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segunda-feira, 22 de janeiro de 2018

Sugestão da Semana #308

Das estreias da passada Quinta-feira, a Sugestão da Semana destaca Mudbound - As Lamas do Mississipi, de Dee Rees. A crítica do Hoje Vi(vi) um Filme pode ser lida aqui.

MUDBOUND - AS LAMAS DO MISSISSIPI


Ficha Técnica:
Título Original: Mudbound
Realizadora: Dee Rees
Actores: Garrett Hedlund, Carey Mulligan, Mary J. Blige, Jason Clarke, Jonathan Banks, Jason Mitchell, Rob Morgan
Género: Drama
Classificação: M/14
Duração: 134 minutos

Crítica: Mudbound - As Lamas do Mississipi (2017)

"Violence is part and parcel of country life." 
Laura McAllan 

*8.5/10*

A decadência moral da História e da mentalidade do povo norte-americano é tão bem descrita em Mudbound - As Lamas do Mississipi, como injusto tem sido o seu quase completo esquecimento na temporada de prémios.

A realizadora Dee Rees é corajosa e não tem medo de atacar a América o seu passado e presente. Pouco ou nada mudou, os tempos actuais têm-no provado. É imoral, injusto e revoltante tudo o que vemos em Mudbound e temos visto em outros filmes, lido em livros de História ou visto em notícias... O que desde o início dos EUA enquanto país já não fazia sentido, continuou, décadas a fio, a revelar uma ignorância inacreditável. 


Ainda durante a Segunda Guerra Mundial, duas famílias vêem dois dos seus membros recrutados como soldados. Quando regressam a casa, os dois homem conhecem-se e estabelecem uma amizade que vai contra os preconceitos do local onde vivem. Tudo porque um é negro e outro branco e aquela terra ainda é regida pelas Leis de Jim Crow, que estabeleciam limites entre brancos e negros. 

Para começar, é uma história que aborda o racismo nos EUA, mas também a guerra e os seus traumas. Jamie e Ronsel são dois excelentes exemplos de veteranos de guerra que não estão felizes por regressar. Por outro lado, os cenários estão a condizer com o estado de espírito de quem ali vive e se sente a afundar na lama, de castanho até perder de vista. Tão semelhante à mentalidade racista de muitos, à falta de esperança de outros, à submissão, ao machismo, à intolerância. Depois da guerra, Jamie e Ronsel não pertencem ali, respiram progresso e liberdade - a mesma pela qual lutaram em terra e no ar.


O filme, contado a várias vozes, transborda emoções e não apenas nas palavras. Tudo é intenso ali, onde tudo falta, onde as pessoas andam sujas e cansadas de esperar que a chuva passe, que as feridas sarem, que a sementeira dê fruto.

A realização de Dee Rees é ritmada e potenciada pelo excelente trabalho de direcção de fotografia de Rachel Morrison que nos proporciona planos marcantes. A cena inicial conduz-nos a uma analepse, que relata a história daquelas personagens até ali se cruzarem. Depois disso, tudo se cria em crescendo, com dramas, preocupações, conflitos e muita garra. A violência está latente e há-de estalar, sem receios, como um culminar da repressão.


Os desempenhos são outra das forças da Natureza de Mudbound - As Lamas do MississipiMary J. Blige é brilhante como Florence, a mãe trabalhadora e angustiada. Ela sofre e engole a sua revolta e mágoa ao lado do marido Hap, Rob Morgan, num papel muito sentido de um pai de família magoado pelo preconceito. Carey Mulligan é Laura, a outra grande mulher do filme. Infeliz, resignada, com um sofrimento que vem das entranhas, numa excelente interpretação. Garrett Hedlund é Jamie e espelha bem o alcoólico marcado pela guerra, desafiador e leal. Ao seu lado, o companheiro Jason Mitchell, ou Ronsel, um homem cheio de revolta mas com sonhos longe daquela terra, comporta um grande sofrimento, mas igualmente muito amor aos seus.


