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quinta-feira, 26 de fevereiro de 2015

Oscars 2015: O Resumo

Neil Patrick Harris foi o anfitrião da 87.ª edição dos Oscars, mas a cerimónia foi apenas morna, com pouca animação, poucos momentos marcantes e poucas surpresas. Todos os nomeados para melhor filme levaram pelo menos um Oscar consigo. Entre os vencedores, Birdman conquistou a Academia (em detrimento de Boyhood), que parece rever-se no actor em decadência que vive iludido pelo artifício (a.k.a. o próprio filme de Iñárritu), e levou para casa quatro estatuetas (Melhor Filme, Realizador, Fotografia e Argumento Original). Boyhood conquistou apenas o Oscar de Melhor Actriz Secundária para Patricia Arquette, mas fica a certeza de que, de todos os nomeados, será o mais (senão o único) lembrado na História do Cinema.


Com quatro estatuetas ficou também Grand Budapest Hotel - Melhor Caracterização, Guarda-roupa, Direcção Artística e Banda Sonora (prémio que roubou a A Teoria de Tudo) -, ficando Wes Anderson sem o seu merecido Oscar para Melhor Argumento Original que lhe foi injustamente roubado por Birdman. Por seu lado, Whiplash conquistou três Oscars, Melhor Actor Secundário, Melhores Efeitos Sonoros e Melhor Montagem, sendo que este último era tido como quase certo para Boyhood, que o merecia, sem sombra de dúvida. Com um Oscar ficaram os restantes A Teoria de Tudo (Actor Principal), Sniper Americano (Montagem de Som), Selma - A Marcha da Liberdade (Canção Original) e O Jogo da Imitação (Argumento Adaptado).

Inesperada foi a categoria de Melhor Filme de Animação onde a longa-metragem da Disney+Marvel, Big Hero 6  - Os Novos Heróis, levou a melhor sobre Como Treinares o Teu Dragão 2, grande vencedor da temporada de prémios na animação.

Para além do interessante número inicial ou da homenagem aos 50 anos de Música no Coração - que trouxe ao palco Julie Andrews, que não parece envelhecer, para apresentar o prémio de Melhor Banda Sonora Original -, o momento mais alto por parte do anfitrião foi, sem sombra de dúvida, ao recriar uma icónica cena de Birdman (com uma breve referência a Whiplash), com Neil Patrick Harris a surgir em cuecas no palco.

Segue um pequeno resumo dos melhores momentos da noite:

Os Discursos da Noite: Patricia Arquette, J.K. Simmons e Common e John Legend


Arquette trouxe preparado um forte discurso feminista, num apelo à igualdade salarial entre homens e mulheres, J.K. Simmons, num tom mais sentimental, lembrou todos os pais e as mães, e Common e John Legend levaram a plateia às lágrimas com a sua canção e discurso, lembrando a luta pela igualdade de direitos entre negros e brancos.

O Beijinho Desconfiado da Noite: John Travolta e Scarlett Johansson
Travolta podia ser o homem da noite pelas cenas que protagonizou. Neste caso, porque estaria Scarlett desconfiada do seu beijinho?

Oprah também venceu um Oscar:
É de Lego mas até eu queria um.

A Mulher da Noite nas Redes Sociais: Lady Gaga
Muitas foram as piadas - especialmente relacionadas com limpezas - que circularam pelas redes sociais acerca das luvas vermelhas de Lady Gaga.

A Vingança da Noite: Idina Menzel e John Travolta
Depois de, na cerimónia de 2014, ele lhe trocar o nome, este ano ela vingou-se e chamou-o ao palco pelo nome: Glom Gazingo

O Mais Fofinho da Noite: Wes Anderson
As imagens falam por si...

O Melhor Momento de Neil Patrick Harris:

Qual Michael Keaton, Neil Patrick Harris recriou esta famosa cena de Birdman, onde não faltou uma banda sonora à bateria de... Miles Teller.

O Mais Nervoso da Noite: Eddie Redmayne
O britânico Eddie Redmayne parecia não esperar conquistar este prémio e foi, certamente, o vencedor mais nervoso da noite.

