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segunda-feira, 22 de fevereiro de 2016

Córtex 2016: Vencedores

Os vencedores da 6ª edição do Festival Córtex foram anunciados este Domingo, no  Centro Olga Cadaval, em Sintra. Outubro Acabou, de Karen Akerman e Miguel Seabra Lopes, venceu a Competição Nacional.


O júri desta edição considerou que Outubro Acabou é uma obra "desarmante, íntimo, que nos faz acreditar ainda no cinema". Este ano, os jurados foram João Braz (editor de cinema), Joana Santos (actriz), Joana Ferreira (produtora de cinema), Miguel Valverde (director do IndieLisboa) e Igor Mirković (director do Motovun Film Festival, na Croácia). O vencedor nacional do Córtex passou também pelo IndieLisboa'15 onde tive oportunidade de vê-lo e fazer uma breve análise.

O Prémio do Público foi atribuído a Pronto, Era Assim, de Joana Nogueira e Patrícia Rodrigues. Na Competição Internacional, Svetlyachok, de Natalya Nazarova, foi o vencedor. Para o júri este trabalho é "uma viagem comovente e arrebatadora, um talento a seguir". Já no Mini-Córtex, os alunos das escolas de Sintra escolheram O Presente, de Jacob Frey, como Melhor Filme.

quarta-feira, 6 de maio de 2015

IndieLisboa'15: Competição Nacional de Curtas 1 e 2

Tempo agora para analisar a Competição Nacional de Curtas-metragens do IndieLisboa'15 a que assistimos na íntegra. Dos 16 filmes seleccionados, começamos por abordar os oito que compõem as primeira e segunda sessões.

Para lá do Marão - 6.5/10
José Manuel Fernandes trouxe ao IndieLisboa'15 a curta-metragem documental Para Lá do Marão. Ali, o realizador apresenta-nos uma população em extinção e uma terra, longe da vista, ameaçada pelo seu próprio desaparecimento.

Um trabalho simples e quase "fantasmagórico", que nos coloca perante uma aldeia-fantasma, onde observamos as casas típicas, os rebanhos e os cães que os acompanham, mas onde é quase raro o vislumbre de humanos. O nevoeiro, o som do vento e dos animais sobrepõe-se ao da população que mal vemos ou ouvimos. Um filme com um ambiente muito característico e que nos traz um retrato destas aldeias esquecidas.

Iec Long - 8/10
O percurso de João Pedro Rodrigues e João Nuno Guerra da Mata por Macau continua em Iec Long, onde, através do cinema, recuperam memórias de uma fábrica de fogo de artifício agora abandonada. O passado e o presente cruzam-se nesta curta-metragem que alterna entre a cor, música e ambiente de festa, com a prevalência do fogo de artifício no início, e as ruínas da fábrica protagonista deste filme.

Iec Long abriu em 1923 e encerrou nos anos 70. Produzia exactamente fogos de artifício (ou panchões). As imagens evocam a memória de outros tempos, e é o nosso guia, Teng Man Cheang - de 79 anos, que começou a trabalhar na Iec Long aos oito -, que nos conta a história do local, ele que se assume como o guardador daquelas ruínas. Entre as imagens a preto e branco que recordam as fantasmagóricas crianças que ali trabalharam, as fotografias da época ou as figuras em miniatura a representar o trabalho da fábrica, cria-se um passado e um presente potenciado pelo óptimo trabalho de montagem das imagens e do som.

Outubro Acabou - 6.5/10
Mãe, pai e filho são os protagonistas de Outubro Acabou, onde Karen Akerman e Miguel Seabra Lopes redescobrem as origens do cinema pelas mãos de uma criança. Não faltam referências aos consagrados Godard ou Eisenstein, e o nosso herói é um realizador em ponto pequeno, uma criança obcecada pelas imagens e pela película.

