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quarta-feira, 10 de janeiro de 2018

Crítica: O Sacrifício de um Cervo Sagrado / The Killing of a Sacred Deer (2017)

"It's the only thing I can think of that is close to justice." 
Martin

*6.5/10*

Yorgos Lanthimos tem uma imaginação prodigiosa. Sabe chocar, surpreender e trabalhar o non sense como poucos. Canino, em 2009, catapultou-o para a fama pela forma ímpar e macabra que retratou a história do filme. Recentemente, A Lagosta marcou a sua estreia em inglês e O Sacrifício de um Cervo Sagrado segue a mesma linha do filme anterior.

Mas a fórmula está a repetir-se e, apesar da originalidade e competência técnica continuarem a brilhar, a sensação de dejá vu começa a surgir. Apesar de O Sacrifício de um Cervo Sagrado ser um filme de terror - e dentro do género tem um argumento incómodo a jogar com o sobrenatural, que funciona -, repete toda a estranheza das relações humanas, os diálogos impessoais, as conversas despropositadas.


Steven (Colin Farrell) é um cardiologista conceituado, casado com Anna (Nicole Kidman), com quem tem dois filhos. Já há algum tempo que ele mantém contacto frequente com Martin (Barry Keoghan). A relação entre ambos é de grande cumplicidade e o médico decide apresentá-lo à família. Entretanto, o jovem sente que não está a receber a mesma dedicação e, por isso, decide elaborar um plano de vingança.

O realizador grego continua os seus planos geométricos, iluminados e limpos. Semelhanças ao cinema de Stanley Kubrick ou Michael Haneke têm-se sucedido e fazem crer que Lanthimos está a perder as suas próprias marcas autorais. Ainda assim, se isso não estiver a acontecer, está, pelo menos, a perder qualidades. O realizador continua a desafiar valores, mas desta vez vai mais longe - e com pouco sucesso, a meu ver -, ao querer associar o seu filme a simbolismos bíblicos e a peças gregas de autores clássicos.


O protagonista é tão semelhante ao de A Lagosta que até o actor é o mesmo: Colin Farrell. As personagens têm pouca profundidade, tal como no filme anterior, são despersonalizadas tal como os planos que a câmara capta. Eles são cobardes e hipócritas. Não há qualquer ligação entre a plateia e a família protagonista.

Curiosamente, e é ele o ponto forte do filme, vamos admirar o "vilão". Admirá-lo e temê-lo, tal como a família Murphy. Rodeia-o uma aura diabólica e violenta e, ao mesmo tempo, frágil e intimidante. Barry Keoghan tem uma interpretação aterradora na pele deste jovem Martin, omnipresente e de poderes sobrenaturais. A sua vingança personifica-se numa maldição que, para ele, não passa de justiça. Nicole Kidman é a mais corajosa de O Sacrifício de um Cervo Sagrado, para além de dar um show de interpretação com uma personagem pouco rica, uma mãe a quem a actriz confere poder e determinação.


Não são precisas mais explicações, Lanthimos joga com medos e aparências, com a moral e as crenças de cada um, e cria um filme de terror incómodo, mas que sabe a pouco. Os fãs do seu trabalho queriam mais novidades, menos exagero, menos preguiça.

terça-feira, 30 de maio de 2017

Cannes 2017: Os vencedores

Os vencedores do Festival de Cannes 2017 foram anunciados no passado fim-de-semana. O filme português Fábrica do Nada, de Pedro Pinho, conquistou o Prémio da Crítica (Prémio FIPRESCI), na Quinzena dos realizadores.