Os Vencedores da Noite: J. K. Simmons, Patricia Arquette, Julianne Moore e Eddie Redmayne
Ninguém pode negar que todos eles mereciam.

Para o ano há mais!

terça-feira, 24 de fevereiro de 2015

Oscars 2015: Red Carpet

Como de costume, depois de entregues os prémios da grande noite do cinema é por aqui tempo de eleger os meus modelos favoritos que desfilaram pela passadeira vermelha. Sim, porque se todos querem saber quem leva os Oscars para casa, também todos querem ver quem é o/a mais bem vestido/a. 

Não foi um ano especialmente rico em vestidos que me agradassem, mas aqui ficam os que mais me cativaram (como sempre, com a ressalva de que não percebo nada de moda).

A vencedora do Oscar de Melhor Actriz, Julianne Moore, surgiu lindíssima e muito elegante num vestido branco da Chanel, num belo contraste com o seu cabelo ruivo, apanhado, e com pormenores que dão ainda mais brilho à talentosa actriz.
Foto: Jordan Strauss/Invision/AP

Lupita Nyong'o causa sempre furor em todas as cerimónias pela indumentária que apresenta e os Oscars não foram excepção. A actriz oscarizada desfilou com um vestido branco repleto de pérolas da Calvin Klein Collection e foi uma das mais bem vestidas da noite.
Foto: Jordan Strauss/Invision/AP

Nomeada para o Oscar de Melhor Actriz, Rosamund Pike surgiu com um bonito vestido da Givenchy, que ficou especialmente bem com o seu cabelo loiro, apanhado.
Foto: Kevin Mazur/WireImage

Scarlett Johansson surgiu discreta, mas extremamente bonita, com um vestido verde da Versace. A gargantilha, a condizer, deu que falar, mas por aqui, gostámos de ver.
Foto: Jordan Strauss/Invision/AP

Deslumbrante esteve a actriz e cantora Jennifer Lopez, capaz de roubar as atenções a muitas colegas. O seu vestido cor de pele, com brilhantes, e de decote acentuado em v da Elie Saab deu-lhe um toque de princesa, a condizer com a maquilhagem leve e discreta.
Foto: Jordan Strauss/Invision/AP

Também a lembrar uma princesa esteve Felicity Jones, nomeada para o Oscar de Melhor Actriz este ano. A britânica vestiu um bonito modelo Alexander McQueen em tons de prata.
Foto: Jason Merritt/Getty Images

Dakota Johnson está nas bocas do mundo pela sua participação no filme As Cinquenta Sombras de Grey. Na red carpet dos Oscars distinguiu-se pelo bom gosto no modelo com que desfilou, um vestido vermelho da Saint Laurent. A cor caiu-lhe bem, contrastando com o seu tom de pele clara e condizendo com o batom, e dotou-a de uma figura elegante.
Foto: Jason Merritt/Getty Images

Sempre elegante e mais uma vez nomeada, Meryl Streep surgiu na red carpet de preto e branco num bonito modelo Lanvin. Mesmo discreta, ninguém consegue tirar os olhos da actriz recordista de nomeações para os Oscars.
Foto: Jason Merritt/Getty Images

Também de preto e branco surgiu Patricia Arquette, a vencedora do Oscar para Melhor Actriz Secundária, com um bonito vestido Rosetta Getty.
Foto: Jason Merritt/Getty Images

O bom gosto de Jenna Dewan-Tatum continua a revelar-se e os Oscars 2015 foram mais uma confirmação do mesmo. A esposa de Channing Tatum surgiu de branco, com um vestido Zuhair Murad, de decote em v, com uma fila de brilhantes.
Foto: Jordan Strauss/Invision/AP

segunda-feira, 23 de fevereiro de 2015

Oscars 2015: Os Vencedores

A 87.ª cerimónia dos Oscars já começou e por aqui vamos estar a actualizar a lista de vencedores em tempo real.


