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segunda-feira, 23 de setembro de 2019

Emmy 2019: Os vencedores

A 71.ª cerimónia dos Emmy Awards aconteceu este Domingo, 22 de Setembro, no Microsoft Theater, em Los Angeles. Fleabag e Ozark foram alguns dos vencedores da noite.


Conhece os premiados desta edição dos Emmy Awards:

Melhor Série - Drama
Better Call Saul (AMC)
Bodyguard (Netflix)
Game of Thrones (HBO)
Killing Eve (BBC America)
Ozark (Netflix)
Pose (FX)
Succession (HBO)
This Is Us (NBC)

Melhor Série - Comédia
Barry (HBO)
Fleabag (Amazon)
The Good Place (NBC)
The Marvelous Mrs. Maisel (Amazon)
Russian Doll (Netflix)
Schitt's Creek (Pop)
Veep (HBO)

Melhor Minissérie
Escape at Dannemora (Showtime)
Fosse/Verdon (FX)
Sharp Objects (HBO)
When They See Us (Netflix)

Filme para Televisão
Black Mirror: Bandersnatch (Netflix)
Brexit: The Uncivil War (HBO)
Deadwood: The Movie (HBO)
King Lear (Amazon)
My Dinner With Herve (HBO)

Melhor Actor em Série - Drama
Jason Bateman (Ozark)
Sterling K. Brown (This Is Us)
Kit Harington (Game of Thrones)
Bob Odenkirk (Better Call Saul)
Billy Porter (Pose)
Milo Ventimiglia (This Is Us)

Melhor Actriz em Série - Drama
Emilia Clarke (Game of Thrones)
Jodie Comer (Killing Eve)
Viola Davis (How to Get Away With Murder)
Laura Linney (Ozark)
Mandy Moore (This Is Us)
Sandra Oh (Killing Eve)
Robin Wright (House of Cards)

Melhor Actor em Série - Comédia
Anthony Anderson (Black-ish)
Don Cheadle (Black Monday)
Ted Danson (The Good Place)
Michael Douglas (The Kominsky Method)
Bill Hader (Barry)
Eugene Levy (Schitt's Creek)

Melhor Actriz em Série - Comédia
Christina Applegate (Dead to Me)
Rachel Brosnahan (The Marvelous Mrs. Maisel)
Julia Louis-Dreyfus (Veep)
Natasha Lyonne (Russian Doll)
Catherine O'Hara (Schitt's Creek)
Phoebe Waller-Bridge (Fleabag)

Melhor Actor em Minissérie ou Filme para Televisão
Mahershala Ali (True Detective)
Benicio Del Toro (Escape at Dannemora)
Hugh Grant (A Very English Scandal)
Jared Harris (Chernobyl)
Jharrel Jerome (When They See Us)
Sam Rockwell (Fosse/Verdon)

Melhor Actriz em Minissérie ou Filme para Televisão
Amy Adams (Sharp Objects)
Patricia Arquette (Escape at Dannemora)
Joey King (The Act)
Niecy Nash (When They See Us)
Michelle Williams (Fosse/Verdon)
Aunjanue Ellis (When They See Us)

Melhor Programa de Competição
The Amazing Race (CBS)
American Ninja Warrior (NBC)
Nailed It (Netflix)
RuPaul's Drag Race (VH1)
Top Chef (Bravo)
The Voice (NBC)

Melhor talk show
The Daily Show With Trevor Noah (Comedy Central)
Full Frontal With Samantha Bee (TBS)
Jimmy Kimmel Live! (ABC)
Last Week Tonight with John Oliver (HBO)
The Late Late Show With James Corden (CBS)
The Late Show With Stephen Colbert (CBS)

Melhor Série de Sketches de Variedades
At Home With Amy Sedaris (truTV)
Documentary Now! (IFC)
Drunk History (Comedy Central)
I Love You, America With Sarah Silverman (Hulu)
Saturday Night Live (NBC)
Who Is America? (Showtime)

Melhor Actor Secundário em Série - Drama
Alfie Allen (Game of Thrones)
Jonathan Banks (Better Call Saul)
Nikolaj Coster-Waldau (Game of Thrones)
Peter Dinklage (Game of Thrones)
Giancarlo Esposito (Better Call Saul)
Michael Kelly (House of Cards)
Chris Sullivan (This Is Us)