Eis os vencedores da Competição Oficial e Un Certain Régard:

Competição Oficial

Palma de Ouro
THE SQUARE, de Ruben ÖSTLUND

Grande Prémio do Júri
120 BATTEMENTS PAR MINUTE, de Robin CAMPILLO

Melhor Realizadora
THE BEGUILED, de Sofia COPPOLA

Prémio do Júri 
NELYUBOV, de Andrey ZVYAGINTSEV

Melhor Argumento (ex-aequo)
THE KILLING OF A SACRED DEER, de Yórgos LÁNTHIMOS e EFTHIMIS FILIPPOU e YOU WERE NEVER REALLY HERE, de Lynne RAMSAY

Melhor Actor
JOAQUIN PHOENIX por YOU WERE NEVER REALLY HERE

Melhor Actriz
DIANE KRUGER, por AUS DEM NICHTS

Caméra d’Or
JEUNE FEMME, de Léonor SERRAILLE

Palma de Ouro para Melhor Curta-metragem
XIAO CHENG ER YUE, de QIU Yang

Menção Especial - Curta-metragem
KATTO, de Teppo AIRAKSINEN

Prémio do 70.º Aniversário
NICOLE KIDMAN

Un Certain Regard

Prémio Un Certain Regard
LERD, de Mohammad RASOULOF

Prémio do Júri - Un Certain Regard
LAS HIJAS DE ABRIL, de Michel FRANCO

Prémio de realização Un Certain Regard
WIND RIVER, de Taylor SHERIDAN

Prémio de Interpretação
JASMINE TRINCA por FORTUNATA

Prémio Poesia no Cinema
BARBARA, de Mathieu AMALRIC

A lista completa de vencedores e outras informações podem encontrar-se aqui.

sábado, 25 de fevereiro de 2017

Oscars 2017: As Actrizes Secundárias

Analiso agora as nomeadas para Melhor Actriz Secundária. Mais um ano de bons desempenhos nesta categoria. Duas das nomeadas destacam-se das restantes, mas as cinco são merecedoras da nomeação, ainda que Michelle Williams pudesse trocar com outro nome (Janelle Monáe por Elementos Secretos seria a minha opção). Eis as cinco nomeadas por ordem de preferência.

É quase certo que à terceira nomeação será de vez, e a actriz levará, finalmente, o Oscar para casa. Ainda que seja discutível que Viola Davis esteja nomeada na categoria de Actriz Secundária e não Principal, e mesmo que tenha a seu favor o facto de já ter interpretado anteriormente o mesmo papel na Broadway, ela merece este prémio. Em Vedações, a actriz tem o melhor desempenho do filme, com a sua Rose conciliadora mas muito magoada. É contida e defende a família com as armas que tem, mas explode com todas as emoções e ressentimentos quando assim tem de ser. 

Se Viola Davis não estivesse na corrida, Naomi Harris merecia, sem dúvida, o seu primeiro Oscar pelo papel de Paula em Moonlight. Na pele de uma toxicodependente, mãe do protagonista, a actriz tem uma interpretação atordoante, com uma notória e realista degradação física e psicológica ao longo do filme.

Bastam poucos minutos da sua presença para que um filme se encha do seu talento, assim é Nicole Kidman. A actriz de Lion - A Longa Estrada para Casa enche o ecrã sempre que surge, num desempenho sentido, cheio de amor e dedicação aos filhos adoptivos.

Numa interpretação mais contida do que a que lhe valeu um Oscar em As Serviçais, Octavia Spencer merece a nomeação deste ano. Em Elementos Secretos (onde as três principais actrizes fazem um excelente trabalho), a actriz é uma matemática da NASA que está descontente com a forma como as negras ali são tratadas, mas receia levantar ondas. A revolta que sente por fazer o trabalho de supervisora mas não ganhar como tal fá-la, contudo, querer mudar e ultrapassar os seus receios.

Pela quarta vez nomeada para um Oscar, ainda não será desta que Michelle Williams levará a estatueta consigo. Apesar da dor e sofrimento que demonstra quando veste a pele da sua personagem em Manchester by the Sea, a actriz não consegue competir com as performances das restantes nomeadas.

sexta-feira, 17 de fevereiro de 2017

Crítica: Lion - A Longa Estrada para Casa (2016)

"I'm not from Calcutta... I'm lost."
Saroo Brierley

*5/10*

Sabe-se que o epíteto "baseado numa história verídica" nem sempre é sinónimo de qualidade e Lion - A Longa Estrada para Casa é mais um exemplo disso. Realmente, o argumento do filme tem por base o passado de um homem com muito para contar. Denuncia desigualdades e problemas muito preocupantes no que respeita às crianças indianas, contudo, isso não chega.