Melhor Filme
Sniper Americano (American Sniper)
Birdman ou (A Inesperada Virtude da Ignorância) (Birdman)
Boyhood: Momentos de Uma Vida (Boyhood)
O Jogo da Imitação (The Imitation Game)
Grand Budapest Hotel (The Grand Budapest Hotel)
Selma - A Marcha da Liberdade (Selma)
A Teoria de Tudo (The Theory of Everything)
Whiplash - Nos Limites (Whiplash)

Melhor Actor
Steve Carell por Foxcatcher
Benedict Cumberbatch por O Jogo da Imitação (The Imitation Game)
Bradley Cooper por Sniper Americano (American Sniper)
Michael Keaton por Birdman ou (A Inesperada Virtude da Ignorância) (Birdman)
Eddie Redmayne por A Teoria de Tudo (The Theory of Everything)

Melhor Actriz
Marion Cotillard por Dois Dias, Uma Noite (Deux jours, une nuit)
Felicity Jones por A Teoria de Tudo (The Theory of Everything)
Rosamund Pike por Em Parte Incerta (Gone Girl)
Julianne Moore por O Meu Nome é Alice (Still Alice)
Reese Witherspoon por Livre (Wild)

Melhor Actor Secundário
Robert Duvall por O Juiz (The Judge)
Ethan Hawke por Boyhood: Momentos de Uma Vida (Boyhood)
Edward Norton por Birdman ou (A Inesperada Virtude da Ignorância) (Birdman)
Mark Ruffalo por Foxcatcher
J.K. Simmons por Whiplash - Nos Limites (Whiplash)

Melhor Actriz Secundária 
Patricia Arquette por Boyhood: Momentos de Uma Vida (Boyhood)
Laura Dern por Livre (Wild)
Keira Knightley por O Jogo da Imitação (The Imitation Game)
Emma Stone por Birdman ou (A Inesperada Virtude da Ignorância) (Birdman)
Meryl Streep por Caminhos da Floresta (Into the Woods)

Melhor Realizador
Richard Linklater por Boyhood: Momentos de Uma Vida (Boyhood)
Alejandro González Iñárritu por Birdman ou (A Inesperada Virtude da Ignorância) (Birdman)
Bennett Miller por Foxcather
Wes Anderson por Grand Budapest Hotel (The Grand Budapest Hotel)
Morten Tyldum  por O Jogo da Imitação (The Imitation Game)

Melhor Argumento Original
Boyhood: Momentos de Uma Vida (Boyhood): Richard Linklater
Birdman ou (A Inesperada Virtude da Ignorância) (Birdman): Alejandro González Iñárritu, Nicolás Giacobone, Alexander Dinelaris, Armando Bo
Foxcatcher: E. Max Frye, Dan Futterman
Grand Budapest Hotel (The Grand Budapest Hotel): Wes Anderson, Hugo Guinness
Nightcrawler - Repórter na Noite (Nightcrawler): Dan Gilroy

Melhor Argumento Adaptado
Sniper Americano (American Sniper): Jason Hall
Vício Intrínseco (Inherent Vice): Paul Thomas Anderson
O Jogo da Imitação (The Imitation Game): Graham Moore
A Teoria de Tudo (The Theory of Everything): Anthony McCarten
Whiplash - Nos Limites (Whiplash): Damien Chazelle

Melhor Filme de Animação
Os Monstros das Caixas (The Boxtrolls)
Big Hero 6 - Os Novos Heróis (Big Hero 6)
Como Treinares o Teu Dragão 2 (How to Train Your Dragon 2)
Song of the Sea
The Tale of the Princess Kaguya (Kaguyahime no monogatari)

Melhor Filme Estrangeiro
Tangerines (Mandariinid) (Estónia)
Ida (Polónia)
Leviathan (Rússia)
Relatos Selvagens (Wild Tales) (Argentina)
Timbuktu (Mauritânia)

Melhor Fotografia
Birdman ou (A Inesperada Virtude da Ignorância) (Birdman): Emmanuel Lubezki
Grand Budapest Hotel (The Grand Budapest Hotel): Robert D. Yeoman
Mr. Turner: Dick Pope
Invencível (Unbroken): Roger Deakins
Ida: Lukasz Zal, Ryszard Lenczewski

Melhor Montagem
Boyhood: Momentos de Uma Vida (Boyhood): Sandra Adair
O Jogo da Imitação (The Imitation Game): William Goldenberg
Grand Budapest Hotel (The Grand Budapest Hotel): Barney Pilling
Whiplash - Nos Limites (Whiplash): Tom Cross
Sniper Americano (American Sniper): Joel Cox, Gary Roach

