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quinta-feira, 1 de março de 2018

Oscars 2018: As Actrizes Secundárias

Analiso agora as nomeadas para Melhor Actriz Secundária. Foi um ano de desempenhos interessantes e equilibrados, apesar de nenhum se destacar especialmente. As duas primeiras da minha lista são, contudo, as que mais me convenceram. Eis as cinco nomeadas por ordem de preferência.



Allison Janney, a mãe intransigente, que não parece nutrir qualquer amor pela filha. Um dos motivos da desgraça de TonyaJanney é fabulosa nos gestos, palavras e seriedade com que encara o papel. 



Mary J. Blige é fabulosa como Florence, a mãe trabalhadora e angustiada. Ela sofre e engole a sua revolta e mágoa ao lado do marido Hap. Merecia mais reconhecimento.



Laurie Metcalf, a mãe implacável, teimosa e obstinada, cria com a protagonista grandes momentos de emoção - em especial após a segunda metade de Lady Bird.



Lesley Manville é a irmã do protagonista que lhe impõe regras, numa interpretação muito convincente e carismática. Ela é Cyril, uma mulher omnipresente e controladora. Em todas as cenas onde  surge, a actriz é  magnética, cativa para si todos os olhares. 



A personagem de Octavia Spencer tem demasiadas semelhanças com Minny Jackson de As Serviçais, que lhe valeu um Oscar. Uma mulher simpática e simples, que fala pelos cotovelos e que proporciona momentos especialmente divertidos à acção.

sábado, 10 de fevereiro de 2018

Crítica: A Forma da Água / The Shape of Water (2017)

"I'm not competitive, I don't want an intricate, beautiful thing destroyed!" 
Hoffstetler

*8/10*

Del Toro não tinha repetido, nem de perto, a magia de O Labirinto do Fauno, até realizar A Forma da Água. Este último ainda está longe da fórmula milagrosa de fazer cinema que o filme de 2006 trouxe. No entanto, recupera a aura de magia trágica e apresenta-nos um casal de protagonistas muito particular.

A fantasia desta história de encantar começa logo no primeiro plano, com narrador a acompanhar. Não faltam o monstro nem a guerra - as mais evidentes características partilhadas com O Labirinto do Fauno.


Em 1963, no auge da Guerra Fria, Elisa (Sally Hawkins), uma solitária empregada de limpeza muda, que trabalha num laboratório governamental, vê a sua vida mudar para sempre quando, com a colega Zelda (Octavia Spencer), descobre o resultado de uma experiência ultrasecreta: um estranho ser aquático que vive num tanque.

Em A Forma da Água, o verdadeiro monstro é humano. O outro, que vive na pureza da água, pode ser tantas coisas, ter tantos significados, mas não é ele o vilão. Elisa e o ser aquático com que desenvolve uma relação são uma espécie de A Bela e o Monstro, mas, mais do que isso, são dois seres com muitas mais parecenças do que possamos pensar à partida. A água é o local onde se sentem mais à vontade, de onde ambos provêm, a origem exacta de cada um é desconhecida, e nenhum dos dois é capaz de falar, mas entendem-se perfeitamente. Ela estimula-o, acalma-o, ele fá-la feliz. O laço que criam e desenvolvem ao longo do filme é mágico, com sentimentos e emoções a flutuar sem serem precisas palavras, apenas gestos.


A direcção artística e a fotografia fazem um trabalho soberbo. Não só nos transportam para uma época de sombras e desconfiança, como criam toda a atmosfera visual e surreal que faz acreditar que tudo isto poderia mesmo ter acontecido. O facto de Elisa e o vizinho Giles viverem por cima de um cinema é uma das particularidades deliciosas de A Forma da Água. A banda sonora de Alexandre Desplat embala-nos como se estivéssemos a caminho de um conto de fadas... e não é que estamos mesmo? Mas um daqueles obscuros, sombrios e cruéis. 


Guillermo del Toro é inspirador. Voltou a sê-lo. Por muitas influências (demasiadas, por vezes) que A Forma da Água possa ter, o cineasta é capaz de criar um filme com identidade própria e com características que denunciam claramente a sua autoria - um misto de doçura, fantasia e violência.

O elenco, por sua vez, faz o resto. Sally Hawkins encarna esta mulher muda, corajosa e altruísta que parece descobrir a sua razão de viver e luta por ela. Aparenta uma imensa fragilidade mas revela-se muito desafiadora. Michael Shannon interpreta o verdadeiro monstro, de carne e osso, violento e bárbaro, com claros problemas relacionais. Uma espécie de sociopata que ambiciona mais poder e estatuto - e ele não desiste facilmente. Richard Jenkins e Octavia Spencer são personagens simpáticas que falam pelo que Sally Hawkins não diz, e conferem momentos divertidos à acção. São ainda um interessante símbolo das minorias - e são fundamentais na narrativa. E Doug Jones, claro, o actor que veste a pele do homem anfíbio tem um papel crucial e é capaz de expressar emoções tão ou mais humanas que as de outras personagens.