Há que olhar muito para lá da história comovente. Garth Davis está cheio de boas intenções com a sua primeira longa-metragem de ficção, todavia o seu principal objectivo parece ser chegar, a todo o custo, ao coração da plateia mais sensível.

Em Lion, seguimos um rapaz indiano de cinco anos, Saroo, que se perde do irmão mais velho e, por engano, embarca num comboio que o leva até às ruas de Calcutá. Perdido e sem saber como regressar a casa, sobrevive a diversos perigos e acaba por ser adoptado por um casal australiano. Passados 25 anos, quer descobrir a família biológica.

O argumento tem uma boa premissa, abordando diversos temas em parte desconhecidos do mundo ocidental: a pobreza, o elevadíssimo número de crianças perdidas na Índia, etc. Contudo, a procura de Saroo pela família biológica estende-se demasiado, sem acrescentar nada de novo, entrando numa espiral repetitiva. A relação do protagonista com a personagem de Rooney Mara é outro dos factores dispensáveis da narrativa, e para além de demarcar mais ainda o isolamento e a obsessão de Saroo, nada mais traz à história.


Os grandes pontos fortes de Lion - A Longa Estrada para Casa são as interpretações de Nicole Kidman, que enche o ecrã sempre que surge, num desempenho sentido, cheio de amor e dedicação aos filhos adoptivos; e Dev Patel, o Saroo adulto incansável, em busca do caminho que o leve de regresso à família biológica, num trabalho esforçado e competente do actor.

Por sua vez, a direcção de fotografia de Greig Fraser consegue tirar excelente partido das paisagens quer da Índia, quer da Austrália e da luz tão característica dos dois países, onde abundam os tons quentes e secos na primeira, e as cores vivas e frescas na segunda.

A montagem é uma das grandes fraquezas do filme de Garth Davis, com uma primeira metade bastante ritmada, torna-se depois insistente e cansativa. Opta-se por intercalar imagens do passado de Saroo, enquanto, já adulto, investiga o paradeiro da família, que, mais do que flashbacks, pretendem intensificar a obsessão do protagonista, sem qualquer necessidade de tal. Ao longo da segunda metade de Lion essa ideia é repetida até à exaustão.


Lion conta uma difícil e persistente história de vida, mas não toma as melhores opções para a tornar verdadeiramente apetecível de conhecer. Perde-se na repetição de ideias e acaba por ser essencialmente suportada pelas boas interpretações do elenco.

quinta-feira, 2 de outubro de 2014

Momentos para Recordar #34

Três grandes mulheres, três grandes actrizes e três grandes interpretações femininas foi o que nos trouxe As Horas, de Stephen Daldry. O Momentos para Recordar destaca aqui um dos grandes momentos desta irreconhecível Nicole Kidman na pele de Virginia Woolf.

As Horas (The Hours), Stephen Daldry (2002)

sexta-feira, 6 de junho de 2014

Momentos para Recordar #30

O Momentos para Recordar está de volta com uma das cenas mais marcantes do derradeiro filme de Stanley Kubrick, De Olhos Bem Fechados. Estamos perante uma revelação determinante para o desenrolar de toda a acção e Nicole Kidman domina totalmente a cena.

De Olhos Bem Fechados (Eyes Wide Shut), Stanley Kubrick (1999)

domingo, 19 de maio de 2013

Sugestão da Semana #64

Numa semana de estreias onde O Grande Gatsby está a cativar a grande maioria das atenções, a Sugestão da Semana do Hoje Vi(vi) um Filme vira-se para a longa-metragem protagonizada por Nicole Kidman e Aaron Eckhart.

O OUTRO LADO DO CORAÇÃO


Ficha Técnica:
Título Original: Rabbit Hole
Realizador: John Cameron Mitchell
Actores:  Nicole Kidman, Aaron Eckhart, Dianne Wiest
Género: Drama
Classificação: M/12
Duração: 91 minutos