Melhor Design de Produção
Grand Budapest Hotel (The Grand Budapest Hotel): Adam Stockhausen, Anna Pinnock
O Jogo da Imitação (The Imitation Game): Maria Djurkovic, Tatiana Macdonald
Interstellar: Nathan Crowley, Gary Fettis
Caminhos da Floresta (Into the Woods): Dennis Gassner, Anna Pinnock
Mr. Turner: Suzie Davies, Charlotte Watts

Melhor Guarda-Roupa
Grand Budapest Hotel (The Grand Budapest Hotel): Milena Canonero
Vício Intrínseco (Inherent Vice): Mark Bridges
Caminhos da Floresta (Into the Woods): Colleen Atwood
Maléfica (Maleficent): Anna B. Sheppard, Jane Clive
Mr. Turner: Jacqueline Durran

Melhor Maquilhagem e Cabelo
Foxcatcher: Bill Corso, Dennis Liddiard
Grand Budapest Hotel (The Grand Budapest Hotel): Frances Hannon, Mark Coulier
Os Guardiões da Galáxia (Guardians of the Galaxy): Elizabeth Yianni-Georgiou, David White

Melhor Banda Sonora Original
O Jogo da Imitação (The Imitation Game): Alexandre Desplat
Grand Budapest Hotel (The Grand Budapest Hotel): Alexandre Desplat
Interstellar: Hans Zimmer
A Teoria de Tudo (The Theory of Everything): Jóhann Jóhannsson
Mr. Turner: Gary Yershon

Melhor Canção Original
Selma - A Marcha da Liberdade (Selma)Common, John Legend (Glory)
Num Outro Tom (Begin Again): Gregg Alexander, Danielle Brisebois (Lost Stars)
O Filme Lego (The Lego Movie): Shawn Patterson (Everything is Awesome)
Beyond the Lights: Diane Warren (Grateful)
Glen Campbell: I'll Be Me: Glen Campbell, Julian Raymond (I'm not gonna miss you)

Melhores Efeitos Sonoros
Sniper Americano (American Sniper): John T. Reitz, Gregg Rudloff, Walt Martin
Birdman ou (A Inesperada Virtude da Ignorância) (Birdman): Jon Taylor, Frank A. Montaño, Thomas Varga
Interstellar: Gary Rizzo, Gregg Landaker, Mark Weingarten
Invencível (Unbroken): Jon Taylor, Frank A. Montaño, David Lee
Whiplash - Nos Limites (Whiplash): Craig Mann, Ben Wilkins, Thomas Curley

Melhor Montagem de Som
Sniper Americano (American Sniper): Alan Robert Murray, Bub Asman
Birdman ou (A Inesperada Virtude da Ignorância) (Birdman): Aaron Glascock, Martín Hernández
O Hobbit: A Batalha dos Cinco Exércitos (The Hobbit: The Battle of the Five Armies): Brent Burge, Jason Canovas
Interstellar: Richard King
Invencível (Unbroken): Becky Sullivan, Andrew DeCristofaro

Melhores Efeitos Visuais
Capitão América: O Soldado do Inverno (Captain America: The Winter Soldier): Dan Deleeuw, Russell Earl, Bryan Grill, Daniel Sudick
Planeta dos Macacos: A Revolta (Dawn of the Planet of the Apes): Joe Letteri, Dan Lemmon, Daniel Barrett, Erik Winquist
Os Guardiões da Galáxia (Guardians of the Galaxy): Stephane Ceretti, Nicolas Aithadi, Jonathan Fawkner, Paul Corbould
Interstellar: Paul J. Franklin, Andrew Lockley, Ian Hunter, Scott R. Fisher
X-Men: Dias de Um Futuro Esquecido (X-Men: Days of Future Past): Richard Stammers, Lou Pecora, Tim Crosbie, Cameron Waldbauer

Melhor Documentário
Citizenfour
Finding Vivian Maier
Last Days in Vietnam
O Sal da Terra (The Salt of the Earth)
Virunga

Melhor Curta Documental
Crisis Hotline: Veterans Press 1
Joanna
Nasza klatwa
La parka
White Earth 

Melhor Curta de Animação
The Bigger Picture
The Dam Keeper
Festim (Feast)
Me and My Moulton
A Single Life 

Melhor Curta
Aya
Boogaloo and Graham
La lampe au beurre de yak
Parvaneh
The Phone Call

domingo, 22 de fevereiro de 2015

Oscars 2015: Quem poderia estar nomeado e não está

Já preparada para a cerimónia desta noite e (praticamente) refeita do anúncio das nomeações para os Oscars 2015, é tempo de relembrar os principais esquecimentos da Academia, as injustiças que ainda me atormentam.