Curiosamente, será que os norte-americanos querem fechar os olhos a um filme tão corajoso e tão alarmante como Mudbound? Não querem aceitar mais este alerta, mais ainda numa altura em que Hollywood se mostra tão hipocritamente preocupada com abusos e minorias? É inexplicável o motivo pelo qual um filme tão poderoso está a ser tão ofuscado por outros nesta award season. Realização, fotografia, argumento e elenco, todos mereciam mais distinção.

sexta-feira, 19 de janeiro de 2018

Estreias da Semana #308

Seis filmes chegaram às salas de cinema esta Quinta-feira. As Lamas do Mississipi e Chama-me Pelo Teu Nome são duas das estreias.

As Lamas do Mississipi (2017)
Mudbound
Dois veteranos da guerra, um negro e um branco, vão trabalhar no local que ainda é regido pelas Leis de Jim Crow, que estabeleciam limites entre brancos e negros. Apesar dos olhares discriminatórios, os dois vizinhos, Jamie e Ronsel, mantêm uma forte amizade e entreajudam-se para enfrentarem a vida pós-guerra. Mesmo assim, as duas famílias mantêm-se atoladas nas lamas das preconcepções sobre eles mesmos e no preconceito enraizado na sociedade do sul dos Estados Unidos.

Bad Investigate (2018)
Quando Romeu, um subcomissário da polícia corrupto até à medula (JD Duarte) obriga dois canastrões que tem no bolso, Alex e Cid (Luís Ismael e Francisco Menezes), a ludibriarem o agente Sam Folkes do FBI (Eric da Silva), o caldo está internacionalmente entornado. A sua missão de perseguir Xavier (Enrique Arce), um perigosíssimo traficante em rota de vingança, tem tudo para correr mal.

Basmati Blues (2017)
Uma cientista brilhante é arrancada do laboratório da empresa onde trabalha e enviada para a Índia para vender o arroz geneticamente alterado que criou. O que ela não sabe é que isso vai destruir os agricultores que pensa estar a ajudar e que um romance pode vir a atrapalhar os seus planos.

Tudo acontece no Verão de 1983, no norte de Itália. Elio Perlman (Timothée Chalamet), um precoce rapaz italo-americano de 17 anos, passa as férias na casa de família, uma mansão do século XVII, a transcrever e tocar música, a ler e a nadar. Elio tem uma relação próxima com o seu pai (Michael Stuhlbarg), um famoso professor especializado em cultura greco-romana, e a sua mãe Annella (Amira Casar), tradutora. Apesar da sua educação sofisticada e talento natural, Elio continua a ser bastante inocente, principalmente em assuntos do coração. Tudo muda quando chega Oliver (Armie Hammer), um aluno de Mr. Perlman, para passar uma temporada com a família e ajudar o professor nas suas pesquisas.

The Commuter - O Passageiro (2017)
The Commuter
Liam Neeson é Michael, um vendedor de seguros abordado por um misterioso estranho durante a viagem diária para o emprego. Forçado a desvendar a identidade de um passageiro escondido algures no comboio antes que este chegue à última paragem, Michael luta contra o tempo para resolver este puzzle e vai-se apercebendo do mortífero plano que se desenrola à sua volta. Um plano que o deixou inadvertidamente preso no centro de uma conspiração criminosa que coloca em perigo a sua vida e a segurança dos restantes passageiros.

Uma Mulher Não Chora (2017)
Aus dem Nichts
Katja viu a sua vida destroçada após a morte do marido Nuri e do filho Rocco num ataque terrorista. Os amigos e familiares tentam dar-lhe o apoio de que precisa. Mas a procura pelos responsáveis e as razões por detrás do atentado complicam o doloroso luto de Katja e geram feridas e dúvidas. Danilo, advogado e o melhor amigo de Nuri, representa Katja no julgamento dos dois suspeitos: um jovem casal com ligações aos neonazis. O julgamento leva-a ao limite, mas para Katja, simplesmente não há alternativa: ela quer justiça.