente muita tensão.

Com Gary Oldman ao comando, as atenções aumentam sobre o filme de Joe Wright, numa interpretação em que Winston Churchill toma conta de si, e não foi só a caracterização a responsável.


Nos primeiros dias da Segunda Guerra Mundial, à medida que as forças nazis avançam, e com o exército aliado encurralado nas praias de Dunquerque, o destino da Europa Ocidental está nas mãos do novo Primeiro-Ministro da Grã-Bretanha: Winston Churchill (Gary Oldman). Enquanto lida com os seus rivais políticos, tem que enfrentar uma decisão fulcral: negociar com Hitler e salvar o povo britânico de um final terrível ou reunir a nação e lutar contra todas as expectativas.

Joe Wright conta-nos a História do ponto de vista de Churchill e sabe tornar reuniões e discussões, entre o Primeiro Ministro, políticos e rei, cativantes. Ainda assim, não traz nada de novo aos filmes do género. No argumento, o momento mais bem construído prende-se com o dilema na cabeça do protagonista, que se vê divido entre o que todos esperam que ele faça e o que os seus valores lhe dizem para fazer. A tensão é imensa, o dever de proteger o povo e a ética estão muito presentes e são muito bem tratados no grande ecrã.


Entre as salas e corredores sombrios, a condizer com a hora que se vivia, Joe Wright é fiel ao seu estilo, à fotografia resplandecente. Tons escuros em tempo de guerra, onde a luz ilumina as sombras, talvez como a persistência e esperança de Churchill. O realizador deixa sempre as imagens brilharem, sem nunca ofuscarem a acção.

Gary Oldman desaparece na personagem e ganha todas as cenas em que entra. A caracterização fez um trabalho estupendo, e é mesmo difícil encontrarmos o actor, não fossem os olhos azuis e alguns trejeitos de boca. De resto, voz, movimentos, expressões estão totalmente entregues ao filme. Ao seu lado, Kristin Scott Thomas, Lily James Ben Mendelsohn destacam-se nos seus papéis.


Joe Wright dá o seu brilho a uma história que muitos já conhecem, mas não a torna inesquecível. Gary Oldman agarra o papel de Winston Churchill com toda a sua garra e talento e proporciona-nos bons momentos da arte de interpretar.

quinta-feira, 9 de janeiro de 2014

Actrizes do Ano #2013

Foi difícil fazer uma selecção de actrizes que se tenham destacado ao longo de 2013, pois os nomes foram muitos mais do que esperava. Optei por realçar 10 actrizes - entre secundárias e principais - que me marcaram verdadeiramente ao longo do ano cinematográfico.


10. Oprah Winfrey por O Mordomo (The Butler)
Um desempenho emotivo e cheio de entrega, na pele de uma mulher apaixonada, solitária e com problemas com o álcool, é o que Oprah Winfrey nos oferece em O Mordomo.



9. Brie Larson por Temporário 12 (Short Term 12)
A jovem actriz já pedia por um papel assim. Brie Larson encarna a protagonista Grace, que, no meio dos problemas dos adolescentes com quem trabalha, tem ainda de lidar com o seu passado conturbado que deixou marcas mais presentes do que parecem.

(cuidado com os spoilers)


8. Léa Seydoux por A Vida de Adèle (La vie d'Adèle)
Já todos conhecemos Léa Seydoux de outras andanças, mas provavelmente nunca esperaríamos uma interpretação tão competente e inesperada como na pele de Emma.



7. Adèle Exarchopoulos por A Vida de Adèle (La vie d'Adèle)
A Vida de Adèle trouxe Adèle Exarchopoulos para as luzes da ribalta ao interpretar a protagonista com quem partilha o nome. Ela oferece-nos uma fusão de rebeldia, inocência e sensualidade nesta auto-descoberta.



6. Anne Hathaway por Os Miseráveis (Les Misérables)
O Oscar já ninguém lhe tira, e o pouco tempo de antena que tem em Os Miseráveis vale a visualização de um filme que se revelou decepcionante. Hathaway encontrou em Fantine a personagem certa para mostrar todo o talento que tardava em desabrochar.



5. Kristin Scott Thomas por Só Deus Perdoa (Only God Forgives)
Deslumbrante, fria, maliciosa, Kristin Scott Thomas deixou-nos boquiabertos com o seu magistral desempenho enquanto Crystal. A actriz prova aqui, uma vez mais, o seu talento e glamour, até na pele da mais asquerosa mulher.