Esperava, acima de tudo, um ano mais empolgante em termos de nomeados. A ausência de Foxcatcher na categoria de Melhor Filme é uma das grandes falhas deste ano, que não deixa ainda assim de ser compensada pela nomeação de Steve Carell e Mark Ruffalo e de Bennett Miller para Realização (e ainda mais as nomeações para Melhor Argumento Original e Caracterização). Nos actores principais, Jake Gyllenhaal é a ausência mais sentida por estes lados, mas não é a única.

Aqui ficam os nomes que deviam estar entre os nomeados e aqueles que são pouco merecedores dos lugares que a Academia lhes concedeu.

Melhor Filme

Quem poderia estar nomeado:
Foxcatcher
Nightcrawler - Repórter na Noite
Em Parte Incerta
Ida

Quem poderia sair da lista de nomeados:
Sniper Americano
O Jogo da Imitação

Melhor Realizador

Quem poderia estar nomeado:
Damien Chazelle por Whiplash - Nos Limites
Paul Thomas Anderson por Vício Intrínseco
David Fincher por Em Parte Incerta

Quem poderia sair da lista de nomeados:
Morten Tyldum por O Jogo da Imitação

Melhor Actor

Quem poderia estar nomeado:
Jake Gyllenhaal em Nightcrawler - Repórter na Noite
Miles Teller em Whiplash - Nos Limites
David Oyelowo em Selma - A Marcha da Liberdade
Oscar Isaac em Um Ano Muito Violento

Quem poderia sair da lista de nomeados:
Bradley Cooper em Sniper Americano
Benedict Cumberbatch em O Jogo da Imitação

Melhor Actriz

Quem poderia estar nomeada:
Amy Adams em Olhos Grandes

Quem poderia sair da lista de nomeadas:
Marion Cotillard em Dois Dias, Uma Noite
Reese Witherspoon em Livre 

Melhor Actriz Secundária

Quem poderia estar nomeada:
Jessica Chastain em Um Ano Muito Violento (A Most Violent Year)
Oprah Winfrey em Selma - A Marcha da Liberdade

Quem poderia sair da lista de nomeadas:
Laura Dern em Livre
Emma Stone em Birdman ou (A Inesperada Virtude da Ignorância)

Melhor Filme de Animação:

Quem podia estar nomeado:
O Filme Lego

Oscars 2015: Melhor Filme

Chegamos finalmente à análise dos nomeados para Melhor Filme. Tenho dois favoritos assumidos, um deles ainda com possibilidades de levar o grande prémio da noite, o outro com probabilidades quase nulas. Eis os oito nomeados (como sempre, pela minha ordem de preferência).



É o meu favorito dos oito nomeados, mas não o meu favorito à vitória, aí deixo os louros para Boyhood, que os merece. Contudo, Whiplash foi a melhor experiência desta award season, uma autêntica revelação e uma lufada de ar fresco. O batimento cardíaco aumenta ao ritmo do da bateria e o corpo acompanha a sonoridade jazz. No fim, faltar-nos-ão as forças ao ver tanto esforço, raiva e vontade de ser o melhor, mas a motivação não terá limites. Damien Chazelle traz-nos muita teimosia e suor, acompanhados à bateria na sua segunda longa-metragem. Para além de um exercício de estilo cheio de ritmo, somos conduzidos nesta aventura por dois protagonistas fabulosos e de personalidade singular: Andrew Neimann e Terence Fletcher - tão diferentes, mas, afinal, tão iguais - e com duas interpretações estrondosas de Miles Teller J.K. Simmons.

