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quinta-feira, 31 de dezembro de 2015

Os Melhores do Ano: Top 20 [20º-11º] #2015

Muitos foram os filmes que estrearam nas salas nacionais ao longo de 2015. Um ano de escolhas difíceis no que a Melhores do Ano diz respeito e em que poucos filmes me deixaram realmente encantada. Mas o fim do ano está aí e não há como fugir aos tops, pelo menos por aqui.

Em jeito de balanço, o Hoje Vi(vi) um Filme apresenta, como sempre, o seu top 20 (sempre tendo em conta a estreias no circuito comercial de cinema português) do que de melhor se fez no cinema.

Aqui ficam os meus eleitos, do 20º ao 11º lugares (hoje, porque amanhã podiam ter outra ordem qualquer).



Damos de caras com o desespero de alguns, com a dor, mas também com a esperança, a amizade e o amor. Depois de Pára-me de Repente o Pensamento não seremos os mesmos e Miguel também não. A magia do plano final é um culminar em beleza de um trabalho que fazia falta e que devia chegar a todos.

19. As Nuvens de Sils Maria (Clouds of Sils Maria), de Olivier Assayas, 2014


Uma protagonista fortíssima, numa luta existencial entre o seu eu, a personagem que interpretou em jovem e a mulher fragilizada de quem vai vestir a pele agora. Muito mais do que o dilema do actor, As Nuvens de Sils Maria oferece uma excelente interpretação de Juliette Binoche, num dilúvio de emoções, dúvidas, sexualidade e o medo de envelhecer.

18. O Conto da Princesa Kaguya (Kaguyahime no monogatari), de Isao Takahata, 2013


Delicado como a sua protagonista, O Conto da Princesa Kaguya envolve-nos num mundo de fantasia e de lendas japonesas. É um apelo aos sentidos e sentimentos, com uma animação simples, de cores suaves e traços cheios de movimento e magia.

17. Táxi (Taxi), de Jafar Panahi, 2015


Panahi reinventa-se a cada novo filme - ou não-filme. O cineasta proibido de filmar por 30 anos está cada vez melhor e, desta vez, é como motorista de Táxi que denúncia a realidade - ficcionada, é certo, mas não deixa de ser real - iraniana e a forma como se sente aprisionado no seu país. O humor provocatório é contrabalançado com a dor inerente ao estado do cinema no Irão.

16. As Mil e Uma Noites: Vol. 3, O Encantado, de Miguel Gomes, 2015


O capítulo final da trilogia de Miguel Gomes é, como o seu título refere, o mais encantado e positivo. Entre a fantasia do imaginado mundo de Xerazade, cheio de personagens de encantar, aos tentilhões que cantam sem parar, há uma magia que paira e que convida a perdermo-nos em mais histórias dos portugueses.



J.J. Abraams não deu nenhum passo maior do que a perna. A longa-metragem não extrapola os limites, vem matar saudades e manter o ambiente e o tom dos primeiros filmes. A base da saga é sólida e o realizador vem fazer exactamente o que o título diz: despertar a força, novamente. Recupera personagens, as suas histórias, e acrescenta novos focos de atenção, novos protagonistas, alguma novidade. Abraams sabe o que tem em mãos e preservar a nostalgia do passado era certamente o que os fãs mais desejavam. 

14. Mad Max: Estrada de Fúria (Mad Max: Fury Road), de George Miller, 2015


As cores fortes pintam a desolação deste mundo apocalíptico dominado por homens demoníacos. Mad Max regressou ao grande ecrã em grande forma e, desta vez, até é ofuscado pelo brilho das mulheres de armas que lutam pela dignidade dos seus. Uma surpresa cheia de acção, girl power, com George Miller ao comando a mostrar como,fiel ao original q.b., Mad Max também se sabe actualizar.

13. O País das Maravilhas (Le meraviglie), de Alice Rohrwacher, 2014


Entre famílias disfuncionais e sonhos perdidos, este país das maravilhas é o que a pequena Gelsomina ambiciona para si e para os seus. O mel, as abelhas e os que delas precisam para sobreviver formam uma história que se estranha, mas igualmente se entranha com uma magia muito especial.



Um argumento simples, realista, onde as palavras não dizem tudo e são os olhares, os gestos e os momentos de introspecção que nos ajudam a saber o que vai dentro de cada personagem, conhecer os seus dilemas, a sua dor. Desde o David rebelde, sem futuro em vista, ao David protector da mãe, da irmã e do avô - que paira sempre como um espectro ausente mas muito presente e cuja importância na vida do protagonista parece ser crucial -, o David apaixonado, desiludido, desencantado, revoltado, perdido...



