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domingo, 1 de dezembro de 2019

Sugestão da Semana #405

Das estreias da passada Quinta-feira, a Sugestão da Semana destaca Knives Out: Todos São Suspeitos, de Rian Johnson.

KNIVES OUT: TODOS SÃO SUSPEITOS


Ficha Técnica:
Título Original: Knives Out
Realizador: Rian Johnson
Elenco: Daniel Craig, Ana de Armas, Chris Evans, Lakeith Stanfield, Jamie Lee Curtis, Toni Collette, Michael Shannon, Don Johnson, Katherine Langford, Jaeden Martell, Christopher Plummer
Género: Comédia, Crime, Drama
Classificação: M/12
Duração: 130 minutos

sábado, 10 de fevereiro de 2018

Crítica: A Forma da Água / The Shape of Water (2017)

"I'm not competitive, I don't want an intricate, beautiful thing destroyed!" 
Hoffstetler

*8/10*

Del Toro não tinha repetido, nem de perto, a magia de O Labirinto do Fauno, até realizar A Forma da Água. Este último ainda está longe da fórmula milagrosa de fazer cinema que o filme de 2006 trouxe. No entanto, recupera a aura de magia trágica e apresenta-nos um casal de protagonistas muito particular.

A fantasia desta história de encantar começa logo no primeiro plano, com narrador a acompanhar. Não faltam o monstro nem a guerra - as mais evidentes características partilhadas com O Labirinto do Fauno.


Em 1963, no auge da Guerra Fria, Elisa (Sally Hawkins), uma solitária empregada de limpeza muda, que trabalha num laboratório governamental, vê a sua vida mudar para sempre quando, com a colega Zelda (Octavia Spencer), descobre o resultado de uma experiência ultrasecreta: um estranho ser aquático que vive num tanque.

Em A Forma da Água, o verdadeiro monstro é humano. O outro, que vive na pureza da água, pode ser tantas coisas, ter tantos significados, mas não é ele o vilão. Elisa e o ser aquático com que desenvolve uma relação são uma espécie de A Bela e o Monstro, mas, mais do que isso, são dois seres com muitas mais parecenças do que possamos pensar à partida. A água é o local onde se sentem mais à vontade, de onde ambos provêm, a origem exacta de cada um é desconhecida, e nenhum dos dois é capaz de falar, mas entendem-se perfeitamente. Ela estimula-o, acalma-o, ele fá-la feliz. O laço que criam e desenvolvem ao longo do filme é mágico, com sentimentos e emoções a flutuar sem serem precisas palavras, apenas gestos.


A direcção artística e a fotografia fazem um trabalho soberbo. Não só nos transportam para uma época de sombras e desconfiança, como criam toda a atmosfera visual e surreal que faz acreditar que tudo isto poderia mesmo ter acontecido. O facto de Elisa e o vizinho Giles viverem por cima de um cinema é uma das particularidades deliciosas de A Forma da Água. A banda sonora de Alexandre Desplat embala-nos como se estivéssemos a caminho de um conto de fadas... e não é que estamos mesmo? Mas um daqueles obscuros, sombrios e cruéis. 


Guillermo del Toro é inspirador. Voltou a sê-lo. Por muitas influências (demasiadas, por vezes) que A Forma da Água possa ter, o cineasta é capaz de criar um filme com identidade própria e com características que denunciam claramente a sua autoria - um misto de doçura, fantasia e violência.

O elenco, por sua vez, faz o resto. Sally Hawkins encarna esta mulher muda, corajosa e altruísta que parece descobrir a sua razão de viver e luta por ela. Aparenta uma imensa fragilidade mas revela-se muito desafiadora. Michael Shannon interpreta o verdadeiro monstro, de carne e osso, violento e bárbaro, com claros problemas relacionais. Uma espécie de sociopata que ambiciona mais poder e estatuto - e ele não desiste facilmente. Richard Jenkins e Octavia Spencer são personagens simpáticas que falam pelo que Sally Hawkins não diz, e conferem momentos divertidos à acção. São ainda um interessante símbolo das minorias - e são fundamentais na narrativa. E Doug Jones, claro, o actor que veste a pele do homem anfíbio tem um papel crucial e é capaz de expressar emoções tão ou mais humanas que as de outras personagens.


