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domingo, 24 de fevereiro de 2019

Oscars 2019: Os Actores Principais

Olhemos agora para os nomeados para o Oscar de Melhor Actor. Ethan Hawke é o nomeado ausente - o melhor desempenho masculino do ano passado, totalmente ignorado pela Academia. Entre os cinco candidatos, há dois nomes fortes, mas todos os desempenhos estão a níveis bastante semelhantes. Vou abster-me quanto a Willem Dafoe pois ainda não assisti ao seu filme. Eis os nomeados para Melhor Actor, por ordem de preferência:



Bradley Cooper mostra que sabe cantar... e não só. Cooper é, sem dúvida, a grande Estrela do título do seu filme. Afinal, ali há talento, e muito. Nunca imaginei vê-lo num papel com a entrega e emoção que coloca em Jackson Maine. O actor (agora sim, podemos chamá-lo actor) transmite-nos o desespero e desencanto, o vazio que sente, a mágoa e tristeza. Ele sofre e faz-nos ter piedade da sua personagem, esquecendo, por vezes, que Lady Gaga também está no ecrã. Cria-se uma empatia imensa com Cooper que parece ter esperado muitos anos por uma personagem com esta força e carácter. É arrepiante vê-lo. E por muitas graças que se possam fazer acerca da sua personagem em A Ressaca, nada se compara a este alcoólico doente e sem forças, nem esperança.



Já estamos habituados às inúmeras transformações de Christian Bale de personagem para personagem, mas nunca estamos verdadeiramente preparados para a próxima. Em Vice, surge mais uma vez camaleónico e assustadoramente semelhante a Cheney em expressões, gestos e até na voz e forma de falar. Um fabuloso desempenho.



Rami Malek é quem conduz Bohemian Rhapsody e o faz valer a pena. Uma interpretação quase idêntica ao verdadeiro Freddie, o que vai para além da caracterização ou parecenças físicas. Malek estudou minuciosamente os gestos, os movimentos, a forma de andar de Freddie Mercury... Uma interpretação convincente e cheia de dedicação.



Viggo Mortensen forma uma dupla-maravilha como Mahershala Ali, na pele de um italo-americano gabarola e um tanto grosseiro. Viggo engordou para fazer esta personagem, e a comida italiana parece ter sido a dieta ideal. O actor é tão boçal como sincero, numa pureza conspurcada mas ainda com alguma doçura ou inocência. Dos modos racistas iniciais, Tony vai aprendendo muito com Don - e igualmente ensinando -, e entre as diferenças surgem muitos pontos comuns. Tão diferentes e tão complementares.

Willem Dafoe (At Eternity's Gate)
 

Sem avaliação

sexta-feira, 2 de março de 2018

Oscars 2018: Os Actores Principais

Para finalizar, avalio agora os nomeados para o Oscar de Melhor Actor. Numa categoria onde o vencedor está quase certo, encontramos bons desempenhos, em especial os dois primeiros da minha lista. O último dos nomeados começa a ser a Meryl Streep no masculino, somando nomeações nos últimos anos e, apesar de ter uma boa prestação, havia outros nomes que poderiam ocupar o seu lugar na lista de nomeados. Falo, em especial, de James Franco. Eis os nomeados para Melhor Actor, por ordem de preferência:

1. Timothée Chalamet, Chama-me Pelo Teu Nome (Call Me By Your Name)


Timothée Chalamet retrata a inocência, os medos e a arrogância típicas da adolescência, a par da curiosidade imensa pelo que o rodeia. Como Elio, ele interioriza as dúvidas e a paixão avassaladora que é este primeiro amor. Vive e sofre com a mesma ânsia e deixa-nos arrebatados com uma interpretação tão adulta. Se um actor tão jovem é capaz de tanto, há que lhe dar o merecido valor.

2. Daniel Day-Lewis, Linha Fantasma (Phantom Thread)


Daniel Day-Lewis é metódico, elegante, encarna o estilista como se estivesse a fazer de si mesmo. Cada papel, cada novo Day-Lewis, ele que é um dos melhor actores da sua geração. Rígido mas frágil, apaixonado mas igualmente enlouquecido quando as emoções fogem ao seu controlo, é um homem aparentemente decidido mas que depende em demasia da irmã e de outras mulheres que compõem a sua vida. Ele esconde segredos nas bainhas, segredos que prefere partilhar com as roupas que desenha, mais do que com as pessoas que o rodeiam.

3. Gary Oldman, A Hora Mais Negra (Darkest Hour)


Gary Oldman desaparece na personagem e ganha todas as cenas em que entra. A caracterização fez um trabalho estupendo, e é mesmo difícil encontrarmos o actor, não fossem os olhos azuis e alguns trejeitos de boca. De resto, voz, movimentos, expressões estão totalmente entregues ao filme.

4. Daniel Kaluuya, Foge (Get Out)


Daniel Kaluuya, o protagonista Chris, mostra-se à altura do desafio. O actor é extremamente expressivo e cativa a audiência ao juntar na perfeição curiosidade, inocência e terror. Um estreante com potencial.