A estreia de Alex Garland na realização retoma os dilemas éticos da Inteligência Artificial do cinema de ficção científica e tem ao comando uma protagonista fabulosa. Em Ex Machina, o realizador enclausura-nos numa isolada e "fortificada" casa-laboratório, conduz-nos por cenários incríveis e introduz-nos num ambiente claustrofóbico, onde deuses e homens parecem coexistir. Naquela casa há algo nunca antes visto, mas isso não nos coloca num futuro muito longe do presente actual. 

domingo, 22 de novembro de 2015

Sugestão da Semana #195

Dos títulos estreados na passada Quinta-feira, a Sugestão da Semana destaca o filme português, Montanha, primeira longa-metragem do jovem e premiado realizador João Salaviza. Podes ler ou reler a crítica ao filme aqui.

MONTANHA


Ficha Técnica:
Título Original: Montanha
Realizador: João Salaviza
Actores: David Mourato, Rodrigo Perdigão, Carloto Cotta, Maria João Pinho
Género: Drama
Classificação: M/14
Duração: 90 minutos

sábado, 21 de novembro de 2015

Estreias da Semana #195

Dez filmes chegaram esta Quinta-feira às salas de cinema portuguesas. The Hunger Games: A Revolta - Parte 2, Profissionais da Crise e Montanha são alguns dos títulos a estrear.

A Canção de Uma Vida (2014)
Song One
Franny (Anne Hathaway) regressa a casa após um longo afastamento e depois de saber que o seu irmão Henry (Ben Rosenfield), músico de profissão, sofreu um acidente de viação que o deixou em coma. Franny começa a consultar o computador de Henry para verificar o quanto a vida do irmão evoluiu na sua ausência, descobrindo os músicos e artistas de quem o irmão gostava. Casualmente, conhece James Forester (Johnny Flynn), que é o maior ídolo de Henry e cujo sucesso e fama não parecem indicar o homem tímido e reservado que encontra.

Amnésia (2015)
Amnesia
Ibiza, Início dos anos 90. Jo tem vinte anos, vem de Berlim, é músico e deseja fazer parte da revolução electrónica emergente. Para tal, o ideal seria ser contratado como DJ no clube Amnesia. Martha vive sozinha, frente ao mar, há quarenta anos. Uma noite, Jo bate à sua porta. A solidão de Martha intriga-o. Tornam-se amigos enquanto mistérios se acumulam à volta dela: o violoncelo que já não toca, a língua alemã que recusa falar… Jo leva-a para o novo mundo da música techno e Martha começa a questionar tudo o que anteriormente viveu.

Da Natureza (2014)
Mot Naturen
Da Natureza é uma viagem pelo interior da cabeça de Martin e pela natureza selvagem que o rodeia. Martin está sozinho numa caminhada pelas montanhas e ouvimos todos os seus pensamentos não censurados, e todas as suas observações brutalmente honestas sobre si próprio e aqueles que o rodeiam. Os seus pensamentos e as suas fantasias vão do trivial e do infantil ao existencial e ao profundo.

Deus Não Está Morto (2014)
God's Not Dead
Josh Wheaton (Shane Harper) entra para a universidade e conhece um professor (Kevin Sorbo) de filosofia que não acredita em Deus. Quando Josh afirma a sua fé, recusa-se a admitir que Deus está morto e é desafiado a comprovar – pelo seu professor de filosofia – a existência do mesmo. Inicia-se, então, uma batalha entre os dois, que estão dispostos a tudo para justificar o seu ponto de vista – mesmo que tenham de se afastar das pessoas mais importantes para eles.

Certo Verão quente, na capital, conhecemos David, de 14 anos, que se perde na montanha de sentimentos da adolescência, entre os amores, os amigos, a mãe ausente e o avô, no hospital, cuja hipótese de morte iminente David se recusa a colocar. 

More (1969)
Stefan, um jovem estudante recém-licenciado, viaja desde a Alemanha, a sua terra natal, até Paris, onde vai conhecer a americana Estelle. Apaixona-se por ela e, mais tarde, inicia-se um romance com alguns detalhes e segredos misteriosos.