A violência não gera nada de bom e o amor é a melhor forma de comunicação. Guillermo del Toro prova-o em A Forma da Água e nós acreditamos e pedimos mais magia.

sábado, 25 de fevereiro de 2017

Oscars 2017: Os Actores Secundários

Percorro agora os nomeados para o Oscar de Melhor Actor Secundário. É uma categoria equilibrada, com boas prestações, outras que poderiam dar lugar a nomes que ficaram de fora - o caso de Aaron Taylor-Johnson, vencedor do Globo de Ouro nesta categoria, é o exemplo mais flagrante. Eis os cinco nomeados, por ordem de preferência.

Mahershala Ali faz-se notar em Moonlight, numa prestação muito emotiva na pele de Juan. Num filme em que os secundários brilham (Naomi Harris faz-lhe companhia nas nomeações), o actor consegue que a sua personagem conquiste a simpatia da plateia, mesmo fazendo parte do submundo da droga, já que tem uma sensibilidade que até agora não tivera oportunidade de mostrar no cinema. Juan tem pouco tempo de ecrã, mas a sua presença é forte o suficiente que nos lembremos sempre dele.

Sempre inesquecível em qualquer personagem que dota do seu toque tão característico, Michael Shannon é o incansável polícia texano Bobby em Animais Noturnos. O actor incorpora este homem amargurado e sem nada a perder com a mesma força a que nos tem habituado. Confere-lhe a fragilidade de um homem doente e, ao mesmo tempo, a brutalidade de quem não tem medo de prestar contas a ninguém. É um dúbio homem da lei.

Não tão forte como os dois primeiros actores na corrida ao prémio, Dev Patel é um secundário com muito tempo de antena em Lion - A Longa Estrada para Casa. O actor interpreta o protagonista Saroo, adulto, na sua incansável e doentia procura pela família biológica de quem se perdeu aos cinco anos de idade. Patel tem um interpretação esforçada e competente, apesar de não atingir o pleno.

Mais um xerife nos nomeados para Melhor Actor Secundário. Desta vez, temos um mesmo à beira da reforma e com um difícil caso de assaltos a bancos para resolver. Jeff Bridges é um veterano que desempenha bem e sem dificuldade qualquer papel. Ele quer cumprir a lei, custe o que custar, é um homem que vive para o trabalho, dedicado e muito persistente.

Lucas Hedges poderia não constar nesta lista de nomeados, apesar do seu desempenho esforçado no papel de adolescente rebelde, que vive com a mágoa da perda do pai. Apesar da revolta que demonstra, o jovem está unido ao tio pelo sangue, dor e recordações.

domingo, 27 de novembro de 2016

Sugestão da Semana #248

Das estreias da passada Quinta-feira, a Sugestão da Semana destaca Animais Nocturnos, de Tom Ford. Um thriller intenso e brutal, protagonizado por Amy AdamsJake Gyllenhaal. A crítica do Hoje Vi(vi) um Filme pode ser lida ou relida aqui.

ANIMAIS NOCTURNOS


Ficha Técnica:
Título Original: Nocturnal Animals
Realizador: Tom Ford
Actores: Amy Adams, Jake Gyllenhaal, Michael ShannonAaron Taylor-JohnsonIsla FisherArmie Hammer
Género: Drama, Thriller
Classificação: M/16
Duração: 116 minutos

quarta-feira, 16 de novembro de 2016

LEFFEST'16: Animais Noturnos / Nocturnal Animals (2016)

"Do you ever feel like your life is turning into something you never intended?"

Susan
*9/10*

Estética, montagem e argumento fundem-se num filme uno, sofisticado e marcante. Tom Ford dota de elegância o seu trabalho - não só na moda, mas também no cinema - e, depois de Um Homem Singular, Animais Noturnos segue a mesma linha, num ambiente bem mais obscuro e violento.

A longa-metragem apresenta-nos a Susan (Amy Adams), dona de uma galeria de arte, que se vê assombrada pelo livro do seu ex-marido, um thriller violento que ela interpreta como um conto de vingança cheio de simbologia relacionada com a separação de ambos.

Muito mais do que um história de amor, em que a primeira paixão regressa muitos anos depois, Animais Noturnos é literatura, é moda, é arte, é cinema, é vingança. Uma inquietude insistente teima em nos acompanhar e nós, no fundo, não queremos que ela nos largue.


Animais Noturnos oferece-nos a história principal e aquela que Susan vai lendo, a acção está dentro da acção. Edward (Jake Gyllenhaal), o ex-marido, é o fantasma que assombra as duas narrativas de Animais Noturnos, ele é o motor, a causa, o desencadear de toda a acção. Ele é o passado, o presente e, quem sabe, o futuro de Susan. É a ficção e a realidade.