Melhor Actriz Secundária em Série - Drama
Gwendoline Christie (Game of Thrones)
Julia Garner (Ozark)
Lena Headey (Game of Thrones)
Fiona Shaw (Killing Eve)
Sophie Turner (Game of Thrones)
Maisie Williams (Game of Thrones)

Melhor Actor Secundário em Série - Comédia
Alan Arkin (The Kominsky Method)
Anthony Carrigan (Barry)
Tony Hale (Veep)
Stephen Root (Barry)
Tony Shalhoub (The Marvelous Mrs. Maisel)
Henry Winkler (Barry)

Melhor Actriz Secundária em Série - Drama
Alex Borstein (The Marvelous Mrs. Maisel)
Anna Chlumsky (Veep)
Olivia Colman (Fleabag)
Sian Clifford (Fleabag)
Betty Gilpin (GLOW)
Sarah Goldberg (Barry)
Marin Hinkle (The Marvelous Mrs. Maisel)
Kate McKinnon (Saturday Night Live)

Melhor Actor Secundário em Missérie e Filme para Televisão
Asante Blackk (When They See Us)
Paul Dano (Escape At Dannemora)
John Leguizamo (When They See Us)
Stellan Skarsgård (Chernobyl)
Ben Whishaw (A Very English Scandal)
Michael K. Williams (When They See Us)

Melhor Actriz Secundária em Missérie e Filme para Televisão
Patricia Arquette (The Act)
Marsha Stephanie Blake (When They See Us)
Patricia Clarkson (Sharp Objects)
Vera Farmiga (When They See Us)
Margaret Qualley (Fosse/Verdon)
Emily Watson (Chernobyl)

Melhor Actor Convidado em Série - Drama
Michael Angarano (This Is Us)
Ron Cephas Jones (This Is Us)
Michael McKean (Better Call Saul)
Kumail Nanjiani (The Twilight Zone)
Glynn Turman (How To Get Away With Murder)
Bradley Whitford (The Handmaid's Tale)

Melhor Actriz Convidada em Série - Drama
Laverne Cox (Orange Is The New Black)
Cherry Jones (The Handmaid's Tale)
Jessica Lange (American Horror Story: Apocalypse)
Phylicia Rashad (This Is Us)
Cicely Tyson (How To Get Away With Murder)
Carice van Houten (Game Of Thrones)

Melhor Actor Convidado em Série - Comédia
Matt Damon (Saturday Night Live)
Robert De Niro (Saturday Night Live)
Luke Kirby (The Marvelous Mrs. Maisel)
Peter MacNicol (Veep)
John Mulaney (Saturday Night Live)
Adam Sandler (Saturday Night Live)
Rufus Sewell (The Marvelous Mrs. Maisel)

Melhor Actriz Convidada em Série - Comédia
Jane Lynch (The Marvelous Mrs. Maisel)
Sandra Oh (Saturday Night Live)
Maya Rudolph (The Good Place)
Kristin Scott Thomas (Fleabag)
Fiona Shaw (Fleabag)
Emma Thompson (Saturday Night Live)

A lista completa de vencedores pode ser consultada em https://www.emmys.com/awards/nominees-winners.

quarta-feira, 28 de agosto de 2019

Opinião: Séries - True Detective - Temporada 3 (2019)

"I miss when 'Don't get killed' was the only thing on my to-do list."
Brett Woodard


*6.5/10*

Passaram-se alguns anos enquanto esperávamos pela estreia da terceira temporada de True Detective, premiada série da HBO, criada por Nic Pizzolatto. Eis que chegou no início de 2019, com dois novos detectives ao comando: Mahershala Ali e Stephen Dorff, cujas personagens mantêm a dubiedade das parcerias das anteriores temporadas. Primeiro, Matthew McConaughey (Rust Cohle) e Woody Harrelson (Martin Hart), depois, Colin Farrell (Ray Velcoro) e Rachel McAdams (Ani Bezzerides). 