O Segredo dos Seus Olhos (2015)
The Secret in Their Eyes
Uma equipa de investigadores do FBI, Ray (Chiwetel Ejiofor) e Jess (Julia Roberts), juntamente com a representante do ministério público Claire (Nicole Kidman), vê-se subitamente dividida, quando descobrem que a filha adolescente de Jess foi brutal e inexplicavelmente assassinada. Agora, 13 anos mais tarde, depois de obsessiva e diariamente procurar o assassino, Ray descobre finalmente uma nova pista que, acredita, pode resolver o caso de vez e apanhar, finalmente, o assassino. Ninguém está preparado, porém, para o chocante e inconfessável segredo que irá revelar os efeitos duradouros e destrutivos da vingança pessoal sobre a alma humana.

Perdida em Mim (2014)
Vergiss Mein Ich
Lena Ferben (Maria Schrader), é casada com Tore (Johannes Krisch) há muitos anos, quando repentinamente perde o seu self. Os médicos chamam à sua condição amnésia retrógrada; uma meningite não diagnosticada é a razão pela qual ela perde o acesso ao que a medicina chama de memória biográfica. No entanto, mantém as funções cerebrais: a linguagem ainda está disponível, mas as palavras não estão ligadas a experiências. Chuva, comédia, fidelidade, sexo, amor, marido - conceitos que flutuam no vácuo desprovidos dos seus significados. Tore tenta de diversas formas ajudar Lena no caminho para si própria, mostrando que ela estava com ele e o que ele significa para ela. É a recapitulação da realidade experimentada anteriormente. Como terá sido, sendo Lena Ferben?

Profissionais da Crise (2015)
Our Brand Is Crisis
Uma mulher americana, com um prestigiado trabalho em campanhas políticas, é enviada para terras devastadas pela guerra na América do Sul para ajudar a instalar um novo líder. Mas começa a receber ameaças de um rival de longa data.

Com a nação de Panem numa guerra em grande escala, e unida a um grupo de amigos, incluindo Gale, Finnick e Peeta, Katniss parte numa missão com a unidade do Distrito 13, arriscando as suas vidas para tentar assassinar o Presidente Snow, que se tornou cada vez mais obcecado em destruí-la. As armadilhas, inimigos e escolhas mortais que esperam por Katniss irão desafiá-la mais do que quaisquer Jogos da Fome.

terça-feira, 10 de novembro de 2015

LEFFEST'15: Montanha, de João Salaviza (2015)

*8/10*

Uma sala cheia recebeu a antestreia de Montanha, a primeira longa-metragem de João Salaviza, no cinema Monumental, por ocasião do Lisbon & Estoril Film Festival. Realizador e elenco apresentaram o filme que, tal como as anteriores curtas do cineasta, aborda a adolescência problemática de gente real de Lisboa.


Certo Verão quente, na capital, conhecemos David, de 14 anos, que se perde na montanha de sentimentos da adolescência, entre os amores, os amigos, a mãe ausente e o avô, no hospital, cuja hipótese de morte iminente David se recusa a colocar. 

Um argumento simples, realista, onde as palavras não dizem tudo e são os olhares, os gestos e os momentos de introspecção que nos ajudam a saber o que vai dentro de cada personagem, conhecer os seus dilemas, a sua dor. Desde o David rebelde, sem futuro em vista, ao David protector da mãe, da irmã e do avô - que paira sempre como um espectro ausente mas muito presente e cuja importância na vida do protagonista parece ser crucial -, o David apaixonado, desiludido, desencantado, revoltado, perdido...

Os personagens encontram-se com a sua realidade com uma naturalidade invejável, especialmente David Mourato, que encarna este protagonista desafiador, justo, triste, solitário. Entre os seus amigos, reencontramos Rafa, que conhecemos da curta-metragem homónima de Salaviza e que aqui nos faz uma visita, tornando-nos quase como parte de Montanha.


Mas mais que todo o lado humano da longa-metragem, o deslumbramento chega desde o primeiro plano, com uma fabulosa direcção de fotografia que faz da iluminação a verdadeira protagonista. Filmado em 35 mm, João Salaviza consegue fazer da imagem um elemento repleto de significação, com a luz e a escuridão a assumirem este papel principal. Somos inundados por perfis que surgem das sombras, vultos tímidos, que se mexem naqueles prédios de um bairro social de Lisboa... Sensações, sentimentos, melancolia, medo, a adolescência a jogar a sério com David, o adulto que surge aos poucos na criança que ainda é.