A violência não gera nada de bom e o amor é a melhor forma de comunicação. Guillermo del Toro prova-o em A Forma da Água e nós acreditamos e pedimos mais magia.

sábado, 25 de fevereiro de 2017

Oscars 2017: As Actrizes Secundárias

Analiso agora as nomeadas para Melhor Actriz Secundária. Mais um ano de bons desempenhos nesta categoria. Duas das nomeadas destacam-se das restantes, mas as cinco são merecedoras da nomeação, ainda que Michelle Williams pudesse trocar com outro nome (Janelle Monáe por Elementos Secretos seria a minha opção). Eis as cinco nomeadas por ordem de preferência.

É quase certo que à terceira nomeação será de vez, e a actriz levará, finalmente, o Oscar para casa. Ainda que seja discutível que Viola Davis esteja nomeada na categoria de Actriz Secundária e não Principal, e mesmo que tenha a seu favor o facto de já ter interpretado anteriormente o mesmo papel na Broadway, ela merece este prémio. Em Vedações, a actriz tem o melhor desempenho do filme, com a sua Rose conciliadora mas muito magoada. É contida e defende a família com as armas que tem, mas explode com todas as emoções e ressentimentos quando assim tem de ser. 

Se Viola Davis não estivesse na corrida, Naomi Harris merecia, sem dúvida, o seu primeiro Oscar pelo papel de Paula em Moonlight. Na pele de uma toxicodependente, mãe do protagonista, a actriz tem uma interpretação atordoante, com uma notória e realista degradação física e psicológica ao longo do filme.

Bastam poucos minutos da sua presença para que um filme se encha do seu talento, assim é Nicole Kidman. A actriz de Lion - A Longa Estrada para Casa enche o ecrã sempre que surge, num desempenho sentido, cheio de amor e dedicação aos filhos adoptivos.

Numa interpretação mais contida do que a que lhe valeu um Oscar em As Serviçais, Octavia Spencer merece a nomeação deste ano. Em Elementos Secretos (onde as três principais actrizes fazem um excelente trabalho), a actriz é uma matemática da NASA que está descontente com a forma como as negras ali são tratadas, mas receia levantar ondas. A revolta que sente por fazer o trabalho de supervisora mas não ganhar como tal fá-la, contudo, querer mudar e ultrapassar os seus receios.

Pela quarta vez nomeada para um Oscar, ainda não será desta que Michelle Williams levará a estatueta consigo. Apesar da dor e sofrimento que demonstra quando veste a pele da sua personagem em Manchester by the Sea, a actriz não consegue competir com as performances das restantes nomeadas.

quarta-feira, 22 de fevereiro de 2017

Crítica: Elementos Secretos / Hidden Figures (2016)

"Every time we get a chance to get ahead they move the finish line. Every time."
Mary Jackson
*7/10*


Elementos Secretos realça bem a segregação racial (e mesmo de género) que se vivia ainda nos anos 60, tratando um tema sensível com humor,  com os diálogos a assumirem um papel fulcral. Ao mesmo tempo, o filme de Theodore Melfi homenageia três importantes nomes femininos da História da NASA.

Seguimos o trabalho de Katherine Johnson (Taraji P. Henson), Dorothy Vaughn (Octavia Spencer) e Mary Jackson (Janelle Monae) – três afro-americanas que trabalham na NASA e são os cérebros por trás de uma das maiores operações da história: o lançamento do astronauta John Glenn para a órbita, feito que restaurou a confiança dos norte-americanos e agitou a Corrida Espacial.


Preconceitos de sexo ou raça são deitados por terra com o bom argumento de Elementos Secretos. Uma adaptação competente que, apesar de insistir em alguns clichés e acentuar, mais ainda, atitudes discriminatórias, mostra-se de grande importância para demarcar a igualdade e a luta destas mulheres pelos seus direitos. Há que lembrar estas três grandes primeiras mulheres a destacarem-se na NASA pela sua competência e inteligência, não importa a cor da pele.

Ao mesmo tempo que é um filme para os norte-americanos, Elementos Secretos sabe como ser igualmente um filme para o mundo. Ao relatar com detalhe e sem exaustão os pormenores do lado americano na corrida ao espaço, há uma contextualização histórica tão completa como interessante, onde se recorre a imagens de arquivo da época, seja dos astronautas ou mesmo do presidente John F. Kennedy.


