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quarta-feira, 24 de abril de 2019

Cannes 2019: Semana da Crítica e Quinzena dos Realizadores

Foram revelados os filmes que farão parte da Semana da Crítica e da Quinzena dos Realizadores do Festival de Cannes 2019. Os portugueses Dia de Festa, de Sofia Bost, e Invisível Herói, de Cristèle Alves Meira, serão exibidos na Semana da Crítica e Les Extraordinaires Mésaventures de la jeune fille de pierre, de Gabriel Abrantes, é um dos seleccionados para a Quinzena dos Realizadores.


A 58.ª edição da Semana da Crítica do Festival de Cannes acontece de 15 a 23 de Maio. Eis a lista completa de seleccionados:

Competição
Longas-metragens
Abou Leila, de Amin Sidi-Boumédiène
Ceniza Negra, Sofía Quirós Ubeda
Hvítur, Hvítur Dagur, Hlynur Pálmason
J’ai perdu mon corps, Jérémy Clapin
Nuestras Madres, César Díaz
The Unknown Saint, Alaa Eddine Aljem
Vivarium, Lorcan Finnegan

Curtas-metragens
Dia de festa, Sofia Bost
Fakh, Nada Riyadh
Ikki illa meint, Andrias Høgenni
Journey Through a Body, Camille Degeye
Kolektyviniai sodai, Vytautas Katkus
Lucía en el limbo, Valentina Maurel
The Manila Lover, Johanna Pyykkö
Mardi de 8 à 18, Cecilia de Arce
She Runs, Qiu Yang
Ultimul Drum Spre Mare, Adi Voicu

Sessões Especiais
Longas-metragens
Litigante, Franco Lolli - Filme de Abertura
Tu mérites un amour, Hafsia Herzi
Les héros ne meurent jamais, Aude Léa Rapin
Chun jiang shui nuan, Gu Xiaogang - Filme de Encerramento

Curtas-metragens
Demonic, Pia Borg
Naptha, Moin Hussain
Please Speak Continuously and Describe Your Experiences as They Come to You, Brandon Cronenberg
Invisível Herói, Cristèle Alves Meira
Tenzo, Katsuya Tomita

A 51.ª Quinzena dos Realizadores acontece entre 15 e 25 de Maio e conta com filmes de Quentin DupieuxTakashi Miike, Robert Eggers Bertrand Bonello, entre outros. Robert Rodriguez dará uma masterclass, e The Staggering Girl, de Luca Guadagnino, será apresentado em Sessão Especial.

Eis a lista completa de seleccionados para a Quinzena dos Realizadores:

Longas-metragens
Alice et le Maire, Nicolas Pariser
And Then We Danced, Levan Akin
Ang Hupa, Lav Diaz
Canción sin nombre, Melina Leon
Le Daim, Quentin Dupieux
Ghost Tropic, Bas Devos
Give Me Liberty, Kirill Mikhanovsky
Hatsukoi, Takashi Miike
Huo zhe chang zhe, Johnny Ma
Koirat eivät käytä housuja, Jukka-Pekka Valkepaa
The Lighthouse, Robert Eggers
Lillian, Andreas Horwath
Oleg, Juris Kursietis
On va tout péter, Lech Kowalski
Les particules, Blaise Harrison
Parwareshgah, Shahrbanoo Sadat
Perdrix, Erwan Le Duc
Por el dinero, Alejo Moguillansky
Sem seu sangue, Alice Furtado
Tlamess, Ala Eddine Slim
Une fille facile, Rebecca Zlotowski
Wounds, Babak Anvari
Yves, Benoit Forgeard
Zombi Child, Bertrand Bonello

Curtas e médias-metragens
Deux sœurs qui ne sont pas sœurs, Beatrice Gibson
Les Extraordinaires Mésaventures de la jeune fille de pierre, Gabriel Abrantes
Grand Bouquet, Nao Yoshigai
HãY TỉNH THứC Và SẵN SàNG, An Pham Thien
Je te tiens, Sergio Caballero
Movements, Dahee Jeong
Olla, Ariane Labed
Piece of Meat, Jerrold Chong & Huang Junxiang
Plaisir fantôme, Morgan Simon
That Which Is to Come Is Just a Promise, Flatform

terça-feira, 12 de maio de 2015

As Mil e Uma Noites de Miguel Gomes já tem trailer

O novo filme de Miguel Gomes, As Mil e Uma Noites está prestes a estrear na Quinzena dos Realizadores do Festival de Cannes - é já no dia 16 de Maio - e já podemos assistir ao seu trailer. Depois de filmes como Tabu ou Aquele Querido Mês de Agosto, a expectativa é alta em torno deste novo trabalho. As Mil e Uma Noites estará dividido em três volumes: O Inquieto, O Desolado e O Encantado.


