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quinta-feira, 24 de setembro de 2015

MOTELx'15: 10 curtas portuguesas em análise

Na 9ª edição do MOTELx, Miami, de Simão Cayatte, foi a curta-metragem a sagrar-se vencedora na única secção competitiva do festival e recebeu o Prémio MOV MOTELx - Melhor Curta de Terror Portuguesa. Andlit, de João Teixeira Figueira, conquistou uma menção honrosa.

Conhecidos já os resultados, faço agora uma breve análise das dez curtas em competição neste MOTELx, cuja selecção de filmes portugueses foi bastante equilibrada e de qualidade.

A Tua Plateia


Óscar Faria trouxe ao MOTELx a sua curta-metragem, A Tua Plateia, que se revela uma bela surpresa para o espectador. O interior de Portugal está cada dia mais isolado e abandonado e serve de cenário a esta história. Dão-nos a conhecer um homem misterioso, interpretado por Miguel Damião, que conduz por estradas vazias recolhendo pedras, paus e vítimas.

Até ao fim sucedem-se as mortes, mas o motivo parece não existir. Poucas falas, nenhumas explicações. A câmara, com planos que muito escondem, mostra apenas o que devemos ver, utilizando para tal ângulos menos usuais, cujo efeito é fundamental para A Tua Plateia funcionar tão bem. O suspense, esse, fica no ar até ao fim.

Andlit


Pela mão do mais jovem realizador em competição, João Teixeira Figueira, chegou Andlit, a única animação na corrida para o prémio do festival, este ano. Em stop motion, João apresenta-nos a história de um robô que vive sozinho num edifício abandonado, estudando a vida humana por um catálogo de pinturas e fingindo que bebe chá em companhia imaginária. É quando uma mulher e o seu filho recém-nascido ali se refugiam que o robô terá de aprender a lidar com humanos.

Andlit é a prova de como uma animação pode ser tão ou mais violenta e macabra como um filme em imagem real. Mais curiosa ainda é a reacção que esta curta-metragem de apenas cinco minutos pode provocar no espectador: este robô tanto pode ser encarado como um herói incompreendido ou como um sádico vilão.

Ermida


Outra boa surpresa do MOTELx foi Ermida, de Vasco Esteves, que nos conduz a uma ermida abandonada, onde uma adolescente se entrega a um rapaz, incauta para o que se esconde nas sombras.

Os locais assombrados são uma constante nos filmes de terror e, aqui, o realizador reinventa o género a partir de uma aventura de adolescentes apaixonados, mas amedrontados. O suspense está assustadoramente bem concretizado, deixando a plateia com o coração a mil e a dúvida fica a pairar, bem para lá da sala de cinema. Um bom filme para retirar diferentes interpretações e dotado de um ritmo certeiro como poucos conseguem ter.

Gasolina


Com Gasolina, João Teixeira tem, desde logo, uma premissa muito prometedora: um casal tira partido da escuridão da noite, acabando por ficar sem gasolina no carro. Ao procurarem ajuda percebem que a crise está a alastrar e a obrigar as pessoas a fazerem coisas terríveis. A par do casal protagonista, um tanto dúbio, encontramos uma personagem fortíssima, interpretada pelo veterano Carlos Santos - num excelente e incómodo desempenho. É aliás nesta personagem que reside o ponto mais forte da curta-metragem.

O suspense e o medo que se adensam com o passar dos minutos dão, por fim, lugar a alguma desilusão, já que o enredo prometia algo mais perturbador do que efectivamente oferece.

Insónia


Os perigos da noite são a proposta que Bernardo Lima trouxe à 9ª edição do MOTELx. Em Insónia, um homem solitário vagueia pela noite, tentando combater o vazio. Depois de se cruzar com uma mulher em apuros, acaba arrastado para um submundo violento.

Neste thriller, o protagonista divaga pela noite por estradas vazias, naquela que parece ser a forma de lidar com a insónia que dá título à curta-metragem. Mas ao decidir entrar no mundo subversivo que a noite esconde, há que estar preparado para arcar com as consequências. Insónia resulta num trabalho interessante mas que poderia mostrar mais, sem medo de chocar.

Miami


O vencedor desta edição do MOTELx, Miami, de Simão Cayatte, assenta menos no terror puro e duro, e mais no terror psicológico, onde a obsessão conduz aos actos mais tenebrosos. Raquel é uma adolescente que sonha ser famosa e, para isso, é capaz de tudo.

Miami é um filme muito mais realista do que se poderia pensar. A nossa protagonista - um óptimo desempenho de Alba Baptista - é uma jovem como muitas outras com uma ambição que toma conta de si, qual espírito maligno.

O Efeito Isaías


Ramón de los Santos trouxe ao MOTELx O Efeito Isaías, uma curta-metragem que é como um jogo, incómodo e assustador para o espectador. Isaías nunca ouviu falar de mecânica quântica ou de universos paralelos. Todavia, esta noite a sua percepção da realidade será irremediavelmente alterada.

Protagonizado por Rui Unas, o filme vai criando em nós - e mais ainda no protagonista - um efeito claustrofóbico arrepiante, numa repetição constante de duas músicas e da mesma situação. Longe de ser cansativo, O Efeito Isaías deixa-nos alerta e receosos.

O Tesouro


A curiosa alternativa de terror de época é-nos proposta por Paulo Araújo com O Tesouro. Três miseráveis irmãos fidalgos encontram um cofre cheio de ouro e têm que decidir como o vão dividir. Matar um deles poderá ser uma solução.

Baseado no conto de Eça de Queirós, a curta-metragem de Paulo Araújo coloca-nos no meio desta disputa de irmãos gananciosos, onde o valor da família contrapõe-se ao do tesouro que todos querem. O desenvolvimento do enredo está bem conseguido e intercala a violência, o humor negro e a ironia, com a banda sonora a condizer.

The Bad Girl


Na curta-metragem de Ricardo Machado, uma mulher de alma perdida confessa-se depois de assistir ao fenómeno milagroso de uma estátua a chorar lágrimas de sangue. Desde o inicio sabemos que algo de muito errado esta mulher fez.

No entanto, o mais importante em The Bad Girl não parece ser tanto o argumento mas sim os planos-sequência e a direcção de fotografia. A câmara conduz-nos pela igreja e acompanha a loucura e os segredos da protagonista.

The Last Nazi Hunter 2


Carlos Silva, por seu lado, trouxe a comédia negra à competição do MOTELx com The Last Nazi Hunter 2. Paixão e nazis juntam-se num filme hilariante, onde o último caçador de nazis, acamado e à beira da morte, envia o seu neto, um pacifista tímido, a Portugal para matar o sanguinário Dentista de Dachau.

Nos percalços da viagem, o protagonista depara-se com um desafio mais difícil do que supunha. E as surpresas sucedem-se, apelando às gargalhadas da plateia, num humor negro eficaz.

terça-feira, 22 de setembro de 2015

MOTELx'15: Eugenie, Jesús Franco (1969)

*5/10*

Dentro da homenagem a Christopher Lee, recentemente falecido, o MOTELx'15 exibiu Eugenie, filme de Jesús Franco, de 1969. Baseado no clássico Filosofia na Alcova do Marquês de Sade, esperava-se um filme forte, violento e repleto de erotismo. O resultado é ligeiramente decepcionante: o erotismo está lá, mas o sadismo deixa um pouco a desejar. No entanto, Eugenie não deixa de ser uma obra a descobrir.

Uma inocente jovem chamada Eugenie é levada para uma ilha paradisíaca onde é iniciada no mundo do prazer e da dor por dois irmãos, que pertencem a um pervertido grupo controlado pelo sinistro Dolmance. Mas quando se rende às fantasias proibidas, Eugenie fica presa num frenesim de drogas, sadomasoquismo e homicídio. Pode uma rapariga assustada e sob o controle da perversão sexual encontrar paz nas orgias dos depravados?

Jesús Franco soube bem como explorar a sexualidade extrema, e conta com diversos títulos ligados ao tema. Eugenie, contudo, acaba por fraquejar, levando tudo com alguma leviandade e com um propósito pouco claro, apesar dos bons momentos que nos fazem duvidar do que é sonho e realidade, tal como duvida a própria protagonista.