Theodore Melfi oferece-nos um filme muito ritmado, com a banda sonora a acentuar o ritmo da montagem. Ao mesmo tempo, Elementos Secretos ganha mais vida com excelente trabalho da direcção artística, numa bela representação dos anos 60 nos EUA, e guarda-roupa.

Dos batons garridos aos vestidos coloridos, estas mulheres dão cor, conhecimento e animação à NASA "so white". E que personalidade conferem as três actrizes às suas personagens. Taraji P. HensonOctavia Spencer e Janelle Monáe são estrondosas e encantadoras como Katherine G. Johnson, Dorothy Vaughan e Mary Jackson, respectivamente.

As três dão brilho, vivacidade e perspicácia à longa-metragem e é impossível dizer qual delas está melhor. Taraji é a protagonista que sabe impor a sua presença e conhecimento numa sala onde os homens brancos querem deter o poder. Bonita e inteligente, apesar de inicialmente receosa em se fazer ouvir, depressa toma consciência que a vida de muitos depende de si. Octavia Spencer é a matemática mais comedida, que menos ondas quer levantar. Contudo, a revolta que sente por fazer o trabalho de supervisora mas não ganhar como tal fá-la querer mudar e ultrapassar os seus receios. Janelle Monáe é a mais jovem mas também mais emancipada das três. Sem papas na língua, ela luta por todos os meios que lhe são possíveis para se tornar engenheira, enfrentando família e sociedade. As três mulheres arriscam e lutam pela igualdade de direitos, contagiando-nos com a sua alegria e garra.


Actualmente, num momento sociopolítico tão instável e incerto para o ocidente, Elementos Secretos é uma excelente forma de relembrar que a História foi feita por todos.

terça-feira, 26 de fevereiro de 2013

Oscars 2013: A Red Carpet

Fugindo a qualquer tipo de estereótipo que possa criar-se, a autora deste blog não percebe nada de moda, mas, claro, tem os seus vestidos favoritos entre os que desfilaram pela red carpet da 85ª cerimónia dos Oscars. A grande diferença é que muitas das escolhas aqui apresentadas não agradarão a grande parte dos interessados pelo tema, que, muito provavelmente, os irão considerar de muito mau gosto, por algum motivo que devo desconhecer.

Mas porque a diversidade de opiniões é que interessa, aqui vos deixo os meus favoritos da noite/madrugada de ontem.

Ao lado do marido LIEV SCHRIEBER, a belíssima NAOMI WATTS, nomeada para Melhor Actriz, surpreendeu com este vestido  Giorgio Armani bastante original.
Foto: ABC/RICK ROWELL

Muito elegante esteve HELEN HUNT no seu vestido azul H&M.
Foto: JASON MERRITT/GETTY IMAGES

Vencedora do Oscar para Melhor Actriz Secundária em 2012, OCTAVIA SPENCER desfilou num belíssimo vestido Tadashi Shoji.
Foto: JASON MERRITT/GETTY IMAGES

Sempre o casal mais divertido HELENA BONHAM CARTER e TIM BURTON compareceram no seu estilo muito próprio. A actriz de Os Miseráveis desfilou num irreverente e bonito vestido Vivienne Westwood.
Foto: FRAZER HARRISON/GETTY IMAGES

Nomeada para Melhor actriz, JESSICA CHASTAIN desfilou com um Giorgio Armani que condizia e realçava a sua figura.
Foto: JASON MERRITT/GETTY IMAGES

Uma das vencedoras da noite, ANNE HATHAWAY, que conquistou o Oscar de Melhor Actriz Secundária, desfilou num simples e elegante modelo Prada. Alvo de aparente chacota nas redes sociais, devido ao pormenor do vestido na zona do peito, que o acentuava, a actriz esteve deslumbrante, como sempre. Um dos meus favoritos da noite, contra tudo o que se tem escrito.
Foto: JASON MERRITT/GETTY IMAGES

JENNIFER ANISTON desfilou deslumbrante num vestido vermelho da Valentino.
Foto: JASON MERRITT/GETTY IMAGES

A mais jovem nomeada de sempre, QUVENZHANE WALLIS, desfilou elegante num vestido azul da Giorgio Armani. A acompanhar um divertida mala que condizia com a pequena actriz de nove anos. 
Foto: JASON MERRITT/GETTY IMAGES

A actriz OLIVIA MUNN desfilou com um dos modelos que mais me agradaram. Um vestido Marchesa vermelho com bordados em dourado, arriscado, mas com um corte sublime.
Foto: JASON MERRITT/GETTY IMAGES

Simples, sensual e elegante, CHARLIZE THERON no seu vestido branco Dior conquistou o meu favoritismo entre os modelos que desfilaram pela red carpet. 
Foto: JASON MERRITT/GETTY IMAGES