2. Boyhood: Momentos de Uma Vida (Boyhood)


Este sim é o meu favorito à vitória pela revolução que trouxe ao cinema. Richard Linklater fez História. A aparente simplicidade de Boyhood acaba quando tomamos consciência de que a mesma equipa se reuniu todos os 12 anos de produção, dando, cada um deles, um pouco da sua vida, do seu crescimento/envelhecimento a este filme. É isto mesmo que o torna especial: a coragem e comprometimento de actores e técnicos e a persistência de Linklater em levar avante este projecto singular.


Fiel a si próprio e ao seu rigoroso estilo estético, Wes Anderson surpreende com a divertida e colorida comédia, Grand Budapest Hotel. Munido - como sempre - de um excelente elenco e de mais uma história mirabolante, o realizador apresenta-nos uma amizade improvável entre o paquete e o concierge de um hotel. Acima de tudo, é um filme que se distingue pela componente técnica, pelo argumento cheio de humor e pela extraordinária interpretação de Ralph Fiennes.

4. A Teoria de Tudo (The Theory of Everything)


"Conto de fadas" é uma boa expressão para caracterizar A Teoria de Tudo que, apesar do seu tom positivo e romântico, não deixa de se revelar melhor do que o esperado, assentando especialmente nas surpreendentes interpretações do seu elenco. Acima de tudo, o filme é uma interessante e íntima viagem à vida de um casal e à sua luta para lidar com a doença, que chegou cedo demais.

5. Selma - A Marcha da Liberdade (Selma)


Os norte-americanos gostam de ver a sua história no grande ecrã, isso todos sabemos, e Selma é mais um dos exemplos disso mesmo. Desta vez, o protagonista é Martin Luther King e a sua luta pela igualdade de direitos entre negros e brancos, que já foi tantas vezes alvo de experiências cinematográficas. Realizado por uma mulher, Ava DuVernay, o filme não traz nada de novo ao mundo, mas pode ser um registo histórico-político curioso para os mais jovens - mesmo que, provavelmente, não seja dotado de total sinceridade no relato dos factos. Vale, especialmente, pelas fortes interpretações.

6. Birdman ou (A Inesperada Virtude da Ignorância) (Birdman)


Birdman voa alto mas não chega muito longe. A experiência de Alejandro González Iñárritu, onde a técnica predomina, não consegue sustentar-se apenas da sua estética, com o argumento a fazer tudo cair por terra (ou perder-se para sempre nos céus). O argumento fantasioso levanta interessantes mas preguiçosas questões e a magia técnica, por muito competente que seja, não consegue fazer esquecer a monotonia a que assistimos. Destaque para a óptima prestação de Michael Keaton, de que já falamos anteriormente.

7. O Jogo da Imitação (The Imitation Game)


Entre a genialidade dos Homens, a complexidade das máquinas e a homossexualidade na sociedade, O Jogo da Imitação perde-se em várias temáticas, fazendo com que nenhuma seja verdadeiramente valorizada. O ritmo lento dos acontecimentos e os clichés são contrabalançados pela época histórica (a Segunda Guerra Mundial) e pela árdua luta travada para descobrir o código da Enigma alemã. Morten Tyldum deu um tiro ao lado do que podia ter sido um bom filme e ficou-se apenas pelo medianamente interessante. Alan Turing merecia muito mais.

8. Sniper Americano (American Sniper)


Um elogio a um herói de guerra para os norte-americanos, talvez pouco heroicizado pelo resto do mundo, assim é Sniper Americano. Clint Eastwood realizou mais um filme de guerra, com semelhanças a outras longas-metragens recentes, onde o palco é o médio oriente e o lado americano sai sempre valorizado. Menos patriotismo e maior isenção poderia jogar a favor do filme, que, no fim, se revela uma desilusão, sem nada de novo, e nem espaço para a reflexão quer deixar.

Oscars 2015: Os Actores Secundários

E entre os nomeados nas categorias interpretativas, só nos falta analisar quem está na corrida para o Oscar de Melhor Actor Secundário.