A construção da acção é certeira ao criar suspense e incerteza a cada momento. As imagens sugam-nos a atenção, são violentas e apaixonantes. E a realidade de Susan, noctívaga, triste, sóbria e elegante, contrasta totalmente com as cores vivas e cheias de Sol do romance que lê. Uma vingança em cores quentes oferecida a uma mulher gelada.


A par da realização, a montagem de Joan Sobel e a direcção de fotografia de Seamus McGarvey fazem um trabalho soberbo. É hipnotizante a forma como McGarvey ilumina as cenas nocturnas, como potencia a pouca luz de que dispõe, captando planos absorventes. A acompanhar as imagens, a banda sonora de Abel Korzeniowski deixa-nos embalados entre a nostalgia e a tensão das leituras e do passado de Susan. Ainda o guarda-roupa e o design de produção estão repletos de exuberância - como as obras de arte com que Susan trabalha -, num esgar irónico do realizador para todo o mundo de aparências que Animais Noturnos critica.

E como tudo é grandioso neste filme, falta falar nos actores. Num elenco cheio de talento e personagens complexas, destaque para Amy Adams, como talvez nunca a tenhamos visto: madura, triste, magoada, solitária, totalmente insatisfeita com as opções que tomou. Vive das aparências que criticava em jovem, entre sonhos desfeitos e assombrada por um passado que não quer lembrar. É com ela que lemos o livro do ex-marido, seguimos as suas reacções, as suas mudanças. Ao seu lado, numa dupla interpretação de tirar o fôlego (tem coleccionado muitas nos últimos anos), Jake Gyllenhaal é Edward e Tony e, em ambos, se entrega de corpo e alma. Entre o homem frágil que clama por vingança e o sensível destroçado que agora regressa à vida de quem o atraiçoou, o actor não descuida nenhum papel. Ainda dignos de nota são Aaron Taylor-Johnson, na pele do marginal doentio Ray, e Michael Shannon, o incansável polícia texano Bobby.


Num mundo de aparências, mentiras e traições, haverá forma de recuperar os erros do passado e alcançar a redenção? Animais Noturnos responde-nos em toda a sua subtil exuberância, na sua crueldade viciante.

terça-feira, 12 de janeiro de 2016

Sugestão da Semana #202

Das estreias da passada Quinta-feira, a Sugestão da Semana destaca 99 Casas, com Andrew Garfield e Michael Shannon.

99 CASAS


Ficha Técnica:
Título Original: 99 Homes
Realizador: Ramin Bahrani
Actores: Andrew Garfield, Laura Dern, Michael Shannon, Tim Guinee, J.D. Evermore, Noah Lomax
Género: Drama
Classificação: M/14
Duração: 112 minutos

terça-feira, 2 de julho de 2013

Sugestão da Semana #70

Dos filmes estreados na passada semana, o destaque vai hoje para o novo filme de Super-Homem. Com a crítica tão dividida, só vendo é que se poderão tirar todas as dúvidas.

HOMEM DE AÇO


Ficha Técnica:
Título Original: Man of Steel
Realizador: Zack Snyder
Actores:  Henry Cavill, Amy Adams, Michael ShannonDiane LaneRussell CroweKevin Costner
Género: Acção, Aventura, Fantasia
Classificação: M/12
Duração: 143 minutos

terça-feira, 25 de dezembro de 2012

Actores do Ano #2012

Para começar o balanço de 2012, dedicarei algum espaço deste blogue aos actores e actrizes que mais se destacaram no cinema que por cá estreou este ano. Começando pelos homens, há sete nomes de que é inevitável falar se analisarmos as interpretações deste ano.


7º - Brad Pitt
Começo pelos menos notórios. Brad Pitt teve um bom ano com a nomeação para o Oscar de melhor actor e, em Portugal, pudemos contar com a sua presença em dois filmes: Moneyball - Jogada de Risco e Mata-os Suavemente. Não tendo interpretações inesquecíveis como a que nos ofereceu em Clube de Combate, por exemplo, Pitt não se sai nada mal, quer como treinador de basebol, quer como assassino profissional (embora eu prefira esta última versão).