MOTELx'15: Dust Devil, de Richard Stanley (1992)

*5.5/10*

Bem diferente de Hardware, o segundo filme da Retrospectiva Richard Stanley no MOTELx, tem um ambiente mais místico e ligado à bruxaria. Muito menos psicadélico, Dust Devil é vagamente baseado na história de Nhadiep, um serial killer que a população local acreditava ter poderes mágicos. O próprio realizador descreve o seu filme como “a história de terror arquetípica sul-africana”.


Um cadáver é descoberto na Namíbia (onde o filme foi inteiramente filmado) exibindo sinais de abuso ritualístico, obra de um “Diabo de Poeira”, um ser metamórfico que “suga a alma dos malditos”. Wendy acabou de deixar o marido, encaminha-se em direcção ao mar para endireitar a sua vida, quando dá boleia ao “Diabo de Poeira”, colocando-se à mercê de um poder para além da sua imaginação.

Mortes sucedem-se, o medo paira pelo deserto. O forasteiro - e o poder que o acompanha - faz as suas vítimas e prossegue o caminho que acredita ser o certo. Apesar de não ser um filme tão empolgante ou consistente como Hardware, Dust Devil é uma boa forma de conhecer outro lado de Richard Stanley.

MOTELx'15: Green Room, de Jeremy Saulnier (2015)

*8.5/10*

Um dos melhores filmes da edição de 2015 do MOTELx foi, sem dúvida, Green Room. Depois do excelente trabalho feito em Ruína Azul (Blue Ruin, que estreou nos cinemas portugueses o ano passado), Jeremy Saulnier passa do azul para o verde mas continua em grande forma e não se coíbe na violência de que dota o seu filme que, ainda assim, apenas irá impressionar os mais sensíveis.

O grande trunfo desta longa-metragem é toda a sua construção, o suspense, o ambiente ameaçador e claustrofóbico em que coloca o grupo de protagonistas e, por consequência, toda a plateia. O enredo está bem estruturado, é imprevisível e brutal, numa luta pela sobrevivência constante.


Os Ain’t Rights, uma jovem banda de punk rock, fazem uma tournée pelos EUA e aceitam tocar numa sala de espectáculos isolada nos bosques do Oregon. Depois de se depararem com o cenário de um crime, vêem-se encurralados nos camarins, cercados por um gang de skinheads violentos, determinados a eliminar todas as testemunhas. O veterano Patrick Stewart surge no papel de um líder supremacista branco.

Mudou a cor, mas Jeremy Saulnier presenteia-nos novamente com um filme intenso, violento e de uma atmosfera que nos acompanha muito para lá da sala de cinema. Green Room estreou na Quinzena dos Realizadores em Cannes, e foi louvado pela crítica. Por aqui, também ficámos fãs.

sábado, 19 de setembro de 2015

MOTELx'15: A Caçada do Malhadeiro, de Quirino Simões (1967)

*6/10*


A secção Quarto Perdido do MOTELx é sempre das que suscitam mais curiosidade aqui pelo Hoje Vi(vi) um Filme. A Caçada do Malhadeiro, de Quirino Simões, que data de 1967, foi a descoberta desta edição. A vingança percorre todo o enredo deste filme de época que tem as invasões francesas como marco temporal. No elenco, encontramos um jovem Rui Mendes e Vítor Gomes - no auge da sua carreira -, que marcou presença na sessão.

Em 1810, depois de serem escorraçados do Buçaco, cinco soldados franceses do exército de Massena, em busca de mantimentos, assaltam o lar duma modesta família, roubam e violam a filha, uma menina de 13 anos. O pai, o malhadeiro José, e o filho juram vingar-se, perseguindo os foragidos antes que cheguem à fronteira. A estreia de Quirino Simões na ficção adapta um conto homónimo do Conde de Ficalho. A vingança do malhadeiro esconde um subtexto patriótico: “a reacção dos portugueses à violação dos seus direitos, dos seus usos, da sua terra ou da sua família.”

A Caçada do Malhadeiro deixa-nos num clima de tensão, seguindo a perseguição sem clemência, para que se faça justiça. José está obcecado e é o filho, Joaquim, que lhe serve, de alguma forma, de juiz, mais ponderado. Os cenários entre a floresta, propícia ao esconderijo e a praia, mesmo ali ao lado, são outro dos pontos fortes desta longa-metragem, pouco comum no cinema nacional.

Há perto de 50 anos que este filme não era exibido publicamente, e vale a pena redescobri-lo. Para tal, nada melhor do que a cópia restaurada propositadamente pela Cinemateca Portuguesa para o MOTELx para corrigir essa falha.

sexta-feira, 18 de setembro de 2015

MOTELx'15: Coin Locker Girl, de Han Jun-hee (2015)

*7/10*

Da Coreia do Sul para o MOTELx'15, Coin Locker Girl, primeira longa-metragem de Han Jun-hee, aterrou na sala 3 do Cinema São Jorge no dia 12 de Setembro. Sangrento e sentimental são duas características que podem, numa primeira impressão, parecer contraditórias, mas nesta longa-metragem, coexistem em harmonia, perseguindo uma protagonista feminina de peso.

Recém-nascida, Il-yeong é abandonada no cacifo número 10 de uma estação de metro. Oito anos depois, é vendida à madrinha de um gang de Chinatown conhecida simplesmente por Mãe, e junta-se à família. Apenas os que se mantêm úteis conseguem sobreviver em Chinatown. 

Ao longo de Coin Locker Girl conhecemos duas mulheres fortes - Il-yeong e a Mãe do gang -, e é na sua relação/oposição que nasce a tensão do filme. Entre dívidas e devedores, que tardam em pagar à Mãe - implacável -, Il-yeong faz o seu trabalho e vai-se descobrindo enquanto mulher, tentar construir o seu futuro e reconstruir o seu passado. Destaque para as interpretações das duas protagonistas: Kim Hye-su (Mãe) e Kim Go-eun (Il-yeong).


Entre o drama sentimental e a violência sem pudor, Coin Locker Girl pode confundir a plateia (afinal é um dramalhão lamechas ou um filme de terror brutal?), mas, apesar desta ambivalência, a concretização é eficaz e prende todas as atenções.

quarta-feira, 16 de setembro de 2015

MOTELx'15: Cop Car, de Jon Watts (2015)

*6.5/10*

Cop Car passou pelo MOTELx e criou expectativas, mesmo aparentando não ser terror puro. Kevin Bacon como protagonista e uma sinopse interessante cativaram o interesse da audiência.

Tudo começa quando duas crianças de dez anos encontram um carro de polícia abandonado numa clareira isolada. Quando resolvem conduzi-lo, não fazem ideia do risco que correm. Tudo piora quando o xerife local decide ir à procura do seu carro desaparecido. Os rapazes vêem-se no centro de um jogo mortífero de gato e rato e a sua única escapatória é conduzirem o carro o mais depressa possível.

Este thriller, realizado por Jon Watts, cumpre bem o propósito de entretenimento e deixa o público envolvido. O ambiente é um dos pontos mais fortes, numa América isolada, repleta de campos desertos e estradas rectas sem trânsito: um excelente cenário para dar asas ao espírito aventureiro das duas crianças, que fugiram de casa, e para a inevitável decisão de explorar o carro de polícia "abandonado", bem ali ao dispor dos jovens. Pior mesmo é que o dono do carro é Kevin Bacon, na pele de um xerife corrupto, que quer esconder um segredo a todo o custo.


Cop Car proporciona bons momentos de acção com muitos tiros e algum sangue, ao mesmo tempo que, através das duas crianças, oferece sequências verdadeiramente divertidas e de pé no acelerador.

A tensão fica no ar desde o início e, apesar de alguma previsibilidade em algumas cenas, Cop Car vale a visualização - até pela boa prestação de Bacon. Apenas o final pedia um pouco mais, já que se sente a falta de não saber o futuro das personagens, com o desfecho demasiado aberto da longa-metragem de Jon Watts.

domingo, 13 de setembro de 2015

MOTELx'15: Roar, de Noel Marshall (1981)

*8/10*

Absolutamente louca, assim é esta experiência inacreditável de Noel MarshallRoar, desaparecido desde a sua estreia, em 1981, e redescoberto recentemente pela Drafthouse Films que o relançou em sala. O MOTELx foi a casa ideal para a sua exibição em Portugal, numa oportunidade única de ver este que é considerado "o filme mais perigoso alguma vez feito".


Em Roar, Marshall é Hank, defensor de vida selvagem, vive em harmonia com cerca de 100 animais selvagens, incluindo chitas, elefantes, leões e tigres numa reserva nas planícies africanas. Quando a sua esposa e filhos chegam para uma visita, uma batalha mortífera pelo domínio entre os leões inicia-se e ameaça as suas próprias vidas. Ao realizador e protagonista, junta-se a sua família na vida real - a sua mulher, Tippi Hedren (Os Pássaros), os seus filhos John e Jerry, e a filha dela, Melanie Griffith.

Presente na sessão desta Sexta-feira no MOTELx esteve o filho do realizador, John Marshall, preparadíssimo para responder a todas as curiosidades do público. O mesmo público que, durante a sessão, temeu pelos actores, tremeu com os "abraços" dos leões, riu-se do tão irreal que tudo parece e abriu a boca de espanto quando se recordou de que tudo era real. Roar é um divertido exercício cinematográfico, cuja perigosidade poderia ter tido um resultado menos bom. Foram muitos os ferimentos durante as filmagens, quer nos figurantes como nos próprios protagonistas - e facilmente encontramos momentos em que se percebe que o felino não está a ser tão meigo como se esperaria.


Certo é que esta única aventura de Noel Marshall na realização já merecia ter voltado aos ecrãs há muito tempo. Um filme único, violento, extremamente perigoso e "delirante", mas, ao mesmo tempo, estranhamente amoroso, na relação ternurenta que acontece entre feras e humanos, num forte apelo do realizador à defesa dos animais selvagens.

sábado, 12 de setembro de 2015

MOTELx'15: Hardware, Richard Stanley (1990)

*7/10*

Richard Stanley está pelo MOTELx'15 onde tem direito a uma retrospectiva do seu trabalho, que começou esta Sexta-feira com a exibição de Hardware. Psicadélico e impróprio para epilépticos, o filme de 1990 revela-se uma boa surpresa para quem pretender descobrir o realizador.


A acção passa-se num mundo pós-apocalíptico, onde um recolector nómada encontra um crânio cibernético e vende-o a um sucateiro. Moses Baxter, um ex-soldado, compra-o e oferece-o à namorada, uma artista que trabalha com metais. O crânio, virá a revelar-se, pertence a uma avançada máquina assassina programada para matar todos os humanos, com a capacidade de se reconstruir com os materiais que tiver disponíveis.

A inteligência artificial e os robôs dominam a temática deste filme de terror pouco usual, primeira longa-metragem de Richard Stanley. Não falta cor - num óptimo trabalho da direcção de fotografia -, erotismo e muito sangue para animar os fãs do género. A protagonista, a ruiva Jill, é uma mulher de garra e vai deixar o público rendido.

O ambiente pós-apocalíptico está muito bem construído, bem como toda a tensão do enredo, repleto de voltas e reviravoltas, sempre a surpreender o espectador. Hardware é, acima de tudo, original - com tudo o que isso possa ter de bom e de mau -, mas muito eficaz e uma referência curiosa no cinema de terror.


O próximo filme da retrospectiva Richard Stanley é Dust Devil e será exibido este Domingo, dia 13 de Setembro, pelas 16h45.

Aqui fica o trailer de Hardware:

quinta-feira, 10 de setembro de 2015

MOTELx'15: Entrevistas - Óscar Faria (A Tua Plateia)

MOTELx já começou, no passado dia 8 de Setembro, e para o Prémio MOV MOTELx – Melhor Curta de Terror Portuguesa 2015, o único galardão do festival, estão a concorrer 10 curtas-metragens nacionais: A Tua Plateia, de Óscar FariaAndlit, de João Teixeira FigueiraErmida, de Vasco EstevesGasolina, de João TeixeiraInsónia, de Bernardo LimaMiami, de Simão Cayatte, Efeito Isaías, de Ramón de los SantosO Tesouro, de Paulo AraújoThe Bad Girl, de Ricardo Machado, The Last Nazi Hunter 2, de Carlos Silva.


Finalizamos hoje as entrevistas aos dez realizadores portugueses na corrida para o Prémio MOV MOTELx com Óscar Faria e a sua curta-metragem A Tua Plateia.

A Tua Plateia tem como palco o interior do país, cada vez mais abandonado. Qual o motivo para a escolha deste local para filmar a curta-metragem?
Óscar Faria: O local do filme surgiu inicialmente por uma questão de logística. Sendo que, mesmo estando na minha região e conhecendo perfeitamente, ao longo da repérage fui encontrando decores incríveis que se encaixavam claramente no meu conceito. O meu processo de escrita tem sempre muita liberdade, por vezes gosto de escolher os locais e voltar a rescrever sobre eles. Foi o que aconteceu neste projecto, achei que poderia ficar mais consistente criar uma linha de acção através de um local, um dos exemplos é a última imagem do filme.

O que podemos esperar de A Tua Plateia?
O.F.: Nunca gosto de afirmar o que podem esperar de um filme, gosto mais de saber a opinião posteriormente. Mas posso adiantar que se trata de uma narrativa muito subtil, com um ambiente pesado em torno de uma personagem, a fotografia e o som também são pontos fundamentais do filme. O ideal será ver A Tua Plateia com muita calma e deixarem-se levar pelo momento, são cerca de nove minutos em silêncio, sem pipocas.

Como foi trabalhar com Miguel Damião?
O.F.: O actor foi super acessível desde o inicio. Fomos discutindo todo o argumento, alterando perspectivas e essa junção de pensamentos foi notável no produto final. A capacidade de representação do Miguel Damião foi um dos pontos fortes durante a rodagem, estava sempre um passo à frente do que era previsto. Por isso, trabalhar com o Miguel foi uma mais valia para o filme e para mim como realizador. Foi um processo muito dinâmico e como podes notar no filme, é o actor que constrói todo o ambiente.

Qual é para o Óscar a importância de estar entre os seleccionados de 2015 para o Prémio MOV MOTELx? E o que o levou a submeter o seu filme?
O.F.: Esta selecção é sem dúvida um objectivo alcançado, visto que é a minha primeira curta-metragem "pós-escola", estrear no MOTELx é um grande incentivo a novos projectos para qualquer jovem realizador. Esta curta foi exclusivamente produzida em tempo recorde a pensar nesta edição do MOTELx, através de um desafio do produtor José Pedro Lopes, da Anexo82.

Qual o papel dos festivais de cinema no campo da divulgação do cinema nacional? Que mais pensa que pode ser feito neste campo?
O.F.: Os festivais de cinema são a chave principal para a divulgação do cinema nacional, principalmente na curta-metragem. Se o meu filme não estivesse em festivais de cinema, penso que alcançava poucas pessoas ou até mesmo nenhuma excepto a minha família e amigos, o que me deixa um pouco triste saber que depois de tanto trabalho e dedicação há sempre uma incerteza.


Sinopse
O interior de Portugal está cada dia mais isolado e abandonado. Um homem misterioso conduz nas suas estradas vazias recolhendo pedras, paus e... vítimas. Que anda ele a construir?

MOTELx'15: Entrevistas - João Teixeira (Gasolina)

MOTELx já começou, no passado dia 8 de Setembro, e para o Prémio MOV MOTELx – Melhor Curta de Terror Portuguesa 2015, o único galardão do festival, estão a concorrer 10 curtas-metragens nacionais: A Tua Plateia, de Óscar FariaAndlit, de João Teixeira FigueiraErmida, de Vasco EstevesGasolina, de João TeixeiraInsónia, de Bernardo LimaMiami, de Simão Cayatte, Efeito Isaías, de Ramón de los SantosO Tesouro, de Paulo AraújoThe Bad Girl, de Ricardo Machado, The Last Nazi Hunter 2, de Carlos Silva.


Vamos hoje conhecer melhor a curta-metragem Gasolina. É, como de costume, o seu realizador, João Teixeira, que nos conta um pouco mais sobre o filme.

Ao assistir ao trailer de Gasolina senti uma aura de insegurança, suspeição, de que nada é o que parece. É isso que o seu filme pretende ser? O que pode o público esperar desta curta-metragem?
João Teixeira: Insegurança e desconfiança são sem dúvida dois pontos sempre presentes neste filme. Um casal que procura ajuda e a insegurança ao encontrá-la, leva-os para uma constante sensação de desconforto. Este filme também foi escrito para ilustrar um momento que, por um motivo ou por outro, acaba sempre por nos afectar. Momento esse em que os preços aumentam, tornando-se descontrolados e podendo mesmo implicar vidas. Mas acima de tudo, um ponto importante e que defendo ser um dos principais objectivos de qualquer filme, é ser projectado com o objectivo de fazer passar um bom momento a quem o assiste.

Como surgiu a ideia de filmar Gasolina?
J.T.: A ideia surgiu no ano passado, quando decidi filmar para o submeter ao MOTELx. Ainda sem qualquer ideia resolvi primeiro assistir à edição de 2014 do festival. A partir daí li, folheei inúmeras páginas de contos pulp (uma literatura com a qual me identifico) e só aí começou a surgir a ideia. Fiz o convite ao António Nascimento, um “velho” colega de escola com quem nunca tinha tido oportunidade de trabalhar e começámos a escrever.

Como foi trabalhar com o veterano Carlos Santos?
J.T.: O Carlos foi uma excelente surpresa neste projecto. Para quem está no início de uma carreira, comparado com ele, e ao decidir contactá-lo, rapidamente vieram à cabeça pensamentos como: “ele nem me vai responder”. E aí começa a surpresa, uma pessoa super acessível, profissional e acima de tudo humana. Foi sem dúvida uma mais valia poder ter contado com o Carlos, ter uma pessoa com as suas características ao meu lado trouxe, não só inúmeros pontos positivos, como uma aura que só ele conseguiria ter trazido.

Qual é para o João a importância de estar entre os seleccionados de 2015 para o Prémio MOV MOTELx? E o que o levou a submeter o seu filme?
J.T.: Como disse, filmei o Gasolina já com esse objectivo e ser seleccionado já foi uma conquista. Toda a estrutura do MOTELx e a “vida própria” inerente ao mesmo tornam-no num festival de referência e submeter um filme rapidamente se tornou num objectivo, tal como acabou por acontecer.

Qual o papel dos festivais de cinema no campo da divulgação do cinema nacional? Que mais pensa que pode ser feito neste campo?
J.T.: O papel da divulgação é importante tanto para quem produz os filmes como para aqueles que os querem ver e são os festivais que fazem essa ponte que nos dá força para fazermos aquilo que gostamos. Neles temos a oportunidade de termos contacto directo com o outro lado, o do espectador. Na verdade, esta é a peça fundamental para que tudo resulte pois é ele que se interessa, assiste e comenta todos os novos trabalhos, alimentando a força de quem os faz. O que pode ser feito neste campo é simplesmente não deixar esmorecer este ciclo, mantendo sempre viva a ligação entre quem faz o filme e quem o assiste.


Sinopse
Um casal tira partido da escuridão da noite, acabando por ficar sem gasolina no seu carro. Ao procurarem ajuda percebem que a crise está a alastrar e a obrigar as pessoas a fazerem coisas terríveis.

quarta-feira, 9 de setembro de 2015

MOTELx'15: Entrevistas - Ramón de los Santos (O Efeito Isaías)

MOTELx já começou, no passado dia 8 de Setembro, e para o Prémio MOV MOTELx – Melhor Curta de Terror Portuguesa 2015, o único galardão do festival, estão a concorrer 10 curtas-metragens nacionais: A Tua Plateia, de Óscar FariaAndlit, de João Teixeira FigueiraErmida, de Vasco EstevesGasolina, de João TeixeiraInsónia, de Bernardo LimaMiami, de Simão Cayatte, Efeito Isaías, de Ramón de los SantosO Tesouro, de Paulo AraújoThe Bad Girl, de Ricardo Machado, The Last Nazi Hunter 2, de Carlos Silva.


O próximo entrevistado é Ramón de los Santos que nos conta mais sobre a sua curta-metragem, O Efeito Isaías.

O que se pode esperar de O Efeito Isaías?
Ramón de los Santos: Angústia, claustrofobia e desconcerto. Ainda que em abono da verdade, nos tempos que correm é extremamente difícil provocar terror no espectador. Dificilmente pode um cineasta competir com os serviços informativos das televisões, onde a crua realidade do mundo é servida como sobremesa ou aperitivo, dependendo da hora a que a família almoce ou jante. E já nem falemos da internet.

De onde surgiu a ideia de filmar esta curta-metragem?
R.S.: O meu cérebro não deixa de pensar em histórias nem por um só momento. É incrível como esta rosada massa pode chegar a criar e a armazenar tanta informação. Dentro do meu crânio convivem comigo inúmeras personagens, com as suas angústias, fobias e histórias. Todas lutando desesperadamente por sair ao exterior. Pena que nem todas verão a luz, só tenho uma vida para fazer filmes. O Efeito Isaías surgiu numa manhã de Domingo, enquanto passeava pelo campo fui assaltado por uma imagem. Um tipo deitado no chão de uma garagem, olhava o seu carro. Perguntei-me que fazia esse tipo aí, e ele deu-me a resposta: Não posso sair, ajuda-me! Não, não te vou ajudar, mas vou contar a tua história.

Como foi trabalhar com Rui Unas?
R.S.: Conheci o Rui durante as filmagens de uma série televisiva, onde também trabalhei. Foi aí onde lhe contei a história. Aceitou colaborar, respondendo: "claro que Sim. Vamos a isso!" O Rui é um profissional extraordinário, e não só como intérprete. Entregou-se ao projecto desde as primeiras reuniões que mantivemos, e no platô entregou-se nas minhas mãos de forma valente! Uma das coisas que admiro no Rui é a versatilidade, talvez esse tenha sido o que mais me interessou de imediato no Unas. Foi um grande companheiro de viagem nesta história, e espero poder partilhar outras tantas mais.

Qual é para o Ramón a importância de estar entre os seleccionados de 2015 para o Prémio MOV MOTELx? E o que o levou a submeter o seu filme?
R.S.: Para um realizador, que começa no difícil mundo do cinema, os festivais são de vital importância. Não podemos esquecer que são a vitrina para onde o mundo do cinema olha, e mais ainda quando têm prestigio. O MOTELx tem muito prestigio, sobretudo dentro do género que representa. Além disso assinala um muito bom começo no caminho que o filme irá percorrer nos próximos dois anos. É um luxo estrear no MOTELx. É um dos festivais mais importantes do país, como não submeter O Efeito Isaías?

Qual o papel dos festivais de cinema no campo da divulgação do cinema nacional? Que mais pensa que pode ser feito neste campo?
R.S.: Não podemos entregar toda a responsabilidade da divulgação aos festivais. São importantes, sem dúvida e um fantástico trampolim. A cultura enriquece-nos como sociedade e é mais importante forma de expressão humana e de desenvolvimento pessoal. O estado tem uma grande responsabilidade nesta matéria.  Cito uma frase do filme Noviembre do realizador Achero Mañas: "A arte é uma arma carregada de futuro".


Sinopse
Isaías nunca ouviu falar de mecânica quântica ou de universos paralelos. Esta noite a sua percepção da realidade será irremediavelmente alterada.

MOTELx'15: Entrevistas - Vasco Esteves (Ermida)

MOTELx já começou, no passado dia 8 de Setembro, e para o Prémio MOV MOTELx – Melhor Curta de Terror Portuguesa 2015, o único galardão do festival, estão a concorrer 10 curtas-metragens nacionais: A Tua Plateia, de Óscar FariaAndlit, de João Teixeira FigueiraErmida, de Vasco EstevesGasolina, de João TeixeiraInsónia, de Bernardo LimaMiami, de Simão Cayatte, Efeito Isaías, de Ramón de los SantosO Tesouro, de Paulo AraújoThe Bad Girl, de Ricardo Machado, The Last Nazi Hunter 2, de Carlos Silva.


Continuamos o percurso pelas curtas-metragens portuguesas em competição no MOTELx. Desta vez, vamos conhecer Ermida através do seu realizador, Vasco Esteves.

Os locais abandonados sempre suscitaram grande curiosidade entre crianças, jovens e mesmo adultos. É essa adrenalina da descoberta e dos mitos e lendas que pretende abordar em Ermida?
Vasco Esteves: Por um lado sim e por outro lado não. Há uma adrenalina muito grande e uma descarga emocional ainda maior quando, perante um possível primeiro amor, uma pessoa se entrega emocionalmente a outra. E por vezes, não estamos preparados para fazer algumas das descobertas que ocorrem durante esses primeiros passos na adolescência e muitas vezes precipitamo-nos um pouco contra a nossa vontade pessoal só porque sentimos que está na altura e que é suposto fazê-lo. São estes ímpetos contraditórios motivados pela descobertas e pelos avanços afectivos da adolescência que queríamos utilizar como pano de fundo para esta exploração do espaço vazio e interdito que é a Ermida.

As aventuras adolescentes e o medo parecem ser os principais ingredientes de Ermida. O que podemos exactamente esperar do filme?
V.E.: Podem esperar tudo isso! Um desejo de aventura e de entrega contraposto ao receio daquele espaço e das vontades sexuais latentes. Espero também conseguir causar um ou outro susto. É sempre uma agradável recompensa ver alguém saltar de medo na cadeira durante um filme de terror.

Como correu o processo de rodagem desta curta-metragem?
V.E.: A rodagem em si foi bastante rápida: um fim-de-semana, 3 dias de filmagens. A equipa era pequena e já nos conhecíamos a todos da Escola Superior de Teatro e Cinema, pelo que o ambiente foi bastante divertido, amigável e relaxado. Parte da equipa também já tinha trabalhado em conjunto na curta Maria de Joana Viegas (que esteve presente na edição anterior do MOTELx), o que fez com que todo o processo pudesse avançar nesse ritmo rápido e sem grandes obstáculos. No entanto, antes de filmar houve uma longa preparação dos produtores Raquel Santos e Guilherme Daniel (também argumentista), com quem me sentei inúmeras vezes durante os largos meses anteriores à rodagem para discutir tudo o que se passa no filme.

Qual é para o Vasco a importância de estar entre os seleccionados de 2015 para o Prémio MOV MOTELx? E o que o levou a submeter o seu filme?
V.E.: A selecção do filme para o MOTELx teve toda a importância. Adoro o cinema de terror e desde que vim estudar para Lisboa que faço parte da multidão que assiste a todos os filmes durante a semana do festival. Desde então que sonhava trazer uma obra ao festival. Para além disso, o MOTELx é um grande festival e particularmente no género do terror é o melhor em Portugal, pelo que se torna indispensável estrear qualquer filme de terror lá. Esta selecção é uma vitória muito pessoal.

Qual o papel dos festivais de cinema no campo da divulgação do cinema nacional? Que mais pensa que pode ser feito neste campo?
V.E.: Especialmente para as curtas-metragens que não conseguem ter acesso a outros locais físicos de exibição facilmente, os festivais de cinema são o principal local onde podem existir livremente. Mas as questões da divulgação são sempre muito complexas e dependem sempre se estamos a falar de curtas-metragens ou de longas-metragens. São dois formatos que exigem diferentes formas de exploração e consequentemente atingem diferentes formas de potencial máximo. Principalmente no campo das curtas-metragens acho que se poderiam retomar algumas iniciativas e práticas junto das salas de cinema e da televisão. Gosto muito do conceito de uma curta a anteceder uma longa-metragem numa sessão de cinema normal. Infelizmente, com as longas-metragens a atingir uma média de 2h00, é cada vez mais difícil introduzir uma curta que pode ter 5 a 20 minutos. Ainda assim seria muito mais proveitoso para o espectador ver uma curta que simplesmente aturar com 15 minutos de publicidade. Na televisão já lá vai o tempo em que se exibiam curtas-metragens. Talvez ainda exista um ou outro programa, mas são precisos mais e em diversos formatos. Seja em canais de sinal aberto ou canais por subscrição, este tipo de programação era e é fundamental para a divulgação de obras e autores. Mas muito mais pode ser feito, depende apenas da receptividade dos responsáveis pelos meios de exibição e da persistência dos cineastas.


Sinopse
Numa ermida abandonada uma adolescente entrega-se a um rapaz, incauta para o que se esconde nas sombras. 

MOTELx'15: Entrevistas - Ricardo Machado (The Bad Girl)

MOTELx já começou, no passado dia 8 de Setembro, e para o Prémio MOV MOTELx – Melhor Curta de Terror Portuguesa 2015, o único galardão do festival, estão a concorrer 10 curtas-metragens nacionais: A Tua Plateia, de Óscar FariaAndlit, de João Teixeira FigueiraErmida, de Vasco EstevesGasolina, de João TeixeiraInsónia, de Bernardo LimaMiami, de Simão Cayatte, Efeito Isaías, de Ramón de los SantosO Tesouro, de Paulo AraújoThe Bad Girl, de Ricardo Machado, The Last Nazi Hunter 2, de Carlos Silva.


Fica agora a conhecer melhor a curta-metragem The Bad Girl. É o seu realizador Ricardo Machado quem nos conta mais sobre o filme.

The Bad Girl coloca a religião como elemento do terror, como em outros filmes do género. O que pode o público esperar desta curta-metragem?
Ricardo Machado: O público pode esperar uma curta-metragem muito bem filmada, muito bem editada, muito bem interpretada, com uma fotografia e uma banda sonora que estão num patamar acima do habitual. A religião é abordada em The Bad Girl pelo mito da estátua de uma santa que chora lágrimas de sangue mas isso é apenas o mote, o início do filme; a história propriamente dita é acerca daquela mulher e dos seus sentimentos, do porquê ela ali estar a confessar-se.

De onde surgiu a ideia de filmar The Bad Girl?
R.M.: A ideia de filmar esta curta surgiu por quatro motivos. Primeiro motivo: o ter andado/estudado numa escola salesiana durante 15 anos da minha vida (da pré-primária à conclusão do 12º ano de escolaridade) daí ter desejo de realizar um filme que tivesse algo haver com a religião; segundo motivo: a (simples) vontade de fazer um filme com o título The Bad Girl; terceiro motivo: o ter lido o breve conto O Sapato de Gonçalo M. Tavares; quarto motivo: a ambição de querer realizar um filme em que as imagens contassem a história sem recorrer a diálogos, fazendo assim jus à máxima do cinema.

Como correram as filmagens?
R.M.: Como acontece com grande frequência as filmagens foram algo atribuladas, ou seja, diria que foram 50% atribuladas e 50% a decorrerem bem. No Cabo Espichel tivemos desde o drone que avariou e que por muito pouco não aterrou no mar, a transeuntes curiosos que passavam/paravam constantemente no enquadramento, a pagamentos imprevistos de espaço/local, ao tempo limitado de luz natural da hora mágica, ao ator que inicialmente tinha e que infelizmente não podia cair ao chão, quando o plano que tinha para ele fazer era mesmo o de cair, cair e cair... repetir as vezes que fossem necessárias. Em suma, agora à distância, a rodagem no Cabo Espichel correu mal e a rodagem na igreja do Convento dos Inglesinhos correu bem – inclusive, a cena final teve de ser (re)filmada dentro da igreja dado que no exterior, no Cabo Espichel, essa cena não ficou como tinha idealizado. Ah!.. Parabéns à Sílvia pela dedicação que teve, o filme vive muito do trabalho da atriz e ela entregou-se como eu lhe tinha pedido.

Qual é para o Ricardo a importância de estar entre os seleccionados de 2015 para o Prémio MOV MOTELx? E o que o levou a submeter o seu filme?
R.M.: A importância de estar entre os 10 selecionados é muitíssima dado que este Festival é o meu preferido em Portugal, e, acredito que brevemente se tornará no maior festival de cinema do país. O MOTELx faz em 2015 nove anos e, apenas com esta idade, está quase no que respeita à divulgação, promoção, quantidade de espetadores, ao nível de um Fantasporto ou de um IndieLisboa. O MOTELx era o Festival que se eu não fosse selecionado ia ficar chateado comigo mesmo! Aliás, eu realizei o The Bad Girl para estar no Festival – ganhar o prémio seria um autêntico estrondo de satisfação.

Qual o papel dos festivais de cinema no campo da divulgação do cinema nacional? Que mais pensa que pode ser feito neste campo?
R.M.: O papel dos festivais de cinema no campo da divulgação do cinema nacional é excelente; para mim é a melhor divulgação e avaliação qualitativa que um trabalho nosso pode ter. Somos vistos por membros do júri, bem como, somos vistos por espetadores que para além de entrarem na sala para se divertirem estão lá para apreciar, sentir, vibrar e viver um filme. O que mais poderia ser feito era os próprios festivais “agarrarem” nos filmes (obviamente não digo todos mas algumas curtas que lhes faça sentido) e enviá-las, divulgá-las, promovê-las em festivais internacionais – à imagem do que o MOTELx faz com a curta vencedora de cada ano.


Sinopse
Uma mulher de alma perdida confessa-se depois de assistir ao fenómeno milagroso de uma estátua a chorar lágrimas de sangue.

MOTELx'15: Entrevistas - João Teixeira Figueira (Andlit)

MOTELx já começou, no passado dia 8 de Setembro, e para o Prémio MOV MOTELx – Melhor Curta de Terror Portuguesa 2015, o único galardão do festival, estão a concorrer 10 curtas-metragens nacionais: A Tua Plateia, de Óscar FariaAndlit, de João Teixeira FigueiraErmida, de Vasco EstevesGasolina, de João TeixeiraInsónia, de Bernardo LimaMiami, de Simão Cayatte, Efeito Isaías, de Ramón de los SantosO Tesouro, de Paulo AraújoThe Bad Girl, de Ricardo Machado, The Last Nazi Hunter 2, de Carlos Silva.


O Hoje Vi(vi) um Filme apresenta hoje João Teixeira Figueira, que nos conta um pouco mais sobre a sua curta-metragem Andlit.

O que podemos esperar de Andlit?
João Teixeira Figueira: Quando comecei a fazer o Andlit tinha o objetivo de fazer algo que fosse sério e triste e que refletisse em temas de inveja e solidão, mas afinal o seu selling point acabou por a cena chocante que não tem nada que ver com nada disso... Por isso esperem essencialmente ser chocados.

De onde surgiu a ideia de criar este robô que o trailer nos revela ser algo macabro?
J.T.F.: O meu robô teve inspiração de muitos sítios. O mais óbvio será a curta Doll Face por Andrew Thomas Huang em que um robô morre a perseguir beleza... Quase que tenho vergonha de mostrar essa curta a pessoas porque sinto que praticamente roubei a ideia... Também houve inspiração vinda da curta The Separation por Robert Morgan e do clip da costureira do filme 9, os sons de máquinas de costura e o pânico que eles causam aos espetadores nesses clips apaixonaram-me. Na minha curta, sempre que o robô se mexe podem-se ouvir as máquinas de costura, penso que ajuda muito no mood, principalmente no climax.

Como correu o processo de rodagem desta curta-metragem?
J.T.F.: Correu tudo bem, mas como em qualquer dos meus projetos, sobrestimei as minhas capacidades e acabei por demorar bem mais do que o mês ou dois que julguei que demoraria a fazer a curta.

Qual é para o João a importância de estar entre os seleccionados de 2015 para o Prémio MOV MOTELx? E o que o levou a submeter o seu filme?
J.T.F.: É definitivamente bom ter algum reconhecimento mas não consigo deixar de sentir que o meu vídeo amador não pertence no meio de tantos filmes tão mais respeitáveis. Não tinha feito a curta a pensar no MOTELx, nem conhecia o festival quando comecei. Já tinha a ideia para a curta na cabeça há algum tempo e só depois de a acabar é que o meu tio me falou no festival, como a curta encaixava exatamente no tema decidi enviá-la. Estou obviamente muito feliz por o ter feito.

Qual o papel dos festivais de cinema no campo da divulgação do cinema nacional? Que mais pensa que pode ser feito neste campo?
J.T.F.: Há muito potencial no cinema português, julgo que é meramente uma questão de tempo para que as pessoas se apercebam. As grandes produções internacionais estão a ficar repetitivas e genéricas, os espetadores hão de começar a procurar outros tipos de cinema e as produções nacionais hão de começar a emergir. Festivais como o MOTELx fazem um ótimo trabalho a catalisar isso. Penso que não há muito mais a fazer para ajudar o cinema português que não ver mais filmes nacionais e esperar.


Sinopse
Um robô vive sozinho num edifício abandonado, estudando a vida humana por um catálogo de pinturas e fingindo que bebe chá em companhia imaginária.

terça-feira, 8 de setembro de 2015

MOTELx'15: Entrevistas - Simão Cayatte (Miami)

MOTELx começou hoje, 8 de Setembro, e para o Prémio MOV MOTELx – Melhor Curta de Terror Portuguesa 2015, o único galardão do festival, estão a concorrer 10 curtas-metragens nacionais: A Tua Plateia, de Óscar FariaAndlit, de João Teixeira FigueiraErmida, de Vasco EstevesGasolina, de João TeixeiraInsónia, de Bernardo LimaMiami, de Simão Cayatte, Efeito Isaías, de Ramón de los SantosO Tesouro, de Paulo AraújoThe Bad Girl, de Ricardo Machado, The Last Nazi Hunter 2, de Carlos Silva.


Simão Cayatte e a sua curta-metragem Miami estão hoje em destaque no Hoje Vi(vi) um Filme.

Miami introduz-nos num tipo de terror diferente, onde é a obsessão que toma lugar. O que pode o público esperar desta curta-metragem?
Simão Cayatte: É verdade. Aqui a ameaça não vem do exterior mas sim da cabeça da protagonista. Sempre gostei do terror psicológico no cinema. A ideia de que nós criamos o nosso próprio terror assusta-me ainda mais do que a ideia de uma ameaça vinda de fora. Li há um tempo um artigo (creio que relacionado com o caso de Anders Breivik) em que constava uma definição muito interessante do que é a loucura. Um louco, de acordo com esta proposta, é alguém que ao levar uma ideia até ao fim, fá-lo numa sucessão totalmente racional de actos lógicos - o único problema é a premissa. Depois de fazer este filme percebi que o mesmo se passava com Raquel (a protagonista) pois a missão que leva até fim é executada de forma perfeitamente calma e racional. Simplesmente a premissa (ser famosa a todo o custo) é completamente desvairada. Nesse sentido o filme vive de facto de um terror diferente. O terror da loucura.

O sonho da fama e os problemas da adolescência parecem estar no centro do filme. Como surgiu a ideia de filmar Miami?
S.C.: O filme é inspirado num conto de Teolinda Gersão (Big Brother Isn’t Watching You) que por sua vez se baseia em factos reais. Talvez uma das principais diferenças entre o filme e o conto é que no livro não existe uma só protagonista, mas sim um grupo de três amigas. Achei que em cinema era mais interessante focar-me numa só personagem de forma a estudá-la o melhor possível no pouco tempo que tinha. Também acho mais forte um close-up de uma só pessoa que de três.
A Raquel é uma adolescente de quinze anos que quer desesperadamente ser alguém. O problema é que não tem muito talento, e como tantas raparigas (e rapazes) hoje em dia, é a vítima perfeita deste presente envenenado: a ideia de que a fama é sinónimo da felicidade. Para ela aparecer na televisão, o número de likes na página de instagram ou ser fotografada já não é suficiente. Precisa de uma forma mais rápida e prática de chegar à ribalta. É isso o que vemos no filme. Por muito satírica ou irrealista que parece a ideia, ela é de facto real. Infelizmente o sonho de fama tornou-se uma religião.

Como correu o processo de rodagem desta curta-metragem?
S.C.: Correu bem. Infelizmente não tivemos muitos meios para filmar a curta, mas graças ao investimento e à boa vontade da Ukbar Filmes e de uma equipa incrível que se dedicou completamente ao projecto foi possível realizá-lo. Acima de tudo foi muito gratificante trabalhar com a Alba Baptista, uma jovem actriz que descobri através de um casting feito a mais de 80 actrizes. Ela acreditou no projecto, disponibilizou-se a ensaiar dezenas de vezes, teve muita paciência para me aturar, e no final acredito que faz o filme.

Qual é para o Simão a importância de estar entre os seleccionados de 2015 para o Prémio MOV MOTELx? E o que o levou a submeter o seu filme?
S.C.: Fico muito contente de ter sido selecionado para o festival. Acima de tudo porque sinto que ao ser selecionado, o festival abre as portas à definição de “terror” dando espaço a um filme que, para além da componente de terror, é também um filme de personagem e uma crítica social. O terror é um género incrível. Quando era criança dizia às pessoas que quando fosse adulto iria fazer filmes de terror. Se calhar acabei a fazer um terror diferente. Mas é bom poder fazer parte do festival.

Qual o papel dos festivais de cinema no campo da divulgação do cinema nacional? Que mais pensa que pode ser feito neste campo?
S.C.: Fundamental. Estive agora com o Miami na Dinamarca no festival OFF (Odense) onde vi filmes inacreditáveis. Ao falar com realizadores de vários países, reparei que os festivais portugueses estavam sempre a ser referidos nas conversas. Da animação, à ficção, ao documentário, notei que as pessoas tinham interesse em enviar os seus filmes. Isto é saudável e significa que Portugal tem um circuito de festivais de relevância nacional e internacional. Em termos do que pode ser feito neste campo, acho que uma maior integração e união entre os vários festivais a favor da luta por melhores condições para os próprios festivais, para o artista (seja ele o técnico, ou o actor) e o financiamento do cinema poderá ajudar a que mais e melhores filmes sejam produzidos anualmente.


Sinopse
O sonho de fama de uma adolescente transforma-se numa perigosa obsessão.

segunda-feira, 7 de setembro de 2015

MOTELx'15: Entrevistas - Bernardo Lima (Insónia)

MOTELx começa já no dia 8 de Setembro e para o Prémio MOV MOTELx – Melhor Curta de Terror Portuguesa 2015, o único galardão do festival, estão a concorrer 10 curtas-metragens nacionais: A Tua Plateia, de Óscar FariaAndlit, de João Teixeira FigueiraErmida, de Vasco EstevesGasolina, de João TeixeiraInsónia, de Bernardo LimaMiami, de Simão Cayatte, Efeito Isaías, de Ramón de los SantosO Tesouro, de Paulo AraújoThe Bad Girl, de Ricardo Machado, The Last Nazi Hunter 2, de Carlos Silva.


Bernardo Lima é o entrevistado que se segue, aqui pelo Hoje Vi(vi) um Filme. O realizador fala-nos da sua curta-metragem Insónia.

A noite é muitas vezes o cenário ideal para um filme de terror. Insónia não foge à regra. O que pode o público esperar deste filme?
Bernardo Lima: Pessoalmente, gosto muito da “incerteza psicológica” da noite. Pareceu-me desde cedo o setting ideal para a história que queria contar. O público pode esperar um thriller de ação com elementos subversivos. Se os espectadores tiverem uma reação visceral, alcancei o meu objetivo.

Como surgiu a ideia de filmar Insónia?
B.L.: Insónia foi o meu projeto final de mestrado em cinema. Na altura, quem quisesse assumir a posição de realizador tinha de escrever um argumento e apresentá-lo perante o orientador da disciplina e os colegas. Após alguma procrastinação, apresentei finalmente a minha ideia. Deu-se então um processo de votação através do qual foram escolhidos três argumentos para serem realizados, entre eles o Insónia. Durante a pré-produção, o argumento foi-se alterando e a história tornou-se cada vez mais abstrata. Posso dizer que o produto final difere consideravelmente da primeira ideia que apresentei em aula.

Como foi trabalhar com Nuno Pardal?
B.L.: Foi ótimo. O Nuno é um excelente ator e uma pessoa muito acessível e recetiva. Espero vir a ter a oportunidade de colaborar novamente com ele.

Qual é para o Bernardo a importância de estar entre os seleccionados de 2015 para o Prémio MOV MOTELx? E o que o levou a submeter o seu filme?
B.L.: Fazer um filme é um processo muito complexo. Acho que poucas pessoas conseguem compreender o esforço e dedicação que são necessários, especialmente quando há poucos recursos. Este projeto consumiu-me por completo, ao ponto de obsessão. Submeter o filme para um festival foi assim uma tentativa de validação, de ver todo esse esforço reconhecido de alguma forma. Fiquei muito contente ao receber a notícia e revigorou a minha vontade de fazer filmes. 

Qual o papel dos festivais de cinema no campo da divulgação do cinema nacional? Que mais pensa que pode ser feito neste campo?
B.L.: A verdade é que não existe um mercado para curtas-metragens em Portugal. Os festivais são a única plataforma que permite a divulgação deste tipo de trabalhos. O MOTELx, em particular, parece-me muito focado em estimular a produção cinematográfica em Portugal e tenho esperança que mais festivais adotem essa postura no futuro.


Sinopse
Um homem solitário vagueia pela noite, tentando combater o vazio. Depois de se cruzar com uma mulher em apuros, acaba arrastado para um submundo violento. 

sábado, 5 de setembro de 2015

MOTELx'15: Entrevistas - Paulo Araújo (O Tesouro)

MOTELx começa já no dia 8 de Setembro e para o Prémio MOV MOTELx – Melhor Curta de Terror Portuguesa 2015, o único galardão do festival, estão a concorrer 10 curtas-metragens nacionais: A Tua Plateia, de Óscar FariaAndlit, de João Teixeira FigueiraErmida, de Vasco EstevesGasolina, de João TeixeiraInsónia, de Bernardo LimaMiami, de Simão Cayatte, Efeito Isaías, de Ramón de los SantosO Tesouro, de Paulo AraújoThe Bad Girl, de Ricardo Machado, The Last Nazi Hunter 2, de Carlos Silva.


Continuamos a conhecer melhor as curtas portuguesas do MOTELx'15. Desta vez, o entrevistado é o repetente Paulo Araújo, realizador de O Tesouro.

O Tesouro baseia-se no conto homónimo de Eça de Queirós. De onde surgiu a ideia para esta adaptação?
Paulo Araújo: Estava de férias e, numa feira do livro, creio que na Nazaré, comprei um livro de contos do Eça de Queirós. A ideia surgiu no momento em que li os primeiros parágrafos do conto. Achei que tinha os ingredientes necessários para poder realizar uma nova curta a pensar no MOTELx.

O que pode o público esperar do filme?
P.A.: Bom, aqueles que conhecem o conto podem esperar aquilo que já sabem. Falando um pouco mais a sério, espero que o público se divirta. Acima de tudo, porque as personagens são bastante engraçadas. O filme tem uma linguagem muito sui generis, sendo que a história se passa na Idade Média, algures no Reino das Astúrias. Ou, se calhar, no Norte de Portugal…

Como foi o processo de rodagem?
P.A.: Tudo a cem à hora. Os figurinos foram feitos num dia. Filmámos em três dias. A música original foi feita de improvisação e quase em tempo real. Apesar de ter sido muito cansativo, correu bastante bem, porque os actores já conheciam o conto e sabiam exactamente o que fazer. O Ricardo Almeida, que também é dramaturgo, fez comigo a adaptação do texto. De resto, todos estiveram envolvidos no processo criativo, o que tornou tudo mais fácil.

O Paulo já não é estreante por estas andanças do MOTELx (em 2013 também marcou presença no festival com a curta Nico - A Revolta). Qual é para si a importância de voltar a estar entre os seleccionados de 2015 para o Prémio MOV MOTELx? E o que o levou a submeter o seu filme?
P.A.: Os únicos filmes de ficção que fiz (ou que consegui acabar) até à data, fi-los propositadamente para o MOTELx, e ambos foram seleccionados. Não podia estar mais contente. Há um aspecto curioso que de algum modo me atrai ao MOTELx. É que, por coincidência, resolvi começar a brincar aos realizadores precisamente no ano da primeira edição do festival. Escrevi um guião, comprei uma câmara e comecei a filmar. Não para concorrer ao festival – porque na altura ainda não sabia da sua existência – mas tão só pelo divertimento que a coisa dava. Entretanto tomei conhecimento do festival e, sendo eu fã do género, fui acompanhando à distância (vivo em Vila Real), à espera de uma oportunidade de ir a Lisboa apanhar uma barrigada de filmes de terror. Foi então que coloquei a mim mesmo o desafio de fazer uma curta e submetê-la ao MOTELx. O resto é sabido.

Que mais pensa que pode ser feito no que diz respeito à divulgação do cinema nacional?
P.A.: Têm aparecido nas salas nacionais filmes portugueses com alguma frequência, e até batem recordes de bilheteira; nascem novas produtoras; consequentemente há mais produções; realizadores portugueses são reconhecidos internacionalmente; existem os festivais de cinema. Estamos longe de ter uma indústria cinematográfica como acontece em Espanha ou na França, mas há coisas a acontecer. Apesar das dificuldades e da falta de apoios, há gente motivada e empenhada que está a fazer coisas. De algum modo, o país sabe disto. A internet é um meio de divulgação extraordinário. Contudo, há que trabalhar muito ainda para que o cinema português passe nas salas estrangeiras. Mas também é preciso que passe ainda mais nas salas nacionais.


Sinopse
Três miseráveis mas fidalgos irmãos encontram um cofre cheio de ouro e têm que decidir como o vão dividir. Matar um deles poderá ser uma solução.

MOTELx'15: Entrevistas - Carlos Silva (The Last Nazi Hunter 2)

O MOTELx começa já no dia 8 de Setembro e para o Prémio MOV MOTELx – Melhor Curta de Terror Portuguesa 2015, o único galardão do festival, estão a concorrer 10 curtas-metragens nacionais: A Tua Plateia, de Óscar Faria, Andlit, de João Teixeira Figueira, Ermida, de Vasco Esteves, Gasolina, de João Teixeira, Insónia, de Bernardo Lima, Miami, de Simão Cayatte, O Efeito Isaías, de Ramón de los Santos, O Tesouro, de Paulo Araújo, The Bad Girl, de Ricardo Machado, The Last Nazi Hunter 2, de Carlos Silva.


E porque devemos estar sempre atentos ao que por cá se faz, nada como conhecer melhor os realizadores e filmes nacionais seleccionados. Para começar, o Hoje Vi(vi) um Filme entrevistou Carlos Silva, o bem-humorado realizador de The Last Nazi Hunter 2.

O humor negro parece estar muito presente em The Last Nazi Hunter 2
Carlos Silva: Fico um pouco ofendido por considerarem humor negro. Não tentamos fazer humor. Apenas quisemos abordar uma questão que tem vindo a ser negligenciada pela sociedade. Ouvimos nas notícias os problemas da corrupção na política, da violência doméstica e sobre a transferência do Jesus, mas ninguém fala de coisas importantes. Como o problema que afecta os Caçadores de Nazis que, não tendo as mesmas capacidades e vitalidade de outros tempos não estão a desempenhar a função de uma forma produtiva. Para não falar que quase todos os nazis já morreram, deixando-os desempregados. Para piorar a segurança social não reconhece a caça ao nazi como um ocupação e por isso não têm direito a reforma. Isto para mim é um cenário negro. Humor? Só para doentes que acham piada a isto.

De onde surgiu a ideia de fazer este filme?
C.S.: A ideia surgiu, como todas as minhas ideias. Eu vejo temas sobre a sensibilidade humana, fico comovido e gosto de contar essas estórias. Pedi ao meu grande companheiro de muitos anos Gastão da Silva Ferreira para me por isso num guião e com a ajuda do Salvador Sobral pusemos o filme em marcha.

O que pode o público esperar da curta-metragem?
C.S.: O ideal seria que o público não esperasse nada. Primeiro eu odeio esperar. Por isso gostaria que não houvesse filas para que o público esperasse. Segundo, quanto menos o público esperar, no sentido de expectativas, melhor, pois assim podem não detestar tanto. Como disse, abordamos temas sensíveis e controversos. Muita gente pode ficar ofendida. Além disso, um dos actores diz um palavrão no filme.

Qual o papel dos festivais de cinema no campo da divulgação do cinema nacional? Que mais pensa que pode ser feito neste campo?
C.S.: A nós deixa-nos muito motivados para continuar a fazer o que gostamos: contar estórias. O que sinto, por ser um homem de família e consequentemente ter pouco tempo para ir a festivais e até ao cinema, seria colocar o festival também na internet. Há plataformas como o vimeo onde podemos ver os filmes pagando uma quantia. Não me importaria para ver no canal do MOTELx pagar o bilhete mas vê-lo na internet em vez de me deslocar. Até porque não gosto muito de sair de casa e conviver com pessoas.


Sinopse
Acamado, à beira da morte, o último caçador de nazis envia o seu neto, um pacifista tímido, a Portugal para matar o sanguinário Dentista de Dachau.

segunda-feira, 31 de agosto de 2015

Curtas-metragens: Arcana, de Jerónimo Rocha

Jerónimo Rocha é um nome que já associamos ao MOTELx e este ano não foge à regra. A curta-metragem Arcana tem estreia na noite de abertura da edição deste ano do Festival Internacional de Cinema de Terror de Lisboa, 8 de Setembro, pelas 21h30, na mesma sessão que A Visita, de M. Night Shymalan.

Depois de Dédalo, o realizador aventura-se nas lendas nacionais e é na Dama do Pé-de-Cabra que encontra inspiração para o seu Arcana. Recuamos ao século XI, algures na Península Ibérica. Numa masmorra escura e húmida, uma herética está acorrentada a uma coluna com uma linha de protecção de sal à sua volta. Deixada aos seus pensamentos, conjura formas de se evadir. O filme inventa uma passagem do que poderá ter acontecido entre o desaparecimento da esposa danada e da filha de D. Diogo Lopes e o reencontro de Inigo Guerra com sua mãe, na obra literária de Alexandre Herculano, A Dama do Pé de Cabra. Com este filme, Jerónimo Rocha quer deixar "a nossa imaginação levar-nos ainda mais longe".


Nascida de um spot promocional, a estória cresceu a partir da recolha de contos e dizeres da bruxaria popular portuguesa a que se junta a lenda adaptada por Alexandre Herculano, que seria um óptimo desafio para uma longa-metragem de terror (dizemos nós).

O denso ambiente, obscuro, sujo, frio e sangrento, envolve-nos de imediato em Arcana e deixa-nos desconfortáveis, mas presos ao ecrã. O ponto de partida para a curta-metragem é desafiante e deu margem ao realizador para explorar lendas que se encaixam perfeitamente no cinema de terror. O trabalho de caracterização, cenografia, fotografia e montagem são pontos muito fortes do filme de Jerónimo Rocha, contribuindo para um produto final de grande qualidade também técnica. Por outro lado, a nossa Dama, Íris Cayatte, incorpora na perfeição a assustadora protagonista, fundindo-se com o ambiente repugnante em que está inserida.

Para além da possibilidade de assistir à curta-metragem no primeiro dia do festival, os mais curiosos poderão participar igualmente na masterclass de dia 12 de Setembro pelas 18h00, no MOTELx, com Jerónimo Rocha (realizador), Íris Cayatte (actriz), João Rapaz (caracterização), Luís Monteiro (director de Arte) e João Cabezas (chefe de Produção). A entrada é gratuita.

Conhece o trailer de Arcana:


Acompanha as novidades do filme no facebook: https://www.facebook.com/arcanafilm