5. Denzel Washington, Roman J. Israel, Esq.

Denzel Washington é um grande actor e interpreta com coração cada papel que lhe dão. Roman J. Israel, Esq. não é excepção, onde veste a pele do protagonista homónimo, um advogado convicto e orgulhoso. De aparência extravagante e com algumas dificuldades de socialização, Washington surge ligeiramente diferente da imagem a que nos tem habituado. Roman é especialmente dedicado ao que defende e luta pelas suas convicções, mesmo quando um dilema moral se atravessa no seu caminho. Se a nomeação é merecida, talvez, mas há outros desempenhos tão ou mais merecedores deste lugar.

domingo, 26 de fevereiro de 2017

Oscars 2017: Os Actores Principais

Para finalizar, avalio agora os nomeados para o Oscar de Melhor Actor. Numa categoria onde o vencedor não é evidente, encontramos quatro desempenhos fabulosos (onde é quase impossível escolher o melhor) e uma prestação muito inferior às restantes. O melhor é que temos interpretações para todos os gostos. Eis os nomeados, por ordem de preferência:

Casey Affleck é o motor da narrativa e seguimo-lo de Boston a Machester-by-the-sea, entre o presente e passado, num conflito interior constante. Um homem triste, deprimido, com uma aura cheia de mágoa e culpa. O actor transparece todas estes sentimentos e emoções sem esforço e faz-nos nutrir facilmente uma simpatia tímida pela sua personagem reservada. Uma interpretação muito sentida e competente do actor que, cada vez mais, vai mostrando quem é o Affleck talentoso.

2. Viggo Mortensen por Capitão Fantástico (Captain Fantastic)
Viggo Mortensen é o outsider da categoria de Melhor Actor, pelo seu papel num filme sem mais nenhuma nomeação (mas que merecia, sem dúvida, estar na corrida para Melhor Argumento Original). O actor encarna uma personagem surpreendente, o homem que cria os filhos no meio da natureza, com exigência, rigor mas muito amor - à sua maneira. Poderá passar por lunático, vagueia entre a inconsciência e a vontade de que os filhos sejam os melhores e estejam o melhor preparados possível para o mundo. Firme e seguro ao início, a tristeza, o desalento e as dúvidas vão tomando conta da sua personagem ao longo de Capitão Fantástico. Uma verdadeira surpresa.

Ao lado de Emma Stone, Ryan Gosling canta, dança e representa. Em La La Land, o actor mostra a sua versatilidade, provando como se sabe reinventar e surpreender. Vai na sua segunda nomeação (que podia ser terceira, caso o tivessem nomeado pelo fabuloso papel em Blue Valentine), e ainda não é desta que leva o Oscar.

Denzel Washington encarna com a naturalidade da prática (representou no teatro esta mesma personagem, mais de 100 vezes) um homem de sonhos perdidos, que refugia no álcool os seus desgostos, em constante conflito com os filhos, ambicioso e egoísta. Quer fazer tudo pela família, mas são mais as oportunidades de triunfo que lhes rouba. Sendo quase omnipresente, não deixa de ser uma personagem incapaz de conquistar a plateia, tanta é a amargura que carrega em si. 

A ser nomeado, Andrew Garfield devia sê-lo por Silêncio, onde tem um desempenho especialmente bom a interpretar um padre jesuíta português no Japão, que sofre, perde-se e encontra-se, contra crenças e injustiças. Já em O Herói de Hacksaw Ridge, Garfield é dramático, frágil e inocente como a personagem pede, e cedo conquista a simpatia da plateia. No entanto, o fôlego que o filme precisa só chega quando passamos a ver Desmond tentar salvar os seus colegas feridos no campo de batalha. O actor é o anjo protector daquela batalha, incansável, mas de tão angelical, torna-se pouco convincente.

sábado, 1 de março de 2014

Oscars 2014: Os Actores Principais

Depois das actrizes e actores secundários, passemos agora aos principais. Aqui ficam, por ordem de preferência, os cinco nomeados para o Oscar de Melhor Actor, com uma breve análise ao seu desempenho.

1. Matthew McConaughey em O Clube de Dallas (Dallas Buyers Club)
Da transformação física ao consolidar de um grande talento, se, como se prevê, Matthew McConaughey vencer na sua categoria, o Oscar não poderia ficar melhor entregue. 20 kg mais magro, o actor deixou de lado o charme que marcou parte da sua carreira, para incorporar, de corpo e alma, Ron Woodroof um homem bruto, homofóbico e de maus modos, que descobre ser seropositivo. Da surpresa e incredulidade, à vontade de lutar e de contrariar o diagnóstico de uma morte demasiado precoce, McConaughey conduz brilhantemente o percurso do protagonista - agora solitário, que encontra o mais próximo de um amigo no transexual interpretado por Leto - que desafia a lei, em nome da sobrevivência de muitos. Ao mesmo tempo, é o protagonista quem sofre mais mudanças, quer em termos de relações de amizade, formas de ver o mundo e de encarar o futuro. McConaughey é brilhante.