4. Kaitlyn Dever por Temporário 12 (Short Term 12)
É difícil encontrar online exemplos do talento da jovem Kaitlyn Dever em Temporário 12. Contudo, a actriz de 17 anos tem uma das personagens mais fortes da longa-metragem, Jayden, uma adolescente magoada, desequilibrada e que esconde em si um segredo arrepiante.

(há muito poucos clips deste filme com os actores secundários)


3. Quvenzhané Wallis por Bestas do Sul Selvagem (Beasts of the Southern Wild)
Foi a mais jovem nomeada de sempre na categoria de Melhor Actriz, e, aos nove anos, deu uma lição de representação a muitas actrizes consagradas. Wallis é selvagem como a sua personagem e deixa-nos impressionados com as expressões certeiras, cheias de emotividade e força.



2. Cate Blanchett por Blue Jasmine
A desequilibrada Jasmine assentou na perfeição a Cate Blanchett que mergulha na mais profunda depressão ao longo do filme de Woody Allen. A actriz transfigura-se, e alterna entre a elegância e o desespero com uma facilidade impressionante. Seguramente, um dos grandiosos desempenhos do ano.



1. Sandra Bullock por Gravidade (Gravity)
Bullock dá tudo de si, física e psicologicamente, e o resultado é uma das interpretações femininas mais fortes de 2013, e em gravidade zero. Ela veste a pele a Ryan Stone, a mulher solitária que odeia o espaço, mas, que ironicamente, fica perdida nele.

domingo, 28 de julho de 2013

Sugestão da Semana #74

Das estreias da passada Quinta-feira, o novo filme de Nicolas Winding Refn é a Sugestão da Semana e já tem crítica no Hoje Vi(vi) um Filme.



Ficha Técnica:
Título Original: Only God Forgives
Realizador: Nicolas Winding Refn
Actores: Ryan Gosling, Kristin Scott Thomas, Vithaya Pansringarm
Género: Crime, Drama, Thriller
Classificação: M/16
Duração: 90 minutos

quarta-feira, 24 de julho de 2013

Crítica: Só Deus Perdoa / Only God Forgives (2013)

"Time to meet the devil"
Billy

*9/10*

Obscuro, inquietante e hipnótico são três características que assentam bem a Só Deus Perdoa, o filme que marca o regresso de Nicolas Winding Refn. A violência - física e psicológica - continua, fazendo jus à obra do realizador, mas muito mais há para além do espectáculo visual que a acompanha. Bem mais complexo do que aparenta, Só Deus Perdoa é uma experiência sensorial e sentimental - consegue mexer com os sentidos, mas igualmente com o que de mais profundo há em cada um de nós.

"Está na altura de conhecer o Diabo", diz Billy ainda no início do filme. A frase serve de passaporte para o que vem de seguida. As meninas devem fechar os olhos e os homens prestar atenção, como a certo momento é aconselhado. Ao longo da carreira, Refn tem-se aproximado do título de realizador da "ultra-violência", que cada vez mais se insiste em usar para caracterizar a sua filmografia. Nesses termos, Só Deus Perdoa não foge à regra, chegando mesmo a ser aterrador num sentido mais lato, com a banda sonora a assumir um papel fulcral nesse aspecto.

A mais recente longa-metragem de Refn apresenta-nos Julian (Ryan Gosling), que está à frente de um clube de boxe tailandês, fachada para um negócio de tráfico de droga. Mas quando o seu irmão é assassinado e a sua mãe, Crystal (Kristin Scott Thomas), chega a Banguecoque para reclamar vingança, tudo muda. No seu caminho está Chang (Vithaya Pansringarm), um misterioso policia, idolatrado pelos seus pares.


A Banguecoque nocturna serve de cenário - muito exótico - para a acção de Só Deus Perdoa. O argumento, longe de exaustivo e com alguns vazios por preencher, oferece muito mais do que parece à primeira vista. Sangue e violência abundam ao longo dos 90 minutos da longa-metragem. Poucas falas, muita acção, recheada de cores eléctricas - vermelhos, amarelos e azuis "iluminam" a maior parte do filme -, e temáticas profundas. Requere-se, sobretudo, sensibilidade - física e psicológica - para chegar ao âmago de Só Deus Perdoa.