1. J.K. Simmons por Whiplash - Nos Limites (Whiplash)


Simmons funde-se com a sua personagem, Fletcher, o aterrador - quase sádico - professor que assombra a banda que dirige. Com Miles Teller - o único que lhe enfrenta o olhar ameaçador -, forma uma dupla imbatível. Fletcher é intransigente, um bully, capaz dos actos e das palavras mais inesperadas, que convive no entanto com um estranho sonho de encontrar o músico perfeito entre os seus alunos - uma espécie de máquina incapaz de errar. J.K. Simmons aterroriza-nos tanto como aos seus alunos e é impossível não querer dar o Oscar a este "vilão".

2. Robert Duvall por O Juiz (The Judge)


O veterano Robert Duvall surge seguro num papel que não lhe apresenta grandes dificuldades. Ele é Joseph Palmer, um juiz casmurro e extremamente rigoroso. Tudo isso se reflecte na má relação que mantém com o filho Hank, um conceituado advogado. Os papéis invertem-se quando o juiz se vê no banco dos réus e o filho na obrigação de o defender. Duvall confere à personagem a sobriedade que esta pede, um homem duro e orgulhoso, capaz de revelar o seu lado doce junto da neta. Por outro lado, ao descobrir-se a doença de que padece, assistimos a uma grande entrega emocional e física por parte do actor.

3. Mark Ruffalo por Foxcatcher


Como Dave Schultz, Mark Ruffalo quase passa despercebido ao lado de Steve Carell e Chaning Tatum. Todavia, a sua personagem e fundamental para toda a narrativa. Ele desempenha na perfeição o papel de um homem ponderado e fiel aos seus valores, que adora o irmão e põe a família à frente de tudo. Com uma interpretação tranquila e consistente, Ruffalo é bem sucedido a conquistar a simpatia da plateia.

4. Ethan Hawke por Boyhood: Momentos de Uma Vida (Boyhood)


Ao longo dos 12 anos de filmagens de Boyhood, Hawke é ele mesmo, igual ao que nos tem habituado - por exemplo na trilogia de Antes do Amanhecer. O actor (que parece não envelhecer, ao contrário das restantes personagens) é o pai ausente e irresponsável, sempre pronto para a diversão e para dar conselhos, apesar de não ser o melhor exemplo a seguir.
Não há muito a dizer. Ninguém duvida que Edward Norton é um excelente actor, mas, em Birdman, não nos mostra nada que o faça superar-se ou que não pudesse ser feito por qualquer outro actor, até com menos notoriedade.

sábado, 21 de fevereiro de 2015

Oscars 2015: As Actrizes Secundárias

Depois das actrizes e actores principais, passemos a uma breve análise a uma das categorias mais fracas desta edição dos Oscars: Melhor Actriz Secundária. Um desempenho interessante, dois medianos e outros dois muito fracos. Eis as nomeadas:

1. Patricia Arquette por Boyhood: Momentos de Uma Vida (Boyhood)


Aqui está o desempenho mais merecedor da estatueta dourada. Patricia Arquette é esta sofrida mãe que acompanhamos ao longo de 12 anos, cuja interpretação é a que mais se destaca em Boyhood. Sem medo nem vergonha de abraçar um projecto que mostra o seu envelhecimento, as mudanças físicas - e psicológicas - e a sua total entrega à personagem, a mãe sempre presente, que escolhe mal os maridos, Arquette oferece-nos uma das melhores prestações femininas do ano (não foram assim tantas, é verdade). É com ela que vamos lamentar a passagem do tempo - tão rápida - e compartilhar a revolta e explosão de sentimentos desta mãe, perto do final.

2. Meryl Streep por Caminhos da Floresta (Into the Woods)



Sabemos que ela faria esta personagem na perfeição mesmo com uma perna às costas, mas certo é que o seu talento é notável em todas as personagens e a Academia rende-se a Meryl Streep quase todos os anos. Em Caminhos da Floresta, a veterana é uma bruxa, responsável por grande parte das peripécias do filme. Entre um coração gelado pela vingança e uma ternura escondida - afinal, até quer ajudar o casal protagonista a quebrar a maldição que ela lhes lançou -, esta bruxa também quer realizar os seus desejos.