2. Bruce Dern em Nebraska
Apesar do meu favoritismo ir para McConaughey, Bruce Dern segue-o de muito perto. O seu Woody é frágil, ingénuo, teimoso, mas cheio de esperança. No meio da debilidade que aparenta, surge uma força de vontade marcante, entre vícios e um passado doloroso. Woody - e Dern - "é" Nebraska e é muito por sua causa que nos deixamos conduzir nesta jornada em busca de um sonho.

3. Leonardo DiCaprio em O Lobo de Wall Street (The Wolf of Wall Street)
Nunca mais lhe dão o Oscar e ainda não será desta, mas ele há-de chegar. A cada novo papel, Leonardo DiCaprio proíbe-nos de negar o seu talento e versatilidade. Em O Lobo de Wall Street ele introduz-nos à vida boémia e corrupta dos corretores da bolsa e veste a pele de uma das maiores fraudes dos anos 80. DiCaprio faz-nos chorar de tanto rir, presta-se às mais hilariantes situações e tem o companheiro de farra perfeito: Jonah Hill.

4. Chiwetel Ejiofor em 12 Anos Escravo (12 Years a Slave)
Chiwetel Ejiofor tem uma prestação à altura da personagem principal de 12 Anos Escravo: sofrida e corajosa. No entanto, esperava-se um maior fôlego e entrega. No mesmo filme, Lupita Nyong'o faz-nos sentir muito mais.

5. Christian Bale em Golpada Americana (American Hustle)
Bale já tem um Oscar e, por enquanto, não merece mais nenhum. O actor camaleónico (já estamos habituados às abismais transformações físicas de que é capaz) surge irreconhecível na pele de um vigarista gordo, careca e pouco atraente - quem adivinharia que é o Batman? -, mas que as mulheres disputam. Christian Bale tem uma prestação competente e hilariante, mas já fez melhor.

sábado, 23 de fevereiro de 2013

Oscars 2013: Os Actores Principais

Depois das mulheres, seguimos para os homens, enumerando, sempre por ordem de preferência, os cinco nomeados ao Oscar de Melhor Actor.

1. Joaquin Phoenix em The Master - O Mentor
As possibilidades de ganhar são muito poucas para Joaquin Phoenix, mas é ele, sem dúvida, o grande merecedor do prémio. Em The Master - O Mentor, o actor presenteia-nos com uma interpretação exigente, onde se entrega ao problemático veterano de Guerra Freddie Quell, que balança entre o álcool, os problemas pessoais e sexuais, e a aparente pouca vontade de os ultrapassar. Phoenix confere à personagem tudo o que ela pede: a postura física, o descontrole emocional, a nostalgia do passado, a culpa que parece não o largar. Phoenix não levará o prémio para casa, mas tem consigo o reconhecimento de todos os que assistiram à sua performance de tirar o fôlego. É impossível ficar-lhe indiferente.

2. Daniel Day-Lewis em Lincoln
O mais provável vencedor do prémio para Melhor Actor é o meu segundo favorito de entre os nomeados. Day-Lewis não desilude na pele do Presidente Lincoln e a sua interpretação é muito competente. Frágil, mas decidido, e capaz de tudo para que a sua vontade - a aprovação da lei que ilegaliza a escravatura - seja cumprida, o actor oferece-nos um Lincoln muito credível, onde nem a caracterização, que o envelhece uns dez anos, nos faz duvidar do que quer que seja. Tudo aponta para que leve o Oscar para casa e, se tal se verificar, é merecido.

3. Hugh Jackman em Os Miseráveis
No musical de Tom Hooper, Jackman oferece uma participação interessante, onde volta a mostrar os seus dotes vocais (que ainda assim o deixam ficar mal algumas vezes durante a longa-metragem). Não sendo brilhante, o actor veste bem a pele do sofrido e corajoso Jean Valjean, surgindo irreconhecível no início de Os Miseráveis.

4. Denzel Washington em Decisão de Risco
Duplamente oscarizado, Denzel Washington soma este ano mais uma nomeação. Sabemos que o actor nunca descura nenhum papel, e como o piloto alcoólico Whip Whitaker também não desilude. Contudo esta não será certamente a sua melhor interpretação, e as probabilidades de Washington levar o prémio para casa são baixas.

5. Bradley Cooper em Guia para um Final Feliz
Surpreendentemente, Bradley Cooper tem sido muito aclamado pela sua interpretação em Guia para um Final Feliz. Com uma personagem bipolar que poderia ser interessante, Cooper começa bem, demonstrando ser capaz de muito mais do que nos tem habituado, mas rapidamente a interpretação se torna banal, ao mesmo tempo que a própria personagem perde a sua singularidade. Melhor do que a sua colega  no filme - Jennifer Lawrence -, é certo, o actor, ainda assim, não me convence.