A estreia em Portugal está prevista para Setembro. Para já, contentemo-nos com este trailer.

quinta-feira, 5 de setembro de 2013

Crítica: Até Ver a Luz (2013)

"Vive de dia, descansa de noite."
Nuvem
*7.5/10*

O bairro da Reboleira serve, uma vez mais, de palco ao trabalho de Basil da Cunha. O realizador luso-suíço viu a sua primeira longa-metragem, Até Ver a Luz, na Quinzena dos Realizadores, no Festival de Cannes deste ano, e estreou-a agora no circuito comercial de cinema.

Um protagonista que vive de noite, na Sombra que lhe dá o único nome que lhe conhecemos, é o nosso guia pelas estreitas ruas do bairro. Ele leva-nos ao centro dos conflitos e da festa, a uma realidade ficcionada mas com personagens de carne e osso, e com uma espiritualidade muito singular. Até Ver a Luz quase que funde o documentário com a ficção, onde a segunda predomina claramente. Os actores são realmente os moradores da Reboleira, e a naturalidade com que agem perante as câmaras é fabulosa. 

Até Ver a Luz gira em torno de Sombra, que, acabado de sair da prisão, volta à vida de dealer no bairro da Reboleira. Entre o dinheiro emprestado que não consegue recuperar e aquele que deve, uma iguana pouco comum, uma jovem vizinha sempre por perto e um chefe de gang que duvida da sua boa fé, Sombra começa a pensar que, de facto, mais valia ter ficado dentro.


Basil da Cunha oferece-nos um argumento simples, com um cenário e personagens cativantes. A história de acção e desconfiança de Até Ver a Luz alia-se a um tom, por vezes, cómico, mas sempre eficaz nesse registo. As personagens são reais e credíveis, e é fácil criar empatia com elas - em especial, com Sombra, Nuvem e Clarinha.

Ao contrário do que seria de esperar de um filme que se passa neste tipo de ambiente (no caso, um bairro problemático dos arredores da capital), Basil da Cunha não pretende abordar qualquer temática moralista. Não há lições de moral a dar ou críticas sociais a lançar, disso está o mundo farto. Até Ver a Luz consegue ir mais além e ser mais profundo, até mesmo espiritual. Mostra-se a vida no bairro, de noite, o presente de Sombra, Olos, Mix, Nuvem, e de todos os outros que discutem, conversam, dançam, tocam... e que dão vida ao bairro e à longa-metragem a que assistimos. Em fusão perfeita com o realismo do filme, está a fantasia, uma espécie de estado de transe ou alucinação - onde não faltam as superstições -, que não surge, em momento algum, desfasada da narrativa. Pelo contrário, torna-a ainda mais próxima de quem assiste.

No elenco - amador, mas a demonstrar grande profissionalismo -, destaque para o protagonista, Pedro Ferreira, que veste a pele de Sombra. Ele anda pelos telhados da Reboleira, tem medo da luz do dia e um carinho especial por uma iguana de estimação que, como a si mesmo, priva da luz do Sol. Uma personagem que surge deslocada do seu mundo, mas que nutre sentimentos fortes pelos poucos que lhe dão algum tipo de conforto. Nelson da Cruz Duarte Rodrigues volta a ser Nuvem (depois de ter protagonizado a curta-metragem homónima de 2011) com um desempenho muito competente. A personagem, apesar de ter pouco tempo de antena, transmite as mensagens mais fortes. Já no trailer temos a inesquecível "Vive de dia, descansa de noite", um conselho a acatar. João Veiga, como Olos, e Paulo Ribeiro, como Mix, são outros dois desempenhos a realçar, bem como todo o restante elenco secundário, que nos diverte e envolve na acção.


Da competência técnica, à banda sonora cheia de ritmos africanos que nos põem a dançar, passando pela originalidade com que a narrativa é conduzida, Até Ver a Luz deveria ser o filme falado em português - e crioulo - (não é considerado filme português, já que a produção é apenas suíça) obrigatório do ano. Basil da Cunha prova, agora com a sua primeira longa-metragem, o jovem e prometedor talento que tem em si.