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sexta-feira, 25 de maio de 2018

Globos de Ouro Sic/Caras: Os Vencedores de Cinema

Foi no passado Domingo que foram conhecidos os vencedores dos Globos de Ouro Sic/Caras. O Hoje Vi(vi) um Filme vem um pouco atrasado, mas nunca é tarde para destacar os premiados das categorias de cinema.


O prémio para Melhor Filme foi entregue a São Jorge, de Marco Martins, que tem crítica aqui no blog. Nuno Lopes venceu a categoria de Melhor Actor pelo seu papel no mesmo filme e Rita Blanco conquistou o globo para Melhor Actriz, pelo seu desempenho no filme Fátima, de João Canijo.

A lista completa de vencedores pode ser encontrada aqui.

segunda-feira, 26 de março de 2018

Prémios Sophia 2018: Os Vencedores

A cerimónia de entrega dos Prémios Sophia 2018 aconteceu na noite de Domingo no Casino Estoril. São Jorge, de Marco Martins, conquistou sete estatuetas e foi o grande vencedor da noite.


Fica a conhecer a lista completa de vencedores dos prémios do cinema português.

Melhor Filme
São Jorge
A Fábrica de Nada
Al Berto
Fátima

Melhor Realizador
Marco Martins - São Jorge
João Canijo - Fátima
João Botelho - Peregrinação
Pedro Pinho - A Fábrica de Nada

Melhor Actriz Principal
Carla Galvão - A Fábrica de Nada
Rita Blanco - Fátima
Anabela Moreira - Fátima
Mariana Nunes - São Jorge

Melhor Actor Principal
Nuno Lopes - São Jorge
Miguel Borges - Uma Vida à Espera
Cláudio da Silva - Peregrinação
José Pimentão - Al Berto

Melhor Actriz Secundária
Isabel Abreu - Uma Vida à Espera
Beatriz Batarda - São Jorge
Catarina Wallenstein - Peregrinação
Raquel Rocha Vieira - Al Berto

Melhor Actor Secundário
Adriano Luz - São Jorge
José Raposo - São Jorge
João Villas-Boas - Al Berto
Duarte Grilo - Al Berto

Melhor Documentário em Longa-Metragem
Ama-San
Nos Interstícios da Realidade ou o Cinema de António de Macedo
Treblinka
Rosas de Ermera

Melhor Argumento Original
Ricardo Adolfo e Marco Martins - São Jorge
João Canijo - Fátima
Vicente Alves do Ó - Al Berto
Paulo Filipe Monteiro – Zeus

Melhor Banda Sonora Original
Rodrigo Leão - 100 Metros
Hugo Leitão, Nuno Malo, Rafael Toral - São Jorge
Luís Bragança Gil e Daniel Bernardes - Peregrinação
Rita Redshoes & The Legendary Tigerman - Ornamento e Crime

Melhor Canção Original
Sementes do Impossível por Xutos e Pontapés - Índice Médio de Felicidade
Fim - composição e interpretação Lúcia Moniz - Uma Vida à Espera
VOODOO – composição de Rita Redshoes & The Legendary Tigerman e interpretação de Rita Redshoes - Ornamento e Crime
Ribombar do Amor - Compositor e intérprete Jorge Prendas - Delírio Em Las Vedras

Melhor Fotografia
Carlos Lopes - São Jorge
Luís Branquinho - Peregrinação
Rui Poças - Al Berto
Leonor Teles - Verão Danado

Melhor Efeitos Especiais/Caracterização
Nuno Esteves “Blue” - Peregrinação
Sara Menitra - Zeus
Alexandra Espinhal - A Ilha dos Cães
João Rapaz - Verão Danado

Melhor Série
Madre Paula
Vidago Palace
A Criação
A Família Ventura

Melhor Direcção Artística
Joana Cardoso - Al Berto
João Torres - Zeus
Wayne dos Santos - São Jorge
Bruno Caldeira - A Ilha dos Cães

Melhor Som
Olivier Blanc, Hugo Leitão - São Jorge
Francisco Veloso - Peregrinação
Elsa Ferreira, Olivier Hespel, Gérard Rousseau - Fátima
Pedro Melo, Elsa Ferreira e Branko Neskov - Al Berto

Melhor Guarda Roupa
Joana Veloso - Peregrinação
Joana Cardoso - Al Berto
Sílvia Grabowski - Zeus
Lucha D'Orey - O Divã de Estaline

Melhor Maquilhagem e Cabelos
Abigail Machado e Mário Leal - Al Berto
Rita Castro, Felipe Muiron - Peregrinação
Djanira Cirilo da Cruz, Maria Almeida (Nani) - São Jorge
Nuno Esteves "Blue" e Mizé Silvestre - O Divã de Estaline

Melhor Montagem
Mariana Gaivão - São Jorge
João Braz - Peregrinação
Cláudia Oliveira, Edgar Feldman, Luísa Homem - A Fábrica de Nada
Pedro Ribeiro, Pedro Marinho, Vasco Carvalho - Índice Médio de Felicidade

Melhor Argumento Adaptado
Pedro Pinho, Luisa Homem, Leonor Noivo, Tiago Hespanha baseado na peça original “The Nothing Factory” de Judith Herzberg - A Fábrica de Nada
João Botelho adaptado do livro de Fernão Mendes Pinto - Peregrinação
David Machado e Tiago R. Santos - Índice Médio de Felicidade
Jorge António, Paulo Leite e Virgilio Almeida baseado no livro "Os Senhores do Areal" de Henrique Abranches - A Ilha dos Cães

Melhor Documentário em Curta-Metragem
António E Catarina de Cristina Hanes
Reis Do Sertão de Pablo Antonio
Où En Êtes-Vous, João Pedro Rodrigues? de João Pedro Rodrigues
O Homem Eterno de Luís Costa

Melhor Curta-Metragem de Ficção
Coelho Mau de Carlos Conceição
Altas Cidades De Ossadas de João Salaviza
A Língua de Adriana Martins da Silva
Antes que a noite venha – Falas de Antígona de Joaquim Pavão

Curta-Metragem de Animação
A Gruta De Darwin de Joana Toste
Das Gavetas Nascem Sons de Vítor Hugo
Água Mole de Laura Gonçalves e Alexandra Ramires (Xá)
Tocadora de Joana Imaginário

Prémio Sophia Estudante
Snooze de Dinis Leal Machado - ESMAD
A Clarabóia de Alícia Moreira - IPCA
Irís de Renato Arroyo e Francisco Ferreira - Universidade Lusófona
Blondes Make the Best Victims de Rita Ventura – ESAD

Prémio Mérito e Excelência
Ana Lorena
Lauro António
Artur Correia

terça-feira, 27 de fevereiro de 2018

Prémios Sophia 2018: Os Nomeados

Foram esta Terça-feira revelados os nomeados para os Prémios Sophia 2018. São Jorge, de Marco Martins, lidera a lista com 14 nomeações. Margarida Vila-Nova e Miguel Nunes fizeram o anúncio dos nomeados, num evento que teve lugar na Cinemateca Portuguesa.


Foi também entregue o prémio para Melhor Cartaz Sophia 2017 a Luís Carlos Amaro pelo cartaz do filme Treblinka. Em segundo e terceiro lugares ficaram, respectivamente, A Floresta das Almas Perdidas, desenhado por José Pedro Lopes e Francisco Lobo, e Ornamento e Crime, de António Antunes (Tó Tripes).

Conhece todos os filmes na corrida para os prémios do cinema português.


Melhor Filme
São Jorge
A Fábrica de Nada
Al Berto
Fátima

Melhor Realizador
Marco Martins - São Jorge
João Canijo - Fátima
João Botelho - Peregrinação
Pedro Pinho - A Fábrica de Nada

Melhor Actriz Principal
Carla Galvão - A Fábrica de Nada
Rita Blanco - Fátima
Anabela Moreira - Fátima
Mariana Nunes - São Jorge

Melhor Actor Principal
Nuno Lopes - São Jorge
Miguel Borges - Uma Vida à Espera
Cláudio da Silva - Peregrinação
José Pimentão - Al Berto

Melhor Actriz Secundária
Isabel Abreu - Uma Vida à Espera
Beatriz Batarda - São Jorge
Catarina Wallenstein - Peregrinação
Raquel Rocha Vieira - Al Berto

Melhor Actor Secundário
Adriano Luz - São Jorge
José Raposo - São Jorge
João Villas-Boas - Al Berto
Duarte Grilo - Al Berto

Melhor Documentário em Longa-Metragem
Ama-San
Nos Interstícios da Realidade ou o Cinema de António de Macedo
Treblinka
Rosas de Ermera

Melhor Argumento Original
Ricardo Adolfo e Marco Martins - São Jorge
João Canijo - Fátima
Vicente Alves do Ó - Al Berto
Paulo Filipe Monteiro – Zeus

Melhor Banda Sonora Original
Rodrigo Leão - 100 Metros
Hugo Leitão, Nuno Malo, Rafael Toral - São Jorge
Luís Bragança Gil e Daniel Bernardes - Peregrinação
Rita Redshoes & The Legendary Tigerman - Ornamento e Crime

Melhor Canção Original
Sementes do Impossível por Xutos e Pontapés - Índice Médio de Felicidade
Fim - composição e interpretação Lúcia Moniz - Uma Vida à Espera
VOODOO – composição de Rita Redshoes & The Legendary Tigerman e interpretação de Rita Redshoes - Ornamento e Crime
Ribombar do Amor - Compositor e intérprete Jorge Prendas - Delírio Em Las Vedras

Melhor Fotografia
Carlos Lopes - São Jorge
Luís Branquinho - Peregrinação
Rui Poças - Al Berto
Leonor Teles - Verão Danado

Melhor Efeitos Especiais/Caracterização
Nuno Esteves “Blue” - Peregrinação
Sara Menitra - Zeus
Alexandra Espinhal - A Ilha dos Cães
João Rapaz - Verão Danado

Melhor Série
Madre Paula
Vidago Palace
A Criação
A Família Ventura

Melhor Direcção Artística
Joana Cardoso - Al Berto
João Torres - Zeus
Wayne dos Santos - São Jorge
Bruno Caldeira - A Ilha dos Cães

Melhor Som
Olivier Blanc, Hugo Leitão - São Jorge
Francisco Veloso - Peregrinação
Elsa Ferreira, Olivier Hespel, Gérard Rousseau - Fátima
Pedro Melo, Elsa Ferreira e Branko Neskov - Al Berto

Melhor Guarda Roupa
Joana Veloso - Peregrinação
Joana Cardoso - Al Berto
Sílvia Grabowski - Zeus
Lucha D'Orey - O Divã de Estaline

Melhor Maquilhagem e Cabelos
Abigail Machado e Mário Leal - Al Berto
Rita Castro, Felipe Muiron - Peregrinação
Djanira Cirilo da Cruz, Maria Almeida (Nani) - São Jorge
Nuno Esteves "Blue" e Mizé Silvestre - O Divã de Estaline

Melhor Montagem
Mariana Gaivão - São Jorge
João Braz - Peregrinação
Cláudia Oliveira, Edgar Feldman, Luísa Homem - A Fábrica de Nada
Pedro Ribeiro, Pedro Marinho, Vasco Carvalho - Índice Médio de Felicidade

Melhor Argumento Adaptado
Pedro Pinho, Luisa Homem, Leonor Noivo, Tiago Hespanha baseado na peça original “The Nothing Factory” de Judith Herzberg - A Fábrica de Nada
João Botelho adaptado do livro de Fernão Mendes Pinto - Peregrinação
David Machado e Tiago R. Santos - Índice Médio de Felicidade
Jorge António, Paulo Leite e Virgilio Almeida baseado no livro "Os Senhores do Areal" de Henrique Abranches - A Ilha dos Cães

Melhor Documentário em Curta-Metragem
António E Catarina de Cristina Hanes
Reis Do Sertão de Pablo Antonio
Où En Êtes-Vous, João Pedro Rodrigues? de João Pedro Rodrigues
O Homem Eterno de Luís Costa

Melhor Curta-Metragem de Ficção
Coelho Mau de Carlos Conceição
Altas Cidades De Ossadas de João Salaviza
A Língua de Adriana Martins da Silva
Antes que a noite venha – Falas de Antígona de Joaquim Pavão

Curta-Metragem de Animação
A Gruta De Darwin de Joana Toste
Das Gavetas Nascem Sons de Vítor Hugo
Água Mole de Laura Gonçalves e Alexandra Ramires (Xá)
Tocadora de Joana Imaginário

Prémio Sophia Estudante
Snooze de Dinis Leal Machado - ESMAD
A Clarabóia de Alícia Moreira - IPCA
Irís de Renato Arroyo e Francisco Ferreira - Universidade Lusófona
Blondes Make the Best Victims de Rita Ventura – ESAD

Prémio Mérito e Excelência
Ana Lorena
Lauro António
Artur Correia

A cerimónia de entrega dos Prémios Sophia vai acontecer no Casino Estoril, no dia 25 de Março.

terça-feira, 14 de março de 2017

Sugestão da Semana #263

Das estreias da passada Quinta-feira, a Sugestão da Semana destaca o filme português, São Jorge. A longa-metragem de Marco Martins, protagonizada por Nuno Lopes, já tem crítica no Hoje Vi(vi) um Filme.

SÃO JORGE


Ficha Técnica:
Título Original: São Jorge
Realizador: Marco Martins
Actores: Nuno Lopes, Jean-Pierre Martins, Gonçalo Waddington, Mariana Nunes, José Raposo, Carla Maciel, Paula Santos, Beatriz Batarda, Teresa Coutinho, David Semedo
Género: Drama
Classificação: M/14
Duração: 112 minutos

domingo, 12 de março de 2017

Estreias da Semana #263

Seis filmes chegaram às salas de cinema portuguesas esta Quinta.feira. Kong: Ilha da Caveira e São Jorge são duas das estreias.

A Autópsia de Jane Doe (2016)
The Autopsy of Jane Doe
Tommy (Brian Cox) e Austin (Emile Hirsch), pai e filho, trabalham juntos como médicos legistas. Numa noite igual a tantas outras recebem um misterioso cadáver descoberto na cave de uma família que foi brutalmente assassinada. O corpo da jovem Jane Doe, como é provisoriamente chamada, está assustadoramente bem preservado e envolto em mistério. Enquanto trabalham noite fora para descobrir a causa de morte, os dois homens vão descobrindo os perturbadores segredos da sua vida. Depressa, uma série de terríveis acontecimentos tornam claro que Jane Doe pode não estar morta.

Antes de vos Deixar (2017)
Before I Fall
E se tivesse apenas um dia para mudar absolutamente tudo? Samantha Kingston tem uma vida perfeita: os amigos perfeitos, o namorado perfeito e um futuro aparentemente perfeito. De repente, tudo muda e Sam acorda sem futuro. Obrigada a reviver o mesmo dia uma e outra vez, começa a questionar o quão perfeita a sua vida realmente era.

Kong: Ilha da Caveira (2017)
Kong: Skull Island
Uma equipa de exploradores reúne-se na missão de explorar uma ilha desconhecida do Pacífico - com tanto de encantadora como de traiçoeira -, alheios ao facto de estarem a entrar no território do mítico Kong.

Neruda (2016)
1948, a Guerra Fria estendeu-se até ao Chile. No congresso, o senador Pablo Neruda critica abertamente o governo. O presidente Videla exige a sua destituição e confia ao temível inspector Óscar Peluchonneau a responsabilidade de deter o poeta. Neruda e a esposa, a pintora Delia del Carril, não conseguem sair do país e são obrigados a esconder-se. Ele espicaça o inspector, deixando-lhe voluntariamente pistas de forma a tornar a perseguição ainda mais íntima e perigosa. Neste jogo do gato e do rato, Neruda aproveita a ocasião para se reinventar e tornar-se um símbolo da liberdade e uma lenda literária.

Em São Jorge, focamo-nos em Jorge (Nuno Lopes), um boxeur desempregado que aceita trabalho nocturno numa empresa de cobranças difíceis. Num momento em que a mãe do seu filho o quer levar para o Brasil, Jorge vê neste emprego a sua única solução.

Um Reino Unido (2016)
A United Kingdom
Em finais dos anos 40 do século XX, Seretse Khama (David Oyelowo) e Ruth Williams (Rosamund Pike) conhecem-se em Inglaterra. Da atracção mútua nasce um grande amor, mas Seretse Khama é negro e príncipe herdeiro do protectorado do Botswana. Ruth é branca e britânica. A sua união enfrenta fortes preconceitos sociais e familiares e representa  uma afronta política na altura em que o governo da África do Sul acaba de implementar a política de separação completa de raças conhecida por Apartheid.

sexta-feira, 3 de março de 2017

Crítica: São Jorge (2016)

"Eu andarei vestido e armado com as armas de São Jorge..."
Oração a São Jorge


*7/10*

Cerca de um seis meses após estrear no Festival de Veneza, São Jorge, de Marco Martins, chega a Portugal, o seu país. Nuno Lopes (premiado no festival italiano) é o motor da narrativa que se propõe a abordar uma temática arriscada: o mundo das empresas de cobranças difíceis em tempos de crise.

Depois de Alice (2005), realizador e protagonista regressam juntos ao cinema. A dupla adaptou-se bem aos bairros onde o filme se passa, e actores e não actores são filmados com a maior das naturalidades, acompanhando as suas conversas e receios sobre o estado do país sob o jugo da troika.

Em São Jorge, focamo-nos em Jorge (Nuno Lopes), um boxeur desempregado que aceita trabalho nocturno numa empresa de cobranças difíceis. Num momento em que a mãe do seu filho o quer levar para o Brasil, Jorge vê neste emprego a sua única solução.


A par da arrojada história principal e do conflito que surge no protagonista quando começa o seu novo trabalho, encontramos um lado mais documental ligado à temática da crise que assolava o país aquando do início da produção de São Jorge. Este lado é, infelizmente, o ponto fraco da longa-metragem de Marco Martins, que acaba por dar demasiado foco à realidade tão falada, documentada e filmada, real ou ficcionalmente.

Já a temática das cobranças difíceis, do desespero dos devedores, da urgência dos credores e da violência para com os que não cumprem os prazos, dá um ponto de partida especialmente interessante ao filme, mas não é explorado na sua plenitude.

Há em Jorge duas circunstâncias que, já de si, criam um dilema em toda a sua nova situação: ser boxeur e estar com problemas financeiros. Ele vai ter de utilizar as suas habilidades e dotes físicos contra outros que, tal como ele, sofrem com a crise. Tudo se adensa com a ida para o terreno, presenciar conversas, a pressão exercida sobre os devedores e, principalmente, a necessidade da sua intervenção, em último recurso. A violência como meio para atingir um fim.

A relação entre pai e filho e entre Jorge e Susana, a mãe da criança, pecam por não ser mais exploradas, especialmente por serem eles o motivo da sua decisão em aceitar este trabalho difícil e quase imoral.


Nuno Lopes transformou-se fisicamente para interpretar Jorge. Surge atlético, com verdadeiro porte de boxeur. Nota-se o treino necessário para subir ao ringue da representação neste papel, bem como a familiaridade que demonstra ao passear-se pelos bairros da Bela Vista e da Jamaica. Duro, mas apaixonado e sensível, chegando até a ser ingénuo, o actor é camaleónico e enriquece qualquer filme.

São Jorge passa-se maioritariamente de noite, adensando a aura misteriosa e obscura que assombra o trabalho do protagonista como cobrador de dívidas. A noite esconde o sangue depois de um ajuste de contas e disfarça o desespero. Mas é também sinónimo de liberdade e boa parceira de fuga. Neste ambiente nocturno, a direcção de fotografia de Carlos Lopes faz um excelente trabalho, e potencia a execução de planos marcantes.

São Jorge é o esperado regresso da dupla Martins-Lopes. Ao comando, Nuno Lopes atordoa a plateia com punhos cheios de talento. O filme fica a saber a pouco quando pensamos na ideia original de explorar o submundo das cobranças difíceis. Queríamos um pouco mais. Ficam-nos a dever esta.