O sucesso e qualidade da primeira temporada eram difíceis de igualar e seria de esperar que esta terceira superasse com facilidade a segunda, que foi tão mal recebida pelo público - da minha parte, contudo, não existe qualquer sentimento de ódio em relação à história, bem pelo contrário. Na mais recente temporada, contudo, o argumento aproxima-se mais da investigação de Cohle e Hart (cujo caso demorou 17 anos a ser resolvido). Os dados são lançados após o desaparecimento misterioso de duas crianças. 

Um menino de 12 anos e da irmã, de 10, desaparecem no Arkansas em 1980. O crime desencadeia memórias vívidas e questões persistentes ao detective reformado Wayne Hays, que trabalhou no caso há 35 anos com o então parceiro Roland West. Aquilo que começa por ser um caso rotineiro acaba por se tornar numa interminável jornada na tentativa de dissecar o crime e dar-lhe algum sentido. O caso Purcell está por resolver há 35 anos.


A acção desenrola-se pois em três tempos distintos: 1980, 1990 e 2015 - o que nem sempre funciona como ponto positivo, apesar de algumas transições serem bem conseguidas. Este triângulo temporal origina também uma aura ligeiramente fantasmagórica que não auxilia a credibilidade da série.

Desde os primeiros episódios que assistimos a várias teorias, formamos as nossas próprias considerações sobre os suspeitos, conhecemos os inspectores e sua personalidade e apercebemo-nos até da influência e pressão que sentem, da parte de elementos externos, em ver o caso rapidamente encerrado. A série toca levemente na problemática do racismo nos Estados Unidos, bem como na forma como os veteranos de guerra são encarados no regresso. Os contornos rocambolescos do crime envolvem cada vez mais personagens e a conclusão está longe de ser satisfatória. O último episódio está, aliás, muitos furos abaixo do que se exigiria para uma série desta qualidade.

São oito episódios, uns realmente entusiasmantes, que nos fazem clamar pelo desenlace do caso. Afinal, o que aconteceu naquele fim-de-tarde? A reabertura do caso, dez anos depois dos acontecimentos, e os esforços de Hays, West e da forte personagem feminina, Amelia Reardon, em juntar as pontas soltas para o resolver são acompanhados com máxima atenção. Todavia, o final de True Detective é um grande desapontamento...


O ponto mais forte desta terceira temporada são, sem dúvida, as excelentes interpretações do elenco. Especial destaque para um fabuloso e perturbado Mahershala Ali, em parceria com um magoado Stephen Dorff, e uma corajosa Carmen Ejogo. São estes os nomes que fazem valer a visualização da mais recente temporada da série da HBO.

terça-feira, 11 de junho de 2019

Opinião: Minisséries - Chernobyl (2019)

"What is the cost of lies?"


*8/10*

O desastre nuclear de Chernobyl, na cidade de Pripyat, na Ucrânia, em 1986, é uma temática que sempre me despertou a atenção. A minissérie da HBO/Sky, lançada o mês passado, não me passou ao lado, nem as críticas positivas que vi circular Internet fora. Não resisti à curiosidade e ao interesse pelo tema e eis-me mergulhada em Chernobyl.

Escrita por Craig Mazin e realizada por Johan Renck, a minissérie recria aquela que foi uma das piores catástrofes da história causadas ​​pelo homem. A 26 de Abril de 1986, a Central Nuclear de Chernobyl sofreu uma enorme explosão que lançou material radioactivo pela Bielorrússia, Rússia e Ucrânia, atingindo também a Escandinávia e a Europa Ocidental. Somos apresentados aos responsáveis, aos inocentes e aos que tudo fizeram para minimizar as consequências. Damos de caras com a insensibilidade, a mentira e a incompetência extrema, mas também com a coragem e bravura dos que ainda têm coração e que deram a vida para salvar outras tantas.


O ambiente é tão aterrador que os filmes de terror fugiriam de vergonha. Chernobyl está repleta de elementos do género, que servem que nem uma luva à transposição desta história real para a ficção. É aí que reside o horror, o medo, os arrepios: tudo aconteceu de forma muito semelhante ao que nos é narrado.

O primeiro episódio deixa-nos presos aos acontecimentos e, até ao terceiro, é impossível tirar os olhos do ecrã. Os dois últimos, mais políticos e com menos acção, perdem um pouco o fôlego mas continuam pertinentes. Sem dúvida que, nesta série, as imagens imperam sobre as palavras, até porque entre as segundas circulam muitas mentiras.


As cores, o cenário, a direcção artística e até mesmo a banda sonora de Hildur Guðnadóttir - tão arrepiante como a história - são excelentes ao transportar-nos para os anos 80. Nas interpretações, o trio central de heróis deixa-nos vidrados: Jared Harris como Valery Legasov, o físico nuclear soviético que faz parte da equipa de resposta à tragédia; Stellan Skarsgård como o vice primeiro-ministro Boris Shcherbina, designado pelo Kremlin para liderar a comissão do governo em Chernobyl; e Emily Watson como Ulana Khomyuk (a única personagem fictícia que representa um grande grupo de cientistas que estiveram ao lado de Legasov em busca de respostas), uma física nuclear soviética que quer resolver o mistério do que terá originado o desastre.


Ora, o que torna Chernobyl ainda mais singular é todo o enredo e a forma como o conta em cinco horas. É ficção quase documental, informativa, bastante factual e completa. Dêem-nos mais lições de História como esta.

quarta-feira, 10 de abril de 2019

Opinião: Série - O Desaparecimento de Madeleine McCann / The Disappearance of Madeleine McCann (2019)

*7.5/10*


Portugueses e britânicos conhecem melhor que ninguém a infeliz história de Madeleine McCann, desaparecida de um apartamento na Praia da Luz, no Algarve, em Maio de 2007, quando tinha apenas três anos.  Entre as atribuladas investigações, os suspeitos foram-se sucedendo, bem como as teorias e os avistamentos de crianças muito parecidas com Maddie, mas certo é que se passaram já 12 anos e nem rasto da menina.

A Netflix apresentou há poucas semanas a série documental The Disappearance of Madeleine McCann, que recapitula todos os passos que conhecemos e outros tantos de que não fazíamos ideia. São oito episódios, em geral, entusiasmantes, e relativamente isentos.


A polémica estala novamente, duvidamos de tudo, mais uma vez, e a cada episódio ficamos com outras desconfianças e até arrependimentos. O realizador Chris Smith e a sua equipa conseguiram reunir um grande conjunto de entrevistados relacionados com o caso, sejam jornalistas, detectives, vizinhos, suspeitos, representantes de associações, familiares, ex-elementos da PJ ou amigos da família. Recordam reportagens, entrevistas, documentos, todos dão a cara e defendem os seus pontos de vista, contam o que viram, o que esqueceram, o que sabem ou o que já não sabem. Discutem o que correu bem e o que correu mal no decorrer do processo, contam as contradições, as suspeitas, as descobertas tenebrosas na dark web, as perseguições e mesmo as fraudes. Há um equilíbrio e imparcialidade que poderia ser difícil de manter até ao final.

Ressurge claro o espanto por este ter sido o mais mediático caso de sempre no que respeita ao desaparecimento de crianças. Voltamos a tomar consciência da dimensão da máquina de relações públicas nunca antes vista e dos imensos donativos para continuar as buscas por conta própria. Tomara que todos os que procuram os seus desaparecidos tivessem este poder. E tomara que, realmente, um dia se saiba o que realmente aconteceu a Madeleine McCann e a todos aqueles de quem ninguém sabe o paradeiro.


Olha-se com esperança para os casos resolvidos, de crianças desaparecidas há muitos anos que, certo dia, sem que ninguém esperasse, regressaram às suas famílias sãs e salvas. A esperança é realmente a maior força para não desistir.

Apesar de relembrar um caso com mais de 10 anos, nem trazer qualquer resolução para o mesmo (e não me parece que tivesse qualquer propósito de o fazer), The Disappearance of Madeleine McCann é um elemento fundamental para voltar a colocar em cima da mesa uma temática tantas vezes esquecida: o tráfico humano. E, bem ou mal, não se fala de outra coisa desde que a série foi lançada.

terça-feira, 7 de outubro de 2014

Crítica: True Detective - Primeira Temporada (2014)

*9/10*

True Detective está na ordem do dia. Entre confirmações e especulações, a série da HBO começa a preparar a sua segunda temporada. Aqui, dou-lhe tempo de antena, mas para falar da primeira. Não tenho por hábito usar este espaço para falar de séries. Abro excepção para True Detective, que me conquistou por tanto que tem de cinematográfico. Não serei exaustiva na análise, quero é que todos a vejam. Muito bem se falou aquando do seu surgimento. Esta série da HBO depressa chegou ao coração dos espectadores e conquistou fãs acérrimos. Matthew McConaughey e Woody Harrelson foram as escolhas certeiras para a primeira temporada.

True Detective dá-nos a conhecer a vida de dois detectives, Rust Cohle (Matthew McConaughey) e Martin Hart (Woody Harrelson), ao longo dos 17 anos em que tentam resolver o caso de um assassino em série.

Os acontecimentos passados são-nos relatados, no presente, - a nós e a dois outros detectives - pelos dois protagonistas, longe da aparência e da carreira que tinham há 17 anos. Entrecruzando passado e presente, vamos descobrindo e reabrindo o caso. Iremos reconstruir os passos dos detectives, os crimes, as possibilidades de culpa. Vamos entrar em caminhos perigosos, sempre com Rust e Martin.


O Louisiana serve de palco aos acontecimentos. Somos mergulhados, logo de início, em macabros assassinatos nestas terras perdidas do sudeste dos Estados Unidos da América. Os primeiros episódios oferecem o choque necessário para sabermos que tudo aqui será sujo e brutal. Tudo é cru, mesmo cruel. Todas as personagens têm algo de imoral. Conhecemos, aos poucos, as suas vidas, família, os seus pecados. Percorremos com eles longas e solitárias estradas procurando suspeitos que tardam em chegar e encontrando fantasmas que teimam em não ir embora.

Será, no entanto, no quarto episódio que entramos verdadeiramente na investigação, no mundo pobre, triste, e obscuro desta América de ninguém. É aqui também que nos deparamos com um fabuloso plano-sequência, que valeu a Cary Fukunaga o Emmy para Melhor Realização em série dramática. Mas não é apenas ali que estão as marcas de uma realização de excelência. Fukunaga oferece-nos por diversas vezes fantásticos planos aéreos exteriores dos campos, do rio, das estradas desertas, outras vezes, em espaços fechados sufoca-nos com planos desconcertantes, onde o trabalho de fotografia adensa o suspense e o medo que paira também junto ao espectador.

A par da realização e do carácter negro do argumento, outro dos pontos fortes de True Detective assenta nas personagens. Todas assumem um carácter duvidoso e as aparências vão-se denegrindo, episódio a episódio. Descobrimos-lhes o passado, os segredos, as traições, os traumas, os fantasmas... E aqui reside o realismo da história: os protagonistas vão-nos desiludindo, tal e qual acontece na vida real. E, tal e qual, vamos habituar-nos a conviver com os seus defeitos e a seguir, com paixão, True Detective até ao fim.


Nem Rust nem Martin são exemplos de perfeição. Um é perturbado, dependente de drogas, o outro é mulherengo e alcoólico. Por outro lado, enquanto Rust tem o dom de encontrar pistas, formular hipóteses, obcecado com a investigação, desconfia e segue um rumo aparentemente certeiro, o outro, mais descontraído, é contudo quem o chama à terra e orienta, como bom polícia e bom colega. Assim se forma a equipa certa, entre segredos que os unirão para a vida e desavenças que podem colocar tudo a perder. Ambos se envolvem de corpo e alma na investigação que têm em mãos. As vítimas, na sua maioria mulheres e crianças, vão fazê-los chorar e lutar com uma fúria e vontade cada vez maior de encontrar culpados. Eles não desistem, mesmo quando todas as portas se fecham. E será provavelmente isso que nos fará gostar tanto de Rust e Martin.

True Detective começa em crescendo, sempre com o ambiente desconfortável mas perfeito para captar atenções, e aumentando-as até ao oitavo e último episódio. Nós apenas vamos clamar por mais, e aguardar que a segunda temporada consiga, pelo menos, ser tão boa quanto a primeira.