Se por um lado temos essa "ultra-violência" de que tanto se fala, por outro lado temos a possível justificação para que ela aconteça. Uma das lições a tirar do novo trabalho de Refn é a de que todos os actos têm consequências - para o melhor e para o pior -, e sabemo-lo desde logo através do título.

Ao mesmo tempo, a importância da família surge como outro tema-chave em Só Deus Perdoa. O caso mais flagrante é o da família protagonista - Julian, Billy e a mãe Crystal. Parece existir uma espécie de complexo de Édipo, uma relação complicada e um tanto sinistra entre esta mãe e filhos. Julian é um filho submisso, com claros problemas que daí advêm. Perto do final podemos testemunhar a única aproximação real a uma mãe que ele venera, mas desconhece, que lhe parece inatingível. Ao mesmo tempo, outras famílias surgem ao longo do filme, e, em todas elas, uma forte mensagem nos é transmitida.


A quase ausência de falas de Ryan Gosling durante o filme (22 linhas, ao todo) é provavelmente a  maior semelhança que se poderá apontar relativamente a Drive, onde o protagonista também pouco falava. Aliás, sabe-se que os diálogos são secundários para Refn - lembremo-nos de One-Eye que não diz uma única palavra em Valhalla Rising (2009). E é nesse filme que pode recair a maior parte das comparações com Só Deus Perdoa. O ritmo lento é comum a ambos, bem como os vermelhos-fortes, muitas vezes em tom premonitório - premonições essas que também surgem constantemente de forma subtil ao longo de Só Deus Perdoa.

Todavia, é esteticamente que Só Deus Perdoa atinge a excelência. A realização alia-se à fotografia (sob a direcção de Larry Smith) e, juntas, oferecem-nos os mais belos quadros pintados num ecrã de cinema. Em cada cena presenciamos planos de excelência, geometricamente estudados e iluminados de forma brilhante. A câmara olha através das divisões de uma casa, espreita por entre as portas, oferecendo uma experiência única. Em união perfeita com a componente visual e acção está a banda sonora, de Cliff Martinez, que nos faz temer aquelas personagens e consegue, por vezes, contrastar de forma arrepiante com aquilo a que assistimos.


O elenco tem um desempenho irrepreensível. Ryan Gosling não descura a personagem e, mesmo pouco dizendo, consegue transmitir-nos o essencial através da sua (in)expressão. O protagonista revela uma arrepiante submissão perante a mãe, uma sexualidade complicada, e um sentido de justiça que lhe está no sangue. Apesar da coragem que demonstra, parece esconder em si muitos medos - encontramo-los nos corredores e quartos escuros, que abundam em Só Deus Perdoa. Deslumbrante está Kristin Scott Thomas, com uma interpretação magistral da maliciosa mãe, Crystal. A actriz prova-nos aqui, uma vez mais, o seu talento e glamour, até na pele da mais fria e asquerosa mulher. Quando surge, Crystal é acompanhada por muitos tons de amarelo, que se podem relacionar com todo o luxo que a rodeia - as cenas no hotel são um óptimo exemplo. Por seu lado, o grande destaque vai para o actor tailandês Vithaya Pansringarm na pele do polícia Chang. Com uma interpretação desconcertante, ele faz-nos temer. O seu sentido de justiça pode fazer-nos compará-lo ao "Deus" do título do filme, ou ao "Diabo" que vamos conhecendo. É muito interessante observar como, depois do dever cumprido, o polícia termina a noite com os colegas de trabalho num karaoke.

Refn traz-nos um filme difícil de digerir, que apela, acima de tudo, a uma forte reflexão sobre o conceito de justiça (divina?). Uma obra de uma beleza visual estonteante, repleta de uma violência estética que poucos nos proporcionam: Só Deus Perdoa, mas o público também.

sexta-feira, 14 de junho de 2013

Only God Forgives: Novo trailer e posters

O próximo filme de Nicolas Winding Refn está para breve em Portugal - 25 de Julho é a data prevista de estreia - e há novo trailer e posters, bem bonitos, por sinal. Only God Forgives (Só Deus Perdoa, em português) é protagonizado por Ryan Gosling,  Kristin Scott ThomasVithaya Pansringarm, as caras que figuram nos posters agora conhecidos.

Conhece-os aqui, bem como ao mais recente trailer: