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terça-feira, 13 de setembro de 2016

MOTELx'16: Psycho Raman / Raman Raghav 2.0 (2016)

*6.5/10*

O cinema de terror indiano andou pelo MOTELx'16 e um dos títulos da programação foi Psycho Raman, de Anurag Kashyap. O filme estreou na Quinzena dos Realizadores do Festival de Cannes 2016, e passa-se na Bombaim contemporânea.


Recorrendo à memória de Raman Raghav, um assassino que aterrorizou a cidade na década 60, o filme de Kashyap acompanha o percurso de um serial killer, Ramanna, que nele se inspira. Para além das mortes violentas que executa, desenvolve uma estranha obsessão com Raghavan, um jovem polícia de ética questionável. Ramanna segue-o sem que este se aperceba, criando situações para que se encontrem cara a cara. A partir desse momento, o assassino tem apenas um único objectivo na vida: obrigar Raghav a transgredir.

Psycho Raman tem um argumento original, que foge ao típico thriller policial, onde o bem e o mal são facilmente distinguíveis. Neste filme, não há bons. O mal percorre as personagens e não se prende apenas ao psicopata protagonista. Também o polícia revela um lado obscuro, uma espécie de dupla faceta, que o aproxima do criminoso que procura.

Anurag Kashyap aposta em especial no que fica por ver, na sugestão de uma violência brutal, mas que raramente se traduz em imagens. Os protagonistas são complexos, movidos por razões que nunca chegamos a compreender, o que torna todo o ambiente de Psycho Raman mais sinistro.


E se, por um lado, há uma espécie de humor subjacente na relação entre assassino e polícia, por outro as suas consequências são aterradoras. Nawazuddin Siddiqui, como Ramanna, merece todo o destaque pela sua interpretação perturbadora, desde as expressões faciais, aos gestos decididos e ausência de sentimentos.

Psycho Raman é, essencialmente, uma interessante surpresa vinda da Índia, com um terror incómodo, mas que, por vezes, parece não se levar suficientemente a sério.

MOTELx'16: Vencedores

A 10.ª edição do MOTELx - Festival Internacional de Cinema de Terror de Lisboa despediu-se do seu público este Domingo, dia 11 de Setembro. A curta-metragem Post-Mortem e a longa The Noonday Witch foram os vencedores deste ano.


O Prémio para Melhor Curta Portuguesa foi entregue a Belmiro Ribeiro pelo seu filme, Post-Mortem, que nos apresenta um fotógrafo que presencia um assassinato e se deslumbra com a vítima. O júri da competição nacional, composto por José Luís Peixoto, Filomena Cautela e Shelagh Rowan-Legg, considerou que o filme “se faz valer de um excelente trabalho sonoro e fotográfico, com um eloquente uso do preto e branco. Post-Mortem apresenta-nos uma história de macabra subtileza, interpretada com competência”. A curta-metragem recebeu um prémio no valor de cinco mil euros, e um fim-de-semana de inspiração num hotel, ficando também seleccionado para o Méliès d’Or de Melhor Curta-Metragem Europeia, atribuído anualmente pela Federação Europeia de Festivais de Cinema Fantástico (EFFFF), que decorrerá no Festival de Lund, na Suécia, no final de Outubro.


Da República Checa, chegou o vencedor da Competição Europeia, estreada neste 10.º aniversário do MOTELx. The Noonday Witch, de Jiří Sadék, conquistou o Prémio Melhor Longa Europeia/Méliès d’Argent e irá também representar o MOTELx em Lund. O júri da competição, constituído por Fernando Ribeiro, Ruggero Deodato e Mick Garris, destacou “a inspiração, o respeito e o domínio pela linguagem do Cinema” para justificar a sua escolha, acrescentando que o filme “conta uma história intemporal, bebida das raízes do seu folclore natal. Uma opção assumida e frontal por um terror adulto, que nos prende e encanta até ao fim, num tempo em que o terror é erradamente pensado como apenas juvenil. Um filme sério e muito a sério que irá longe”.

Para além dois dois vencedores, houve ainda uma Menção Especial para a curta-metragem Palhaços, de Pedro Crispim, pelo “trabalho fotográfico de qualidade, com um óptimo uso da cor e uma história com vários níveis e personagens complexas”.

sábado, 3 de setembro de 2016

MOTELx'16 chega na próxima semana

A comemorar a sua 10ª edição, o MOTELx - Festival Internacional de Cinema de Terror de Lisboa vem aterrorizar a capital em tom de festa de 6 a 11 de Setembro. Ruggero Deodato, realizador de Holocausto Canibal, é o convidado especial deste ano.


A abrir o festival estará Don't Breathe (Nem Respires), de Fede Alvarez, produzido por Sam Raimi. O assalto à casa de um milionário cego pode não correr tão bem como os ladrões pensam. O filme é exibido a 6 de Setembro, às 21h30, no Cinema São Jorge. As honras de encerramento do MOTELx cabem a The Devil’s Candy, de Sean Byrne, no dia 11, às 21h45, no Cinema São Jorge.

Entre as mais de 70 sessões de cinema de terror a que se poderá assistir, destaque para alguns dos títulos do MOTELx'16. A secção Serviço de Quarto traz as estreias de Personal Shopper, de Olivier Assayas (Melhor Realização em Cannes), protagonizado por Kristen Stewart, e My Father Die, primeiro filme realizado por Sean Brosnan, filho de Pierce Brosnan, ou The Purge: Election Year, última sequela do The Purge, agora em torno das próximas eleições presidenciais nos EUA. Nas sessões especiais, Shelagh Rowan-Legg apresenta a versão restaurada de Tras el Cristal, a primeira longa de Agustí Villaronga, em 1986, com Marisa Paredes.


Ainda de destacar estão filmes como Psycho Raman, de Anurag Kashyap e The Transfiguration, de Michael O'Shea, estreados na última edição do Festival de Cannes, o japonês Sadako vs Kayako, de Kōji Shiraishi, ou o documentário De Palma, de Noah Baumbach e Jake Paltrow, sobre o realizador de Carrie.

Nas sessões especiais dedicadas ao polaco Walerian Borowczyk poderemos ver The Beast (1975) e The Strange Case of Dr. Jekyll and Miss Osbourne (1981). A realizadora Noémia Delgado, falecida este ano, será homenageada com a exibição de dois episódios da série Contos Fantásticos, raramente exibidos e desconhecidos dentro da sua filmografia: A Princesinha das Rosas e Tiaga.


Uma das grandes novidades deste ano é a criação de uma competição de longas-metragens europeias. Fernando Ribeiro, vocalista dos Moonspell, Ruggero Deodato e o produtor e realizador Mick Garris fazem parte do júri. Os últimos dois vão sentar-se à conversa com os espectadores sobre os anos 1970 e 1980 das respectivas cinematografias, no dia 11 de Setembro, pelas 19h00, no Cinema São Jorge. São sete as longas-metragens em competição pelo Prémio MOTELX Melhor Longa de Terror Europeia: Baskin (Turquia / EUA, 2015), de Can Evrenol, K-Shop (Reino Unido, 2016), de Dan Pringle, The Noonday Witch (República Checa, 2016), de Jiri Sádek, Psychonauts, the Forgotten Children (Espanha, 2015) de Pedro Rivero e Alberto Vázquez, Shelley (Dinamarca / Suécia, 2016), de Ali Abbasi, Like a Cast Shadow (Alemanha, 2015), de Michael Krummenacher, e Villmark Asylum (Noruega, 2015), de Pål Øie.

Já na competição de curtas-metragens, o júri é composto pelo escritor José Luís Peixoto, pela actriz e apresentadora Filomena Cautela e pela programadora e escritora canadiana Shelagh Rowan-Legg. Os vencedores serão anunciados no último dia do MOTELx'16. Na corrida estão 10 filmes: A Caverna, de Edgar Pêra, Dentes e Garras 2, de Francisco Lacerda, Jigging, de Ramón de los Santos, Na Floresta... Corre!, de Nuno Soler e Ruben de Sousa, Oneiros, de Gustavo Silva, Palhaços, de Pedro Crispim, Por Diabos, de Carlos Amaral, Post-Mortem, de Belmiro Ribeiro, Que é Feito dos Dias na Cave, de Rafael Almeida, e Retorno, de Manuel Brito.

Na secção MOTELX LAB, há espaço para actividades como workshops, masterclasses e conferências destinadas a profissionais e amadores. Entre as novidades deste ano está a Yorn microCURTAS, uma competição curtas de terror, com a duração máxima de dois minutos, filmadas integralmente com telemóvel, smartphone ou tablet.

O Cinema São Jorge, o Teatro Tivoli BBVA e a Cinemateca Júnior voltam a servir de palco ao desfile do cinema de terror. O Warm-Up começou esta Quinta-feira, dia 1 de Setembro, e prolonga-se até este Sábado, dia 3, com cinema ao ar livre, concertos, festas e ainda um passeio com o Lisbon Walker em redor do universo de D. Sebastião, inspirador da imagem do festival nesta edição.

Mais informações sobre a 10.ª edição do MOTELx, aqui.