6º - Nick Nolte
Vimo-lo este ano em Warrior - Combate entre Irmãos onde é pai de dois lutadores. Não tendo tido talvez o destaque merecido, apesar da nomeação ao Oscar de Melhor Actor Secundário por este papel, Nolte encarna com alma este ex-alcoólico magoado e sofrido.



5º - Denis Lavant
Por muito que seja pública a minha antipatia por Holy Motors, é também pública a minha admiração pela prestação de Denis Lavant nesse mesmo filme. O actor francês consegue multiplicar-se como ninguém e vestir a pele das mais variadas e distintas personagens, causando no espectador sentimentos quase paradoxais como admiração e repugnância.



4º - Ezra Miller
O mais jovens dos meus destaques. Mais idade não é sinónimo de mais talento, e o certo é que Ezra Miller prova a cada novo papel o grande actor que já é. Este ano Temos de Falar Sobre Kevin deixou-nos arrepiados com uma personagem complexa e sinistra. O mês passado Ezra Miller voltou aos ecrãs em As Vantagens de Ser Invisível, na pele de um adolescente homossexual e, uma vez mais, mostrou do que é capaz.



3º - Matthew McConaughey
Um dos grandes actores do ano, com duas interpretações surpreendentes, quer em Magic Mike, quer em Morre... e Deixa-me em Paz. Certo é que Matthew McConaughey provou o talento que tem com excelentes desempenhos de personagens um tanto ou quanto caricatas. O procurador distrital de Morre... e Deixa-me em Paz, com as suas peculiaridades, e o stripper Dallas, de Magic Mike são a prova da versatilidade do actor.



2º - Michael Shannon
Shannon anda, ao longo dos anos, a marcar sorrateiramente todos os filmes em que surge, por mais pequena que seja a sua participação. Mas foi este ano que pudemos assistir à sua mais espectacular interpretação, como Curtis em Procurem Abrigo. O seu poderoso desempenho leva-nos a acreditar nos seus delírios e temer o mesmo que o protagonista. Não é qualquer um que consegue transmitir tantas e tão diversas sensações em duas horas de filme.



1º - Michael Fassbender
Fassbender é, para mim, o actor do ano, com duas interpretações de alto nível. Vimo-lo este ano em Vergonha, Prometheus e Uma Traição Fatal - e por muito distintas que sejam as personagens que interpretou - um viciado em sexo, um robô e um agente secreto - certo é que nos deixou impressionados, em qualquer uma delas. Destaco as duas primeiras: o angustiado Brandon, que trava uma luta contra si mesmo, e o robô David, marcado pelos seus tiques e ambição.



sábado, 19 de maio de 2012

Crítica: Procurem Abrigo / Take Shelter

"Is anyone seeing this?"
 Curtis

São muitos os filmes e, cada vez mais, as teorias sobre o fim do mundo, o apocalipse. Procurem Abrigo vem abordar o tema de forma bem diferente do que fizeram filmes como 2012 ou O Dia Depois de Amanhã. Há uma profundidade muito maior e o que está em jogo é muito mais do que o medo do fim.

Jeff Nichols muniu-se do melhor protagonista e de um argumento muito bom e venceu o prémio 50th Critics’ Week Grand Prix e Fipresci no Festival de Cannes de 2011. Procurem Abrigo é arrebatador, consegue arrepiar e perturbar-nos como poucos filmes. O sonho e a realidade misturam-se e também nós vamos ter medo.

Curtis LaForche (Michael Shannon) vive numa pequena cidade de Ohio, com a sua mulher Samantha (Jessica Chastain) e a filha Hannah, de seis anos, que é surda. Curtis leva uma vida modesta como chefe de equipa numa empresa de prospecção mineira. Samantha é dona-de-casa e costureira em part-time, que suplementa os seus rendimentos vendendo objectos artesanais numa feira ao fim-de-semana. A certa altura, Curtis começa a ter sonhos terríveis sobre uma tempestade apocalíptica. Ele opta por guardar estas visões para si mesmo, canalizando a sua ansiedade na ideia obsessiva de recuperar o abrigo contra tempestades do seu quintal. O seu comportamento, aparentemente inexplicável, preocupa e confunde Samantha e provoca a intolerância entre colegas de trabalho, amigos e vizinhos. Mas a tensão resultante no seu casamento e dentro da comunidade não se comparam ao medo aterrador que Curtis tem do real significado que os seus sonhos possam ter.

Lê a crítica completa no Espalha-Factos: "A Tempestade está a chegar"