A banda sonora forte acompanha as aventuras de pais - quais produtores - e filho - o realizador -, na busca pelo seu filme perfeito, entre birras, indecisões e algum humor. Outubro Acabou é algo ingénuo na concretização mas constrói-se a partir de uma ideia muito interessante.

Aula de Condução - 4.5/10
Um ambiente misterioso e sensual paira sobre Aula de Condução, de André Santos e Marco Leão. Enquanto um jovem treina para o seu exame de condução, a mulher com quem está envolvido passeia a sua cadela.

Entre dúvidas e desejos, Aula de Condução promete mais do que nos oferece e deixa no ar algumas dúvidas. Ainda assim, o filme proporciona-nos planos interessantes numa paisagem isolada e campestre.

Lei da Gravidade - 8/10
Uma boa surpresa na Competição Nacional de Curtas é Lei da Gravidade, de Tiago Rosa-Rosso - realizador com dois filmes seleccionados para o IndieLisboa'15. O filme encena uma ficção beckettiana, onde o absurdo toma conta de duas personagens à espera que o seu filme aconteça.

Lei da Gravidade brinca consigo mesmo - um filme português - e ironiza com os preconceitos a que muitas vezes se associa o nosso cinema. Através de bons diálogos, debate-se sobre o cinema nacional, utilizam-se referências Godard ou a D.W. Griffith e não falta uma miúda e uma pistola.

O Rebocador - 8.5/10
Jorge Cramez trouxe-nos O Rebocador, provavelmente o melhor filme da Competição Nacional de Curtas, pelo menos para o Hoje Vi(vi) um Filme. Qual campanha de prevenção rodoviária, esta curta-metragem introduz-nos na noite com quem trabalha nela, um rebocador, que percorre as estradas, de acidente em acidente, para proceder ao reboque dos veículos envolvidos e levá-los para a sucata. Este homem relata-nos a sua rotina de trabalho, o seu testemunho triste e dramático, onde as palavras são uma espécie de imagens faladas, fortes e intensas.

Tal como o acidentado que acompanha o rebocador, ouvimos as suas histórias e temos medo, ficamos sensibilizados e atormentados. O Rebocador tem uma magia muito própria e um monólogo fantástico, potenciado pela excelente interpretação de Adriano Luz.

A Trama e o Círculo - 7/10
Ao longo de vários meses, Mariana Caló e Francisco Queimadela recolheram testemunhos de diversas práticas relacionadas com o lavor, o ludismo e outras actividades quotidianas assentes no conhecimento empírico. Estabelecendo relações intuitivas entre gestos concretos e substâncias, experiências sensoriais e o pensamento analógico, os autores procuraram criar um filme fragmentário imerso na ideia de transformação da matéria, gerando um movimento concêntrico que se metamorfoseia ao longo do trabalho.


A Trama e o Círculo, de Francisco Queimadela e Mariana Caló, cria a sua própria experiência sensorial por um jogo de montagem sobre o trabalho manual e a sua história empírica. Esta curta-metragem experimental revela-se um exercício competente e dinâmico entre figuras geométricas, trabalhos manuais e artesanais, sombras ou movimentos intuitivos, entre o passado e o presente.

Cinzas e Brasas - 7.5/10
Com Cinzas e Brasas, Manuel Mozos entra pelo campo da literatura para filmar uma casa de escrita e memórias, onde Isabel Ruth é Dulce Maria Cardoso. As cinzas surgem cedo neste filme, com a ideia da morte e da ausência a pairar. 43 anos depois, Dulce tem uma visita inesperada, alguém que amou e o grande responsável pelo seu sucesso literário. O início, repleto de muita cor, dá lugar à noite escura com a chegada deste visitante, apenas iluminada pela lamparina.

Sempre num limbo entre o real e o imaginário, entre a lembrança do passado e o presente, Cinzas e Brasas tem em si uma aura especial, e com um final aberto a diversas interpretações. O trabalho da direcção de fotografia é outro ponto forte desta curta-metragem.