3. Keira Knightley por O Jogo da Imitação (The Imitation Game)



Numa interpretação simples e muito ao seu jeito elegante, mas sensabor, temos Keira Knightley. Ela é Joan Clarke, provavelmente a mais interessante personagem de O Jogo da Imitação: a mulher entre os homens, tão inteligente ou mais que eles, a mulher emancipada e decidida. Não que a actriz lhe dê toda a vivacidade que ela pede, mas será ao percurso de Joan no filme que daremos maior atenção.

4. Emma Stone por Birdman ou (A Inesperada Virtude da Ignorância) (Birdman)



Eu adoro a Emma Stone mas esta nomeação não se justifica. Uma única boa cena em Birdman não consegue desculpar a ausência de nomes como Jessica Chastain (ou mesmo Oprah Winfrey, que em pouco mais de cinco minutos no ecrã em Selma, merecia mais a nomeação que Emma). Stone é a desequilibrada filha do protagonista de Birdman e pouco mais há a dizer...

5. Laura Dern por Livre (Wild)



E depois de questionar a nomeação de Emma Stone, que dizer de Laura Dern? Os sorrisos e simpatia  de uma mãe lutadora e dedicada aos filhos em curtíssimos flashbacks não chegam para me convencer.

sexta-feira, 20 de fevereiro de 2015

Oscars 2015: Os Actores Principais

Chega o momento de olhar e avaliar os nomeados para Melhor Actor. E mais uma vez, tenho a mesma sensação que com as actrizes: três grandes interpretações e duas muito menores.



Tive alguma renitência em aceitar que esta foi realmente a minha interpretação favorita dos nomeados para Melhor Actor, mas temos de ser justos: Eddie Redmayne sofreu e surpreendeu-me muito. Ao encarnar Stephen Hawking, o jovem actor entrega-se a uma performance extremamente física, que exigiu de si um treino esforçado. Perdeu peso, alterou a postura, e o resultado é surpreendente, mesmo nas parecenças com o original.



Entre os melhores - e praticamente colado ao meu favoritismo por Redmayne - está Keaton e o seu desequilibrado actor em decadência, Riggan Thomson, que sonha com altos voos. O actor tem uma interpretação muito acima da média e surpreende na pele deste protagonista com quem tem, inevitavelmente, algumas semelhanças. Ambos famosos por interpretar um super-herói, Michael Keaton distingue-se de Riggan por ter neste filme o papel que o traz de volta ao reconhecimento público, só lhe falta mesmo o Oscar!

3. Steve Carell por Foxcatcher


Mais um dos meus favoritos: o mauzão do lado dos nomeados para Melhor Actor (numa espécie de paralelismo com o lugar que a personagem de Rosamund Pike ocupa na mesma categoria feminina). Steve Carell dá uma lição de representação a todos os que apenas o viam como um cómico: transfigurado - onde até a voz não parece a mesma -, o actor encarna John du Pont com uma postura fria, frágil e, ao mesmo tempo, pouco confiável. Vamos ter pena dele mas igualmente receá-lo, no meio dos seus desequilíbrios e atitudes estranhas. Carell sai, contudo, em desvantagem nesta corrida para Melhor Actor, dado o carácter mais secundário da sua personagem - apesar de ser fulcral para o desenvolvimento da narrativa de Foxcatcher.

4. Benedict Cumberbatch por O Jogo da Imitação (The Imitation Game)


Cumberbatch é competente em todos os papéis que encarna, contudo, como Alan Turing sente-se que poderia fazer melhor. O actor confere-lhe a fragilidade e o medo de que descubram o seu segredo, dotando-o de uma personalidade forte e de um génio muito característico, mas também de uma sobriedade em demasia que faz Cumberbatch brilhar menos do que provavelmente seria capaz.

5. Bradley Cooper por Sniper Americano (American Sniper)



Eis o nomeado mais fraco. Bradley Cooper tem uma prestação aceitável como Chris Kyle, mas longe de ser inesquecível. Não transmite muito, mas mostra-se à vontade nas cenas de guerra, com a concentração e o companheirismo que o protagonista pede. Está, no entanto, formatado com o nacionalismo americano, não deixando transparecer dúvidas morais, determinado a atingir os seus objectivos no exército, colocando-os assim como prioridade máxima na sua vida. O Chris Kyle de Cooper parece ser o modelo a seguir de soldado perfeito para os norte-americanos.